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02/07/2009 - 12:16

Caro Tico Santa Cruz,

Como tenho andado muito pelo Twitter acabei achando o seu perfil, onde você se apresenta como “cantor, compositor, poeteiro, blogueiro e AGORA jornalista”. Acredito. Mas, lendo o texto que você postou nesta quinta-feira em seu blog, “Sarney VENCEU”, não posso deixar de pensar que essas qualificações todas não foram suficientes para te fazer entender o que aconteceu nos últimos dias. Nem te ajudaram a ter uma perspectiva histórica dos acontecimentos.

Escrevi há algumas semanas um longo texto contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista, no qual dizia, entre outras coisas:

1. O que é preciso saber e aprender para ser jornalista? É uma questão polêmica. Há alguns consensos: é preciso ter cultura geral e domínio total da língua portuguesa. Conhecer história é fundamental. Matemática e estatística são conhecimentos necessários. Ética. Direito. É preciso ter o hábito de ler jornais e revistas, ter gosto pela informação. Ter espírito crítico, ser capaz de compreender a realidade em que vive, é outro atributo obrigatório.

Tenho a impressão, lendo o seu blog, que te faltam todos esses atributos. Um sinal evidente disso é a sua idéia de que o movimento “Fora Sarney” começou e acabou na Internet no espaço de uma ou duas semanas. Quer dizer, você propõe uma manifestação contra um político que está aí, na estrada, há mais de 50 anos, só aparecem uns gatos pingados e você conclui que o movimento fracassou? Como assim?

Esse teu texto também me lembra aquele garoto que leva a bola para o playground, se irrita porque perdeu a primeira partida e vai embora, levando a bola e impedindo o jogo de continuar.

Neste caso, porém, nem isso é possível. Se você se preparar um pouco mais para os embates da política, verá que essa partida que você quis jogar – e acaba de de desistir – já está em andamento há muito tempo, e não tem data, ainda, para terminar. 

Atualização às 13h: Tico Santa Cruz responde:

Cerca de 30 minutos depois de entrar no ar minha carta-aberta, Tico Santa Cruz manifestou-se sobre o texto por meio de curtas mensagens enviadas via Twitter. O músico disse, primeiro: “Caro jornalista, reconhecer uma derrota como PESSOAL, significa uma reflexão interna, não geral. A meu ver é 1 passo p mudar”. Em seguida, postou: “Reconhecer a derrota não significa DESISTIR, significa que sou capaz de mudar a estratégia, não me julgue sem conhecer.” E completou: “Caso o contrário estará repetindo o mesmo padrão dos TANTOS internautas que emitem opiniões sem se aprofundar nas ações”.

Ontem, Santa Cruz havia escrito no Twitter: “Vocês estão cobertos de razão. Desculpem. Estou me retirando. Reconheço quando perdi. Não consigo + argumentar.” Em seu texto, no blog, também escreve, dirigindo-se a Sarney: “devamos entender que  eles e  vossos pares estão certos e que por conseguinte o Senhor deve seguir as orientações do Querido Presidente LULA e permanecer presidindo a casa.”

Fica aqui, em todo caso, a posição oficial de Tico Santa Cruz: ele não desistiu do “Fora Sarney”. Ainda bem.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Brasil, Cultura, Internet Tags: , ,
30/06/2009 - 16:01

Ashton Kutcher dá lição de política a brasileiros no Twitter

Ashton Kutcher é conhecido no Brasil por três motivos principais: fazia o garotão mais bobão no seriado “That´s 70 Show”, casou-se com a atriz Demi Moore e é o perfil mais popular do Twitter, seguido por 2,5 milhões de pessoas.

Bem-humorado, no último domingo, provocou os brasileiros que o seguem no Twitter enquanto os Estados Unidos venciam o Brasil por 2 a 0 na Copa das Confederações. Encerrada a partida, foi alvo de um massacre virtual, aos gritos de “chupa!”. Aceitou a brincadeira com fair-play, tanto que postou a palavra “chupa” no seu Twitter, elevando-a, para orgulho nativo, à categoria de assunto mais quente da rede por algumas horas.

Embalados por essa ajudinha do boa-gente Kutcher, o apresentador Marcos Mion, o músico Junior Lima e o ator Bruno Gagliasso, entre outros, se juntaram num grupo chamado Os Piratas numa campanha para convencer o ator americano a postar as palavras “fora Sarney” no seu Twitter. A campanha transformou-se numa das maiores piadas da curta história do Twitter brasileiro.

Primeiro, enviaram uma mensagem para Kutcher, em inglês: “Hey, Ashton, por favor diga #forasarney e ajude o Brasil a afastar seu senador corrupto”. Como Kutcher não respondeu, o irmão da Sandy insistiu: “Estamos lutando pelo fim da corrupção no nosso governo! Precisamos da sua ajuda! Apenas escreva #forasarney”.

Depois foi a vez de Marcos Mion. Sua primeira mensagem dizia: “Ashton, sou um VJ da MTV Brasil. Veja um trecho do meu programa”. Em seguida, foi a vez de Junior, de novo: “Vamos lá, cara. É só para finalidades midiáticas. Você é importante para fazer nossa opinião importante. #forasarney”. Mion insistiu: “Ashton, o Brasil precisa da sua ajuda! Escreva #forasarney para nos ajudar a combater a corrupção no nosso país! Por favor! O Brasil te ama! Feijoada! Samba!”.

Até que Kutcher se encheu e respondeu: “Para os brasileiros; só VOCÊS têm o poder de afastar seu senador. É o SEU país. VOCÊS devem lutar pelo que acreditam. Eu não tenho voto”. Mion então escreveu: “Putz… O Ashton disse que não pode ajudar! Que nós temos que lutar pelo nosso país. Fuck…”

Minha sugestão, caso alguém se interesse em saber, é a seguinte: Marcos Mion, Junior Lima e companhia limitada deveriam, como prêmio por este desempenho no Twitter, ser convidados a participar da próxima edição de “A Fazenda”.

Hit no Twitter, um vídeo muito divertido, criado pelo blogueiro Carlos Cardoso, resume esta história aqui.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Colunismo social, Esporte Tags: , , , , , ,
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