Ao afetar os bolsos dos cidadãos, a crise econômica acaba tendo reflexos também nos corpos e mentes das pessoas. Reportagem publicada neste domingo no New York Times ouve economistas, sociólogos e psicólogos para avaliar efeitos inusitados da situação econômica.
Um psicólogo analisou as listas de músicas mais tocadas e concluiu que, em tempos de crise, as pessoas preferem ouvir canções longas, lentas com temas mais profundos, enquanto em fase de bonança os hits preferidos são mais rápidos e animados.
Um estudioso dos hábitos de consumo contatou que, em tempos de prosperidade econômica, cresce, por exemplo, a venda de desodorantes, porque as pessoas saem mais de casa, e em tempos de recessão aumenta o consumo de laxantes – porque as pessoas, sob estresse, acabam sofrendo mais de prisão de ventre, explica o especialista.
Sem perder de vista a ironia, a reportagem observa que qualquer coisa pode servir de indicador econômico. Um estudo feito entre plantadores de café, na Colômbia, mostrou, por exemplo, que a queda abrupta do preço do produto tem efeitos na redução da mortalidade infantil. A explicação é que nessa situação os pais têm mais tempo para ficar em casa e cuidar dos filhos.
A saúde melhora em tempos de recessão, diz um economista. “A taxa de mortalidade cai, as pessoas fumam menos, bebem menos e se exercitam mais. Os acidentes de trânsito diminuem, o que não é uma surpresa, porque as pessoas dirigem menos. Ataques do coração diminuem, problemas nas costas diminuem. As pessoas têm mais tempo para preparar refeições saudáveis em casa. Quando a economia piora, a poluição diminui”, diz Christopher Ruhm.
Lembra o economista, porém: “As pessoas ficam mais saudáveis, mas não estão mais felizes. Aumentam as taxas de suicídio e a saúde mental pode piorar”.