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26/12/2008 - 15:46

“Seu Visita, ainda que mal lhe pergunte, é verdade que o senhor tem mais de 30 mortes nas costas?”

Para quem é fã de telenovela – ou tem curiosidade acadêmica sobre esse gênero – acaba de sair um livro muito interessante. “Autores – Histórias da Teledramaturgia” (editora Globo, R$ 72) reúne, em dois volumes de 482 páginas cada, entrevistas com 16 autores da Rede Globo. O livro foi feito dentro da emissora, no contexto do projeto Memória Globo, mas está longe de ser “chapa-branca”, como escrevi no Último Segundo.

A entrevista mais divertida, de longe, é a que foi concedida por Benedito Ruy Barbosa. Exímio contador de “causos”, o autor de “Pantanal”, “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra”, entre outras, descreve no livro a origem de diversos enredos e personagens que criou. Um dos mais impressionantes é “seu” Visita, um matador que Barbosa conheceu na Bahia e que serviu de inspiração para criar o personagem Damião, vivido pelo ator Jackson Antunes em “Renascer”.  Eis um trechinho da longa – e saborosa – história contada pelo autor da novela:

Então eu disse: “Seu Visita, ainda que mal lhe pergunte, é verdade que o senhor tem mais de 30 mortes nas costas?” Ele fez que não ouviu: “Quantas?”. “Trinta”, eu respondi. “É o que contam por aí?”, ele perguntou, emendando: “Tenho não. Minha mesmo, por causa de assunto pessoal, desavença ou acerto, foram quatro. O resto foi tudo de mando. Tenho nada que ver com isso. Quando eu for para o céu ou para o inferno, se perguntarem, não vou dar conta disso, não.” E acrescentou: “Quando eu era moço, era gatilho de covarde”. Coloquei essa frase na novela, na boca do Damião que, para mim, era o próprio seu Visita.

Foto: Cícero Rodrigues

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , ,
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