Arquivo da Categoria jornalismo
18/09/2009 - 14:09
Além do diploma de jornalismo, sou também formado em economia, como já escrevi aqui no blog, mas nunca, curiosamente, pratiquei jornalismo econômico.
Fiz matérias de economia, eventualmente, nos diferentes locais onde trabalhei, mas confesso que nunca tive gosto, realmente, pela coisa. Esta semana, curiosamente, fiz duas reportagens ligadas ao universo econômico. Em ambas, fui encarregado de tentar dar alguma cor, alguma vida, à realidade dos números.
No primeiro caso, um especial do Último Segundo sobre o aniversário de um ano da crise financeira global, parti pela Avenida Paulista procurando a crise. Em meio a diferentes histórias e visões sobre este período, tropecei numa mulher descalça, gritando diante de uma farmácia: “Vocês vão vender pra mim um Lexotan?”. Ao me ver com o bloco de anotações na mão, ela gritou: “Nem todo mundo aqui rouba carro”. Acho que a materia valeu por esta história.
No segundo caso, a divulgação dos dados da PNAD 2008, saí pelo bairro do Bom Retiro em busca de pessoas que reunissem as principais características do “brasileiro médio” que emerge da pesquisa. Encontrei, por acaso, a pernambucana Rizoan Vieira de Moura, vendedora numa loja no bairro, cuja história me comoveu. “Há dois anos não tinha nada, nada, nada. Nada mesmo. Nem lugar para dormir”, ela me disse.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, jornalismo
Tags: crise financeira, Economia, PNAD, um ano
18/09/2009 - 11:14
O grande Xico Sá, jornalista de múltiplos talentos, cunhou na “Folha” desta sexta-feira uma expressão genial para se referir aos torcedores que perseguem craques em momentos de crise. São os “decepcionaldinhos”, os “marcadores cricris”.
O próprio Xico faz uma autocrítica e conta que agiu assim, como um “decepcionaldinho”, em relação a Ronaldo, antes da última volta por cima do craque no Corinthians. “Ronaldo ensinou o que nem precisava”, reconhece.
O cronista protesta contra “gente que está sempre decretando o fim de carreira para uns, magoado com outros, dizendo que esperava mais de fulano etc… Não queria ser grosso, mas que tal cuidarem das suas próprias decepções, que são o que não nos falta pelo caminho?”, escreve, com precisão, o nosso Freud do Cariri.
Hoje, especialmente, Xico Sá reclama dos que pegam no pé de Ronaldinho Gaúcho. “O julgamento moral é implacável, e o nome da vez é de novo Ronaldinho, o grande Gaúcho. Especulam sobre a sua parada, haja bobagem, dizem que ele envergonha o Brasil em campos da Itália, qualé, cara pálida?”
Concordo com Xico. Devemos tomar sempre o cuidado de não projetar nos outros, amigos ou ídolos, as expectativas que temos em relação a nós mesmos. Evitar os julgamentos morais é fundamental.
Mas acho que há uma outra dimensão no caso Ronaldinho Gaúcho, que não é apenas a da decepção. Com seu futebol de lances imprevistos e geniais, e seu jeito engraçado de ser, Ronaldinho se tornou ídolo não apenas dos amantes do bom futebol, mas também das crianças. Vê-lo perdido em campo, sem brilho ou luz, provoca a mesma melancolia que assistir a um mágico aposentado em festa infantil.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, Esporte, jornalismo
Tags: Decepcionaldinhos, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Xico Sá
11/09/2009 - 10:00
Com uma foto de Kaká na capa, convidando o leitor a conhecer a estratégia do Real Madrid para conquistar a sua décima Liga dos Campeões, a revista “Trivela” chega esta semana às bancas pela última vez. O editor Caio Maio informa no editorial que, por enquanto, a revista seguirá apenas com o seu site na Internet, mas promete novidades para breve. “Daqui passamos a uma nova fase”, diz, sem revelar detalhes, mas sugerindo voltar às bancas em outro momento. “Até breve, na Trivela.com e nas bancas de todo o Brasil”, encerra o editorial.
“Trivela” surgiu em setembro de 2005 como um guia da Liga dos Campeões e no ano seguinte evoluiu para o formato atual. Projeto de três amigos, que se conheceram na faculdade de Jornalismo da USP, a revista tinha como foco principal o futebol internacional, em particular, o futebol europeu e suas estrelas globalizadas. Nos últimos tempos, no esforço de alargar a sua audiência, também abriu as suas páginas para o futebol disputado no Brasil.
Com um olhar ao mesmo tempo apaixonado e crítico, “Trivela” constituía um projeto original no mercado de publicações esportivas. É uma pena que não tenha conseguido se firmar no mercado. Para os fãs e fanáticos (a revista acompanha os campeonatos da Áustria, Suíça e Bélgica, entre outros), resta o site. E aguardar os próximos passos da editora.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo
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09/09/2009 - 17:01


Como em todas as áreas da imprensa, também no colunismo social e no jornalismo de celebridades gasta-se muita energia em busca da notícia exclusiva, do furo. Em eventos totalmente fechados para a mídia, sai-se melhor aquele veículo que consegue “roubar” uma foto e mostrar o que ninguém teve a oportunidade de ver. Também é comum, hoje em dia, determinados eventos serem inacessíveis para toda a mídia, com exceção de um único veículo, que ganha o direito de uma cobertura “exclusiva”.
Realizado no último domingo, em Porto Alegre, o casamento de Larissa Maciel, atriz que interpretou a cantora Maysa na minissérie da TV Globo, atraiu a atenção de toda a mídia especializada. Pelo que anunciou na capa da edição que circula a partir desta quarta-feira, a revista “Caras” teve direito a uma cobertura “exclusiva” do evento. Tudo indica, porém, que alguma coisa deu errado já que a revista “Contigo” conseguiu trazer na capa o mesmo casamento “exclusivo” da concorrente.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social, jornalismo
Tags: "exclusivo", Caras, Contigo, Larissa Maciel
03/09/2009 - 11:24
Como muita gente, também não tenho a menor simpatia por Dunga, mas reconheço que ele está fazendo um bom trabalho, até o momento, à frente da seleção brasileira. E um dos seus mais notórios defeitos, o mau humor crônico, tem se revelado uma ferramenta interessante no esclarecimento de alguns problemas crônicos do ambiente que cerca a CBF e a seleção.
Dunga talvez seja o técnico da seleção com pior relacionamento com a mídia que já houve. Nos seus confrontos com jornalistas, acabou explicitando uma queixa que sempre foi notória, mas ninguém ousava fazer em público, sobre privilégios concedidos à Rede Globo.
Esta semana, o alvo do mau humor do técnico foi o seu próprio empregador, a CBF. Como se sabe, a entidade concedeu a empresas patrocinadoras da seleção o direito de montar dois camarotes no campo de treinamento da seleção, em Teresópolis. A iniciativa, inédita, resultou num estranho clima de festa, bem às vésperas de um jogo contra a Argentina.
Nesta quarta-feira, Dunga manifestou-se de forma dura contra a CBF, ainda que não tenha citado o nome da entidade. “Todo mundo cria um circo e nós vamos para dentro do picadeiro. E aí a gente tem de dar a resposta pelo circo que os outros criaram”.
Como bem observou Silvio Barsetti, no “Estadão” desta quinta-feira, o clima de festa em Teresópolis lembrou a preparação do Brasil pouco antes do início da Copa de 2006, em Weggis, na Suíça. A bagunça que ocorreu na ocasião costuma ser apontada como uma das causas do fracasso da seleção na Alemanha.
Com seu mau humor, Dunga colocou o dedo na ferida, mais uma vez.
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Mudando de assunto, mas ainda falando de seleção brasileira. Em meados de julho, foi lançado o livro “Brasil x Argentina – Histórias do maior clássico do futebol mundial (1908-2008)”. Trabalho exaustivo do jornalista Newton Cesar de Oliveira Santos, como escrevi no iG Esporte, o estudo mostra que em 50% dos jogos entre os dois países houve brigas. Também fiz uma entrevista com Santos, na qual ele defende que o jeito argentino de ofender os brasileiros, chamando-os de “macaquitos”, é mais chacota do que racismo. Recomendo a leitura.
Crédito da foto: Divulgação/Vipcomm
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo
Tags: Brasil e Argentina, camarotes, CBF, Dunga, Granja Comary, seleção brasileira, Teresópolis
31/08/2009 - 11:15
Cheguei ao Morumbi por volta das 15h de domingo. Às 15h30, me sentei na arquibancada, atrás de um dos gols, no setor onde ficam as torcidas organizadas Independente e Dragões da Real. Meu objetivo era observar como os torcedores mais fanáticos do São Paulo reagiriam à presença de Muricy Ramalho, o técnico que levou o clube a conquistar as três últimas edições do Brasileiro, no banco do arquirrival Palmeiras.
Alguns dias antes da partida, o meia Hermanes, um fã declarado de Muricy, havia orientado a torcida: “Se eu fosse torcedor, deixaria o que já passou. Agora, é nova história. O Muricy foi treinador aqui, mas não é mais. Nossa torcida tem que receber o Ricardo Gomes e os jogadores do São Paulo”, afirmou.
Fiquei no meu lugar até as 16h50. Ao longo de todo esse período não ouvi nenhuma menção a Muricy. Nem vaias nem aplausos. Escrevi no iG Esporte:
Na arquibancada, as principais torcidas organizadas do São Paulo optaram por receber em silêncio o técnico do Palmeiras. Nem a Independente nem a Dragões da Real se manifestaram em relação ao comandante da equipe que venceu os últimos três Brasileiros.
Como de hábito, antes do início da partida, as organizadas gritaram os nomes de todos os jogadores do São Paulo – com exceção de Richarlyson – e até do técnico Ricardo Gomes (um mirrado grito de “Ricardo! Ricardo! Ricardo!”).
No segundo tempo, me transferi para o lado oposto da arquibancada, onde ficam torcedores sem vínculo com as organizadas. Também ali, não ouvi nenhuma referência a Muricy, nem contra nem a favor. Deixei o setor aos 30 minutos do segundo tempo e assisti o final da partida no setor reservado à imprensa.
Mas um estádio de futebol é um lugar muito grande. E um repórter não dá conta de ouvir tudo que se passa ali. Com 41 mil espectadores pagantes neste domingo, o Morumbi também acolheu gente que gritou o nome de Muricy e gente que vaiou o técnico do Palmeiras.
Não sei onde essas manifestações ocorreram, mas registro abaixo o que os jornais observaram a respeito do assunto nesta segunda-feira:
Folha de S.Paulo: “O técnico palmeirense foi recebido com vaias por parte da torcida, quando seu nome foi anunciado no placar eletrônico”.
O Estado de S.Paulo: “Os torcedores são-paulinos se dividiram nas arquibancadas. Enquanto alguns vaiaram na hora em que o nome do treinador foi anunciado, a maioria gritou ‘É Muricy’ logo depois”
O Globo: “Vaiado por uma parte da torcida são-paulina, aplaudido por outra”.
Agora: “Timidamente, parte da torcida são-paulina o homenageou com o coro de ‘é, Muricy’. Houve vaias também quando a torcida palmeirense gritou o seu nome.”
Jornal da Tarde: “Parte da torcida tricolor o vaiou timidamente, mas também houve alguns aplausos.”
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo
Tags: Dragões da Real, Independente, Morumbi, Muricy, Palmeiras, São Paulo, torcida, vaias
25/08/2009 - 12:36
Para alegria dos leitores que reclamaram dos meus textos sobre o “BBB9”, não pude dedicar a mesma atenção ao reality show “A Fazenda”, da Record. Assisti apenas alguns episódios e não cansei de me espantar com a semelhança, em inúmeros aspectos, com o reality global.
Não é novidade nenhuma que o projeto da Record leva em conta, numa mão, a grade da Globo – um fenômeno que transparece em inúmeros programas, tanto na área de entretenimento quanto de jornalismo.
Assistindo ao duelo entre Dado Dolabella e Danni Carlos no último episódio de “A Fazenda” me dei conta, no entanto, de algo talvez óbvio, mas que vinha me passando despercebido: o sucesso da imitação de uma emissora pela outra só ocorre porque há uma cumplicidade de desejos entre a Record e o seu público – este último quer ver na sua tela uma imitação da emissora líder, com tudo que há de tosco nela. Convido os visitantes deste blog a lerem texto que escrevi a respeito, defendendo essa idéia, intitulado Público deseja que a Record imite a Globo, publicado na segunda-feira, 24, no Último Segundo.
Para quem, por acaso, tiver interesse em mais textos sobre o assunto, escrevi sobre ”A Fazenda” em três outras ocasiões: na desastrada estréia, quando Dado e Britto Jr. discutiram publicamente por causa de um remédio e no dia em que descobri que o cachorro do programa era parte de uma ação de merchandising.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo, televisão
Tags: A Fazenda, BBB, Dado Dolabella, Danni Carlos, final, Globo, imitação, último episódio
25/08/2009 - 11:07
O título deste texto ia ser “Dois bons livros para estudantes de jornalismo”, mas lembrei a tempo que não é mais necessário ter diploma para exercer a profissão – basta interesse. Por coincidência, os dois autores aqui citados são jornalistas profissionais, mas graduados em outras áreas.
Formada em Agronomia, Ana Estela de Sousa Pinto tinha 21 anos quando entrou na “Folha”. Ocupou, conta ela, 13 diferentes funções no jornal até se dedicar, a partir de 1997, ao programa de treinamento, destinado a aspirantes. “Jornalismo Diário – Reflexões, recomendações, dicas, exercícios” (Publifolha, 344 págs, R$ 49.90) resume, de forma didática, a experiência que acumulou na formação de cerca de 400 profissionais.
À primeira vista, parece um livro destinado a treinar (ou “adestrar”, diriam os mais críticos) os interessados em trabalhar na “Folha”, o que limitaria muito o seu alcance. Na prática, é de tal forma introdutório, didático e repleto de exemplos que a sua utilidade vai muito além. Um aperitivo ao tom do livro pode ser encontrado no blog da autora.
“Jornalismo Diário”, lançado no sábado 22, comprova a minha suspeita que o conhecimento técnico necessário à prática profissional pode ser adquirido em um curso de um ou dois anos, e não nos quatro anos que a faculdade de jornalismo propõe. O complemento a esta formação deveria ser obtido em qualquer curso superior, acredito.
A obra de Ana Estela, no caso, teria a função de livro-texto para este hipotético curso técnico, com sugestões de exercícios, demonstrações passo a passo e recomendações variadas, bem básicas, sobre todas as etapas do trabalho, da pauta ao texto final, passando por questões práticas, como o uso do bloco de anotações, a formação de agenda e até como agir se o gravador quebrar na hora agá.
Seria cômico se não fosse realmente necessário, mas o livro ensina inclusive a ler jornal. Pode surpreender imaginar um estudante de jornalismo que não goste de ler jornais, mas a minha experiência em faculdades mostra que Ana Estela está coberta de razão ao propor uma “ginástica para um leitor diário” – um programa que ensina o candidato a uma vaga numa redação a aprender a ler jornal em 30 dias.
Acho que caberia, numa segunda edição, alguma reflexão sobre como aproveitar e adaptar as lições apresentadas no livro ao jornalismo online. Também seria recomendável, na minha opinião, ampliar o leque de indicações de leitura, para além dos autores ligados à “Folha” (maioria) ou estrangeiros citados.
Formado em Direito, Humberto Werneck é autor de “O Pai dos Burros – Dicionário de lugares-comuns e frases feitas” (Arquipélago, 210 págs., R$ 29), que será lançado nesta terça-feira, 25. Fruto de uma obsessão do jornalista pela funcionalidade da linguagem, este dicionário deve ser mantido ao alcance da mão por todos os profissionais, iniciantes ou não, com ou sem diploma.
Para usar um clichê incluído no livro, Werneck é um profissional que dispensa apresentações. Bem-humorado, conta que há quase quatro décadas vem exercendo o papel de “gari da semântica”, anotando em pedaços de papel as frases feitas que cruzam a sua leitura.
Num breve texto de apresentação, Werneck abre mão de refletir mais profundamente sobre as razões que levam frases e expressões a se tornarem clichês, bem como evita discutir os problemas relacionados à qualidade do texto jornalístico, o que fará num futuro livro, mas aponta as boas razões que o levaram a publicar essa coleção de lugares-comuns:
A necessidade de que cada palavra, esse precário instrumento de comunicação, chegue o mais perto possível daquilo que se quer dizer. Se escrever vale a pena, deve ser para enunciar algo que se pretende novo – e me parece um contrassenso, sobretudo no jornalismo, tentar passar o novo com linguagem velha.
Lida em sequência, a coleção de lugares comuns provoca um efeito cômico, reforçado pelas divertidas ilustrações que compõem o livro. Vale a recomendação de Werneck, no sentido de que seu livro sirva como “uma incitação à reciclagem criativa de expressões que só se gastaram por terem sido, um dia, luminosos lugares-incomuns, a partir daí repetidos até a exaustão semântica”. O resultado, recorrendo mais uma vez ao dicionário, é de encher os olhos.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo
Tags: Ana Estela de Sousa Pinto, Humberto Werneck, Jornalismo Diário, O Pai dos Burros
21/08/2009 - 15:50
Não sou expert em mídias sociais, muito pelo contrário, sou um outsider da velha mídia recém-chegado a este mundo, mas fui capaz de entender que um dos maiores atrativos do Twitter é a troca de sugestões de leituras.
Por conta disso, acabei descobrindo que havia alguma coisa estranha no meio de algumas recomendações que estava recebendo. Resolvi investigar e o resultado da apuração foi publicado na quarta-feira, 19 de agosto, no Último Segundo, com o título Publicidade velada no Twitter causa polêmica.
A matéria teve enorme repercussão no próprio Twitter, provocando muitos comentários, elogios, sugestões e críticas. Alguns dos personagens citados reagiram ofendidos, sugerindo que não fui correto na apuração do texto e na abordagem. Fiquei com a impressão que muita gente não entendeu direito o ponto central que abordei. Vou tentar ser mais didático aqui.
Acompanhe meu raciocínio:
1. Ao recomendar um link aos seus seguidores, você está querendo partilhar alguma leitura, imagem, desenho ou vídeo que, do seu ponto de vista, merece ser apreciado por outras pessoas.
2. As pessoas que apreciarem a sua indicação podem reenviá-la para as suas próprias listas de seguidores, alimentando um ciclo de envio e reenvio sem fim, que é um dos fenômenos mais interessantes do Twitter.
3. Quanto mais legal for a recomendação que você faz, maior a chance de produzir esse ciclo e, em consequência, de ganhar novos seguidores.
4. Quanto maior o número de seguidores que você tem, maior a influência que você exerce na rede. Não é, portanto, um trabalho sem recompensa. Você pode até fazer tudo isso desinteressadamente, mas algo você vai ganhar em troca. Os especialistas falam em “prestígio” e “relevância” no esforço de definir o que você ganha no Twitter.
5. Visualize o gráfico: quanto mais gente vê as suas recomendações, maior a chance de ela ser difundida. É uma curva que aponta para o céu.
6. Trata-se, portanto, de uma relação que se estabelece com base na confiança, não importa o grau de notoriedade e fama de quem faz a recomendação.
7. O seu seguidor te segue porque gosta das recomendações que você faz e, mais que isso, sente-se bem podendo enviar para os seus próprios seguidores as dicas que você dá.
8. Vamos imaginar agora o seguinte exemplo fictício: você recomenda a seus seguidores que vejam um vídeo de uma briga entre dois anões. É uma “treta” divertidíssima. Você adora o vídeo e acha que seus seguidores merecem se divertir tanto quanto você.
9. Só que, além de ser divertido, você também indicou este vídeo porque viu nele uma boa oportunidade de divulgar a palavra que marca a campanha publicitária de um determinado biscoito. Não por coincidência, a fabricante deste biscoito está te pagando para fazer recomendações como essa no Twitter.
10. Imagine que, talvez, entre os seus seguidores e os seguidores dos seguidores que receberão essa indicação e a farão circular pela rede, haja alguém que não saiba que você está recebendo dinheiro para fazer isso.
11. Quando este alguém, desinformado, descobrir que a pessoa que lhe recomendeu a “treta” de anões estava ganhando dinheiro para fazer isso, o que ela pensará? Você acha exagero imaginar que este leitor desinformado se sinta enganado?
Como disse, sou um recém-chegado neste novo mundo. No velho mundo, de onde venho, isso é crime de lesa confiança. Passar a impressão de que a recomendação da “treta” de anões enquadra-se na mesma categoria que todas as outras indicações que você faz, nesse mundo, chama-se publicidade velada, tentativa de disfarçar proposta de consumo no meio de informação.
Alguns participantes da campanha, bem-intencionados, avisaram em seus blogs que estariam ganhando dinheiro para indicar links no Twitter. Outros argumentaram que a campanha é tão transparente que o nome de todos está no site do fabricante de biscoito. Não quero magoar ninguém aqui, mas isso é a mesma coisa que colocar na sala um aviso de que é proibido fumar em todo o apartamento e fumar escondido no quarto.
A questão central é que credibilidade se constrói com transparência. Não que a velha mídia esteja livre da publicidade velada. Muito pelo contrário. Há, é lógico, muitos comunicadores que ficaram famosos e ricos misturando informação com publicidade, fazendo anúncio disfarçado, até jogando dinheiro para o público. Mas, e aqui eu encerro este texto, popularidade não deve ser confundida com credibilidade. Quem quiser vender biscoito no Twitter, fingindo que está passando links legais para seus leitores, fique à vontade, mas não espere ser respeitado.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet, jornalismo
Tags: disfarçada, polêmica, publicidade, Twitter, velada
18/08/2009 - 19:09
Conheci Paulo Vinicius Coelho na redação do “Lance!”, em agosto de 1997, na fase de estudos e testes do novo jornal, que chegou às bancas em 25 de outubro daquele ano. Vindo da revista “Placar”, PVC era um dos poucos repórteres com alguma experiência na área. Não o conhecia e logo me impressionou pela memória e, sobretudo, pela paixão pelo jornalismo esportivo.
Saí do “Lance!” em maio de 1998 e desde então tenho acompanhado o seu trabalho à distância, na ESPN, em seu blog – hoje no site da própria emissora – e na coluna que agora escreve na “Folha”. Eventualmente nos encontramos, como ocorreu em março, no programa “Loucos por Futebol”, onde estive como convidado, e vi PVC dar uma aula sobre o Botafogo bicampeão de 1967-68.
A última vez que o vi foi em meados de junho, no lançamento do livro “Por que não desisto”, de Juca Kfouri, na Livraria Cultura, em São Paulo. PVC chegou logo depois de mim, trazendo seu filho, João Pedro, e ficamos juntos na longa fila de autógrafos.
Ao longo de quase uma hora de espera, o jornalista deu entrevistas para a televisão, assinou uma dezena de autógrafos e posou para outra dezena de fotografias, abraçado a fãs seus. Várias pessoas, jovens em sua maioria, chegaram para puxar conversar, perguntar sobre detalhes do Campeonato Brasileiro, pedir a opinião de PVC sobre os mais variados assuntos. A todos ele atendeu do mesmo jeito, como se fossem velhos conhecidos.
Naquela fila, me dei conta que PVC, com 39 anos, havia se transformado numa celebridade do jornalismo esportivo – uma fama construída com base apenas no conhecimento sobre o assunto que trata. No momento em que está lançando um novo livro, “Bola Fora – A história do êxodo do futebol brasileiro” (Panda Books, 196 págs., R$ 29,90), sugeri ao iG uma entrevista com ele, na tentativa de explicar esse sucesso. O resultado foi publicado nesta terça-feira, com o título “Superpop”, PVC lança livro sobre êxodo de jogadores brasileiros.
Convido à leitura os leitores que gostam do assunto. Adianto apenas uma passagem, essencial, a meu ver, no texto. “Acho que o público mais jovem enxerga em mim um cara que gosta de futebol como eles. Você não pode gostar menos de futebol que o cara que te lê ou assiste.” No fundo, tendo a achar que a reflexão serve para qualquer experiência profissional.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte, jornalismo
Tags: a história do êxodo do futebol brasileiro, Bola Fora, ESPN, Paulo Vinicius Coelho, PVC
12/08/2009 - 14:06
Jornalistas que ainda não perderam o juízo enfrentam diariamente um dilema: onde termina a privacidade de uma figura pública? Quando a intimidade de políticos, artistas, jogadores de futebol ou celebridades se torna notícia? Qual é a nossa obrigação ao descobrir segredos da esfera íntima de personagens que são notícia?
São questões tão delicadas quanto fundamentais no exercício profissional. E muito antigas. O critério mais usado na definição do que é ou não notícia nesses casos é o chamado “interesse público”.
Sei que não é fácil definir o que é “interesse público”. Ao ouvir o jogador Ronaldo sugerir que a cirurgia de lipoaspiração que realizou é um problema particular, eu concordo com ele, mas pergunto: não tem interesse público?
Ronaldo não apenas é uma figura pública, como raramente demonstra preocupação em preservar a sua vida privada. O jogador exibe os seus filhos em revistas, aparece em eventos públicos variados, é garoto-propaganda de uma série de produtos e, desde que chegou ao Corinthians, tem falado com certa franqueza sobre inúmeros temas espinhosos.
É até discutível se uma lipoaspiração terá o efeito de afetar o desempenho atlético do jogador, mas o simples fato de alterar a sua aparência já torna a cirurgia de Ronaldo um fato de inquestionável interesse público.
Por isso, ao dizer que é um assunto particular, acho que Ronaldo está jogando para a torcida e tentando deixar os jornalistas numa saia justa. Entre a imprensa e o craque, a apaixonada nação corintiana não precisa pensar duas vezes antes de dizer com quem está.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo
Tags: Corinthians, interesse público, lipoaspiração, problema particular, Ronaldo
05/08/2009 - 09:51
Foi, por muito tempo, uma piada, mas dizia muito sobre a qualidade do conteúdo da edição brasileira da “Playboy”: “comprei a revista só para ler a entrevista do mês”. E não apenas a longa entrevista, normalmente resultado de várias sessões com o entrevistado, mas também as reportagens e textos de ficção, toda edição de “Playboy” oferecia, para além dos ensaios fotográficos, muita coisa para ler.
Depois de muitos anos sem comprar, fui às bancas atrás da edição especial de aniversário, que comemora 34 anos da revista. Na capa, acompanhada apenas de um ponto de exclamação ao lado de seu nome, um sapato de salto alto e notas de dólares presas a uma liga, Priscila olha para o leitor com uma cara entre safada e surpresa.
Levei um susto, lendo o editorial, ao descobrir que hoje a revista destina-se a um leitor de “mãos viris”. Mas segui em frente. Lá dentro, em quase 30 páginas, Priscila Pires exibe as suas qualidades num ensaio que se propõe a simular uma fantasia, intitulado “Princesa devassa”, mas que mostra a sul-mato-grossense exatamente como os espectadores do BBB9 a viram, apenas sem nenhuma roupa.
A cereja do bolo, diferentemente do anunciado, não é o piercing na região mais íntima, mas o “poema” que Pedro Bial se propôs a escrever sobre a moça. Intitulado “Para minha princesa”, a obra em 22 versos termina assim: “Eu sou súdito da Princesa Priscila! / Súdito da Princesa Priscila, e isso não é para quem pode. / É só para quem quer”.
A entrevista do mês, com a atriz Christiane Torloni, ocupa oito páginas, mas não se compara, em interesse e diversão, às 20 perguntas dedicadas a Joel Santana, no finzinho da revista. Além de desancar Dunga, o técnico da seleção da África do Sul fala com a sinceridade habitual sobre vários assuntos – o seu inglês precário, os críticos, a sua experiência fracassada no Corinthians e diz o que pensa de jogadores que não gostam de treinar: “O cara tem que escolher se quer ser jogador de futebol ou pagodeiro.” Vale a pena.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo, televisão
Tags: BBB, Pedro Bial, Playboy, Priscila
28/07/2009 - 22:50
Não sei explicar direito as razões, mas adorei esses dois cartoons, publicados nas edições de 20 e 27 de julho da “New Yorker”, ambos sobre o mesmo tema, mas com enfoques bem diferentes (se desejar, clique nas imagens para vê-los ampliados).

“Primeiro casamento?”

“Já estamos casados há 25 anos. Talvez
pudéssemos remover a lata que resta”
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, jornalismo
Tags: cartoon, casamento, New Yorker
26/07/2009 - 14:33
Escrevi na última sexta-feira que a prática do jabá nas rádios brasileiras “é uma espécie de caixa-preta, muito bem protegida e imune, inclusive, à investigação jornalística”. Comentava um texto do músico Tico Santa Cruz, publicado em seu blog, no qual ele afirma que o seu grupo, o Detonautas, está sendo boicotado pela rádio Mix FM. O músico contou que, certa vez, a rádio exigiu dos Detonautas que alterassem uma música já gravada para se adequar aos padrões da emissora.
O jornalista Rodney Brocanelli, que mantém o blog Rádio Base, escreveu para me alertar que a “caixa preta” do jabá não é tão fechada assim. Ele me enviou trechos de uma entrevista de Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, à revista Playboy, em 2006, na qual o empresário fala abertamente do assunto. Eis o trecho:
PLAYBOY: Muita gente diz que você é jabazeiro [que cobra jabá].
TUTINHA: Me chamem do que quiser. Na minha rádio tem nota fiscal, tô pouco me danando. O cara para entrar no Fantástico também paga. Jabá é quando você faz ilegalmente na empresa. O que eu faço são acordos comerciais.
PLAYBOY: Que tipo de acordo?
TUTINHA: Por exemplo: hoje chegam 30 artistas novos por dia na rádio. Por que eu vou tocar? Eu seleciono dez, mas não tenho espaço para tocar os dez. Aí eu vou nas gravadoras e para aquela que me dá alguma vantagem eu dou preferência.
PLAYBOY: Que vantagem?
TUTINHA: Se você tem um produto novo, você paga pra lançar. Era isso o que eu fazia. Eu tocava, mas queria alguma coisa. Promoção, dinheiro. Ah, bota aí 100 mil reais de anúncio na rádio. Me dá um carro pra sortear para o ouvinte. Mas hoje não tem mais isso. As gravadoras não têm mais dinheiro. O que pode existir é o empresário fazer acordo. Ah, toca aí meu artista e eu te dou três shows. Ou uma porcentagem da venda dos discos.
Brocanelli também publica em seu blog trechos de uma entrevista que fez com Roberto Miller Maia, ex-diretor da rádio Brasil 2000, na qual ele também fala abertamente do assunto. Eis o trecho selecionado:
Não existe o estar pagando para tocar, mas existe um acordo de cavalheiros. Como o U2 está dando ao ouvinte da rádio uma oportunidade de uma promoção que leva o sujeito para Miami, em contrapartida tem que se mostrar o trabalho dos caras. Por que uma banda fica famosa? Tem sempre aquele trabalho de marketing. Por mais que uma banda seja brilhante ou excelente alguém precisou falar sobre ela, instigar as pessoas a gostarem daquilo. E também existem as armações, que não duram nada. Se a banda for ruim, não vai adiantar. Tem que existir um mínimo de talento, de empatia com aquele grupo de pessoas a quem você vai oferecer esse produto. Isso tudo deveria ser uma coisa mais clara, ficou uma coisa obscura durante todos esses anos. Se tudo fosse às claras, não existiria corrupção.
Eis, portanto, duas manifestações que mostram que o jabá não é, como eu disse, uma caixa-preta sem chave.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo
Tags: Brasil 2000, entrevista Playboy, Jabá, Jovem Pan, Mix Fm, Roberto Miller Maia, Tico Santa Cruz, Tutinha
20/07/2009 - 09:45
Mais respeitado jornal do mundo, o “New York Times” é hoje, também, o principal termômetro da crise que atinge gravemente a mídia impressa nos Estados Unidos. Todos os seus passos são monitorados no esforço de entender quais são as saídas – se é que existem – para a perda de leitores e a queda na receita de publicidade que afetam todos os jornais do mundo.
Em sua mais recente coluna dominical, o “public editor” (o ombudsman do jornal) Clark Hoyt discutiu um passo ousado – chocante mesmo, para a velha guarda – que o “Times” resolveu adotar na tentativa de reduzir as despesas sem perder a qualidade de suas investigações jornalísticas. Trata-se de buscar financiamento externo, fora do jornal, para a realização de reportagens.
Hoyt conta a história da jornalista Lindsay Hoshaw, que vive de free-lancers, ou seja, sem emprego fixo. Ela sugeriu ao “Times” fazer uma reportagem fotográfica sobre uma massa de lixo flutuante que percorre o oceano Pacífico, mas precisaria de US$ 10 mil (R$ 20 mil) para os gastos com a viagem, a bordo de um navio de pesquisas. O jornal informou que poderia pagar, caso a reportagem o interessasse, US$ 700 pelas fotos e mais um pouco se comprasse também o texto.
Lindsay Hoshaw partiu, então, em busca de financiamento externo para a sua reportagem. Procurou o site Spot.us, uma comunidade formado por jornalistas investigativos com o objetivo de arrecadar recursos para as suas matérias. Se conseguir US$ 6 mil até a data de partida do navio, em setembro, ela vai arrumar um empréstimo para custear o resto (já conseguiu, até agora, US$ 1,6 mil).
Escreve o “public editor”: “Para alguns, isso é exploração – o poderoso ‘New York Times’ forçando uma empenhada jornalista a mendigar com uma caneca virtual. Mas Hoshaw não pensa assim. Para ela, é uma oportunidade que ela não pode perder – uma matéria que ela sonha fazer há muito tempo e a chance de sair no ‘Times’. Para David Cohn, fundador da Spot.Us, uma organização sem fins lucrativos, é uma maneira de o público financiar o jornalismo que ele quer. Para o ‘Times’ é um novo passo na direção de um mundo impensável até poucos anos atrás”.
Como outros jornais, o “New York Times” construiu sua reputação e prestígio justamente com base na absoluta independência econômica. Entre outras implicações, tomada a decisão de fazer uma reportagem, da mais séria à mais leve (como uma matéria de turismo, por exemplo), o jornal sempre custeou todas as despesas dos jornalistas envolvidos na tarefa.
Foi assim por décadas e décadas. Não é mais. Escreve Hoyt: “À medida que as receitas com publicidade caem e a tecnologia altera drasticamente a relação do público com os meios de comunicação, o ‘Times’ está buscando novas fontes de dinheiro e se abrindo para parcerias e arranjos distantes do velho modelo, no qual editores decidem o que é notícia, escalam os seus repórteres e pagam as despesas – tudo isso sustentado por centenas e centenas de anunciantes, nenhum deles grande o suficiente para influenciar o jornalismo”
O “public editor” conta em sua coluna que o “Times” está fazendo outras parcerias, com outras entidades, além da Spot.Us, como a Pro.Publica, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao jornalismo investigativo, fundada por banqueiros bilionários, cujos negócios já foram alvo de reportagens críticas do próprio jornal.
Herbert e Marion Sandler, os fundadores da Pro.Publica, ganharam muito dinheiro com o financiamento de hipotecas, mas saíram do negócio um pouco antes da quebradeira geral que deu origem à crise atual na economia americana.
A Pro.Publica é, assim, um exemplo interessantíssimo sobre as possibilidades e limites desta nova – e, aparentemente, inevitável – forma de financiar o jornalismo. Hoyt descreve todo o esforço da organização para conseguir mais fundos e se tornar totalmente independente do casal Sandler.
E o “public editor” conclui sua coluna com as palavras do presidente desta fundação, Alberto Ibarguen: Se os jornais não trocarem o modelo “eu escrevo e você lê” por parcerias com organizações externas e abertura à participação do público na feitura das notícias, “o mundo vai passar por cima deles”.
Aqui você encontra a coluna de Hoyt, One newspaper, many checkbooks.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo
Tags: crise da imprensa, financiamento externo, New York Times, Pro.Publica, Spot.Us
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