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18/11/2008 - 09:47

Histórias inacreditáveis de Adolpho Bloch

Dois livros recém-lançados contam histórias inacreditáveis sobre Adolpho Bloch e o grupo editorial que ele dirigiu por quase 50 anos, revista “Manchete” à frente. Como se sabe, a empresa faliu em 2000, deixando centenas de funcionários na mão. Como escrevi no Último Segundo, os livros tentam explicar como Bloch ergueu e ajudou a destruir o próprio império. Algumas histórias que não couberam na extensa reportagem, vou contar aqui no blog:

Roberto Muggiati, que dirigiu “Manchete” por muitos anos, relata inúmeros causos saborosos no depoimento que escreveu para “Aconteceu na Manchete” (editora Desiderata). Um deles diz respeito a Ronaldo Bôscoli, célebre músico, que trabalhou na revista, mas aprontava todas. Certa vez, sua mãe ligou para a redação informando que Bôscoli não iria trabalhar porque estava com muita febre. Jaquito Kapeller, sobrinho de Bloch, não entendeu nada, já que Bôscoli estava à sua frente. Sem perder a pose, conta Muggiati, Bôscoli pegou o telefone e disse: “Pô, mãe! Essa desculpa era pra amanhã…”

Ainda Muggiati, sobre a célebre coleção de obras de arte hospedada no edifício Manchete: “Adolpho Bloch não dava reportagens de graça para pintores, mas permutava as páginas de Manchete por telas ou esculturas. Manabu Mabe viu sua cotação subir astronomicamente depois das primeiras fotos publicadas em cores. E Adolpho construiu uma fabulosa pinacoteca de arte brasileira sem pagar um tostão”.

Marília Campos, que dirigiu “Carinho”, revela que, no seu segundo dia de trabalho, descobriu a existência de um funcionário que controlava o horário de entrada e saída dos jornalistas. “Paulinho do DP”, como era conhecido, “de manhã, fazia plantão na portaria, anotando mentalmente os nomes de todos os que chegavam. Mais tarde, fazia a ronda nas redações. Ao notar uma mesa vazia, batia no tampo e perguntava, arrogante: ‘Cadê o dono da mesa?’”

Outra de Marília: “Contava-se que Adolpho Bloch, eventualmente, ia até a sala das telefonistas e elegia, aleatoriamente, um ramal, para ouvir a conversa. Nunca soube se era verdade, mas certamente não era improvável”.

O fotógrafo Frederico Mendes descreve um Adolpho Bloch desbocado e safo: “Quando eu estava indo para a Alemanha, em 1974, para cobrir a Copa do Mundo, passei na sala de Adolpho para me despedir. E perguntei: ‘Titio, tem alguma recomendação?’ Ele olhou para mim bem sério e disse: ‘Tenho sim, Mendes: fode muito por lá!’ Quando voltei, a primeira coisa que ele perguntou foi isso”.

Na mesma linha, Arnaldo Bloch, no retrato que pinta de Adolpho em seu livro, “Os Irmãos Karamabloch” (Companhia das Letras), não deixa de notar esse aspecto do líder do clã: “Entre a sala da presidência e a de Manchete, trocas heterodoxas ocorriam, e até um livre-comércio de favores se instaurou, tendo por objeto mulheres de vida leve que se candidatavam a um espaço na revista”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , ,
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