É muito tênue a linha que separa um programa “trash”, divertido de tão ruim, de uma atração que causa mal estar e provoca o efeito inverso, deprimindo o espectador. Três semanas depois de sua estreia, “A Fazenda” segue caminhando nesta corda bamba, oscilando entre lampejos de fantasia pop e momentos de puro baixo astral.
Theo Becker foi, até domingo, o tufão de alegria que moveu “A Fazenda”. Infelizmente, descobrimos, jogou dopado, como se diz no futebol. Estava sob efeitos da sibutramina, uma conhecida droga para emagrecer – mais utilizada por mulheres, que ficam à beira de um ataque de nervos, mas também receitada a homens.
“Andressa!”, gritou o ator, em diferentes momentos, na noite de domingo. Cheguei a ficar em dúvida se estava se referindo à ex-namorada, que avisou não ter interesse em reatar o romance, ou à égua, que batizou durante o programa. No final, ao lançar as suas últimas palavras, compreendi: “Andressa, eu te amo. Eu vou lutar por você até o ultimo dia da minha vida”. Muito pragmática, Andressa deu a deixa: “Theo não vai ter tempo de vir atrás de mim, a imprensa vai assediar muito ele”.
Becker fez um balanço muito positivo de sua participação no programa. Ajudou, por exemplo, a acabar com a imagem que a sua “gente” é gay. Britto Jr., coitado, não entendeu. “De quem você está falando? Dos artistas?”. Theo Becker é de Pelotas, Britto. Manja?
A edição mostrou, na sequência, as muitas brigas e confusões que Becker arrumou na fazenda. Também exibiu o ator, ao violão, cantando uma música de Renato Russo. Enquanto Pedro, filho de Leonardo, destruía de forma desafinada a letra, a câmera permanecia focada em Becker, dedilhando o violão e sugerindo que ele fosse o responsável por aquele desastre. Que injustiça!!!
Como escrevi há três semanas, “A Fazenda” tem tudo para se tornar um clássico do “trash” televisivo brasileiro. O mix de subcelebridades e gente estranha escolhida foi perfeito. O problema é como acomodar esse povo no formato que a Record está impondo ao programa.
A mis em scène do paredão da “Fazenda” é uma das coisas mais tristes que já vi na televisão brasileira. Britto Jr.,com todo respeito, mais parece um pastor do que um apresentador, inquirindo os candidatos à porta do Purgatório. Os três “emparedados” sentados sobre malas vintage, como se estivessem numa estação de trem de filme americano da década de 50, não combinam com o ambiente ao redor. Os pais dos candidatos, em pé, assistindo aquilo tudo, a iluminação, a música, o excesso de evocações a Deus, as intervenções de Britto (“Espero que vocês dois sejam homens de verdade”, disse para Theo e Miro), enfim, tudo aquilo dá uma tristeza…
Mas, voltando ao que “A Fazenda” tem de melhor, lanço aqui uma campanha: “Volta Theo Becker!”. Silvio Santos, tenho certeza, não hesitaria em arrumar um jeito de mandar o regulamento às favas e reenviar o ator ao programa, como fez com o lendário Alexandre Frota na “Casa dos Artistas”. Será que a Record encara uma dessas?