iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

05/06/2009 - 16:21

Diretor de sindicato confirma pressão para não desviar avião de tempestade

A polêmica aberta por Paulo Coelho – primeiro no Twitter, em seguida neste blog – não se encerrou. O escritor relatou ter ouvido de dois pilotos que, por pressão para economizar combustível, muitas vezes evita-se contornar as “cumulus nimbus” (nuvens com tempestades dentro).

Entrevistado por Marcelo Ambrosio, do “Jornal do Brasil”, o diretor de segurança do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, confirmou que “existe uma pressão implícita das empresas aéreas nacionais para evitar a alteração de rotas, que os pilotos seguem mais por complacência do que por obrigação.”

Ouvido pelo mesmo repórter, a francesa Carole Arnaud-Battandier, coordenadora técnica e internacional do Sindicato Nacional dos Pilotos, garante que esse tipo de situação não ocorre na França. “Não há a menor chance de uma pressão dessas acontecer aqui. Nós não brincamos quando o assunto é a segurança dos passageiros e das tripulações”, disse ela ao JB.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Brasil Tags: , , , ,
03/06/2009 - 19:36

Paulo Coelho: “Como brasileiro, tenho direito a uma explicação”

Diante das reações dos leitores ao post publicado na manhã de quarta-feira, Paulo Coelho cobra explicações da Air France, o escritor enviou um texto ao blog no meio da tarde. Coelho critica o título do meu post (“é de inteira responsabilidade do Mauricio”) e esclarece dúvidas sobre os comentários que colocou no Twitter. Segue abaixo a íntegra do comentário do escritor:

Muito bem, vamos lá:

a] “Paulo Coelho cobra explicações da AF” é de inteira responsabilidade do Maurício. Se eu fosse cobrar alguma coisa da AF, não seria utilizando o Twitter. Hoje mesmo uma agência de notícias francesa me procurou, e eu expliquei que não se trata absolutamente disso.

b] Há dois anos, durante a Copa do Mundo, eu estava no lobby de um hotel na Alemanha conversando com dois pilotos. Eles levantaram o tema: muitas vezes evita-se contornar as CBs (nuvens com tempestades dentro) para economizar combustível. Acredita-se que o avião resista. Normalmente resiste.

c] Não estou absolutamente afirmando que a AF utiliza esta prática. O que me surpreende é que várias notícias, como na Folha hoje, mostram que os pilotos não seguiram a rota programada com antecedência.

d] Sim, viajo muito, muitíssimo de avião. E por causa disso, procuro saber tudo a respeito. Considero a viagem aérea como segura, e acho que as cias. são responsáveis.

e] Como cidadão brasileiro, quero uma explicação para o que aconteceu. Tenho esse direito, como qualquer um. Essa caixa preta dificilmente será encontrada (eu diria que as possibilidades são nulas), mas existem outras maneiras de se apurar. Por que o avião não seguiu a rota indicada no plano de vôo? Essa é a pergunta-chave.

f] Neste momento existem centenas, talvez milhares de aviões no ar. Um Airbus moderno, novo, sem qualquer falha mecânica antes de decolar do Galeão, que simplesmente desintegra-se no ar coloca muitos pontos de interrogação na cabeça de todos.

g] A primeira coisa que pedi no Twitter foram orações para as famílias. Acho que isso é o mais importante, e continuo achando.

h] Por outro lado, comecei a notar que se falava tudo na imprensa, inclusive em atentado(!!!), mas ninguém se perguntava por que os circuitos elétricos deixaram de funcionar.

i] O Airbus em questão tem quatro circuitos elétricos alternativos. E se todos falharem, ainda assim o piloto pode manobrá-lo manualmente.

j] Toda a segurança aeronáutica vem, infelizmente, do aprendizado através de acidentes. E no caso deste vôo, como as chances da caixa preta ser encontrada são praticamente nulas, alguém precisa vir a público e dizer o que se supõe ter acontecido. Será uma suposição? Sim. Mas especialistas podem ter uma suposição muito aproximada. Não acredito de maneira nenhuma em atentado, raio, coisas do tipo.

h] Isso dito, continuo – junto com as pessoas que usam o Twitter, pedindo para que se amplie a corrente de orações.

Obrigado
Paulo Coelho
P.S. – Quanto aos outros comentários (insultos) não faz muita diferença. Mas eu sugeria que gastassem a energia cobrando uma cobertura melhor do caso.

Atualizado às 20h13 pelo autor do blog: Ao final da quarta-feira, desanimado, Paulo Coelho voltou ao Twitter para lamentar: “Explicações patéticas para o AF 447. Ninguém apura porque o piloto não seguiu a rota indicada. Apenas publicam isso, e ponto final. Patético”. E, por fim, jogou a toalha: “Não adianta twittar sobre o AF 447. Espero que cedo ou tarde algum jornalista consiga a verdade. Agora vou apenas rezar pelas vítimas. RIP”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog Tags: , , , , ,
03/06/2009 - 08:15

Paulo Coelho cobra explicações da Air France

O escritor Paulo Coelho voltou a escrever, na noite de terça-feira, no Twitter sobre o acidente com o avião da Air France que partiu do Rio de Janeiro na noite de domingo e caiu no Atlântico. Freqüentador assíduo da rota Rio-Paris, ele está aflito com a falta de informações sobre as causas do acidente: “AF 447: quase 48 hs e tudo que leio: ‘um mistério’. ‘Mistério’ não serve. Sei q é preciso esperar, mas não há um simples indício? Insistam”, escreveu na noite de terça-feira, conclamando seus 32.545 seguidores a encontrarem informações sobre o assunto.

Há dois dias, o escritor vem batendo na mesma tecla: o vôo AF-447 entrou, ou não, em um “cumulus nimbus” (CB), nuvens com tempestades dentro, capazes de ter provocado o acidente? Numa mensagem direta à Air France, Coelho insiste: “Basta q declarem q o avião não entrou (confiante) em uma CB. O radar meteorológico avisa. Se entrou, ñ foi por falta de aviso. Isso é sério.”

Para Coelho é importante esclarecer essa questão. Como relatei segunda-feira no Último Segundo, o autor de “O Alquimista” sustenta ter ouvido de um piloto comercial que as companhias aéreas pressionam os pilotos a não desviar muito da rota quando há zona de tempestade no meio do caminho com o objetivo de “economizar combustível”. Coelho acrescentou no seu primeiro comentário sobre o assunto: “Rezo p/ que não seja o motivo”.

Algum piloto teria algo a dizer sobre essa hipótese levantada por Paulo Coelho?

Atualizado às 16h58: O blog recebeu há dez minutos um comentário do escritor Paulo Coelho, o qual agradeço, no qual ele faz observações sobre o meu texto e os comentários dos leitores. Está na área de comentários. Atualizado às 19h35: Fiz um novo post, no qual dou destaque ao texto de Coelho.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet, Mundo Tags: , , , ,
02/06/2009 - 15:45

O duro ofício de entrevistar amigos e parentes sobre mortos

Nada se compara à dor pela perda de uma pessoa querida, mas há poucas coisas piores no jornalismo do que ser encarregado de “repercutir” a morte de alguém. Explicando para quem não é jornalista, isso significa receber a missão de entrevistar familiares, amigos e parentes em busca de informações sobre o morto. É uma situação que envolve diferentes tipos de constrangimento e acaba contribuindo muito para a má fama de jornalistas.

Em busca de informações, como neste momento, do acidente com o avião da Air France, somos obrigados a interagir friamente com pessoas dominadas pela emoção da morte de algum ente querido. A reação ao assédio da imprensa varia muito – vai desde uma simples negativa ao pedido à fúria causada pelo sentimento de invasão de privacidade ou de falta de respeito com a perda.

O jornalista sabe que está sendo chato, inconveniente, mas não pode recuar, se o propósito é informar o leitor ou espectador sobre fato de interesse público.

Quando Tom Jobim (1927-1994) morreu, por exemplo, fui encarregado de entrevistar músicos americanos que haviam convivido com o maestro brasileiro. Primeiro, falei com o saxofonista Gerry Mulligan, que deu um depoimento muito bonito sobre Tom. Depois, telefonei para o cantor Jon Hendriks. Para minha infelicidade, Hendriks ainda não sabia da notícia e ficou muito abalado ao receber de mim a triste informação. O que fazer nestas horas? Você quer se esconder, mas não pode.  

Para encerrar, conto uma história com uma pitada de humor negro.

Nos meus tempos de “Folha”, eu  tinha um colega muito agitado, elétrico, que escrevia sobre educação. Ele estava fazendo uma reportagem qualquer e precisava ouvir o reitor de uma determinada universidade. Com dificuldades de encontrá-lo, telefonou para a casa do sujeito. Do outro lado da linha, foi informado que o reitor havia falecido dois dias antes. Nunca esqueço da reação do meu colega, ao telefone: “Que pena! Precisava tanto falar com ele!”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , , ,
Voltar ao topo