Prêmio de consolação: filha do embaixador americano votaria em Gabeira
A notícia não é capaz de mudar os rumos da eleição no Rio de Janeiro, decidida no detalhe em favor de Eduardo Paes. Mas não deixa de ser um prêmio de consolação para Fernando Gabeira saber que Valerie Elbrick, filha de Charles Elbrick, o embaixador americano sequestrado no Rio, em 1969, por um comando guerrilheiro do qual Gabeira fez parte, declarou apoio ao candidato do PV à Prefeitura.
“Ele é um homem encantador, e se eu não estivesse trabalhando pelo Obama provavelmente estaria trabalhando por Gabeira”, disse Valerie ao “New York Times” na sexta-feira, dois dias antes da eleição. A reportagem sobre o candidato – “Ex-estudante radical na disputa pela Prefeitura do Rio” – foi publicada na edição deste domingo.
O papel de Gabeira no seqüestro de Elbrick é minimizado por companheiros que participaram da ação, como Franklin Martins, hoje secretário de Imprensa do governo Lula, ou por pessoas que conhecem a operação em detalhes, como o jornalista Flavio Tavares. Em todo caso, Gabeira nunca conseguiu um visto de entrada para viajar aos Estados Unidos por conta do seu envolvimento no sequestro.
Elbrick morreu em 1983, aos 75 anos. Sua filha, na entrevista ao “New York Times”, disse que não condena os métodos usados contra seu pai, em 1969. “Eles eram pessoas idealistas. Meu pai se deu conta que não estava lidando com bandidos. Eram jovens inteligentes que, no fundo do coração, eram gente pacífica”. O Departamento de Estado americano, procurado pelo jornal, não se pronunciou sobre Gabeira.



