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24/08/2009 - 11:35

Nomes de touros e outras lições de Barretos

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Passei três dias em Barretos, a serviço do Último Segundo. Cheguei a tempo de assistir ao início da 54ª Festa do Peão de Boiadeiro, a maior do gênero no Brasil – e como nunca havia visto ao vivo um rodeio antes, tudo foi novidade para mim. 

Aprendi o nome de várias duplas sertanejas importantes, que eu simplesmente desconhecia, como Edson & Hudson, Thales & Thiago, Roger & Rogério e Caio Cesar & Diego. Descobri que uma churrascaria especializada em picanha pode se chamar, sem medo de ser feliz, “picanharia”.

Entre tantas novidades, não consegui entender direito a lógica que determina o nome de batismo dos touros de rodeio. Personagens fundamentais do evento – em alguns casos, mais famosos que os próprios peões –, os touros exibem nomes que sugerem muitas coisas, mas nem sempre coisas que fazem sentido.

Você pode imaginar, por exemplo, por que um touro é batizado de Tissuname, Terremoto, Carandiru, Bombardeio, Mundo Acabado ou Zangado. Até mesmo Fim de Papo ou Timbalada fazem sentido. São touros certamente famosos por seus saltos, que não deixam o peão se equilibrar por mais de oito segundos. Mas o que esperar de um touro chamado Tela Quente? Ou Mensageiro? Ou Turista?

Na falta de nomes que façam alusão aos talentos dos touros, impera a criatividade na hora de batizá-los. Veja outros touros que entraram na arena de Barretos no primeiro fim-de-semana de rodeios: Arroz Doce, Mensalão, Dom King, Poupa Tempo, Lageado. Show da Noite, Cancun e Orgulho. Entre Tissuname e Arroz Doce, quem você preferia montar? O problema é que não adianta querer escolher; os touros são sorteados para os peões na véspera do rodeio.

Descobri, entrevistando o autor da biografia do mítico touro Bandido, que é possível recusar a montaria. Temerosos de enfrentar o quase invencível Bandido, hoje objeto de uma estátua em Barretos, muitos peões preferiam não disputar a rodada do rodeio quando eram sorteados com a fera.

Tentei descrever um pouco a minha sensação de marinheiro de primeira viagem em Barretos num outro texto, publicado sábado, cujo título aproveita uma frase do locutor Adriano do Vale, que classificou o rodeio de sexta-feira como “coisa de outro mundo”.  E, por fim, curioso com a desenvoltura de Adriano, que narra o rodeio no meio da arena, a dez metros dos touros, fiz uma pequena entrevista com ele, na qual o locutor descreve a sua atividade e a compara com o futebol. A matéria se chama “Rodeio é uma caixinha de surpresas”. Frase de Adriano, com a qual eu concordo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Crônica, Cultura Tags: , , ,
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