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06/06/2009 - 18:29

Berlusconi e Kaká: tudo a ver

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Sou do tempo em que jogador de futebol, substituído no meio do jogo, descia para o vestiário para tomar banho mais cedo. Mas alguém inventou, anos atrás, que é de bom tom o jogador, depois de ser trocado, colocar um casaco e ficar no banco de reservas até o final da partida, manifestando apoio ao time. É uma dessas besteiras de cunho moralista que pegou, virou regra. 

Enfim, lembro disso ao ouvir, quase ao final da transmissão de Brasil e Uruguai, o repórter da Rede Globo informar que Kaká foi autorizado a ir para o vestiário logo depois de ser substituído. Disse o jornalista que Kaká pediu para descer com a bola ainda rolando a fim de evitar ser entrevistado ao final do jogo e ouvir alguma pergunta sobre sua transferência do Milan para o Real Madrid.

Trata-se, informam os principais meios de comunicação, de um negócio já fechado. Mas o dono do Milan, Silvio Berlusconi, é também primeiro-ministro da Itália e enfrenta, neste final de semana, eleições para o Parlamento Europeu. Com medo de desagradar os torcedores do Milan – eleitores também – Berlusconi teria adiado o anúncio oficial do negócio com o Real para segunda-feira.

Não vou aqui falar sobre Berlusconi e como ele colabora para a decadência da Itália. O noticiário está repleto de informações – e fotos – a quem se interessar pelo assunto. O que me surpreende nesse episódio é a complacência de Kaká. A intenção, indica o noticiário da Globo, do jogador brasileiro de fazer o jogo do patrão –  seu e dos italianos. Uma pena.

Em tempo: ao deixar o estádio Centenário, cercado por jornalistas, Kaká não falou nada sobre a sua iminente saída do Milan.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, Mundo Tags: , , , ,
02/12/2008 - 10:56

Dono de conglomerado de mídia, Berlusconi prefere responder a críticas na Justiça

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Silvio Berlusconi governa com uma sólida maioria parlamentar, comanda a rede de tevês estatais (RAI) e é dono do principal conglomerado de mídia da Itália. Por que, então, pergunta o “New York Times” nesta terça-feira, com todos estes meios à disposição, o primeiro-ministro prefere responder a seus críticos não na televisão ou nos jornais, mas na Justiça?

Depois de processar, a “Economist” e o jornalista britânico David Lane – casos que Berlusconi perdeu em primeira instância e não recorreu – o mais recente alvo é o jornalista Alexander Stille, radicado nos Estados Unidos, e um dos maiores especialistas em assuntos italianos.

Stille, cujo mais recente artigo para a revista “New Yorker”, sobre as mulheres que Berlusconi levou de suas empresas para o governo, foi comentado aqui no blog, está sendo processado por um assessor direto do primeiro-ministro, Fedele Confalonieri. Ele é citado num livro de Stille, de 2006, “The Sack of Rome”, por acusações que já haviam sido publicadas na imprensa italiana.

Todos esses processos são vistos como claras tentativas de intimidação da imprensa. Além dos custos com advogados e dos inconvenientes gerados, observa Stille, “para cada uma dessas ações, você pode afetar o comportamento de outros 100 jornalistas”.

O texto do “New York Times” comprova o efeito desses processos. David Lane, que trabalha na “Economist”, diz que pensa em retirar da edição italiana – mas não da inglesa – de seu próximo livro todas as referências a Berlusconi.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Mundo Tags: , , , ,
26/11/2008 - 14:48

Sexo e política: as mulheres no governo Berlusconi

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Como recebo a revista sempre com atraso, só faço agora este comentário sobre o artigo “Girls! Girls! Girls!”, de Alexander Stille, publicado na “New Yorker” com data de capa de 3 de novembro. Trata-se de um texto muito bem-humorado, mas devastador, sobre o que aconteceu com a Itália desde que o primeiro-ministro Silvio Berlusconi assumiu o poder pela primeira vez, há quase 15 anos (apenas um resumo está aberto no site da revista).

Stille descreve como Berlusconi cultiva, a seu favor, a imagem de bon-vivant, conquistador e cafajeste. Com piadas, gestos ambíguos e aquele famoso sorriso de estátua, fala abertamente sobre sexo e não esconde que já fez cirurgia plástica e implante de cabelos.

No artigo, Stille mostra como Berlusconi vem se cercando, no Parlamento e no governo, de mulheres que trabalharam em suas emissoras de tevê – algumas como garotas de palco. A mais famosa é Mara Carfagna (à esquerda), candidata derrotada a Miss Itália e ex-showgirl num programa de tevê, nomeada ministra da Igualdade das Oportunidades no novo governo. A humorista Sabina Guzzanti está sendo processada pela “mais bonita ministra do mundo”, nas palavras de um correligionário de Carfagna, depois de ter dito: “Não me importa a vida sexual do Berlusconi. Mas você não pode fazer alguém ministro da Igualdade das Oportunidades só porque ela chupou o seu pau”.

Outra beldade que passou pelos programas de tevê de Berlusconi e hoje está no governo é a ruiva Michela Vittoria Brambilla (acima). Também ex-candidata a Miss Itália, Michela apresentava um programa chamado “Mistérios da Noite”, focado na vida noturna de cidades ao redor do mundo. Hoje ela é vice-ministra do Turismo. Segundo Stille, este cargo era o segundo na sua preferência. Como gosta de animais, ela sonhava ter sido nomeada ministra do Meio Ambiente.

Stille livra a cara de uma única mulher que faz parte do governo Berlusconi. Mariastella Gelmini (à esquerda) não apenas nunca trabalhou nas emissoras do primeiro-ministro, como ainda tem alguma experiência política. Ela é a atual ministra da Educação.

Diferente é a situação de Deborah Bergamini. Assistente pessoal de Berlusconi no seu conglomerado de mídia, Bergamini (abaixo) foi nomeada diretora de marketing da RAI. O conflito de interesses nesse caso é óbvio, já que as emissoras de tevê estatais também são controladas por Berlusconi, enquanto primeiro-ministro. Gravações feitas há alguns anos mostraram que Bergamini, trabalhando na RAI, defendia os interesses da Mediaset, do patrão. Afastada da RAI, com uma gorda indenização, hoje ela é deputada da coalizão governamental.
 
Por fim, Stille conta a história de Virginia Sanjust di Teulada (abaixo), jornalista do grupo de mídia de Berlusconi. Há cinco anos, depois de assistir uma reportagem da moça, o patrão, encantado, mandou um buque de flores. Agradecida, ela respondeu com um cartão, no qual registrou o número de seu telefone. Convidada a almoçar com o primeiro-ministro, foi chamada a prestar uma consultoria, regiamente paga, ao governo.

O escândalo se tornou público graças às revelações do então marido, logo ex, de Sanjust di Teulada, Federico Armati. A jovem jornalista também ganhou um programa na RAI e Armati, que trabalhava para serviços de inteligência do governo, foi transferido e, posteriormente, demitido.

Stille encerra sua crônica sexual sobre a Itália de Berlusconi lembrando que, no início dos anos 90, o PIB da Itália era 15% superior ao da Grã-Bretanha. O fato era motivo de orgulho no país. Hoje, a economia italiana é 23% menor que a britânica.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Mundo Tags: , , , , , ,
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