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Arquivo da Categoria Esporte

06/09/2009 - 16:58

Galvão Bueno não vai a Rosário e equipe da Band tripudia

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“Nós estamos aqui”, sublinhou Neto, o comentarista da Band, logo no início da transmissão de Argentina e Brasil, na noite de sábado. “A pressão aqui é muito forte”, repetiu mais de uma vez o narrador Luciano do Valle. “Esses dias todos que estamos aqui, deu pra sentir a pressão”, confirmou Neto. “Aqui dentro, o gol do Brasil deveria valer por dois”, disse Luciano após narrar o gol de Luisão, que abriu o placar. E ainda disse, depois do gol de Luis Fabiano: “O peso desses dois gols finalmente silencia a torcida argentina aqui em Rosário”.

Quem viu a partida pela Band deve ter estranhado a insistência do narrador e do comentarista em realçarem o fato de estarem em Rosário, local da partida. Dada a importância do encontro, seria surpreendente se não estivessem “aqui”.

Mas depois de ouvir o terceiro “aqui” em menos de cinco minutos, resolvi sintonizar na Globo. Qual não foi a surpresa ao me dar conta que Galvão Bueno e Falcão não estavam no estádio, em Rosário, mas transmitindo a partida em um estúdio fechado, em outro lugar. Se havia alguma dúvida, no intervalo da partida isso ficou claro – Galvão e Falcão apareceram à frente de uma parede com o logotipo da Globo, e não tendo uma imagem do estádio ao fundo, como é normal quando estão no local.

Pela internet, em alguns blogs, corre a versão que o principal narrador da Globo não viajou a Rosário por medo da gripe suína. Este blog apurou uma história parecida. O departamento médico da Globo determina uma quarentena de sete dias a qualquer funcionário que viaja para a Argentina neste momento. Se narrasse a partida em Rosário, Galvão não poderia atuar na partida de quarta-feira, contra o Chile, em Salvador. Em função desta quarentena recomendada pela emissora, os repórteres que a Globo enviou para Rosário estão de folga até o final da semana que vem.

O fato é que a equipe da Band reinou sozinha na tevê aberta. E se divertiu. Neto, soltinho como sempre, foi quem mais falou a palavra “aqui”, a sublinhar que estava testemunhando, de fato, o encontro. Também riu muito do técnico da Argentina: “Fala a verdade, nunca vi um cara comer tanta unha como o Maradona”. Tripudiou do zagueiro rival: “Esse Sebá jogar na seleção argentina é a baba na baba”. E fez piada com Verón, apelidado na Argentina de La Bruja: “Verón está mais pra velho do que pra bruxa”, disparou Neto.

A presença no estádio não ajudou muito Luciano do Valle a identificar os jogadores em campo. Sua narração vibrante é repleta de expressões como “cruzamento perigoso!”, “bateu!”, “tirou!”, “corte bem feito”, sem que o espectador ouça o nome dos autores das jogadas.

Outra marca das transmissões da Band são os recados que a equipe envia ao longo do jogo. Entre um lance e outro de perigo, Luciano do Valle mandava um abraço para o prefeito de Foz do Iguaçu e pedia votos para a cidade ser eleita uma das sete maravilhas da natureza. Já Oscar Roberto Godói, comentarista de arbitragem, mandou um abraço “para o pessoal da Itaipava” depois de criticar um cartão amarelo “perfeitamente desnecessário de ser mostrado”.

O que importa, enfim, como disse Neto, é que o Brasil aplicou “um chocolate” na Argentina. E fomos todos dormir mais felizes na noite de sábado.

Em tempo (atualizado às 11h30 de 7 de setembro): Vários leitores estranharam o uso que fiz da palavra “quarentena” associado a um período de isolamento de sete dias, e não a 40 dias. Recorro ao dicionário “Houaiss” para explicar.  Quando se refere a “infectologia”, a palavra “quarentena” significa: ”conjunto de restrições e/ou isolamento, por períodos de tempo variáveis, impostos a indivíduos ou cargas procedentes de países em que ocorrem epidemias de doenças contagiosas” (o grifo é meu).

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: , , , , , , ,
03/09/2009 - 11:24

Um elogio ao mau humor do técnico Dunga

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Como muita gente, também não tenho a menor simpatia por Dunga, mas reconheço que ele está fazendo um bom trabalho, até o momento, à frente da seleção brasileira. E um dos seus mais notórios defeitos, o mau humor crônico, tem se revelado uma ferramenta interessante no esclarecimento de alguns problemas crônicos do ambiente que cerca a CBF e a seleção.

Dunga talvez seja o técnico da seleção com pior relacionamento com a mídia que já houve. Nos seus confrontos com jornalistas, acabou explicitando uma queixa que sempre foi notória, mas ninguém ousava fazer em público, sobre privilégios concedidos à Rede Globo.

Esta semana, o alvo do mau humor do técnico foi o seu próprio empregador, a CBF. Como se sabe, a entidade concedeu a empresas patrocinadoras da seleção o direito de montar dois camarotes no campo de treinamento da seleção, em Teresópolis. A iniciativa, inédita, resultou num estranho clima de festa, bem às vésperas de um jogo contra a Argentina.

Nesta quarta-feira, Dunga manifestou-se de forma dura contra a CBF, ainda que não tenha citado o nome da entidade. “Todo mundo cria um circo e nós vamos para dentro do picadeiro. E aí a gente tem de dar a resposta pelo circo que os outros criaram”.

Como bem observou Silvio Barsetti, no “Estadão” desta quinta-feira, o clima de festa em Teresópolis lembrou a preparação do Brasil pouco antes do início da Copa de 2006, em Weggis, na Suíça. A bagunça que ocorreu na ocasião costuma ser apontada como uma das causas do fracasso da seleção na Alemanha.

Com seu mau humor, Dunga colocou o dedo na ferida, mais uma vez.

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Mudando de assunto, mas ainda falando de seleção brasileira. Em meados de julho, foi lançado o livro “Brasil x Argentina – Histórias do maior clássico do futebol mundial (1908-2008)”. Trabalho exaustivo do jornalista Newton Cesar de Oliveira Santos, como escrevi no iG Esporte, o estudo mostra que em 50% dos jogos entre os dois países houve brigas. Também fiz uma entrevista com Santos, na qual ele defende que o jeito argentino de ofender os brasileiros, chamando-os de “macaquitos”, é mais chacota do que racismo. Recomendo a leitura.

Crédito da foto: Divulgação/Vipcomm

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , ,
31/08/2009 - 11:15

Muricy ignorado, vaiado e aplaudido: os diferentes sons do Morumbi

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Cheguei ao Morumbi por volta das 15h de domingo. Às 15h30, me sentei na arquibancada, atrás de um dos gols, no setor onde ficam as torcidas organizadas Independente e Dragões da Real. Meu objetivo era observar como os torcedores mais fanáticos do São Paulo reagiriam à presença de Muricy Ramalho, o técnico que levou o clube a conquistar as três últimas edições do Brasileiro, no banco do arquirrival Palmeiras.

Alguns dias antes da partida, o meia Hermanes, um fã declarado de Muricy, havia orientado a torcida: “Se eu fosse torcedor, deixaria o que já passou. Agora, é nova história. O Muricy foi treinador aqui, mas não é mais. Nossa torcida tem que receber o Ricardo Gomes e os jogadores do São Paulo”, afirmou.

Fiquei no meu lugar até as 16h50. Ao longo de todo esse período não ouvi nenhuma menção a Muricy. Nem vaias nem aplausos. Escrevi no iG Esporte:

Na arquibancada, as principais torcidas organizadas do São Paulo optaram por receber em silêncio o técnico do Palmeiras. Nem a Independente nem a Dragões da Real se manifestaram em relação ao comandante da equipe que venceu os últimos três Brasileiros.

Como de hábito, antes do início da partida, as organizadas gritaram os nomes de todos os jogadores do São Paulo – com exceção de Richarlyson – e até do técnico Ricardo Gomes (um mirrado grito de “Ricardo! Ricardo! Ricardo!”).

No segundo tempo, me transferi para o lado oposto da arquibancada, onde ficam torcedores sem vínculo com as organizadas. Também ali, não ouvi nenhuma referência a Muricy, nem contra nem a favor. Deixei o setor aos 30 minutos do segundo tempo e assisti o final da partida no setor reservado à imprensa.

Mas um estádio de futebol é um lugar muito grande. E um repórter não dá conta de ouvir tudo que se passa ali. Com 41 mil espectadores pagantes neste domingo, o Morumbi também acolheu gente que gritou o nome de Muricy e gente que vaiou o técnico do Palmeiras. 
 
Não sei onde essas manifestações ocorreram, mas registro abaixo o que os jornais observaram a respeito do assunto nesta segunda-feira:

Folha de S.Paulo: “O técnico palmeirense foi recebido com vaias por parte da torcida, quando seu nome foi anunciado no placar eletrônico”.

O Estado de S.Paulo: “Os torcedores são-paulinos se dividiram nas arquibancadas. Enquanto alguns vaiaram na hora em que o nome do treinador foi anunciado, a maioria gritou ‘É Muricy’ logo depois”

O Globo: “Vaiado por uma parte da torcida são-paulina, aplaudido por outra”.

Agora: “Timidamente, parte da torcida são-paulina o homenageou com o coro de ‘é, Muricy’. Houve vaias também quando a torcida palmeirense gritou o seu nome.”

Jornal da Tarde: “Parte da torcida tricolor o vaiou timidamente, mas também houve alguns aplausos.”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , , ,
18/08/2009 - 19:09

PVC: “Você não pode gostar menos de futebol que o cara que te lê”

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Conheci Paulo Vinicius Coelho na redação do “Lance!”, em agosto de 1997, na fase de estudos e testes do novo jornal, que chegou às bancas em 25 de outubro daquele ano. Vindo da revista “Placar”, PVC era um dos poucos repórteres com alguma experiência na área. Não o conhecia e logo me impressionou pela memória e, sobretudo, pela paixão pelo jornalismo esportivo.

Saí do “Lance!” em maio de 1998 e desde então tenho acompanhado o seu trabalho à distância, na ESPN, em seu blog – hoje no site da própria emissora – e na coluna que agora escreve na “Folha”. Eventualmente nos encontramos, como ocorreu em março, no programa “Loucos por Futebol”, onde estive como convidado, e vi PVC dar uma aula sobre o Botafogo bicampeão de 1967-68.

A última vez que o vi foi em meados de junho, no lançamento do livro “Por que não desisto”, de Juca Kfouri, na Livraria Cultura, em São Paulo. PVC chegou logo depois de mim, trazendo seu filho, João Pedro, e ficamos juntos na longa fila de autógrafos.

Ao longo de quase uma hora de espera, o jornalista deu entrevistas para a televisão, assinou uma dezena de autógrafos e posou para outra dezena de fotografias, abraçado a fãs seus. Várias pessoas, jovens em sua maioria, chegaram para puxar conversar, perguntar sobre detalhes do Campeonato Brasileiro, pedir a opinião de PVC sobre os mais variados assuntos. A todos ele atendeu do mesmo jeito, como se fossem velhos conhecidos.

Naquela fila, me dei conta que PVC, com 39 anos, havia se transformado numa celebridade do jornalismo esportivo – uma fama construída com base apenas no conhecimento sobre o assunto que trata. No momento em que está lançando um novo livro, “Bola Fora – A história do êxodo do futebol brasileiro” (Panda Books, 196 págs., R$ 29,90), sugeri ao iG uma entrevista com ele, na tentativa de explicar esse sucesso. O resultado foi publicado nesta terça-feira, com o título “Superpop”, PVC lança livro sobre êxodo de jogadores brasileiros

Convido à leitura os leitores que gostam do assunto. Adianto apenas uma passagem, essencial, a meu ver, no texto. “Acho que o público mais jovem enxerga em mim um cara que gosta de futebol como eles. Você não pode gostar menos de futebol que o cara que te lê ou assiste.” No fundo, tendo a achar que a reflexão serve para qualquer experiência profissional.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte, jornalismo Tags: , , , ,
16/08/2009 - 20:48

Um menino de 13 anos dá uma aula sobre Richarlyson

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Desde a última quinta-feira pensava em escrever algo no blog sobre o jogador Richarlyson. Naquele dia, a “Folha” publicou uma matéria informando que a torcida do São Paulo não apenas deixou de saudar o jogador antes das partidas, como faz com todos os demais jogadores, como também vem hostilizando-o com cantos homofóbicos.

A cereja do bolo da reportagem é o depoimento de André Azevedo, presidente da torcida organizada Dragões da Real. “Não pegou bem para a torcida algumas coisas da vida pessoal do Richarlyson, que acabam sendo atreladas a todos os são-paulinos. Por isso, a gente não grita o nome dele antes de cada jogo, mas também não xinga e não canta música sobre a vida pessoal dele”, declarou.

O preconceito, como o próprio nome já diz, é primo da ignorância. O preconceito sexual, especificamente, Freud explica e o depoimento de Azevedo fala sozinho.

Toda essa introdução para informar o leitor que, por ora, não vou escrever sobre Richarlyson porque encontrei (no blog do Juca Kfouri) um texto que fala muitas coisas que eu penso a respeito. Foi escrito por um menino de 13 anos, chamado Joaquim, filho de dois jornalistas que eu conheço, autor do Blog do Joca. O texto se intitula “Richarlyson: mais que um homem, um exemplo” e pode ser lido aqui. Ou abaixo:

Richarlyson: Mais que um homem, um exemplo

Joaquim Lo Prete Porciuncula

Esta é a coluna de ontem, que não pude publicar por motivos a vocês já contados.

Ontem eu estava reclamando com meu pai da escola, dizendo que ela enchia o meu saco, que me sentia deprimindo com a “má fase” dos últimos tempos. Na lata, antes de desligar o telefone, ele me respondeu: “Tá triste? Pensa no Richarlyson.” Em um ato incomum nos últimos tempos, obedeci-o. E senti dificuldades em dormir. Porque fiquei pensando. E por bastante tempo. Confesso que caiu uma lágrima quando eu me lembrei do jogo entre São Paulo x Goiás, no ano passado, quando na comemoração pelo título, ao invés de gritarem o nome de Ricky (como gritaram o de seus 23 companheiros), entoaram um imbecil “Bicha! Bicha!”

Imagino como deve ser para ele ver a torcida Independente (depois falo dessas antas) gritando o nome do Sérgio Motta (com todo o respeito) e não o dele. Um cara que deu a vida pelo São Paulo em 2006, 2007 e 2008. Que para mim, mais que Thiago Neves e que Hernanes, foi o melhor jogador do Brasileiro em 2007.

O cara é xingado no Domingo, e treina na Segunda. Dando o máximo de si. É o mais simpático possível com os companheiros. Não deixou de me cumprimentar em todas as vezes em que visitei o CCT do São Paulo. Antes de eu ir lhe pedir autógrafo. Mais gente fina impossível. Humilde.

Eu não sei se Richarlyson é homossexual. Também não quero saber. Mas sei que ele é um exemplo. Um exemplo para todos que se sentirem mau em momentos difíceis. Pense em como é viver um momento difícil, tendo todos contra você durante mais de três anos seguidos. Sei que, desde os tempos do Aloísio, não vejo um cara tão gente boa no elenco do São Paulo. E olha que tem muita gente boa ali.

Não sei se os atos que ele faz são homossexuais. Não quero saber, afinal saber para que? Se eu descobrir que ele é um homo que pega 20 na parada gay, ou que ele é o cara mais macho do mundo, vou continuar tratando ele da mesma forma. Por tudo o que ele passou, pelo que ele passa, e pelo que ele passará.

As torcidas brasileiras são em tese, muito escrotas. A Independente é uma das que passa muito da linha. Conseguem se rebaixar a um nível de imbecilidade e cultural tremendo, em um passe de mágica. Nada de bom sai dela, tudo. Músicas sem graça e racistas (quem não se lembra da que tem preconceito contra favelados?), atitudes impensadas (rezo para que, pois se forem pensadas, aí chegarei a conclusão que eles tem um QI de formiga), preconceitos expostos e tudo que tem de ruim.

Eu não sei se ele é gay, mas tenho guardada e enquadrada um trecho de uma entrevista de Muricy Ramalho para a revista Trivela em Dezembro de 2006: “Os caras adoram ele aqui dentro. Ele é alegre pra cacete, está toda hora pronto para tudo, nunca reclama de nada, é sempre um dos primeiros a chegar. É determinado e responsável: faz faculdade à noite, quando tem concentração eu libero ele para ir na aula. Ele sabe muito bem o que quer, por isso saiu desta situação. E ele brigou com coisa feia. Eu sei com o que ele brigou, e foi fodido. A palavra é essa. Foi um puta homem. Por isso é que ele superou essa situação”

Concordo com tudo o que Muricy disse. Os imbecis da Independente não tem mente para isso, mas espero que vocês tenham.

FORÇA RICHARLYSON! INDEPENDENTE QUE EMENDE! FORÇA RICHARLYSON!

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , ,
16/08/2009 - 19:02

Ronaldo na tribuna explica vazio na arquibancada

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Os 19.773 torcedores que pagaram ingresso para assistir Corinthians 2 x 0 Atlético-MG representam praticamente a metade da capacidade do Pacaembu. Não é um público desprezível, mas muito inferior ao potencial da equipe paulistana de levar gente ao estádio.

As razões para os enormes vazios nas arquibancadas são conhecidas. O Corinthians não vencia havia cinco jogos. Desfez-se, para fazer caixa, de três dos seus principais jogadores e Ronaldo, ídolo maior, está no estaleiro. A presença do craque na tribuna, neste domingo, teve a aparência de um aviso, como que a lembrar a nação corintiana que pelo menos o Fenômeno não foi embora.

Cercado por seis seguranças do Corinthians, Ronaldo assistiu boa parte da partida na última fila da tribuna. Não se levantou em momento algum, nem no intervalo. Os fãs não tiveram acesso ao ídolo – puderam apenas fotografá-lo à distância (como eu, que fiz a foto acima com o celular).

Os corintianos saíram, naturalmente, alegres com o fim do jejum. Mas foi um jogo muito fraco, com muitas faltas e erros de passe, dos dois lados. Quem comprou ingresso para ver Diego Tardelli, único jogador de Seleção Brasileira em campo, está a essa hora pedindo o dinheiro de volta. Fez uma jogada aos 2 minutos do primeiro tempo e nada mais.

Do lado do Corinthians, só vi o esforço de Jorge Henrique em criar algo. Curiosamente, o primeiro gol da equipe, marcado por Dentinho, saiu minutos depois que o cérebro da equipe, Edu, deixou o campo contundido. E o segundo gol foi obra de Boquita, um dos poucos jogadores que vi a torcida vaiar este ano.

O único setor do Pacaembu praticamente lotado era o anel onde fica a Gaviões da Fiel e a Camisa 12. Como de hábito, gritaram e cantaram do início ao fim. E ainda puderam comemorar o fim do jejum com o grito de guerra que, desde a volta à Série A, tornou-se uma marca registrada: “O Curingão voltou!”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
12/08/2009 - 14:06

Ronaldo joga para a torcida

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Jornalistas que ainda não perderam o juízo enfrentam diariamente um dilema: onde termina a privacidade de uma figura pública? Quando a intimidade de políticos, artistas, jogadores de futebol ou celebridades se torna notícia? Qual é a nossa obrigação ao descobrir segredos da esfera íntima de personagens que são notícia?

São questões tão delicadas quanto fundamentais no exercício profissional. E muito antigas. O critério mais usado na definição do que é ou não notícia nesses casos é o chamado “interesse público”.

Sei que não é fácil definir o que é “interesse público”. Ao ouvir o jogador Ronaldo sugerir que a cirurgia de lipoaspiração que realizou é um problema particular, eu concordo com ele, mas pergunto: não tem interesse público?

Ronaldo não apenas é uma figura pública, como raramente demonstra preocupação em preservar a sua vida privada. O jogador exibe os seus filhos em revistas, aparece em eventos públicos variados, é garoto-propaganda de uma série de produtos e, desde que chegou ao Corinthians, tem falado com certa franqueza sobre inúmeros temas espinhosos.

É até discutível se uma lipoaspiração terá o efeito de afetar o desempenho atlético do jogador, mas o simples fato de alterar a sua aparência já torna a cirurgia de Ronaldo um fato de inquestionável interesse público.

Por isso, ao dizer que é um assunto particular, acho que Ronaldo está jogando para a torcida e tentando deixar os jornalistas numa saia justa. Entre a imprensa e o craque, a apaixonada nação corintiana não precisa pensar duas vezes antes de dizer com quem está.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , ,
07/08/2009 - 10:46

Em São Paulo, gremista canta o hino do Rio Grande do Sul

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A convite de um amigo, também chamado Mauricio, fui assistir Palmeiras e Grêmio, quinta-feira à noite, no Parque Antarctica. Gremista fanático, meu xará sonhava em me apresentar à torcida tricolor no Olímpico, mas concedeu que o meu primeiro contato se desse no estádio Palestra Itália mesmo. Foi uma experiência fascinante.

Como já havia tido o desprazer de vivenciar em jogos do Botafogo com o Palmeiras, o local reservado à torcida adversária no Parque Antarctica é, possivelmente, o de pior visibilidade do campo que existe em estádios da Série A no Brasil. Do cantinho onde me espremi com milhares de gremistas, enxerga-se muito melhor as piscinas do clube do que o gramado.

É espantoso constatar que a torcida do Grêmio não vaia a ritual execução do Hino Nacional, antes do início da partida. Ao contrário, empenha-se com entusiasmo na cantoria – só que do hino do Rio Grande do Sul.

Aprendi várias músicas novas na torcida. A que mais gostei diz: “Dá-lhe, dá-lhe tricolor, eu sou borracho sim senhor. E bebo tudo que vier. Canto pro meu tricolor, meu único amor”.

O “borracho” da música mostra o parentesco dos gremistas com seus vizinhos argentinos e uruguaios. A palavra quer dizer “bêbado” em espanhol, mas foi incorporada há muito ao “gauchês” e é cantada em português mesmo, sem pronúncia.

Na hora do gol do argentino Maxi López, empatando a partida, uma decepção: não aconteceu aquele movimento de torcedores despencando da arquibancada que sempre vejo na televisão. Chama-se “avalanche” aquela fantástica e perigosa coreografia, que os gremistas tiveram o bom senso de não realizar no Parque Antártica.

A certa altura da partida, tenho dificuldade de compreender um grito de guerra que os torcedores cantavam. Recorro então ao meu xará, que explica: a torcida está xingando o Internacional. É um velho hábito, que sobrevive mesmo na ausência do rival.

Abusada, a torcida provoca o atacante palmeirense Obina desde o início da partida, até ele ser substituído, com aplausos gremistas, no meio do segundo tempo. Quando a polícia libera um espaço um pouco maior na arquibancada para os torcedores, um sujeito ao meu lado grita: “Valeu, brigadiano” (que é como os gaúchos se referem aos policiais militares). E outro não cansa de incentivar o atacante Douglas Costa aos gritos de “vai, guri!”.

De pé ao longo dos 90 minutos, cantando e gritando, a torcida gremista em São Paulo dá uma aula de dedicação. Ao final, parece, sai satisfeita do estádio. E eu saio com a sensação de que assisti a uma partida em outro país – mas acho que compreendi tudo perfeitamente, porque, no fundo, futebol é uma língua universal.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , , , , , ,
02/08/2009 - 18:50

Jogadores desconhecem regras básicas do futebol

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É grande a tentação de criticar o árbitro Sandro Meira Ricci por excesso de rigor e mau humor na expulsão do zagueiro Vagner, do Náutico, aos 16 minutos do segundo tempo da partida, quando a sua equipe vencia o Flamengo por 1 a 0 no Maracanã. O jogo terminou 1 a 1.

“Exagero”, disse Arnaldo Cesar Coelho ao ver duas imagens selecionadas pela edição no meio da transmissão de Vitória e São Paulo, na Globo. Na primeira, muito engraçada, Vagner aparece apenas de cueca vermelha, enquanto veste um novo calção, dentro do gramado. Em seguida, vemos a imagem do quarto árbitro falando algo para Ricci, que, ato contínuo, aplica o cartão amarelo e, como é o segundo, mostra o vermelho para o zagueiro.

Na verdade, vendo todo o lance em sequência, entendemos que Vagner trocou de calção dentro do campo, longe da vista do árbitro, auxiliado pelo massagista do Náutico, e que o quarto árbitro tomou a iniciativa de advertir Ricci do que aconteceu.

Como diria Arnaldo (que, posteriormente, ao tomar conhecimento do que houve, justificou a expulsão), a regra é clara: cabe ao árbitro ordenar ao jogador que deixe o campo para trocar o uniforme com problemas, da mesma forma que o atleta só pode retornar com autorização dele, num momento em que a bola não esteja em jogo. O jogador que não respeite esta regra deve ser advertido com o cartão amarelo.

A regra 4, que informa os procedimentos sobre “o equipamento dos jogadores”, não prevê a situação, absurda, de um jogador trocar de uniforme dentro de campo, com a bola rolando. Pela lógica, que manda o jogador fazer isso fora de campo, trata-se de uma infração clara à regra.

Em outras palavras, Vagner cometeu um erro grosseiro. Não é o primeiro, nem será o último, a cometer infrações por desconhecer as regras do esporte que pratica profissionalmente.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , , , ,
29/07/2009 - 10:53

Quando o repórter pergunta o óbvio ao craque

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Já escrevi duas vezes neste blog sobre clichês do futebol. No primeiro texto, em novembro do ano passado, anotei o lugar comum que sempre surge em final de campeonato, dito por jogadores: “O time deles é muito grande para cair”. No segundo, registrei uma coleção de clichês ditos em uma única semana por craques do futebol paulista.

Muitos leitores reclamaram, nos dois posts, que anotei apenas lugares comuns ditos por jogadores, mas não observei que essas frases são faladas, com frequência, em resposta a perguntas igualmente óbvias e repetitivas.

Pois bem. Hoje é o dia de mostrar que o leitor tem razão. Noite de terça-feira, Vasco e Fortaleza jogam pela Série B do Brasileiro, em São Januário. Aos 45 minutos do primeiro tempo, Alex Teixeira fez um belo gol, abrindo o placar para o time da casa. Minutos depois, a caminho do vestiário, o craque é abordado pelo repórter, que manda:

–  O gol saiu no momento certo, não?

– É verdade – responde o jogador, educadamente. “Mas existe momento errado de marcar um gol?” – ele deve ter pensado…

Outra pergunta sempre feita à beira do campo, igualmente irritante, é: “O que você espera dessa partida?” O dia que um técnico ou um jogador responder o que realmente passa pela sua cabeça vai ser uma revolução.

Reunindo os melhores lugares comuns anotados por mim e pelos leitores, nestes três posts, temos até agora a seguinte seleção:

“Futebol é momento”

“Temos que respeitar o adversário”

“O grupo está unido”

“Essa é uma partida de seis pontos”

“Ainda não ganhamos nada”

“O importante é poder colaborar com o grupo” ou “Estou aqui para contribuir e ajudar a equipe” (quando está na reserva)

“Precisamos valorizar mais a posse de bola” (no intervalo da partida)

“O professor pediu para eu ajudar na marcação” (à beira do campo, antes de substituir um colega)

“O time teve muitas oportunidades, mas não soube aproveitar” (explicando a derrota)

“Nosso time ainda não ganhou nada…” (depois de uma vitória)

“Futebol não tem mais bobo”

“Clássico é clássico”

“Libertadores não aceita erro e desatenção”

“Acho que o time está de parabéns e a torcida deu um grande exemplo de como apoiar o time”.

Se você tiver alguma sugestão para aumentar a lista, pode mandar.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
28/07/2009 - 09:46

O que aconteceu com Romário?

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É impressionante a lista de más notícias recentes que envolve Romário. Depois de ser preso por 24 horas por não pagar pensão alimentícia à ex-mulher, o ex-jogador terá nesta terça-feira um apartamento avaliado em R$ 9 milhões leiloado em conseqüência do não pagamento de dívidas. A ação judicial que levou a este leilão foi motivada por obras em um apartamento de sua propriedade, que causaram danos em dois imóveis vizinhos.

O prejuízo foi calculado pela Justiça em 5,6 milhões. Romário também deve cerca de R$ 1,2 milhão de condomínio atrasado, além de mais de R$ 700 mil de IPTU. O craque da Copa de 94 teve três carros (Ferrari, Porsche e Mercedes Benz) e uma moto (BMW) penhorados, que podem ser leiloados caso o imóvel não alcance o valor necessário à quitação do que deve.

Em outras frentes, Romário coleciona diferentes ações na Justiça. Foi condenado a indenizar, no valor de R$ 900 mil, Zagallo e Zico por pintar caricaturas dos dois nos banheiros do Café do Gol, um bar do qual foi sócio, no Rio de Janeiro. Aliás, esta semana, o Baixinho foi condenado a pagar uma indenização de R$ 3,7 mil por passar um cheque sem fundo a um técnico de som, por serviços prestados no tal bar.

Não bastasse, em junho, Romário foi condenado a três anos e meio de prisão por crime tributário, além de sofrer uma multa de R$ 1,7 milhão, acusado de sonegação fiscal nos anos de 1996 e 1997. Ele ainda pode recorrer da decisão.

Há uma semana, foi obrigado a depor na polícia, suspeito de envolvimento num jogo conhecido como “pirâmide da fortuna” e, depois, voltou à delegacia para dar explicações sobre o destino de um carro seu, um Hummer, que teria sido passado adiante para cobrir o prejuízo que um conhecido teve no suposto esquema. Romário nega qualquer envolvimento no caso.

Nada disso parece combinar com a imagem que guardamos de Romário em seu período como jogador. O Baixinho era uma figura diferenciada. Além de ter sido um dos maiores atacantes do futebol brasileiro, construiu uma reputação original. Sempre demonstrou orgulho da fama de “bad boy” e “marrento”, que construiu com a ajuda de uma mídia complacente, ao mesmo tempo em que demonstrava coragem de falar “verdades” para dirigentes, técnicos, jogadores e jornalistas.

Fugindo dos lugares comuns, Romário cultivou o hábito, pouco comum no meio futebolístico, de falar o que passava pela sua cabeça, frequentemente em defesa dos seus próprios interesses e, em menor escala, dos “grupos” que integrou como jogador.

Pela segurança e auto-confiança que sempre demonstrou, Romário passava a impressão de que, diferentemente de outros jogadores, tinha a cabeça no lugar e sabia administrar a fortuna que o futebol lhe proporcionou. Pela avalanche de más notícias recentes, não é o que parece ter acontecido. O que será que houve?

Atualizado às 22h. Como informa o iG Esporte, não apareceu nenhum comprador no leilão judicial do apartamento de Romário. Novo leilão será realizado, no próximo dia 12 de agosto, desta vez com um lance mínimo 50% inferior ao pedido, como manda a legislação.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , , , , , , , ,
23/07/2009 - 11:43

Qual é o seu Brasil x Argentina preferido?

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Acaba de ser publicado um livro essencial para quem se interessa por história do futebol. “Brasil x Argentina – Histórias do maior clássico do futebol mundial (1908-2008)”, de Newton César de Oliveira Santos (Scortecci Editora, 616 págs., R$ 60) reconstitui todas as partidas entre as duas seleções.

Santos destaca no livro uma série de episódios curiosos, mostra que houve brigas e batalhas campais em 50% dos clássicos, trata abertamente dos problemas de racismo (somos os “macaquitos) envolvidos na disputa e descreve a trajetória dos inúmeros craques, de ambos os lados, que foram protagonistas em partidas das suas seleções.

Pedi ao autor que me dissesse quais, entre as quase 100 partidas entre Brasil e Argentina são as suas favoritas. Eis o seu top 5: 

1. Argentina 0 x 1 Brasil (27/09/1914): Primeiro jogo oficial e primeiro título em disputa, em meio a muita cordialidade de ambos os lados.

2. Argentina 6  x 1 Brasil (05/03/1940): Maior goleada da Argentina e maior diferença de gols em jogos entre os dois selecionados.

3. Brasil 5 x 2 Argentina (16/04/1963): Pelé deu show e marcou 3 gols.

4. Brasil 0 x 3 Argentina (03/06/1964): Argentina goleou com autoridade, em pleno Pacaembu, e arrancou rumo a seu primeiro grande título internacional, a Taça das Nações.

5. Brasil 4 x 1 Argentina (29/06/2005): Final da Copa das Confederações, primeira decisão entre as duas seleções de um torneio da Fifa fora da América do Sul, com os mais valorizados jogadores do mundo em campo (e fora dele) – e uma partida com cinco golaços.
 
Pedi também a Santos que escalasse uma seleção argentina e uma brasileira de todos os tempos, com base na disputa entre os dois países. Eis a sua resposta:

“Não me sinto em condições de ‘escalar’ uma seleção de todos os tempos, de nenhum lado, porque só acompanho os jogos desde 1974. Não vi jogar Fredenreich, Leônidas, Zizinho, Didi e mesmo Pelé. Da mesma forma, não vi Nolo Ferreira, Stábile, Moreno, Di Stefano, etc. Mas já dá para imaginar uma seleção com Leão, Oscar, Junior, Falcão, Zico e Ronaldo, de um lado, contra Fillol, Passarella, Mascherano, Kempes, Maradona e Messi, do outro. De quantos países no mundo podemos destacar jogadores deste nível de 30 anos para cá?”

Qual é o seu Brasil x Argentina preferido? E os seus craques favoritos?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
21/07/2009 - 16:01

Cristian: o choro comovente de um jogador sem opção

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Assisti agora há pouco trechos da entrevista de Cristian e Andre Santos, na qual se despedem da torcida corintiana com juras de amor e  a promessa de voltar, em algum momento, ao clube.

O depoimento de Cristian é realmente impressionante. Chorando muito, o volante deu a entender que soube, há poucos dias, pelo presidente do Corinthians que iria ser transferido para o futebol turco. E que aceitou a transferência porque muitas pessoas dependem dele.

Ouvindo-o, parece que o “passe” ainda é a moeda vigente futebol e que, como uma marionete, o jogador não tem controle nenhum sobre o seu destino. Como se sabe, antes da Lei Pelé, de 1998, que acabou com o passe, os jogadores tinham pouca ou nenhuma autonomia em relação aos clubes e eram negociados ao bel prazer dos cartolas.

Hoje, em tese, o jogador é livre para atuar onde quiser. Assina contratos com prazo de validade, com previsão de multa em caso de rompimento, e muda de clube de acordo com as leis de oferta e procura do mercado.

De um modo geral, os jogadores entregam sua carreira na mão do empresário, responsável por negociar o seu contrato com o clube e articular a sua transferência, normalmente para ganhar mais, mediante novos contratos e pagamento da multa rescisória.

A transferência de Cristian seguiu esse rito. O Fenerbahçe, da Turquia, vai pagar, estima-se, 7 milhões de euros para contar com o jogador, valor a ser partilhado entre os três clubes (Corinthians, Flamengo e Atlético-PR) que dividiam os seus direitos. O valor do contrato de Cristian com a equipe turca não foi divulgado, mas é tão alto na comparação com o seu atual que, segundo a “Folha” desta terça-feira, o jogador chorou ao ser informado da cifra pelo presidente do Corinthians.

Em resumo, embora a lei do passe não exista há mais de dez anos, Cristian parece estar trocando de clube obrigado. De um lado, está o Corinthians, interessado em embolsar uma bolada. E de outro, ainda que contra a sua vontade, o jogador é pressionado pela possibilidade de melhorar a sua situação socioeconômica.

O choro de Cristian é o choro verdadeiro, comovente, de um jogador sem opção.

Crédito da foto: Gazeta Press

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
17/07/2009 - 10:31

A estranha Copa que o Brasil ganhou, mas não ficou feliz

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Advertência: Esse blog não faz pregação de VERDADES ABSOLUTAS. O que você vai ler aqui é a reprodução de um ESTADO DE ESPÍRITO, num determinado tempo e lugar.

Sexta-feira, 17 de julho: há 15 anos, neste dia, o Brasil venceu a Itália, nos pênaltis, na final da Copa de 94. É um título especialmente importante por encerrar um período de 24 anos (ou cinco copas seguidas) sem conquistas.

Acompanhei a Copa direto dos Estados Unidos, enviado pela “Folha de S.Paulo”. Participei da equipe que, como carrapato, seguiu a seleção brasileira por 45 dias – basicamente na Califórnia. Foi uma experiência profissional fantástica, mas ao mesmo tempo muito dura.

A insistência do técnico Carlos Alberto Parreira num esquema muito cauteloso e pouco criativo gerou críticas pesadas, do início ao fim da Copa. Em resposta, a seleção, de uma maneira geral, tratou com pouca simpatia, quando não com aberta hostilidade, a imprensa brasileira.

Até hoje, 15 anos depois, essa vitória é considerada uma conquista “menor”, por conta do desempenho esquemático, eventualmente tedioso, da seleção de Parreira. O troféu levantado pelo capitão Dunga não suporta a comparação com as outras quatro copas vencidas e chega a ser questionado até mesmo diante da derrota em 1982. Para piorar, a final contra a Itália, debaixo do sol de meio-dia, no estádio Rose Bowl, em Pasadena, terminou 0 a 0 depois de 120 minutos e foi decidida nos pênaltis – fato inédito e inusitado  em uma final de Copa do Mundo.

Acabooou! É teeeeetra!!! – Lembranças agridoces da Copa de 94

Resolvi reler a edição de 18 de julho de 1994 da “Folha”. O “day after” da Copa. É um trabalho do qual eu me orgulho muito de ter feito parte e que deixou para a história um registro forte, até um pouco amargo, do que foi essa conquista. Todos os trechos a seguir, com a exceção de um, foram publicados no dia seguinte à conquista do tetra.

Johan Cruyff (colunista da “Folha” na Copa de 94): “A partida (final) foi ruim e não vale a desculpa de que dificilmente em uma final se pode ver bom futebol. O que acontece é que o Brasil jogou demasiadamente preocupado com seu rival e em nenhum momento conseguiu impor seu domínio de bola”

Telê Santana (colunista): “Taticamente, a seleção brasileira encerrou sua participação na Copa devendo alguma coisa. Jogou da mesma maneira, do primeiro ao último dos 600 minutos disputados”.

Alberto Helena Jr (enviado especial aos EUA): “O Brasil é o primeiro tetracampeão do mundo da história, mesmo que o futebol que o conduziu ao título seja o anti-Brasil”. Sobre a entrada de Viola no segundo tempo da prorrogação, Helena observou: “Em 15 minutos, Viola jogou mais, agrediu mais, criou mais do que Zinho ao longo de todo o campeonato”.

José Simão (enviado especial): “Essa é a filosofia do Parreira: quem quer bola na rede que vá assistir basquete. Rarará. Muda de esporte”.

Marcelo Fromer e Nando Reis (colunistas): “Ninguém nos convence de que foi este esquema medroso que garantiu nosso sucesso nesta Copa.”

Romário, ao receber a medalha de campeão, disse que o título ia “calar a boca” dos críticos. Dirigiu-se aos fotógrafos – que pediam que ele se virasse para facilitar a foto da premiação – com as seguintes palavras: “Vocês todos foram contra. Se quiserem fotografar agora vão ter que ir lá na puta que o pariu”.

Dunga: “Agora é fácil me elogiar. Mas na hora difícil a equipe teve que se unir para suportar as críticas”. Ao receber o troféu, ao lado de Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos, gritou “porra”, virou-se para os fotógrafos e disse: “Traíras!” Também disse naquele dia: “Foi uma vitória de homens!”

Este repórter escreveu: “O técnico Carlos Alberto Parreira foi vaiado pelo público ao ter seu nome anunciado pelos microfones do estádio antes do jogo. Essa cena se repetiu nas sete partidas que o Brasil disputou na Copa”.

Carlos Alberto Parreira: “O que as pessoas não entendem no Brasil é que a fantasia, a magia, o sonho e o show acabaram no futebol. Agora, o importante é ser competente” (a frase foi dita numa entrevista no meio da Copa e relembrada na edição de 18 de julho)

Zagallo (na véspera do jogo): “Fui burro em 70, sou burro em 94. Mas não reclamo”. Indagado sobre a possibilidade de ser o único tetra-campeão do mundo, um dia antes da final, disse a Mario Magalhães: “Vão ter que me engolir!”

E você, leitor, qual é a sua lembrança desta Copa?

No iG Esporte: Por andam os heróis do tetra?

Crédito da foto: Getty Images

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, Esporte Tags: , , , , , , ,
16/07/2009 - 10:19

O destino de Verón estava traçado antes dele nascer

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Os “Leões da América”, como foram apropriadamente chamados pelo diário “Olé”, começaram a ganhar a Libertadores aos 4 minutos do primeiro tempo, quando Verón acertou uma cotovelada em Ramires, o juiz não viu e o jogador brasileiro perdeu o eixo, para não mais recuperá-lo na partida.

Verón comandou o Estudiantes. No lance do primeiro gol, achou Cellay na direita, que cruzou para Fernandez marcar. Depois, cobrou o escanteio na cabeça de Boselli, que assinalou o gol do título. Ao longo de 90 minutos, só deu ele. Cadenciou o jogo. Protegeu a defesa. Marcou. Atacou. Catimbou. Irritou os brasileiros. Fez cera. Foi o personagem do jogo.

Um dia antes da decisão, Gian Oddi, editor do iG Esporte, havia me convidado a escrever, caso o Cruzeiro ganhasse, sobre os destaques do time brasileiro. Respondi: “Só quero escrever se o Estudiantes ganhar. Quero escrever sobre o Verón, o jogador mais parecido com Toninho Cerezo que já vi jogar”.

Não vou aqui entrar em detalhes sobre a saga de Verón. Basta dizer que seu pai, Juan Ramón Verón, La Bruja, é um dos maiores jogadores da história do Estudiantes. Para falar apenas o essencial, foi tricampeão da Libertadores (1968-69-70) e Mundial, em 1968. A decisão, contra o Manchester United, resultou em vitória por 1 a 0 na Bombonera e empate por 1 a 1 no Old Trafford, gol de Verón.

O destino de Juan Sebastian Verón estava, portanto, traçado antes de nascer. Torcedor fanático do Estudiantes, naturalmente começou sua carreira no clube, em 1994. E o seu apelido não poderia ser outro: La Brujita. Passou rapidamente pelo Boca Juniors e, em 1996, com 21 anos, já estava na Itália. Foi levado para a Sampdoria, o time que, cinco anos antes, com Cerezo numa posição semelhante, havia conquistado o único scudetto da sua história.

Não teve a mesma sorte, mas conquistou muitos títulos em outras equipes. Jogou no Parma (e venceu a Copa da Itália, em 1999), na Lazio (onde foi campeão italiano e da Copa da Itália, em 2000) no Manchester United (campeão inglês em 2003), no Chelsea, e na Inter de Milão (campeão italiano em 2006 e bicampeão da Copa da Itália em 2005 e 2006), antes de ser repatriado pelo time onde começou a carreira.

No ano passado, na Copa Sul-Americana, vi Verón destruir o Botafogo – 2 a 0 em La Plata, 2 a 2 no Engenhão. Isso é fácil, dirão os leitores. É verdade. Mas nesta quarta-feira, contra o Cruzeiro, ele mais uma vez repetiu o feito. Aos 34 anos, foi o comandante de um time firme, não especialmente talentoso, mas corajoso o suficiente para virar um jogo que começou a perder aos 7 minutos do segundo tempo.

Os “Leões da América” realizaram uma façanha histórica nesta quarta-feira, no Mineirão, e La Brujita, definitivamente, deixará de ser apenas o filho de La Bruja nos anais do Estudiantes. Juan Sebastian Verón é o nome deste título continental – o quarto da equipe de La Plata.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
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