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21/10/2008 - 19:02

O blog vai à Mostra V: Jennifer Lynch, vigiada pelo pai

A tentação de fazer piada com o nome do filme, “Surveillance” (ou vigilância, em português), é grande. Não bastasse ser filha de um dos mais importantes cineastas americanos vivos, Jennifer Lynch ainda escalou o pai no papel de produtor-executivo de seu filme. Mas é preciso dizer que “Sob Controle”, título escolhido pela tradução brasileira, embora seja um thriller onde se enxerga pitadas de Lynch pai, vai bem além dele.

Ainda inédito nos Estados Unidos, o filme de Jennifer Lynch tem percorrido o circuito de festivais internacionais, num sinal de que seus produtores esperam vida difícil no circuito comercial americano.  

“Sob Controle” trata da chegada de uma dupla de investigadores do FBI a uma cidade do interior dos Estados Unidos para apurar a ocorrência de uma série de crimes bárbaros. Julia Ormond e Bill Pullman, nos papéis dos agentes encarregados da investigação, vão lidar com três testemunhas do caso: um policial corrupto, uma viciada em drogas e uma criança. Jennifer Lynch constrói a narrativa a partir da descrição simultânea que os três fazem do que viram, combinando de forma engenhosa os flashbacks de cada um.

Por trás da brutalidade de algumas cenas, a cineasta deixa escapar um olhar mordaz, próximo do humor negro, sobre os seus personagens e, sobretudo, sobre o próprio filme que está fazendo. “Sob Controle”, nesse sentido, paga tributo a Lynch pai ao criar uma atmosfera que combina, sem explicitar distinções, delírio e realidade, mas vai além, no final, ao expor ao ridículo uma série de clichês cinematográficos.

“Sob Controle” ainda terá uma sessão na Mostra, no sábado, 25, às 14h, no Espaço Unibanco Pompéia.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , , ,
11/08/2008 - 14:41

A pergunta que não quer calar

David Lynch, de perto, é mais alto e mais normal que as imagens conhecidas dele podem sugerir. Ao final de uma entrevista para a revista “Homem Vogue”, gravador desligado, o repórter caminha ao lado do cineasta para assistir a sessão de fotos. Arrisco, então, uma pequena mentira: “Mr. Lynch, minha editora pediu que eu fizesse essa pergunta, mas fiquei com vergonha de falar na frente de outras pessoas.” E ele: “Compreendo. Vá em frente”. Faço então a pergunta que me intrigava já há algum tempo: “Mr. Lynch, e o seu cabelo? O que o sr. faz para ele ficar assim?” O diretor de “Veludo Azul”, “Mulholland Drive”,  “A Estrada Perdida”, e tantas outras jóias, me olha de alto a baixo, sorri com a boca quase fechada e explica, com toda a paciência do mundo: “Ele é meio que naturalmente assim. Me deixa mais alto”.

O encontro com Lynch ocorreu na sexta-feira, 8, quando o cineasta repetiu pela enésima vez o ritual que praticou em sua visita ao Brasil: divulgar a meditação transcendental. No caso, para uma platéia vip, de amigos da cantora Claudia Albuquerque, que mora numa mansão no Morumbi. Nem o engarrafamento, que deixou o cineasta e sua comitiva presos por uma hora dentro do carro, tiram o seu bom humor. “Estou adorando São Paulo. Adorei Belo Horizonte. E tenho certeza que vou adorar Porto Alegre”. No sábado, 10, esteve pela segunda vez no Rio, onde começou o seu périplo. Não é necessário dizer o que ele achou da cidade.

Crédito da foto: flickr.com/photos/samuelesteves

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
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