18/02/2009 - 10:18
Em tom bem-humorado, escrevi no blog em 30 de janeiro sobre o desafio internacional que colocou frente a frente, na disputa por uma vaga no Campeonato Mundial, as equipes de curling de Brasil e Estados Unidos. Curling é aquele esporte que junta, numa pista de gelo, quatro homens agasalhados de cada lado, cada um com uma espécie de rodo na mão, e um disco pesado de granito no meio.
Bom, eis que, por causa do súbito interesse que demonstrei pelo curling, sou avisado que representantes do Comitê Olímpico Brasileiro estão neste momento no Canadá, participando de uma reunião preparatória com vistas aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, que se realizarão entre 12 e 28 de fevereiro, em Vancouver.
Mais que isso, leio no site do próprio COB que “o Comitê Olímpico Brasileiro vem desenvolvendo uma série de atividades no apoio à preparação da delegação brasileira na busca pelas vagas olímpicas, como o aumento do repasse de verbas da Lei Agnelo/Piva às Confederações Brasileiras de Desportos na Neve e no Gelo.” Cada confederação (a de desportos na neve e a de desportos no gelo) recebeu R$ 285 mil em 2008 e vai receber R$ 600 mil em 2009.
Também aprendi que o COB conseguiu, junto ao Programa Solidariedade Olímpica Internacional do Comitê Olímpico Internacional, bolsas para nove atletas que pretendem disputar os Jogos de 2010. Cada um recebe US$ 1.500 por mês. São atletas que praticam patinação artística, skeleton, bobsled, snowboard, esqui alpino, cross country e biathlon.
Todo esse esforço se explica, segundo o COB, porque “o Brasil vem evoluindo gradativamente e alcançando resultados inéditos em competições internacionais nos esportes de inverno”. Que resultados são esses? Diz o COB: em Turim, nos Jogos de Inverno de 2006, o Brasil ficou entre os dez no snowboard. Na prova de boardercross, Isabel Cark “superou rivais de países de maior tradição na modalidade e conquistou um histórico nono lugar”. Brasiiillllll!!!!!
Em tempo: Não custa lembrar que a participação da equipe de bobsled da Jamaica nos Jogos de Inverno de 1988, em Calgary, no Canadá, rendeu uma comédia impagável, “Jamaica Abaixo de Zero”, com John Candy, já falecido, no papel de técnico do time. Quem sabe, um dia não chegamos lá…
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags: 2010, bobsled, COB, Curling, esqui alpino, Jogos Olímpicos de Inverno, skeleton, snowboard, Vancouver
02/02/2009 - 11:52
A aventura da equipe brasileira de curling em Dakota do Norte, antecipada neste blog, terminou, como se previa, com um massacre. A seleção americana venceu a série melhor de cinco, disputada neste final de semana, por 3 a 0. O primeiro jogo terminou 13 a 2, placar idêntico ao do segundo jogo. Já no terceiro, a derrota foi um pouco menos dolorosa: 11 a 5. Na soma dos resultados, daria 37 a 9.
Com esse resultado, a equipe americana se habilita a disputar o Campeonato Mundial de Curling, um resultado tão esperado quanto chuvas de verão em São Paulo. Essa disputa consumiu muito papel de imprensa e telas de computador porque, pela primeira na história, um time brasileiro desafiou um americano por uma vaga no Mundial. Como lembrou o “New York Times”, não existe uma única quadra de curling no Brasil. O desafio, por isso, teve o mesmo sabor que a participação da Jamaica nos Jogos Olímpicos de Inverno, em 1988, na modalidade de bobsled – uma história recontada no filme “Jamaica Abaixo de Zero, com John Candy.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte
Tags: Brasil x EUA, Campeonato Mundial, Curling, Jamaica Abaixo de Zero
30/01/2009 - 08:28
Começa hoje na cidade de Bismarck, na Dakota do Norte, um inédito desafio esportivo. De um lado, os Estados Unidos; de outro, o Brasil. A melhor de cinco partidas vale uma vaga no próximo Campeonato Mundial… de curling. Sim, curling. Trata-se daquele esporte que junta, numa pista de gelo, quatro homens agasalhados de cada lado, cada um com uma espécie de rodo na mão, e um disco pesado de granito no meio.
O time brasileiro é visto nos Estados Unidos como a equipe jamaicana de bobsled, famosa por sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1988 – um evento tão surpreendente que rendeu até um filme, “Jamaica Abaixo de Zero”, com John Candy no papel de técnico da equipe.
Os quatro atletas (foto) que formam a seleção brasileira de curling (Celso Kossaka, Marcelo Mello, Cesar Santos e Luis Augusto Silva) moram em Quebec, Canadá. Três estudam na Universidade de Sherbrooke, e o quarto trabalha no mesmo local. Conheceram-se em 2006 e nunca haviam praticado o esporte antes. Os primeiros contatos do quarteto com o disco de granito datam de 2007.
Apenas quatro países das Américas são filiados à Federação Mundial de curling: Estados Unidos, Canadá, Ilhas Virgens americanas e, não me pergunte por quê, o Brasil. A federação concede duas vagas no campeonato mundial para o lado de cá do mundo – vagas que nos últimos 50 anos sempre foram preenchidas por EUA e Canadá. Este ano, os canadenses asseguraram a sua automaticamente, por serem o país-sede do mundial, e o time brasileiro resolveu desafiar os americanos.
Segundo reportagem publicada sobre o desafio hoje no “New York Times”, não existe nenhuma quadra de curling no Brasil. Eric Maleson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, informa que há planos de erguer uma quadra num centro esportivo dedicado a esportes de inverno, a ser construído em Campos do Jordão.
O desafio começa hoje e vai até domingo. Qualquer resultado diferente de um massacre americano será notícia mundial.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte
Tags: Brasil x Estados Unidos, Curling, esportes do gelo