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29/11/2008 - 14:17

Bebeto de Freitas conduziu Botafogo no deserto, mas ficou no meio do caminho

Com a eleição de Maurício Assumpção para um mandato de três anos, a começar em 2 de janeiro de 2009, anuncia-se o fim a gestão de Bebeto de Freitas à frente do Botafogo. Trato deste assunto no blog por ter lido muito pouca coisa a respeito nos jornais editados em São Paulo, onde moro, e julgar que é um tema com alguma relevância para quem se interessa por futebol.

Bebeto conquistou a presidência no final de 2002, ano em que o Botafogo foi despachado para a Série B do Brasileiro. Afundado em dívidas e má gestão, a queda do time para a segunda divisão não chegou a surpreender. Ao contrário, o time esteve para cair várias vezes, antes de consumar o ato naquele ano ( a situação, diga-se, lembra a do Vasco em 2008, com Roberto Dinamite recém-eleito presidente).

Bebeto assumiu, portanto, num momento decisivo. Se o Botafogo não retornasse à Série A no seu primeiro ano de mandato, acredito, poderia ser o início do fim. Um time que já vinha ladeira abaixo, e ainda por cima com receitas diminutas, dificilmente agüentaria o tranco de permanecer dois anos na Segundona.

A campanha em 2003 não foi das mais brilhantes (11 vitórias, oito empates e quatro derrotas na primeira fase), mas o suficiente para o Botafogo terminar o campeonato em segundo lugar, atrás do Palmeiras. Eu diria que esta foi a conquista mais importante de Bebeto à frente do Botafogo.

Por sua trajetória e carreira, Bebeto trouxe para o futebol a imagem de um sujeito honrado, limpo, sem relações com a velha guarda da cartolagem. É verdade que, ao longo dos seis anos como presidente do Botafogo, nem sempre agiu como esperavam os que lutam pela modernização da estrutura arcaica do futebol (apoiou a Timemania, por exemplo), mas quase sempre esteve do lado certo.

Não conseguiu, porém, reerguer o Botafogo. Em termos de conquistas, a maior foi o título do Estadual em 2006 – pouco para seis anos como presidente. Do ponto de vista da gestão, ao que parece, não foi capaz de sanear as finanças do clube e deixa um legado pouco promissor para os que o sucedem.

Como quase todos os dirigentes de futebol, Bebeto assumiu muitas vezes posições que um torcedor adotaria (invadiu gramados, xingou juízes, ameaçou tirar o time de competições etc). Por um lado, chega a ser comovente o desespero do presidente do seu clube; por outro, assusta ver que nem ele é capaz de manter a serenidade em momentos decisivos.

Como torcedor, olhando meu time à distância, eu diria que Bebeto ajudou a reerguer a auto-estima de um clube combalido, conseguiu montar alguns times competitivos, que chegaram a dar algumas alegrias à torcida, mas fraquejaram em momentos decisivos. Bebeto comandou o Botafogo numa travessia pelo deserto – mas, infelizmente, não chegou a destino seguro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
13/11/2008 - 10:26

O Botafogo é uma ópera!

Tenho evitado escrever sobre futebol e, especialmente, sobre o Botafogo neste blog. Não bastasse o iG contar com um time altamente qualificado de jornalistas e comentaristas esportivos, meu time vinha, até aqui, cumprindo um roteiro absolutamente previsível no Campeonato Brasileiro, motivo pelo qual não sentia a menor necessidade de falar sobre ele.

Mas eis que em uma semana a vocação dramática, operística, do Botafogo ressurge em cena. Primeiro, o zagueiro André Luis arranca o cartão amarelo do juiz e o adverte, no meio do gramado, num gesto tragicômico. Em seguida, o técnico Ney Franco informa que não se pensa em punir o jogador com uma multa já que os salários do time estão três meses atrasados – como descontar parte de um salário que não está sendo pago?

Dias depois, em campo contra o Flamengo, o reserva Eduardo jogou apenas dois minutos antes de ser expulso por um golpe violento em Sambueza. O Botafogo, enfim, lidera uma estatística no campeonato: o cartão vermelho do jovem Eduardo foi o décimo do time no Brasileiro. Dez cartões vermelhos e 100 amarelos: esse é o saldo, até o momento, do time.

Carlos Alberto, com dois vermelhos, o mesmo número de Andre Luis, é o jogador mais indisciplinado do campeonato. Não é mais. Decidiu abandonar o Botafogo nesta quarta-feira, por conta dos salários atrasados. Mais um gesto dramático – seguido por outro, tipicamente Botafogo: a direção do clube emitiu uma nota apoiando a decisão do jogador.

Para completar o enredo, o presidente Bebeto de Freitas dá uma entrevista à rádio Globo e declara, mais do que dramático, quase suicida: “Não vejo luz no fim do túnel.” O argumento do dirigente é que a crise financeira enxugou o crédito nos bancos e, mesmo com receitas de 2009 a oferecer, nenhum banqueiro parece mais acreditar no Fogão.

O que dizer disso tudo? Ainda este mês devem ocorrer eleições no Botafogo. Está na cara que o clube vive um momento especialmente crítico e precisa de sangue novo – gente com vontade de enfrentar esta crise de forma criativa e menos dramática. Ao menos, espero que exista gente assim. Não gostaria de assistir o final desta ópera!

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , ,
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