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10/06/2009 - 08:31

Globo, SBT e Ronaldo: cenas de novela mexicana

O patrocínio do grupo Silvio Santos ao Corinthians está produzindo uma série de eventos anedóticos, típicos de um dramalhão mexicano, bem ao gosto da programação do SBT. O surpreendente neste caso é que um dos protagonistas dessa história vem a ser a Rede Globo, famosa pela qualidade “antimexicana” de suas novelas.

Há alguns dias, Silvio Santos fez um discurso engraçadíssimo, chamando Ronaldo de “farsante” por se recusar a gravar um comercial para o SBT. No ar, aparentemente de improviso, o dono da emissora ofereceu R$ 50 milhões para o craque protagonizar a publicidade. Está no You Tube – e é inacreditável.

A Globo, como se sabe, é detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Para a emissora, causa constrangimento exibir a marca de um patrocinador – o Baú da Felicidade – cujo proprietário é dono de um canal concorrente. Propaganda grátis e ainda mais de um rival? É duro…

A emissora nega estar promovendo qualquer tipo de boicote ao logotipo do Baú em suas transmissões esportivas, mas não é o que parece. Como mostrou o jornalista Ricardo Feltrin, uma entrevista com Ronaldo, feita pela Globo no último domingo (7), passa a nítida impressão que os câmeras estão orientados a não mostrar de jeito nenhum a marca de Silvio Santos. Como fazer isso se o Baú é visto quase na gola da camisa do Corinthians? Simples: enquadrando apenas o rosto de Ronaldo, entre o queixo e a testa. 

Em 1994, a Globo produziu um enquadramento semelhante na transmissão de dois amistosos da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Patrocinada então pela Kaiser, a emissora se recusou a mostrar placas de publicidade da Brahma espalhadas pelo estádio onde ocorreu a transmissão de partidas contra Canadá e Honduras. No esforço de não exibir a marca rival, os câmeras da Globo deixaram de mostrar a bola, jogadores cobrando lateral e lances próximos à linha de fundo. Foi um papelão que entrou para a história da televisão brasileira.

Outros veículos já tomaram atitudes radicais como essa no afã de protegerem os seus interesses comerciais. Relato no livro “História do Lance!”, recém-publicado (desculpe a propaganda), que em meados de 2000 o diário esportivo manipulou imagens para não exibir a marca de Pepsi-Cola estampada na camisa do Corinthians. Escrevo no livro:

Insatisfeito com a não inclusão do Lance! na lista de veículos que receberiam anúncios de uma campanha publicitária da Pepsi-Cola, o diário passou a manipular, no computador, as fotografias que mostravam a camisa do Corinthians, de maneira a eliminar das páginas do jornal a marca do refrigerante, que então patrocinava a equipe. Depois que o caso tornou-se público, a manipulação das imagens foi interrompida.

Todas essas histórias – e há muitas outras semelhantes – expõem a defesa atabalhoada de interesses comerciais sob ameaça em meio a conflitos pesados entre empresas. Os protagonistas destes dramalhões parecem apenas se esquecer de cuidar dos interesses dos seus espectadores e leitores.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , , , , , ,
11/05/2009 - 17:50

Um blog para falar de um livro

Para não atormentar o leitor com notícias sobre o lançamento do meu livro, “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, criei um blog dedicado exclusivamente ao assunto. Fica no iG, neste endereço aqui. O post mais recente reproduz, na íntegra, o texto que o cineasta Ugo Giorgetti, colunista de “O Estado de S.Paulo”, dedicou ao livro no último domingo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: ,
10/05/2009 - 12:14

O garçom, o ator, o diretor de “Boleiros” e o “Lance!”

Aproveito o domingo para responder aos leitores que cobraram notícias sobre meu livro, “História do Lance!”, lançado quarta-feira passada, dia 6, no bar Canto Madalena, em São Paulo.

Foi uma noitada muito legal, com a presença de muitos amigos e colegas, ao longo da qual autografei 70 livros. Um dos pontos altos da festa ocorreu quase ao final, quando o garçom Aguinaldo, que passara a noite servindo chope para a turma, aproximou-se de mim com um livro na mão e pediu um autógrafo. Disse que era leitor do “Lance!” e iria ler o livro.

A primeira pessoa a chegar em busca do livro, mal o bar abriu, às 19hs, era um rosto familiar, mas cujo nome eu não lembrava. Fiquei um pouco sem graça, mas acabei perguntando: “De onde eu te conheço?” André Bicudo, ele se apresentou. “Sou ator, trabalhei nos dois ‘Boleiros’, e também sou técnico de futebol”.

“Boleiros”, de Ugo Giorgetti, para quem não sabe, é um dos melhores filmes já feitos sobre o universo do futebol brasileiro. Em torno de uma mesa de bar, um grupo de ex-jogadores relembra histórias e causos saborosos, sobre o juiz ladrão, o técnico moralista, o craque com medo, enfim, uma galeria de tipos fantásticos do universo da bola.

Lançado em 1998, com muito sucesso, “Boleiros” mereceu uma sequência em 2006, na qual Giorgetti apresenta novos personagens, como o craque que faz sucesso no exterior, mas tem um irmão envolvido com problemas pesados no Brasil, e a Maria Chuteira, especializada em namorar jogadores de futebol.

Figura simpaticíssima, André Bicudo havia lido algo sobre o lançamento e foi ao bar. Sentou-se com os meus amigos e ficou lá por um tempo. Quando o ambiente começou a se encher de gente, ele se foi. Ao final da festa, me dei conta que acabei conversando pouco com André. Queria ouvi-lo sobre o seu papel em “Boleiros”, no qual ele interpreta Caco, um craque do Corinthians que está com medo de jogar e é salvo por um pai-de-santo (vivido por Andre Abujamra).

Pois eis que o círculo se fecha neste domingo. Em sua coluna no caderno de Esportes do “Estadão”, o cineasta Ugo Giorgetti, diretor de “Boleiros”, escreveu um texto que me deixou sem palavras sobre “História do Lance!”. A coluna, infelizmente, não está aberta no site do jornal, motivo pelo qual reproduzo apenas um trecho aqui:

“O Lance! está lá, é claro. Mas, para chegar até ele, Stycer sentiu que era necessário estudar e examinar tudo que o precedeu, porque nenhuma publicação surge solitária, desligada do mundo anterior, ao contrário, ela é sempre fruto e conseqüência. Para falar do Lance! é preciso falar da A Gazeta Esportiva e do Jornal dos Sports. Para falar dessas duas publicações esportivas é preciso falar da imprensa em geral e, para falar da imprensa, é preciso falar do Brasil. É isso que foi feito em História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo, que acaba de ser lançado. Quem ler esse livro vai inevitavelmente se encontrar com o País, pois o que acontece no futebol acontece na sociedade. E a maneira como, no decorrer do tempo, a imprensa interpreta o fenômeno do futebol é reveladora de como ela se coloca diante do resto da realidade brasileira”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , , ,
06/05/2009 - 13:14

“História do Lance!”: lançamento nesta quarta-feira

Será lançado nesta quarta-feira, em São Paulo, o livro “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, no qual descrevo o processo de criação daquele que se tornou o maior diário de esportes do país. O livro, editado com esmero pela Alameda Editorial, é um desdobramento da dissertação de mestrado que defendi em 2007 na FFLCH-USP.

Como observou Gian Oddi, na excelente resenha que escreveu no iG Esporte, Livro revela história do diário Lance! e discute o jornalismo esportivo no Brasil, “embora o texto tenha profundidade acadêmica, as deliciosas histórias colhidas pelo autor, sejam elas fruto da própria experiência no Lance! ou da pesquisa sobre o futebol e a imprensa esportiva no Brasil, dão ao estudo um caráter jornalístico que acaba por tornar a leitura do livro muito saborosa”.

Em entrevista à jornalista Ana Paula Sousa, publicada em seu blog, Futebol e jornalismo: uma relação muito delicada, eu detalho alguns aspectos do trabalho, em particular a recorrência, ao longo de 110 anos, de alguns mesmo problemas e vícios do jornalismo esportivo, como bairrismo, sensacionalismo e suspeitas de corrupção.

Aproveito este post para convidar os leitores para o lançamento, no bar Canto Madalena (rua Medeiros de Albuquerque, 471, Vila Madalena, a partir das 19hs) e informar que o livro será lançado no Rio de Janeiro, no próximo dia 13 de maio.

Também aproveito para agradecer de público aos muitos sites, blogs, revistas e jornais que trouxeram notícias, nos últimos dias, sobre este lançamento. Em particular, meu agradecimento ao iG, à CartaCapital (e também via o blog de Camila Alam),  ao blog de Mauricio Noriega, ao blog do Menon, à coluna de Mônica Bergamo, na “Folha”, ao blog do Juca Kfouri, ao Terra Magazine, de Bob Fernandes, ao Caio Maia, da revista “Trivela”, ao Ubiratan Leal, do “Balípodo”, Observatório da Imprensa, Loucos por Futebol (ESPN), Jornalistas & Cia e Comunique-se

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo Tags: , , , , , , , , , , , ,
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