10/06/2009 - 13:25
“A Festa da Menina Morta” é, como o próprio diretor gosta de dizer, um filme corajoso. Em seu primeiro trabalho atrás das câmeras, o ator Matheus Nachtergaele desenvolveu um argumento muito sugestivo – o culto a um santo, por conta de um milagre opaco, numa cidade ribeirinha do Amazonas. E realizou isso de uma forma arrojada, poética, sem concessões.
É um filme muito acima da média, em busca de um lugar ao sol no pequeno mercado destinado às produções brasileiras sem apelos comerciais óbvios. Vai estrear nesta sexta-feira, 12 de junho, com menos de dez cópias, em três capitais (Porto Alegre, São Paulo e Rio).
O filme acabou ficando famoso por conta de uma cena forte, de incesto, entre os dois protagonistas da história, o Santinho (Daniel de Oliveira) e seu pai (Jackson Antunes). Em Cannes, onde “A Festa da Menina Morta” foi exibido, muitos espectadores se retiraram da sala depois da cena.
O escândalo, a meu ver, é ruim para o filme. Perguntei a Matheus, em entrevista publicada no Último Segundo, se ele não se arrependia de ter mantido a cena no filme. Ele a defendeu, vigorosamente. No contexto, disse, a cena é perfeitamente cabível, e menos chocante do que apregoado. Concordo com ele.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura
Tags: A Festa da Menina Morta, cena, Daniel de Oliveira, incesto, Jackson Antunes, Matheus Nachtergaele, polêmica
26/12/2008 - 15:46
Para quem é fã de telenovela – ou tem curiosidade acadêmica sobre esse gênero – acaba de sair um livro muito interessante. “Autores – Histórias da Teledramaturgia” (editora Globo, R$ 72) reúne, em dois volumes de 482 páginas cada, entrevistas com 16 autores da Rede Globo. O livro foi feito dentro da emissora, no contexto do projeto Memória Globo, mas está longe de ser “chapa-branca”, como escrevi no Último Segundo.
A entrevista mais divertida, de longe, é a que foi concedida por Benedito Ruy Barbosa. Exímio contador de “causos”, o autor de “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra”, entre outras, descreve no livro a origem de diversos enredos e personagens que criou. Um dos mais impressionantes é “seu” Visita, um matador que Barbosa conheceu na Bahia e que serviu de inspiração para criar o personagem Damião, vivido pelo ator Jackson Antunes em “Renascer”. Eis um trechinho da longa – e saborosa – história contada pelo autor da novela:
Então eu disse: “Seu Visita, ainda que mal lhe pergunte, é verdade que o senhor tem mais de 30 mortes nas costas?” Ele fez que não ouviu: “Quantas?”. “Trinta”, eu respondi. “É o que contam por aí?”, ele perguntou, emendando: “Tenho não. Minha mesmo, por causa de assunto pessoal, desavença ou acerto, foram quatro. O resto foi tudo de mando. Tenho nada que ver com isso. Quando eu for para o céu ou para o inferno, se perguntarem, não vou dar conta disso, não.” E acrescentou: “Quando eu era moço, era gatilho de covarde”. Coloquei essa frase na novela, na boca do Damião que, para mim, era o próprio seu Visita.
Foto: Cícero Rodrigues
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão
Tags: Autores Histórias da Teledramaturgia, Benedito Ruy Barbosa, Damião, Jackson Antunes, Memória Globo, Renascer