“Menina Morta”: cena de incesto está dentro do contexto
“A Festa da Menina Morta” é, como o próprio diretor gosta de dizer, um filme corajoso. Em seu primeiro trabalho atrás das câmeras, o ator Matheus Nachtergaele desenvolveu um argumento muito sugestivo – o culto a um santo, por conta de um milagre opaco, numa cidade ribeirinha do Amazonas. E realizou isso de uma forma arrojada, poética, sem concessões.
É um filme muito acima da média, em busca de um lugar ao sol no pequeno mercado destinado às produções brasileiras sem apelos comerciais óbvios. Vai estrear nesta sexta-feira, 12 de junho, com menos de dez cópias, em três capitais (Porto Alegre, São Paulo e Rio).
O filme acabou ficando famoso por conta de uma cena forte, de incesto, entre os dois protagonistas da história, o Santinho (Daniel de Oliveira) e seu pai (Jackson Antunes). Em Cannes, onde “A Festa da Menina Morta” foi exibido, muitos espectadores se retiraram da sala depois da cena.
O escândalo, a meu ver, é ruim para o filme. Perguntei a Matheus, em entrevista publicada no Último Segundo, se ele não se arrependia de ter mantido a cena no filme. Ele a defendeu, vigorosamente. No contexto, disse, a cena é perfeitamente cabível, e menos chocante do que apregoado. Concordo com ele.




