iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

20/11/2008 - 16:40

Casablancas: “Gisele nos jogou no lixo” e outras frases fortes

John Casablancas, o criador da agência Elite, responsável por lançar Cindy Crawford e Gisele Bundchen, entre outras modelos, está publicando um livro de memórias. Com título irônico, “Vida Modelo” conta a trajetória atribulada de Casablancas num mundo de glamour, festas, drogas e muita intriga.

Casablancas fala abertamente deste universo em entrevista ao Ultimo Segundo, publicada nesta quinta-feira. Abaixo, reproduzo alguns trechos do livro que complementam a entrevista:

“O padrão da época (anos 70) era o tipo aristocrático, escandinavo, anglo-saxão, protestante, de cabelo loiro, sem peito, sem bunda, comprido, olhos azuis. Estilo Grace Kelly”.

“Editores de moda, por razões obscuras que eu nunca entendi, normalmente desenvolvem uma agressividade em relação a todas as agências de modelos… Nesse mundo egocêntrico, a revista de moda é o epicentro do egocentrismo… Os editores de moda são, muitas vezes, justamente acusados de serem insuportáveis.”

“Ali estava minha graduação: o aprendizado da traição. O universo das agências é incrivelmente competitivo, e a lealdade é um tesouro raro, que está sempre em falta, não porque as pessoas sejam naturalmente traiçoeiras, e sim por este ser um mundo dominado pelo ego”.

“Durante a minha carreira, ganhei e perdi uma multidão de top models. Graças a Deus, ganhei muito mais do que perdi. O único caso que me surpreendeu, pela sua frieza calculista e que, reconheço, nunca engoli, foi o de Gisele Bündchen. Todo o resto era só business. Eu entendia. Até porque, na hora em que eu estava pronto para a resposta, ataquei sem piedade, roubei direto. Aproveitei.”

“Eu trabalhava muito bem as colunas sociais, as matérias, sabia dar respostas provocantes, sinceras, atrevidas e que divertiam os jornalistas”.

“Uma coisa eu havia aprendido com o fracasso da Elysée 3 (sua primeira agência): se você não consegue vender algo por cinco francos, venda-o por dez.”

“Naquela época, não tinha jeito, a única maneira de uma agência nova ganhar aquele primeiro dólar era fazer caixa dois.”

“Seria impossível negar, com a cara séria, que a essência do nosso business é o sexo. Sexo vende. A imagem de homens e mulheres jovens, bonitos e sensuais, vende qualquer produto.”

“Sempre misturei negócios e prazer, e organizar festas era uma função que vinha para mim naturalmente… Entendi rapidamente a sinergia que existe entre a vida noturna e o que nós fazíamos”

“(Nas festas) criava-se espontaneamente essa sinergia em que os VIPs me traziam glamour e eu trazia a beleza das meninas. Era uma coisa informal, natural. Não tinha nada de cafetinagem. Não tinha: ‘Venha cá, menina, vou apresentá-la ao Robert De Niro para você transar com ele.’ Não era nada assim, nada vulgar ou barato.”

“O auge da Elite em Nova York foi também o auge das drogas. Todo mundo usava: modelos, fotógrafos, clientes, editores, mas também advogados, doutores e banqueiros. Era uma epidemias generalizada. Nos estúdios fotográficos era cocaína por todos os cantos.”

“O grande desafio (no Brasil) foi o de conter uma das características que eu acho mais atraentes na mulher daqui: a brasileira é uma namoradeira eterna. O amor é o centro da sua vida. No início eu vivia tendo esse problema de maneira aguda – ou as meninas saíam do país loucas para achar um cara rico, ou ficavam com saudades, entristeciam, invariavelmente engordavam e queria desistir.”

“Outro fator complicador no início da minha experiência com modelos daqui, nos anos 1990, foi um dos personagens mais temidos pelas agências internacionais da época: A Mãe da Modelo Brasileira”.

“Seguimos atentamente todo o seu (de Gisele) desenvolvimento – inclusive nos namoros, acompanhando de perto quando ela finalmente teve o seu primeiro caso, com um belo modelo brasileiro, Douglas Rasmussen”.

“Numa carreira na qual eu conhecera a traição em todas as suas formas, a de Gisele foi especialmente fria e egoísta (…) Ela nos jogou no lixo justamente no momento em que tínhamos conseguido levá-la ao auge, ao topo absoluto”.

“Foi um comportamento revoltante que até hoje me causa esta tremenda mágoa, que durará para sempre, a não ser que Gisele diga: ‘Desculpe, você merece pelo menos um obrigada’. Mas é claro que isso nunca vai acontecer, e eu continuarei sendo o único blasfemador no coro submisso dos deificadores de Gisele Bündchen

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Memória Tags: , , ,
Voltar ao topo