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24/10/2009 - 12:52

As raízes do mal: Haneke explica “A Fita Branca”

Mostra SeloO austríaco Michael Haneke é um dos mais importantes cineastas em atividade. Seus filmes costumam provocar perplexidade e mal-estar, por abordarem a violência, física ou psicológica, inclusive contra crianças, de forma muito direta, sem rodeios. Seus filmes mais famosos são “A Professora de Piano”, com Isabelle Hupert, e “Caché”, com Juliette Binoche, ambos exibidos no circuito comercial brasileiro. Também dirigiu “Violência Gratuita” e “Código Desconhecido”.

fita brancaCom o assustador, mas imperdível, “A Fita Branca”, que venceu o Festival de Cannes este ano, Haneke volta a provocar incômodo. Filmado em preto-e-branco, conta a história de uma comunidade rural na Alemanha, entre 1913 e 1914, onde estranhos e violentos incidentes começam a ocorrer.

Somos apresentados a um conjunto de personagens fortes: o barão dono das terras e seus empregados submissos, o médico autoritário, a parteira e seu filho com problemas mentais, o pastor protestante rigoroso, o professor tímido, um enxame de crianças reprimidas e entediadas.

Impossível não sair do cinema pensando que Haneke procurou, com “A Fita Branca”, explicar as origens das raízes culturais da geração que abraçou o nazismo, 20 anos depois dos fatos que narra no filme. Mas essa é uma leitura rasa, diz o próprio cineasta, numa excelente entrevista a Anthony Lane, na revista “New Yorker” (5 de outubro de 2009, infelizmente não disponível online).

Transcrevo a seguir, numa tradução livre, a longa resposta que Haneke dá à tentativa de rotular seu filme como uma parábola sobre o nazismo:

“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”

Este é Michael Haneke.

“A Fita Branca” terá mais três exibições na Mostra. Domingo (25), às 16h40, no Reserva Cultural, dia 31, às 18h20, nos HSBC Belas Artes, e dia 1º de novembro, às 20h30, no Cine Bombril. Mais informações, e um trailer, no site da Mostra.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , ,
25/02/2009 - 11:46

Cachê de Rodrigo Santoro no camarote cria polêmica

Na sempre bem-humorada cobertura do Carnaval, a coluna “Gente Boa”, de Joaquim Ferreira dos Santos, em “O Globo”, também tratou de um assunto sério este ano: o valor do cachê recebido pelas estrelas que passaram pelo Camarote da Brahma no Sambódromo. Escreveu Joaquim na terça-feira, dia 24: “Rodrigo Santoro teria embolsado R$ 150 mil para ser presença ‘vip’ no camarote – a Brahma não confirma”. Ao lado do ator americano Kevin Spacey (“Beleza Americana”), Santoro foi a principal atração do camarote na primeira noite de desfiles.

A notícia causou grande tititi no meio. Só para se ter uma idéia, Grazi Massafera, “musa” do camarote da Brahma, recebeu cachê de R$ 40 mil por sua participação nos dois dias de desfiles. Na avaliação de uma pessoa com quem conversei, e que conhece bem o mercado de celebridades, o valor que Santoro teria recebido não pareceu absurdo, uma vez que o ator já estaria em outro patamar de fama e sucesso que seus colegas brasileiros (atuou recentemente ao lado de Benicio del Toro em “Che” e de Jim Carrey em “I Love You, Philip Morris”).

O fato é que nesta quarta-feira, na coluna de Mônica Bergamo, na “Folha de S.Paulo”, o cachê de Santoro voltou a ser tema de uma nota. Segundo Mônica, Santoro teria recebido cachê de R$ 80 mil e Kevin Spacey teria embolsado R$ 120 mil para dar as caras na primeira noite de Carnaval. José Victor Oliva, organizador do camarote da Brahma, disse à coluna que Santoro e Spacey prestigiaram o evento de graça. “Imagina se eu vou pagar cachê”, disse Oliva. “Se o Carnaval do Rio não for suficiente para atrair alguém eu paro tudo e vou fazer futebol”, completou. E agora, como é que fica?

 

Crédito da foto: AGNews

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , , , ,
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