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Arquivo da Categoria jornalismo

18/08/2009 - 19:09

PVC: “Você não pode gostar menos de futebol que o cara que te lê”

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Conheci Paulo Vinicius Coelho na redação do “Lance!”, em agosto de 1997, na fase de estudos e testes do novo jornal, que chegou às bancas em 25 de outubro daquele ano. Vindo da revista “Placar”, PVC era um dos poucos repórteres com alguma experiência na área. Não o conhecia e logo me impressionou pela memória e, sobretudo, pela paixão pelo jornalismo esportivo.

Saí do “Lance!” em maio de 1998 e desde então tenho acompanhado o seu trabalho à distância, na ESPN, em seu blog – hoje no site da própria emissora – e na coluna que agora escreve na “Folha”. Eventualmente nos encontramos, como ocorreu em março, no programa “Loucos por Futebol”, onde estive como convidado, e vi PVC dar uma aula sobre o Botafogo bicampeão de 1967-68.

A última vez que o vi foi em meados de junho, no lançamento do livro “Por que não desisto”, de Juca Kfouri, na Livraria Cultura, em São Paulo. PVC chegou logo depois de mim, trazendo seu filho, João Pedro, e ficamos juntos na longa fila de autógrafos.

Ao longo de quase uma hora de espera, o jornalista deu entrevistas para a televisão, assinou uma dezena de autógrafos e posou para outra dezena de fotografias, abraçado a fãs seus. Várias pessoas, jovens em sua maioria, chegaram para puxar conversar, perguntar sobre detalhes do Campeonato Brasileiro, pedir a opinião de PVC sobre os mais variados assuntos. A todos ele atendeu do mesmo jeito, como se fossem velhos conhecidos.

Naquela fila, me dei conta que PVC, com 39 anos, havia se transformado numa celebridade do jornalismo esportivo – uma fama construída com base apenas no conhecimento sobre o assunto que trata. No momento em que está lançando um novo livro, “Bola Fora – A história do êxodo do futebol brasileiro” (Panda Books, 196 págs., R$ 29,90), sugeri ao iG uma entrevista com ele, na tentativa de explicar esse sucesso. O resultado foi publicado nesta terça-feira, com o título “Superpop”, PVC lança livro sobre êxodo de jogadores brasileiros

Convido à leitura os leitores que gostam do assunto. Adianto apenas uma passagem, essencial, a meu ver, no texto. “Acho que o público mais jovem enxerga em mim um cara que gosta de futebol como eles. Você não pode gostar menos de futebol que o cara que te lê ou assiste.” No fundo, tendo a achar que a reflexão serve para qualquer experiência profissional.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte, jornalismo Tags: , , , ,
12/08/2009 - 14:06

Ronaldo joga para a torcida

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Jornalistas que ainda não perderam o juízo enfrentam diariamente um dilema: onde termina a privacidade de uma figura pública? Quando a intimidade de políticos, artistas, jogadores de futebol ou celebridades se torna notícia? Qual é a nossa obrigação ao descobrir segredos da esfera íntima de personagens que são notícia?

São questões tão delicadas quanto fundamentais no exercício profissional. E muito antigas. O critério mais usado na definição do que é ou não notícia nesses casos é o chamado “interesse público”.

Sei que não é fácil definir o que é “interesse público”. Ao ouvir o jogador Ronaldo sugerir que a cirurgia de lipoaspiração que realizou é um problema particular, eu concordo com ele, mas pergunto: não tem interesse público?

Ronaldo não apenas é uma figura pública, como raramente demonstra preocupação em preservar a sua vida privada. O jogador exibe os seus filhos em revistas, aparece em eventos públicos variados, é garoto-propaganda de uma série de produtos e, desde que chegou ao Corinthians, tem falado com certa franqueza sobre inúmeros temas espinhosos.

É até discutível se uma lipoaspiração terá o efeito de afetar o desempenho atlético do jogador, mas o simples fato de alterar a sua aparência já torna a cirurgia de Ronaldo um fato de inquestionável interesse público.

Por isso, ao dizer que é um assunto particular, acho que Ronaldo está jogando para a torcida e tentando deixar os jornalistas numa saia justa. Entre a imprensa e o craque, a apaixonada nação corintiana não precisa pensar duas vezes antes de dizer com quem está.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , ,
05/08/2009 - 09:51

Comprei a “Playboy” só para ler o poema do Bial

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Foi, por muito tempo, uma piada, mas dizia muito sobre a qualidade do conteúdo da edição brasileira da “Playboy”: “comprei a revista só para ler a entrevista do mês”. E não apenas a longa entrevista, normalmente resultado de várias sessões com o entrevistado, mas também as reportagens e textos de ficção, toda edição de “Playboy” oferecia, para além dos ensaios fotográficos, muita coisa para ler.

Depois de muitos anos sem comprar, fui às bancas atrás da edição especial de aniversário, que comemora 34 anos da revista. Na capa, acompanhada apenas de um ponto de exclamação ao lado de seu nome, um sapato de salto alto e notas de dólares presas a uma liga, Priscila olha para o leitor com uma cara entre safada e surpresa.

Levei um susto, lendo o editorial, ao descobrir que hoje a revista destina-se a um leitor de “mãos viris”. Mas segui em frente. Lá dentro, em quase 30 páginas, Priscila Pires exibe as suas qualidades num ensaio que se propõe a simular uma fantasia, intitulado “Princesa devassa”, mas que mostra a sul-mato-grossense exatamente como os espectadores do BBB9 a viram, apenas sem nenhuma roupa.

A cereja do bolo, diferentemente do anunciado, não é o piercing na região mais íntima, mas o “poema” que Pedro Bial se propôs a escrever sobre a moça. Intitulado “Para minha princesa”, a obra em 22 versos termina assim: “Eu sou súdito da Princesa Priscila! / Súdito da Princesa Priscila, e isso não é para quem pode. / É só para quem quer”.

A entrevista do mês, com a atriz Christiane Torloni, ocupa oito páginas, mas não se compara, em interesse e diversão, às 20 perguntas dedicadas a Joel Santana, no finzinho da revista. Além de desancar Dunga, o técnico da seleção da África do Sul fala com a sinceridade habitual sobre vários assuntos – o seu inglês precário, os críticos, a sua experiência fracassada no Corinthians e diz o que pensa de jogadores que não gostam de treinar: “O cara tem que escolher se quer ser jogador de futebol ou pagodeiro.” Vale a pena.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo, televisão Tags: , , ,
28/07/2009 - 22:50

Dois cartoons malucos sobre o casamento

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Não sei explicar direito as razões, mas adorei esses dois cartoons, publicados nas edições de 20 e 27 de julho da “New Yorker”, ambos sobre o mesmo tema, mas com enfoques bem diferentes (se desejar, clique nas imagens para vê-los ampliados).

 

 

 

 

 

 

 

 

Primeiro casamento?”

 

 

 

 

 

 

 

 

“Já estamos casados há 25 anos. Talvez
pudéssemos remover a lata que resta”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, jornalismo Tags: , ,
26/07/2009 - 14:33

Falando abertamente de “jabá”

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Escrevi na última sexta-feira que a prática do jabá nas rádios brasileiras “é uma espécie de caixa-preta, muito bem protegida e imune, inclusive, à investigação jornalística”.  Comentava um texto do músico Tico Santa Cruz, publicado em seu blog, no qual ele afirma que o seu grupo, o Detonautas, está sendo boicotado pela rádio Mix FM. O músico contou que, certa vez, a rádio exigiu dos Detonautas que alterassem uma música já gravada para se adequar aos padrões da emissora. 

O jornalista Rodney Brocanelli, que mantém o blog Rádio Base, escreveu para me alertar que a “caixa preta” do jabá não é tão fechada assim. Ele me enviou trechos de uma entrevista de Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, à revista Playboy, em 2006, na qual o empresário fala abertamente do assunto. Eis o trecho:

PLAYBOY: Muita gente diz que você é jabazeiro [que cobra jabá].
TUTINHA: Me chamem do que quiser. Na minha rádio tem nota fiscal, tô pouco me danando. O cara para entrar no Fantástico também paga. Jabá é quando você faz ilegalmente na empresa. O que eu faço são acordos comerciais.

PLAYBOY: Que tipo de acordo?
TUTINHA: Por exemplo: hoje chegam 30 artistas novos por dia na rádio. Por que eu vou tocar? Eu seleciono dez, mas não tenho espaço para tocar os dez. Aí eu vou nas gravadoras e para aquela que me dá alguma vantagem eu dou preferência.

PLAYBOY: Que vantagem?
TUTINHA: Se você tem um produto novo, você paga pra lançar. Era isso o que eu fazia. Eu tocava, mas queria alguma coisa. Promoção, dinheiro. Ah, bota aí 100 mil reais de anúncio na rádio. Me dá um carro pra sortear para o ouvinte. Mas hoje não tem mais isso. As gravadoras não têm mais dinheiro. O que pode existir é o empresário fazer acordo. Ah, toca aí meu artista e eu te dou três shows. Ou uma porcentagem da venda dos discos
.

Brocanelli também publica em seu blog trechos de uma entrevista que fez com Roberto Miller Maia, ex-diretor da rádio Brasil 2000, na qual ele também fala abertamente do assunto. Eis o trecho selecionado:

Não existe o estar pagando para tocar, mas existe um acordo de cavalheiros. Como o U2 está dando ao ouvinte da rádio uma oportunidade de uma promoção que leva o sujeito para Miami, em contrapartida tem que se mostrar o trabalho dos caras. Por que uma banda fica famosa? Tem sempre aquele trabalho de marketing. Por mais que uma banda seja brilhante ou excelente alguém precisou falar sobre ela, instigar as pessoas a gostarem daquilo. E também existem as armações, que não duram nada. Se a banda for ruim, não vai adiantar. Tem que existir um mínimo de talento, de empatia com aquele grupo de pessoas a quem você vai oferecer esse produto. Isso tudo deveria ser uma coisa mais clara, ficou uma coisa obscura durante todos esses anos. Se tudo fosse às claras, não existiria corrupção.

Eis, portanto, duas manifestações que mostram que o jabá não é, como eu disse, uma caixa-preta sem chave.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo Tags: , , , , , , ,
20/07/2009 - 09:45

“NY Times” aceita financiamento externo para reportagens

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Mais respeitado jornal do mundo, o “New York Times” é hoje, também, o principal termômetro da crise que atinge gravemente a mídia impressa nos Estados Unidos. Todos os seus passos são monitorados no esforço de entender quais são as saídas – se é que existem – para a perda de leitores e a queda na receita de publicidade que afetam todos os jornais do mundo.

Em sua mais recente coluna dominical, o “public editor” (o ombudsman do jornal) Clark Hoyt discutiu um passo ousado – chocante mesmo, para a velha guarda – que o “Times” resolveu adotar na tentativa de reduzir as despesas sem perder a qualidade de suas investigações jornalísticas. Trata-se de buscar financiamento externo, fora do jornal, para a realização de reportagens.

Hoyt conta a história da jornalista Lindsay Hoshaw, que vive de free-lancers, ou seja, sem emprego fixo. Ela sugeriu ao “Times” fazer uma reportagem fotográfica sobre uma massa de lixo flutuante que percorre o oceano Pacífico, mas precisaria de US$ 10 mil (R$ 20 mil) para os gastos com a viagem, a bordo de um navio de pesquisas. O jornal informou que poderia pagar, caso a reportagem o interessasse, US$ 700 pelas fotos e mais um pouco se comprasse também o texto.

Lindsay Hoshaw partiu, então, em busca de financiamento externo para a sua reportagem. Procurou o site Spot.us, uma comunidade formado por jornalistas investigativos com o objetivo de arrecadar recursos para as suas matérias. Se conseguir US$ 6 mil até a data de partida do navio, em setembro, ela vai arrumar um empréstimo para custear o resto (já conseguiu, até agora, US$ 1,6 mil).

Escreve o “public editor”: “Para alguns, isso é exploração – o poderoso ‘New York Times’ forçando uma empenhada jornalista a mendigar com uma caneca virtual. Mas Hoshaw não pensa assim. Para ela, é uma oportunidade que ela não pode perder – uma matéria que ela sonha fazer há muito tempo e a chance de sair no ‘Times’. Para David Cohn, fundador da Spot.Us, uma organização sem fins lucrativos, é uma maneira de o público financiar o jornalismo que ele quer. Para o ‘Times’ é um novo passo na direção de um mundo impensável até poucos anos atrás”.

Como outros jornais, o “New York Times” construiu sua reputação e prestígio justamente com base na absoluta independência econômica. Entre outras implicações, tomada a decisão de fazer uma reportagem, da mais séria à mais leve (como uma matéria de turismo, por exemplo), o jornal sempre custeou todas as despesas dos jornalistas envolvidos na tarefa.

Foi assim por décadas e décadas. Não é mais. Escreve Hoyt: “À medida que as receitas com publicidade caem e a tecnologia altera drasticamente a relação do público com os meios de comunicação, o ‘Times’ está buscando novas fontes de dinheiro e se abrindo para parcerias e arranjos distantes do velho modelo, no qual editores decidem o que é notícia, escalam os seus repórteres e pagam as despesas – tudo isso sustentado por centenas e centenas de anunciantes, nenhum deles grande o suficiente para influenciar o jornalismo”

O “public editor” conta em sua coluna que o “Times” está fazendo outras parcerias, com outras entidades, além da Spot.Us, como a Pro.Publica, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao jornalismo investigativo, fundada por banqueiros bilionários, cujos negócios já foram alvo de reportagens críticas do próprio jornal.

Herbert e Marion Sandler, os fundadores da Pro.Publica, ganharam muito dinheiro com o financiamento de hipotecas, mas saíram do negócio um pouco antes da quebradeira geral que deu origem à crise atual na economia americana.

A Pro.Publica é, assim, um exemplo interessantíssimo sobre as possibilidades e limites desta nova – e, aparentemente, inevitável – forma de financiar o jornalismo. Hoyt descreve todo o esforço da organização para conseguir mais fundos e se tornar totalmente independente do casal Sandler.

E o “public editor” conclui sua coluna com as palavras do presidente desta fundação, Alberto Ibarguen: Se os jornais não trocarem o modelo “eu escrevo e você lê” por parcerias com organizações externas e abertura à participação do público na feitura das notícias, “o mundo vai passar por cima deles”.

Aqui você encontra a coluna de Hoyt, One newspaper, many checkbooks.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , ,
06/07/2009 - 13:18

Você sabe que está faltando assunto quando…

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1. Roger Federer é o assunto da capa dos cadernos de esportes da Folha, Globo e Estadão.

2. A manchete do Google News é “Visita de Obama à Rússia resultará em negócios de US1,5 bi”.

3. A notícia mais divertida sobre “A Fazenda” é: Jonathan dá tapinha no bumbum de Luciele e toma bronca dela.

4. O link mais clicado no Twitter é para um vídeo terrivelmente sem graça postado pelo site de humor Kibe Loco.

5. Blogueiros e twitteiros, inclusive eu, ainda falam da Flip, encerrada no domingo.

6. Doze dias depois da morte de Michael Jackson, ainda se especula sobre o enterro do seu corpo.

7. Você olha pela janela e vê que o tempo está bom em São Paulo e o trânsito flui sem problemas.

8. No Senado, parece, ninguém ainda chegou para trabalhar – ou fazer revelações.

9. A crise em Honduras… é em Honduras.

10. O autor escreve uma bobagem dessas no seu blog.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, jornalismo Tags:
30/06/2009 - 08:35

Sobre o “chupa” no Twitter

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O sucesso do movimento que emplacou a palavra “chupa” como a mais mencionada no Twitter depois da partida entre Brasil e Estados Unidos me lembrou que usei exatamente esta palavra no esforço de explicar o sucesso do diário “Lance!”.

Em “História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo”, recém-publicado, uma das questões que enfrento diz respeito ao público do jornal, hoje o principal diário esportivo do país. Relato no livro que o objetivo inicial, em 1997, era atingir um público jovem, de classe média, mas o jornal alcançou sucesso junto a outros públicos também. Com base em dados estatísticos disponíveis, e analisando o conteúdo do jornal, bem como as cartas enviadas ao “Lance!” nos seus primórdios, eu escrevo:

“Imagino que um leitor do Lance! é o jovem de classe média abonada, que vai à janela do apartamento gritar “chupa!” quando seu time ganha e, dessa forma, mantém-se à distância, protegido, de um outro leitor do jornal, o jovem de origem humilde que passa embaixo, na calçada, e não pode alcançá-lo. A julgar pelas cartas enviadas ao jornal, esses dois universos comungam de vocabulário limitado e acreditam que o jornal não apenas é uma fonte de informação esportiva, mas um espaço para tripudiar dos colegas e, eventualmente, conseguir uma camisa autografada do seu ídolo.” 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte, jornalismo Tags: , ,
26/06/2009 - 00:03

“Maicô!”, “Maicô!”, “Maicô!”

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Fui encarregado pela “Folha de S.Paulo”, em 15 de outubro de 1993, de escrever a matéria principal sobre o primeiro show de Michael Jackson em São Paulo, no estádio do Morumbi. No dia seguinte, o jornal publicou um caderno especial chamado “Megashows”, de quatro páginas, dedicado à cobertura do evento.

Relendo o texto, escrito na correria, em poucos minutos depois do encerramento do show, vejo que não guardei nenhuma lembrança especial do evento – sinal de que não gostei do espetáculo. Reproduzo-o abaixo:

Michael chora no palco e leva fãs à histeria

Uma megahisteria tomou conta do Morumbi, ontem, às 21h34, quando Michael Jackson deu finalmente início ao megashow mais esperado do ano no Brasil. Até que ele aparecesse no palco e começasse a cantar ainda se passaram quase dez minutos, período em que a platéia estimada entre 70 mil e 80 mil pessoas chegou ao delírio, como num jogo de futebol, gritando “Maicô”, “Maicô”.

Exatamente às 23h30, 115 minutos após essa apoteose – e aos gritos de “I love you”, “I love you” – Michael Jackson abandonou o megapalco armado no estádio, deixando a platéia entre perplexa e frustrada. Em Buenos Aires, há uma semana, o cantor se exibiu durante duas horas e vinte minutos e cantou um bis (“Man in the Mirror”).

A parafernália de efeitos – explosões de fogos, cascatas de luzes, fumaça colorida etc. e tal – precede a voz de Jackson em cada música e serve como senha para a histeria da platéia alcançar níveis beatlemaníacos. Antes de cantar pela primeira vez, Jackson chega a ficar três minutos estático no centro do palco, provocando delírio e desmaios entre o público.

Ao começar a cantar “Jam” – a música que abre “Dangerous” – o impacto causado pelo volume de som acaba escondendo a voz de Jackson. Entre a terceira e a quarta música (“Human Nature” e “Smooth Criminal”), a platéia colocada na arquibancada, a mais distante do palco, chega a ensaiar um corinho de “aumenta o som!”. Esse problema acompanhou todo o show.

Por alguns segundos, às 21h48, Jackson se dirige à platéia, perguntando em inglês: “Como vão vocês?”. Evidentemente, a resposta foi apenas um grunhido de milhares de vozes.

Às 21h30, quatro minutos antes do início do show, o capitão da Polícia Militar Flavio Jarí Depieri estimava o público no Morumbi em cerca de 70 mil pessoas (86 mil ingressos foram colocados à venda). No meio da música “I Just Can´t Stop Loving You”, como previsto, Michael puxa uma menina da platéia, ela balbucia um “I Love you” e se agarra firme no astro. Ao fim da canção, Jackson se ajoelha e demonstra estar chorando. Diz: “I love you”. Foi lindo.

Cerca de 50 pessoas desmaiaram entre a primeira e terceira música do show, somando-se às cerca de 250 pessoas que desmaiaram antes do início. A maioria dos atendidos pelo Unicor apresentavam os mesmos sintomas: falta de ar, fraqueza e crise de choro. Todos tomaram água com açúcar e voltaram para o gramado. Para chorar com Michael Jackson.

(Publicado na “Folha de S.Paulo” em 16 de outubro de 1993. Colaborou Luiz Carlos Duarte.)

Em tempo: A magnífica foto, prejudicada por meu scanner caseiro, é de Antonio Gaudério

Em tempo 2: Publiquei no Último Segundo, no final da noite de quinta-feira, o texto Michael Jackson não morreu, com minhas previsões sobre a transformação do músico em mito.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo Tags: , , , , ,
25/06/2009 - 14:42

Farrah Fawcett e a “cláusula Quem” do “New York Times”

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No “New York Times” chama-se esta técnica de “cláusula Quem” e foi desenvolvida pelo “mestre” Robert McG Thomas Jr., um dos mais notáveis jornalistas que passaram pela seção de obituários do jornal. Trata-se do esforço de síntese de resumir numa única frase a vida de uma pessoa. Eis a frase, na minha visão perfeita, com a qual o jornal acaba de anunciar a morte de Farrah Fawcett.

Farrah Fawcett morre de câncer aos 62

Farrah Fawcett, atriz, estrela de televisão e fenômeno da cultura pop, cujo visual e penteado influenciaram uma geração de mulheres e, começando com um famoso pôster como pinup, enfeitiçou uma geração de homens, morreu na quinta-feira, em Santa Mônica, Califórnia, de acordo com Paul Bloch, seu porta-voz. Ela tinha 62 anos e estava lutando contra o câncer desde o final de 2006.

E aqui o texto na versão original (desculpe pela tradução apressada)

Farrah Fawcett Dies of Cancer at 62

Farrah Fawcett, an actress, television star and pop-culture phenomenon whose good looks and signature leonine hairstyle influenced a generation of women and, beginning with a celebrated pinup poster, bewitched a generation of men, died on Thursday in Santa Monica, California, according to Paul Bloch, her spokesman. She was 62 and had been battling câncer since late 2006.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , ,
22/06/2009 - 12:52

EUA discutem decisão de publicar reportagem investigativa apenas em versão online de jornal

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Neste momento delicado que a imprensa escrita vive nos Estados Unidos, qualquer movimento diferente feito por algum jornal é acompanhado com lupa pelos demais. A situação da imprensa brasileira parece ser diferente, mas não deixa de ser instrutivo acompanhar os lances dessa crise americana, e como está se dando a transição da mídia impressa para a mídia online.

O “New York Times” desta segunda-feira dedica um bom espaço para discutir uma decisão editorial de um concorrente, o “Washington Post”. O que surpreendeu o “Times” foi o fato de o “Post” ter publicado apenas na sua edição online uma longa reportagem especial, sobre um misterioso caso policial não resolvido.

“A decisão de manter o texto fora da edição impressa enfureceu muitos leitores que ainda pagam pelo jornal. Também chamou a atenção para as espinhosas questões que os editores de jornais ainda enfrentam ao atender tanto aos leitores das edições impressas quanto online”, escreve o Times. “A maioria dos editores concorda que a edição impressa ainda é o lugar para publicar reportagens investigativas profundas, ao menos para dar a certos leitores uma razão de continuar pagando por notícias”.

Com 7 mil palavras (mais de 40 mil caracteres), a reportagem do “Post” se enquadrava claramente neste critério. O texto é tão longo para os padrões jornalísticos que, mesmo na Internet, foi publicado em duas partes.

Ao investigar as motivações do “Post”, o Times conclui que a decisão de publicar o texto online deveu-se a causas econômicas – economizar papel – e não a uma experiência com o jornalismo online. Editores do “Post” disseram que chegaram considerar a possibilidade de publicar o texto na edição impressa, mas concluíram que ele era muito longo num momento em que os gastos com papel estão entre os custos que devem ser cortados pela empresa. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Internet, jornalismo Tags: , , , ,
19/06/2009 - 09:10

Memórias de um torcedor bipolar

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Minhas primeiras lembranças de futebol datam de 1966. Tinha 5 anos. Escolhi meu time em algum momento entre 1967 e 1968 – anos em que o Botafogo reinou, conquistando o bicampeonato da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca (eram disputados separadamente). Só passei a ir ao estádio, levado por meu pai, em 1971 – quando fiz 10 anos. Não vi, portanto, meu time ser campeão ao longo de toda infância, adolescência e início da fase adulta. Uma tragédia que, para o bem e para o mal, ajudou a me moldar.

Só em 21 de junho de 1989, quando já tinha 28 anos, tive a chance de ver meu time ser campeão. No próximo domingo, comemoramos os 20 anos da conquista do Campeonato Carioca de 1989, que encerrou um inédito jejum de 21 anos sem título. A propósito da data, desenterro dois textos escritos sobre esta saga. O primeiro foi publicado em 1988, na “festa” pelas duas décadas de jejum, e o segundo saiu dois dias depois da vitória de 1989.

1. Apaixonado, mas desesperado

Em 1988, quando o Botafogo completou 20 anos sem títulos, escrevi na “Folha de S.Paulo” um texto bem-humorado, no qual fazia um paralelo do fracasso do time com os sonhos perdidos pela geração que viveu as agitações de Maio de 1968. No artigo, eu aproveitava para cutucar a própria “Folha”, que, em nome do didatismo, teimava em chamar o time de “Botafogo (RJ)” ou “Botafogo do Rio”, para não confundi-lo com cópias e similares. E dizia que as esperanças do torcedor estavam, infelizmente, depositadas nas mãos de um banqueiro do jogo do bicho. Acho que é um texto que reflete bem o ânimo de um torcedor apaixonado, mas desesperado. Reproduzo-o abaixo:

O “Botafogo do Rio” espera desde 1968
 
Não é apenas uma coincidência: no ano em que se comemoram os 20 anos de maio de 1968 – o apogeu e a queda das utopias concentradas numa só data –, o Botafogo cruza a segunda década sem conquistar um título. Em maio de 68, ainda se acreditava na invencibilidade e no talento individual dos jogadores botafoguenses, os que deram dois títulos – e viriam a dar, em 1970 – a possa da taça Jules Rimet ao Brasil. A utopia, hoje, é acreditar que um benfeitor egresso do jogo do bicho seja capaz de tirar o time da lama e dar o esperado título a uma torcida que não pára de crescer.

A efeméride passou em brancas nuvens aqui em São Paulo, Estado que teima em chamar o Glorioso de “Botafogo do Rio”, na ilusão de que o Botafogo possa ser confundido com o Botafogo de Ribeirão Preto. A maneira torta com que a bola tem rolado alimenta a confusão.

A mediocridade triunfou no futebol brasileiro pós-maio de 68, isto é, depois do último título do Botafogo (naturalmente que a vitória num vagabundo “Torneio Início” no final dos anos 70 não conta). O Botafogo corre o risco de ser lembrado no futuro pela comédia que embalou a sua decadência (lembra-se de Puruca?), quando grandes talentos surgidos nestas últimas duas décadas, como os goleiros Wendel e Zé Carlos, os laterais Marinho e Josimar, o meia Mendonça , o centroavante Nilson Dias, entre outros, apenas fracassaram na trágica missão de vencer.

 (Publicado na “Folha” em 12 de junho de 1988)

2. Pessimista, mas esperançoso

Um ano depois, voltei às páginas de Esportes da “Folha” para celebrar o fim do jejum. Acompanhei o campeonato à distância, morando em São Paulo. E, confesso, tive muito poucas alegrias com aquele time, que não venceu nenhum clássico até o jogo final, e cuja escalação naquele 21 de junho (foto) foi: Ricardo Cruz, Josimar, Wilson Gotardo, Mauro Galvão e Marquinhos. Vítor, Carlos Alberto Santos e Luisinho; Maurício, Paulinho Criciúma e Gustavo (Mazolinha). O texto que publiquei talvez seja injusto com um ou outro jogador daquela equipe, mas reflete o meu permanente pessimismo com o Botafogo, ao mesmo tempo que deixa transparecer a permanente esperança de dias melhores:
 
A saga da equipe “gauche”

A saga botafoguense terminou da forma mais “gauche” possível: um cruzamento da esquerda, saído do pé esquerdo de um jogador chamado Mazolinha, que caiu no pé direito de Mauricio, o novo anjo torto do time, antes de se dirigir com extrema cautela para o fundo da rede do Flamengo.

Dirão os mais apressados que foi uma campanha brilhante, magnífica, à base de muito esforço e dedicação. A definição é correta, mas esconde o principal: os heróis botafoguenses nunca demonstraram aquilo que no meio futebolístico é conhecido como “intimidade com a bola”. Eles chegaram ao título depois de 21 anos graças justamente a esta estranha conjunção de garra com falta de talento.

Pergunte ao Sobrenatural de Almeida, o mais tricolor dos personagens de Nelson Rodrigues. Ele certamente dirá que o resultado era previsível. O Botafogo precisou arrumar um dos piores times da sua história para ser campeão.

A lógica, como escrevi neste caderno há um ano, é a seguinte: o Botafogo encarnou nas últimas duas décadas, de forma radical, a situação do futebol brasileiro e, em última instância, do próprio país. Em 1989, o time finalmente chegou ao fundo do poço. O que, em outras palavras, significa dizer que o Botafogo está dando inicio – provavelmente – a um período de renascimento.

(Publicado na “Folha” em 23 de junho de 1989)

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, Memória Tags: , , , , , ,
18/06/2009 - 17:11

Contra a obrigatoriedade do diploma, a favor de regulamentação

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Dou aulas de jornalismo, de forma não contínua, desde 1994. Já passei por cinco faculdades diferentes. Ao longo do tempo, adquiri algumas certezas e muitas dúvidas sobre a necessidade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão de jornalista.

Tento a seguir ordenar alguns argumentos e questões sobre o fato.

1. O que é preciso saber e aprender para ser jornalista? É uma questão polêmica. Há alguns consensos: é preciso ter cultura geral e domínio total da língua portuguesa. Conhecer história é fundamental. Matemática e estatística são conhecimentos necessários. Ética. Direito. É preciso ter o hábito de ler jornais e revistas, ter gosto pela informação. Ter espírito crítico, ser capaz de compreender a realidade em que vive, é outro atributo obrigatório.

2. Onde adquirir os conhecimentos citados no tópico anterior? Começa em casa, prossegue na escola básica, depois na secundária e, finalmente, na faculdade. Qual faculdade? 

3. Você não precisa cursar uma faculdade de jornalismo para aprender nada disso.

4. Quais são os conhecimentos específicos necessários para ser jornalista? Entramos aqui no terreno da técnica. Não são muitos. Desafio alguém a defender a necessidade de mais do que dois anos de estudos para adquirir conhecimentos específicos da profissão, tais como técnicas de entrevista ou técnicas de redação voltadas para diferentes mídias.

5. Pessoalmente, acredito que um ano, com uma oferta de cursos bem articulada, cumpra bem esta função de transmitir conhecimentos específicos da profissão. Mas admito pensarmos até em dois anos. Mais que isso é embromação.

6. Discordo do meu amigo Leandro Fortes, para quem o diploma de jornalismo defende “milhões de brasileiros informados por esquemas regionais de imprensa, aí incluídos jornais, rádios, emissoras de TV e sites de muitas das capitais brasileiras, cujo único controle de qualidade nas redações era exercido pela necessidade do diploma e a vigilância nem sempre eficiente, mas necessária, dos sindicatos sobre o cumprimento desse requisito”. Na minha opinião, não é o diploma que defende o público dos manipuladores de notícias, mas a concorrência. Sem concorrência, como é o caso em grande parte do país, a imprensa de má qualidade prospera – e continuará a prosperar – com ou sem diploma para jornalista.

7. Meu amigo Ricardo Kotscho preocupa-se com outra questão importante. Tudo bem, acabou a obrigatoriedade do diploma. Mas, e agora? Concordo que não podemos, de fato, ficar numa espécie de terra de ninguém, sem algum tipo de regulamentação.

8. Defendo, para início de discussão, que a prática só seja permitida a pessoas com formação universitária (em qualquer área, inclusive jornalismo), mais um curso de especialização técnico.

9. Diante da inquietação que vejo hoje, 18 de junho de 2009, em blogs e Twitter, arrisco dizer: o fim da obrigatoriedade do diploma não dificultará a inserção no mercado de trabalho dos bons candidatos, formados em faculdade de jornalismo.

10. As dificuldades de inserção do mercado decorrem de outros problemas, que não vou discutir aqui, mas são notórios: a transformação do ensino de jornalismo numa indústria, a crise da imprensa e a crise econômica.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , ,
10/06/2009 - 12:20

Estamos em recessão, mas em boa companhia

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“Definitivamente, alguma coisa está acontecendo. Voltamos a comer comida de cachorro”.

A crise econômica, como não poderia deixar de ser, tornou-se um dos temas prediletos dos cartunistas da “New Yorker”. O cartoon acima, genial, a meu ver, está na edição de 1º de junho da revista.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Cultura, Mundo, jornalismo Tags: , , ,
10/06/2009 - 08:31

Globo, SBT e Ronaldo: cenas de novela mexicana

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O patrocínio do grupo Silvio Santos ao Corinthians está produzindo uma série de eventos anedóticos, típicos de um dramalhão mexicano, bem ao gosto da programação do SBT. O surpreendente neste caso é que um dos protagonistas dessa história vem a ser a Rede Globo, famosa pela qualidade “antimexicana” de suas novelas.

Há alguns dias, Silvio Santos fez um discurso engraçadíssimo, chamando Ronaldo de “farsante” por se recusar a gravar um comercial para o SBT. No ar, aparentemente de improviso, o dono da emissora ofereceu R$ 50 milhões para o craque protagonizar a publicidade. Está no You Tube – e é inacreditável.

A Globo, como se sabe, é detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Para a emissora, causa constrangimento exibir a marca de um patrocinador – o Baú da Felicidade – cujo proprietário é dono de um canal concorrente. Propaganda grátis e ainda mais de um rival? É duro…

A emissora nega estar promovendo qualquer tipo de boicote ao logotipo do Baú em suas transmissões esportivas, mas não é o que parece. Como mostrou o jornalista Ricardo Feltrin, uma entrevista com Ronaldo, feita pela Globo no último domingo (7), passa a nítida impressão que os câmeras estão orientados a não mostrar de jeito nenhum a marca de Silvio Santos. Como fazer isso se o Baú é visto quase na gola da camisa do Corinthians? Simples: enquadrando apenas o rosto de Ronaldo, entre o queixo e a testa. 

Em 1994, a Globo produziu um enquadramento semelhante na transmissão de dois amistosos da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Patrocinada então pela Kaiser, a emissora se recusou a mostrar placas de publicidade da Brahma espalhadas pelo estádio onde ocorreu a transmissão de partidas contra Canadá e Honduras. No esforço de não exibir a marca rival, os câmeras da Globo deixaram de mostrar a bola, jogadores cobrando lateral e lances próximos à linha de fundo. Foi um papelão que entrou para a história da televisão brasileira.

Outros veículos já tomaram atitudes radicais como essa no afã de protegerem os seus interesses comerciais. Relato no livro “História do Lance!”, recém-publicado (desculpe a propaganda), que em meados de 2000 o diário esportivo manipulou imagens para não exibir a marca de Pepsi-Cola estampada na camisa do Corinthians. Escrevo no livro:

Insatisfeito com a não inclusão do Lance! na lista de veículos que receberiam anúncios de uma campanha publicitária da Pepsi-Cola, o diário passou a manipular, no computador, as fotografias que mostravam a camisa do Corinthians, de maneira a eliminar das páginas do jornal a marca do refrigerante, que então patrocinava a equipe. Depois que o caso tornou-se público, a manipulação das imagens foi interrompida.

Todas essas histórias – e há muitas outras semelhantes – expõem a defesa atabalhoada de interesses comerciais sob ameaça em meio a conflitos pesados entre empresas. Os protagonistas destes dramalhões parecem apenas se esquecer de cuidar dos interesses dos seus espectadores e leitores.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , , , , , ,
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