As polêmicas duquesas de Alba
Há quase um ano a Espanha acompanha uma improvável novela da vida real: o romance entre María del Rosario Cayetana Fitz-James Stuart y Silva, 83 anos, a 18ª Duquesa de Alba, e o plebeu Alfonso Diez, 56 anos.
Recuperada de sérios problemas de saúde, a duquesa ressurgiu em forma no mais recente verão europeu, sempre ao lado de seu Alfonso, para deleite das revistas de celebridades, nas mais variadas e famosas praias da Espanha, de Ibiza a Marbella.
Sempre com um sorriso de felicidade no rosto, e vestindo ora um maiô, ora um biquini, a duquesa escandalizou parte dos espanhóis – incluindo os seus filhos, que enxergam no namorado da mãe alguém com outros interesses além do amor.
Em uma entrevista, a duquesa, tida como a mulher com mais títulos nobliárquicos no mundo, lamentou a reação dos filhos e declarou: “Alfonso não é um interesseiro, tem o seu trabalho e está disposto a assinar um documento dizendo que não precisa de nada da Casa de Alba, somente da pessoa que leva os seus títulos”.
Na última semana de setembro, assisti na tevê espanhola a um acalorado debate, num desses programas matinais, sobre o romance. Sempre exibindo as fotos do casal ao mar, os apresentadores discutiam o assunto. A defensora do romance insinuava, repetindo uma mesma frase, que a coisa está quente entre a duquesa e Alfonso: “Para mim, é um amor completo!”
Cayetana de Alba está longe de ser a primeira de sua família a provocar escândalo. É famosa a história da relação do gênio Francisco de Goya (1746-1828) com María del Pilar Teresa Cayetana de Silva Alvarez de Toledo, a 13ª Duquesa de Alba, a quem retratou em vários quadros, e com quem manteve uma longa relação de amizade, depois da morte de seu marido, entre 1795 e 1797.
Diferentes fontes sugerem que Goya e a duquesa tenham tido um romance, mas outros estudiosos preferem acreditar que tenha sido uma relação platônica. Por muito tempo prosperou a suspeita que o célebre “La Maja Desnuda”, em exibição no Museu do Prado, retrate a duquesa, embora o crítico Robert Hughes, em sua biografia de Goya, considere improvável esse fato.
Goya era 16 anos mais velho que a duquesa. Também estava viúvo no período em que se relacionaram. O caso entre os dois está relatado em diferentes livros e filmes, inclusive no de Carlos Saura (1999). De todas as telas que Goya pintou inspirado na duquesa, o mais famoso é justamente um em que não aparece seu rosto, “A Duquesa de Alba e a Beata”, também presente no Prado.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social, Crônica, Cultura Tags: Alfonso Diez, celebridades, Duquesa de Alba, Espanha, fofoca, Goya


