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11/04/2009 - 20:52

Buenos Aires às moscas, mas com o mosquito da dengue

Buenos Aires está quase vazia nesta Páscoa. Mais de um milhão de pessoas deixaram a cidade, em direção à praia ou à serra. O diário “Página 12″ observa que esse êxodo é um bom sinal. “Um número surpreendente em tempos de crise”, anota o jornal – uma crise, diga-se, que já provocou a queda no ritmo das obras de prolongamento do metrô de Buenos Aires e o cancelamento de outros projetos.

Em todo caso, o que mais preocupa os argentinos hoje é um mosquito, o nosso conhecido Aedes aegypti. A Argentina já registra cerca de 15 mil casos de dengue. O vírus chegou pela Bolívia e já configura uma epidemia em algumas regiões. O diário “Clarin” neste sábado anuncia que há seis casos em Buenos Aires sob a suspeita de que foram contraídos na própria cidade. A se confirmar, será o sinal de que o problema chegou à capital.

Para alegria dos turistas, e desespero dos que cuidam da saúde pública, o clima está muito agradável em Buenos Aires. Uma articulista do “Clarin” critica as autoridades por não terem um plano efetivo de combate à epidemia. “Hoje, os argentinos olham para o céu, implorando que chegue o frio do inverno, capaz de matar o maldito mosquito”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: , ,
10/04/2009 - 20:42

A fama de Ronaldo num táxi em Buenos Aires

Conversa animada sobre futebol dentro do táxi, no centro de Buenos Aires. O motorista é torcedor fanático do River Plate, que anda em má fase, e grande admirador do futebol brasileiro. A sua primeira pergunta para mim é sobre Dunga. Digo que esperava mais coragem e ousadia de um técnico seleção brasileira. “Ele é técnico da mesma forma que era jogador”, resume o taxista.

“Técnico era Santana”, ele diz, referindo-se a Telê. “E por que Ronadinho nao é titular do time?” Digo que ele está em má fase, é reserva também no Milan. E ele: “É o melhor jogador brasileiro, muito melhor do que Kaká”.

O taxista faz outra pergunta difícil: “E Robinho, o que acontece com ele? Era um craque…” Conversamos sobre alguns jogadores que atuam bem em time, mas mal em selecionados nacionais. Riquelme, ele começa. Edmundo, ele acrescenta. E citamos uma dezena de craques, brasileiros e argentinos, que jogam bem em seus clubes, mas “diminuem” quando vestem a camisa da nacional.

“Mas um que eu gostaria de ver na minha seleção é o gordo”, lança o taxista. Que gordo?, eu pergunto, espantado. “Ronaldo. É um definidor. Todo mundo tem medo dele, mesmo com uns quilos a mais”. É verdade, concordo. “Melhor que ele só o Chapolim”. Chapolim??? “Sim, Romário. É um gênio.”

PS. Leitores perguntam a respeito do apelido Chapolim para Romário. É uma referência ao seriado “Chapolim”, o herói que aparecia quando alguém dizia: “E agora, quem poderá me salvar”. Foi essa a frase que o taxista me disse quando me surpreendi ao ouvi-lo chamar Romário de Chapolim. (Atualizado às 11h de 11 de abril)

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: , , , , ,
01/04/2009 - 17:21

Radiohead: como desaparecer completamente

Um momento histórico ocorreu na apresentação do Radiohead em Buenos Aires, dia 24 de março, dois dias depois do show em São Paulo. Trata-se de data tristemente célebre na Argentina – neste dia, em 1976, um golpe militar derrubou o governo de Isabelita Perón e instaurou uma sangrenta ditadura no País. O baixista Colin Greenwood (ou será o guitarrista Ed O’Brien?), num espanhol claudicante, mas compreensível, foi ao microfone e disse:

Este show esta noite é um sonho que se tornou realidade. Sabemos que hoje é um dia importante na Argentina. Completa-se hoje 33 anos do golpe de estado militar. Queremos dedicar a próxima canção para  todas as vítimas que sofreram, a todos que perderem seus entes queridos, a todos que desapareceram.

E o Radiohead começou a cantar “How To Disappear Completely”. O áudio deste momento emocionante está disponível em diferentes arquivos no You Tube, como este aqui.

Até onde eu pude averiguar, o show do Radiohead em Buenos Aires, para cerca de 30 mil pessoas, com ingressos a US$ 90 (como no Brasil), transcorreu sem os problemas relatados no espetáculo ocorrido na Chácara do Jockey em São Paulo. A este respeito, aliás, a empresa promotora pelo evento desapareceu completamente, até o momento.

Relatei nesta quarta-feira, no Último Segundo, que a Promotoria de Justiça do Consumidor, no Ministério Público do Estado de São Paulo, avalia uma queixa recebida sobre o assunto. No dia seguinte, a organização do festival enviou uma nota em resposta às reclamações dos leitores, também publicada no Último Segundo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
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