Na vitória do Corinthians, o gol mais bonito será esquecido
O jogo está 4 a 0 e o time que está perdendo reúne forças para, aos 42 do segundo tempo, deixar a sua marca no placar. É o chamado “gol de honra”. Gosto muito dessa expressão por se referir, implicitamente, ao sacrifício, ao sofrimento e espírito de luta do time perdedor, capaz de balançar a rede do adversário mesmo sofrendo uma derrota humilhante.
O gol de Conca, do Fluminense, contra o Corinthians, na quarta-feira (8), quase foi um “gol de honra”. O tricolor perdia de 3 a 0 no Pacaembu quando o argentino teve um desses lampejos mágicos, que diferenciam um jogador comum de um craque, e com um drible apenas se livrou de toda a defesa do Corinthians, ficou diante do goleiro Felipe e tocou para o fundo do gol.
A obra-prima de Conca não pode ser chamada de “gol de honra” porque o Fluminense ainda marcou uma segunda vez, antes de Ronaldo liquidar a partida e fechar o placar em 4 a 2. Acabou sendo, para usar outro clichê do futebol, um “gol inútil”, no sentido de que não serviu para evitar a derrota.
“De honra” ou “inútil”, o gol de Conca sofrerá, como tudo que se relaciona com os derrotados no esporte, a síndrome do esquecimento. A enquete que o iG Esporte está promovendo mostra isso. Ele tem apenas 12% dos votos e perde de goleada para dois dos três gols que Ronaldo marcou na partida.
Não discuto que o Fenômeno, mais uma vez, deu aula de futebol no Pacaembu. Mostrou todos os seus recursos na partida. Fez gol de pé esquerdo, de pé direito, driblando, pegando de primeira e por aí vai. Foi o craque da partida, sem dúvida.
Isoladamente, porém, o gol de Conca é uma jóia de maior valor, na minha opinião. Mais difícil de se realizar, exige visão de jogo, raciocínio veloz e habilidade. Uma pena que, amanhã, ninguém mais se lembrará dele. Assim é o futebol.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: 4 a 2, Conca, Corinthians e Fluminense, gol de honra, Ronaldo, três gols


