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Arquivo da Categoria Brasil

05/06/2009 - 16:21

Diretor de sindicato confirma pressão para não desviar avião de tempestade

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A polêmica aberta por Paulo Coelho – primeiro no Twitter, em seguida neste blog – não se encerrou. O escritor relatou ter ouvido de dois pilotos que, por pressão para economizar combustível, muitas vezes evita-se contornar as “cumulus nimbus” (nuvens com tempestades dentro).

Entrevistado por Marcelo Ambrosio, do “Jornal do Brasil”, o diretor de segurança do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, confirmou que “existe uma pressão implícita das empresas aéreas nacionais para evitar a alteração de rotas, que os pilotos seguem mais por complacência do que por obrigação.”

Ouvido pelo mesmo repórter, a francesa Carole Arnaud-Battandier, coordenadora técnica e internacional do Sindicato Nacional dos Pilotos, garante que esse tipo de situação não ocorre na França. “Não há a menor chance de uma pressão dessas acontecer aqui. Nós não brincamos quando o assunto é a segurança dos passageiros e das tripulações”, disse ela ao JB.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Brasil Tags: , , , ,
18/03/2009 - 17:45

O que Dolabella e o taxista têm em comum? Foram pegos pela Lei Maria da Penha

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O caso que se segue me foi relatado dentro de um táxi, a caminho do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, no início deste ano. É a versão de um agressor. Não ouvi a versão da agredida, mas resolvi colocar aqui este relato porque me chamou a atenção para um assunto que eu desconhecia e que acaba de ganhar as manchetes com a prisão de Dado Dolabella, cuja história lembra muito a que eu ouvi.

Silvio (nome fictício) é casado há 26 anos. Tem três filhos. Em uma fase boa da vida, quando tinha algum dinheiro sobrando, “aprontou” (palavras suas) algumas. Teve alguns casos fora do casamento. Certa vez, diz, irada com o seu comportamento, sua mulher picotou as suas roupas.

Hoje, Silvio dirige um táxi, que não é seu. Afirma que não apronta mais. Teve uma discussão séria com a mulher. “Me exaltei”, ele reconhece. Ameaçou a mulher. Mas não a agrediu fisicamente, garante.

A mulher deu queixa na delegacia. O caso foi enquadrado dentro da chamada Lei Maria da Penha, sancionada em agosto de 2006, com o objetivo de coibir a violência doméstica contra mulher. A lei tipifica a ameaça de agressão como um crime, uma forma de violência contra a mulher. A lei também prevê “medidas protetivas de urgência”, a serem determinadas pelo juiz enquanto o caso não se conclui, para evitar riscos à mulher.

O juiz deste caso determinou que Silvio não retornasse à sua casa enquanto o processo não terminasse. Em consequência da briga de Dado Dolabella com Luana Piovani, o juiz determinou como medida protetiva que o ator mantivesse, em qualquer situação, uma distância mínima de 250 metros da atriz.

Silvio diz que estava acatando a determinação até que uma audiência que teria para discutir o caso foi adiada. Perdeu então a paciência e resolveu voltar para a casa. Sua mulher comunicou à Justiça que o marido havia violado a decisão. No caso de Dolabella, se entendi, ele não respeitou a decisão em duas situações, no carnaval e em uma festa, aproximando-se de Luana num raio inferior ao determinado pela Justiça.

Quando a audiência de Silvio finalmente ocorreu, o juiz determinou a prisão do taxista. Ele foi enviado para a Polinter – como Dolabella. Ficou duas semanas numa cela superlotada, segundo ele, junto com criminosos do Comando Vermelho. Conseguiu, pagando R$ 6 mil, ser transferido para uma cela “especial”. Ficou mais uma semana preso (três semanas no total). Hoje aguarda o desfecho do processo criminal (por ameaça de agressão à mulher) e o cível (separação litigiosa). 

Entendo o espírito da lei, mas reconheço que é polêmica. O que o leitor – e a leitora – acham?

Observação: Como de costume, acolho todos os comentários, com elogios, críticas ou sugestões. Apenas não aceito, e excluo, comentários com ofensas, acusações sem provas, injúrias e difamação a pessoas citadas aqui ou a terceiros. Se deixei escapar algum, peço desculpas e solicito que me alertem. Obrigado

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , ,
27/02/2009 - 08:26

BBB9 – Políticos abraçam a causa de Flavio e Priscila

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O Barão de Itararé, famoso personagem criado pelo jornalista Aparício Torely (1895-1971), costumava dizer que “o político brasileiro é um sujeito que viva às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas”. Penso nessa frase depois de conversar com o prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), e com o vereador Vanderlei Cabeludo (PMDB), de Campo Grande (MS). Com grande senso de oportunidade, ambos acabam de tomar a iniciativa de declarar apoio a candidatos que participam do programa Big Brother Brasil.

Na reportagem Caxias e Campo Grande oficializam apoio a candidatos do BBB, relato o resultado de minhas entrevistas com os dois políticos. Ambos afirmam não assistir o BBB com regularidade. O apoio a Flavio e a Priscila, explicam, deve-se ao fato de que os candidatos são moradores de suas cidades, Caxias e Campo Grande, respectivamente. “A comunidade caxiense olha isso com bons olhos”, diz Sartori. “Priscila é um orgulho muito grande para a nossa cidade”, diz Vanderlei Cabeludo. Pano rápido…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , , , , , ,
15/02/2009 - 13:21

Nêm Cotó, Mestre Sariga e uma lição de vida

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A melhor história do dia está no caderno de Esportes do Estadão e conta a saga de Vanderley Moreira de Jesus, conhecido como Nêm Cotó, na periferia de Castro Alves, cidade a 190 quilômetros de Salvador. Vanderley teve o braço direito amputado aos 15 anos, depois de um acidente num pau de arara. “O motorista, seu cunhado, transportava mais de 50 pessoas na carroceria de um caminhão para levá-las a um comício na região em 1988, ano de eleições”, escreve o fotógrafo Evelson de Freitas, autor da reportagem.

Para ajudar na recuperação de Vanderley, sua mãe o levou à academia de Francisco Ribeiro, conhecido como Mestre Sariga, que o convidou a aprender boxe. Vinte anos depois, Vanderley considera que as lições na academia o salvaram: “O boxe veio para ser como uma educação de vida, porque acho que sem ele nem estava mais aqui pra contar história. Ou tava preso, ou tava em algum lugar por aí, corrido. Tava caído em alguma coisa ruim.”.

Mais um trecho da reportagem: “Nêm Cotó quer mais. Sonha com o dia em que haverá a categoria boxe na Paraolimpíada. Até lá, deseja lutar em outros Estados para defender o boxe de Castro Alves e praticar o que aprendeu em duas décadas de treinos. Também quer o direito de divulgar o esporte, porque acredita ser a melhor escola para aprender a ter disciplina e “não se meter em confusão”. Já incentiva seus dois filhos, João Vítor, de 10 anos, e Vinícius, de 5, a treinar, sempre inspirado por Mestre Sariga, que dá palestras e orienta os alunos a se livrar de drogas e de bebidas e a investir nos estudos.”

A reportagem completa pode ser lida aqui, mas, infelizmente, a magnífica foto de Evelson de Freitas, que mostra Nêm Cotó treinando boxe na academia de Mestre Sariga, não está disponível na versão online do jornal.

Em tempo: O fotógrafo Miguel Rio Branco é autor de uma famosa série de fotos numa academia de boxe, na Lapa, no Rio de Janeiro, entre as quais a que mais me impressiona é a de um boxeador que tem apenas um braço. Esta foto está num livro que reúne diferentes fases de sua carreira, intitulado apenas “Miguel Rio Branco” (Companhia das Letras). 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , ,
25/01/2009 - 11:31

Notícia boa também existe: avião sai antes da hora marcada

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Jornalista leva a fama de só gostar de notícia ruim. É verdade, mas é natural que seja assim. Notícia ruim, quase sempre, é mais interessante, atrai mais curiosidade, chama mais atenção do que notícia boa. A “Folha de S.Paulo” tentou, durante algum tempo, publicar diariamente ao menos uma “boa notícia”. Ela vinha com esse selo (“boa notícia”) justamente para chamar a atenção do leitor. A iniciativa não durou muito tempo. 

Recentemente, em meio a uma notícia péssima, a queda de um avião, acabou sobressaindo-se uma notícia boa – o piloto teve a habilidade de pousar o avião no rio Hudson, em Nova York, salvando todos que estavam a bordo. Fato raro no noticiário, mas acontece.

A notícia boa que eu tenho para dar é que, em meio ao costumeiro festival de atrasos nos vôos pelo Brasil, neste sábado peguei um avião que partiu dez minutos antes do horário previsto. O vôo 3110, da TAM, de Florianópolis para São Paulo, estava programado para as 19h50. Às 19h30, as portas do avião foram fechadas e os passageiros orientados a desligar os seus celulares. Fiquei até assustado e perguntei para uma das aeromoças: “Por que o avião está saindo tão cedo? Algum problema”. Ela fez cara de espanto e respondeu: “Nem reparei”. Dez minutos depois, às 19h40, já estávamos no ar, rumo a São Paulo. Incrível…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: ,
12/01/2009 - 09:40

Sobre óvnis, ETs e a ditadura no Brasil

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Ao ler a ótima reportagem “SNI investigou óvnis durante a ditadura”, de Fernando Rodrigues, publicada na edição de domingo, na “Folha de S.Paulo”, me lembrei de uma que publiquei, há mais de dez anos, no mesmo jornal, intitulada “Regime militar investigou óvnis e ETs”.

Apesar dos títulos quase idênticos, a reportagem do Fernando trata de investigações do SNI no Pará e Maranhão em 1977 e 78, enquanto a minha falava de como o Dops averiguou um caso de suposto contato com disco voador no interior de São Paulo, em 1974, e depois xeretou a vida de dois ufólogos na capital paulista.

Escrevi minha reportagem com base em documentos localizados pelo historiador e ufólogo Claudio Suenaga, que na ocasião escrevia uma dissertação de mestrado sobre o assunto. Em outro texto, na mesma edição, também abordava o interesse – sempre negado – da Aeronáutica pelo assunto.

Para quem gosta do assunto, transcrevo abaixo três trechos da reportagem, publicada num domingo, 11 de maio de 1997. Em tempo: naquela época, o Manual de Redação da “Folha” recomendava que não se usasse a palavra “ditadura” para se referir ao período em que o país foi dirigido pelos militares.

Regime militar investigou óvnis e ETs

O regime militar brasileiro (1964-1985) investigou, nos anos 70, casos de supostos aparecimentos de discos voadores e espionou as atividades dos especialistas brasileiros em ETs (extraterrestres).

Documentos do extinto Dops (Departamento de Ordem Política e Social), hoje guardados no Arquivo do Estado de São Paulo, mostram que os chamados serviços de informação perderam tempo e dinheiro averiguando o “seqüestro” de um comerciante paulista por tripulantes de um objeto voador não-identificado (óvni).

Os documentos também mostram que o Dops chegou a convocar para depor dois ufólogos, pessoas que são estudiosas de óvnis (UFOs, em inglês), e infiltrou um agente para acompanhar as reuniões periódicas de um grupo de apaixonados por discos voadores.

Localizados pelo historiador Cláudio Tsuyoshi Suenaga, os documentos confirmam algo que os ufólogos brasileiros sempre suspeitaram, mas que a comunidade científica via apenas como mais um sintoma da mania de perseguição que acomete muitos desses estudiosos: “Os militares sempre se preocuparam com o fenômeno óvni”, diz Suenaga.

O historiador, que prepara tese de mestrado sobre o tema na Unesp (Universidade Estadual Paulista), vai além: “É claro que existe um ‘Arquivo X’ brasileiro. Até hoje existe preocupação do governo brasileiro com esse tema”. (…)

Na avaliação de Cláudio Suenaga, os documentos do Dops que encontrou mostram claramente que o interesse original dos serviços de informação era pelo “fenômeno óvni em si”.

À medida que a investigação da polícia política evolui, o foco de atenção passa a se concentrar nas atividades dos ufólogos, visando averiguar se praticavam algum tipo de atividade “subversiva”.

“Os documentos que encontrei são apenas uma parte, uma pequena parte, do ‘Arquivo X’ brasileiro”, diz Suenaga.

Dops queria saber se ufólogos eram ’subversivos’

A investigação “extraterrestre” do Dops tem origem num fato ocorrido no dia 28 de abril de 1974, nas proximidades de Guarantã (423 km a noroeste de São Paulo).

Naquele dia, conforme relato enviado ao diretor do Dops pelo delegado Hermínio José Theodoro, “Guarantã foi abalada pela notícia de que o indivíduo Onilson Patero fora ‘sequestrado’ por um ‘DISCO VOADOR’ há (sic) 12 quilômetros desta cidade”.

O caso Patero, como ficou conhecido, teve grande repercussão na mídia. Comerciante, estabelecido em Catanduva (385 km a noroeste de São Paulo), ele afirmava ter tido dois contatos com óvnis.

O primeiro teria ocorrido em maio de 73, numa rodovia próxima a Catanduva. No segundo “encontro”, que causou maior alvoroço, Patero sumiu por seis dias.

O carro do comerciante foi encontrado abandonado numa rodovia no interior de São Paulo na manhã do dia 29 de abril e ele reapareceu após seis dias numa fazenda em Colatina, no Espírito Santo.

No relatório que enviou ao Dops, o delegado Theodoro observa que, ao narrar para jornalistas a sua viagem num disco voador, Patero estava na companhia de quatro “elementos estudiosos da Associação de Estudos dos óvnis”.

O delegado se apressa em identificar os estudiosos e pedir ao Dops que os investigue, na tentativa de ajudar a esclarecer se, de fato, Onilson Patero viajou num disco voador de Guarantã a Colatina.

Em São Paulo, a investigação foi comandada por Roberto Quass, à época delegado-adjunto do Serviço de Informações (SI) do Dops.

O SI era então comandado pelo hoje senador Romeu Tuma (PFL-SP), que, segundo mostra um documento, tomou conhecimento da principal investigação sobre os óvnis “vistos” pelo comerciante Onilson Patero.

Entre os ufólogos que estiveram com Patero em Guarantã e serão investigados pelo Dops, estão dois dos pioneiros da ufologia no país, Max Berezovsky e Willi Wirtz.

É o delegado Quass que toma os depoimentos de Berezovsky e Wirtz, à época integrantes da Associação Brasileira de Estudos das Civilizações Extraterrestres. Os depoimentos à polícia foram dados no dia 11 de outubro de 74, quase seis meses após o caso Patero aparecer nos jornais.

O médico Berezovsky (…) afirmou em seu depoimento que considerava verdadeiro o relato de Onilson Patero sobre o seu primeiro encontro com um disco voador, mas via sinais de que o segundo encontro fora inventado.

Por sua vez, o professor Wirz disse à polícia que considerava falsos os dois “encontros” de Patero com discos voadores.

Segundo Wirz, a história contada pelo comerciante de Catanduva era “completamente inconsistente, com muitos pormenores que lembram filmes de televisão, principalmente a série ‘Os Invasores’”. (…)

No final de outubro, o delegado Quass parece se dar por satisfeito com os depoimentos de Berezovsky Wirz e aceita a conclusão de que Onilson Patero é um “mitômamo”, que “apresenta certa alteração neurológica”.

O seu relato é enviado ao delegado Romeu Tuma, que o encaminha ao então diretor-geral do Dops, Lúcio Vieira. O caso parece encerrado – mas será reaberto.

Em janeiro de 75, a investigação sofre uma reviravolta – e os ufólogos de São Paulo é que passam a ser investigados.

Um documento com carimbo do 2º Exército, enviado ao Serviço de Informações do Dops, relata que “tem havido reuniões de cunho duvidoso” na casa de Max Berezovsky e num clube israelita em Higienópolis (centro de SP).

Nessas reuniões, “com a idéia de se realizar debates sobre Estudos das Civilizações Extraterrestres (discos voadores), buscam contatos com estudantes e outros elementos, possivelmente ligados à subversão, para discussão e combate ao governo constituído”.

É este relato anônimo que leva o Dops a infiltrar agentes nas reuniões dos ufólogos paulistanos.

Berezovsky tem certeza de que, no período, teve todos os seus telefones grampeados e era vigiado pela polícia. O que se pode afirmar com certeza é que um agente do Dops assistiu, disfarçado, uma reunião dos ufólogos, em 27 de junho de 75, e relatou detalhes do que viu e ouviu a seus superiores.

Num texto saboroso, porque surreal, o agente relata que “o conferencista (Flávio Augusto Pereira) discorreu sobre a problemática dos discos voadores, transmitindo inúmeras teorias e informações sobre o assunto”.

Mais adiante, o agente informa que “a posição do orador ficou manifesta sobre a existência de tais objetos, como civilizações de outros planetas e galáxias, parecendo também evidente que a maioria dos presentes é aficionada e crente no assunto”.

Por fim, o agente do Dops informa que os ufólogos estão em campanha de novos sócios e, o mais importante, que não observou “qualquer comentário, atitude ou alusão política” no encontro.

Assim, com a conclusão favorável do agente, observa o historiador Cláudio Suenaga, “encerrava-se um dos mais insólitos processos movidos durante o período pelo Estado brasileiro”.

Aeronáutica recolhe dados sobre óvnis

Dentro do governo, o principal centro de referência sobre objetos voadores não-identificados fica no Ministério da Aeronáutica, no Núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro, conhecido pela sigla Nucomdabra.

A forma de atuação desse núcleo é alvo de muita discussão. Os ufólogos juram que o Nucomdabra investiga aparições de óvnis, desloca agentes para os locais onde eles podem ter aparecido e monitora o espaço aéreo brasileiro atrás de movimentações suspeitas.

A Aeronáutica nega. “O que fazemos é receber informações e arquivar, arquivar, arquivar. Por que não investigamos? Porque não existe uma diretriz específica nesse sentido”, diz o brigadeiro José Montgomeri Rebouças, chefe do Centro de Comunicação Social do Ministério da Aeronáutica.

“Deve ser um assunto palpitante, porque recebemos muitas informações, mas não damos tratamento científico a esses relatos, nem consideramos discos voadores como ameaça aérea”, diz ele.

O ufólogo Cláudio Suenaga, autor da tese de mestrado sobre óvnis, constatou em 1991 que o Nucomdabra faz mais do que apenas arquivar informações sobre supostos discos voadores.

Suenaga enviou ao órgão fotos que tirou em Guaianazes (zona leste de SP) de um suposto óvni.

Em resposta, o então major-aviador Mardem José de Andrade, do Nucomdabra, enviou a Suenaga um “parecer preliminar” sobre as fotos, no qual diz que a luz que se vê no céu “parece tratar-se de um rastro de condensação (jet stream), relativo a uma aeronave em grande altitude”.

Andrade também enviou um questionário-padrão, no qual se pede uma série de informações sobre o óvni, tais como a “posição do objeto”, a sua forma, tamanho, cor, velocidade e rastro, a trajetória e a duração da observação.

O questionário, com 14 itens, está impresso num papel sem timbre, da mesma forma que a carta do major-aviador Mardem de Andrade, que é assinada.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Brasil Tags: , , ,
13/12/2008 - 09:32

Adoção no Brasil: uma semana de emoções fortes

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Como muitos jornalistas da minha geração, formado em redações que defendem uma espécie de ascetismo como postura necessária à prática profissional, não tenho o hábito de escrever na primeira pessoa e cultivo o máximo possível de distanciamento das fontes. Neste post, porém, vou escrever abertamente na primeira pessoa e vou confessar uma forte emoção que senti no meio da apuração de uma matéria.

No dia 1º de dezembro, se não me engano, minha editora no Último Segundo, a ligadíssima Mariana Castro, me provocou: “Você não gostaria de fazer uma matéria sobre adoção?” Pensei: “Adoção??? Por quê?” Ela me explicou que o Brasil começou a montar este ano um cadastro nacional de adoção, no esforço de tornar mais rápido e eficiente os processos no País. Era novidade para mim.

Achei a idéia interessante, mas não tinha a menor idéia por onde começar. Fiz, então, o que qualquer repórter faz nestas horas. Liguei para uma pessoa que entende do assunto. Por sorte, sou amigo há muitos anos da apresentadora Astrid Fontenelle e sabia que ela havia adotado uma criança recentemente. Telefonei pensando que ela poderia me dar algumas informações sobre o processo de adoção, mas ao ouvir a sua história fui imediatamente fisgado pela sua história – e resolvi incluí-la na reportagem.

Por conta de uma dica da Astrid, procurei a Vara de Infância de Santo Amaro, a maior de São Paulo. Telefonei para o local e pedi para falar com algum assessor. Para minha surpresa, em menos de um minuto já estava conversando com o juiz Iasin Issa Ahmed, que me convidou a visitá-lo no dia seguinte.

Cheguei à Vara de Infância 20 minutos antes da hora combinada, o que me permitiu acompanhar, da ante-sala do juiz, um caso dramático que se desenrolava ali, naquele instante. Um garoto de 7 anos aguardava, sentado no sofá, ao meu lado, enquanto o juiz, na outra sala, procurava convencer a sua avó, guardiã do garoto, a também cuidar de seus dois irmãos menores.

Jandira, a zelosa secretária do juiz, tentava ocupar o menino com bichos de pelúcia, material para desenho e balas, no esforço de evitar que ele ouvisse o que se discutia lá dentro. Na falta de pai, mãe ou outro responsável, os dois irmãos seriam dados para adoção. O juiz, ao final, conseguiu localizar um parente distante em Vitória da Conquista, que topou ficar com a guarda das duas crianças.

Por mais de três horas, em seguida, entrevistei o juiz Iasin, a psicóloga Célia Regina Cardoso e a assistente social Solange Rolo. Ouvi histórias inacreditáveis, de devolução de crianças rejeitadas pelos pais adotivos e que voltaram a morar em abrigos. De crianças conscientes da situação de abandono que vivem e que pedem para ser adotadas. De irmãos separados por falta de candidatos a adotá-los em conjunto. E muito mais tristeza…

Até que o juiz Iasin contou a história da menina de 6 anos, largada em um abrigo, depois de ter morado dentro de uma Kombi com a mãe viciada em drogas. Em uma visita ao abrigo, a menina perguntou ao juiz: “Eu vou para a Itália?” Iasin se encantou por ela e cuidou pessoalmente de achar candidatos a adotá-la. Mas antes lhe disse: “Eu vou escolher os pais para você, mas você tem o direito de dizer que não gostou”.

Nessa hora, me dei conta, estava com os olhos cheios de lágrimas. Tentei disfarçar, prossegui com as minhas perguntas, anotei as respostas e fomos em frente. Mas estava, definitivamente, fascinado pelo assunto. O resultado, a reportagem “Uma tarde na Vara de Infância: histórias de crianças adotadas, recusadas, devolvidas e obtidas ilegalmente”, acho que trai a emoção que senti lá. Publicada na segunda-feira, 8 de dezembro, acabou sendo uma das reportagens mais lidas da semana no iG.

Ao longo destes dias, publiquei outros quatro textos sobre o assunto. Para quem tenha interesse, mas não acompanhou, aqui vão os links:
1. Adoção a estrangeiros pode levar até dois anos 
2. Solteira, 47 anos, mãe de uma criança de 40 dias
3. “Criança não é televisão, que você compra, não gosta e depois devolve”, diz Marcelo Antony 
4. Leitores relatam dramas e alegrias do mundo da adoção

A série, longe de esgotar o assunto, foi uma oportunidade de tratar de um tema muito delicado, complexo e polêmico. Pelas reações dos leitores, mesmo os que manifestaram os seus preconceitos, pude observar que as reportagens contribuíram, de alguma forma, para desarmar alguns espíritos contra a adoção e expor as muitas dificuldades envolvidas no processo. E, particularmente, a série me ajudou a tomar contato com um mundo que eu conhecia pouco e que me tocou muito.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , ,
23/11/2008 - 12:59

Milton Santos e o “racismo cordial”

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Em 1995, o Datafolha realizou uma grande pesquisa nacional sobre racismo no Brasil. Para esmiuçar os dados, a “Folha de S.Paulo” convocou uma equipe de jornalistas, que foi a campo produzir reportagens e entrevistas a partir dos dados levantados. O resultado foi a publicação do caderno especial “Racismo Cordial”.

A mim coube, entre outras tarefas, entrevistar o geógrafo Milton Santos (1926-2001), uma das mais respeitadas figuras de sua área no mundo. Santos recebeu uma cópia do relatório do Datafolha antes da entrevista e não gostou nada da pesquisa. Como eu estava há mais de um mês envolvido com os dados, não aceitei sem refutar vários dos questionamentos do geógrafo.

Na visão de Santos, o Datafolha havia formulado de forma errada inúmeras questões da pesquisa e definiu mal a idéia de preconceito. O geógrafo acusou o jornal de fazer marketing com o levantamento, entre outras críticas.

A entrevista foi duríssima, com críticas não apenas à pesquisa, mas também às minhas questões. Perguntei, por exemplo: “O senhor defende o chamado sistema de cotas?” Resposta: “Essa pergunta gera um bloqueio do debate. Porque você só tem duas formas de responder: sim ou não.” Indaguei então: “Qual seria a pergunta correta”. E Santos ensinou: “O que eu devo fazer para que o negro entre e permaneça na universidade?”

Em outro momento, depois que Santos acusou a pesquisa de ser um objeto de marketing, houve o seguinte diálogo:

- Constatar o racismo é marketing?
- Não. Marketing é fazer perguntas apenas sobre o discurso e não sobre o comportamento. Estou exagerando, porque há perguntas sobre comportamento. Já estou pensando na próxima, que eu sei que a “Folha” vai fazer.

De fato, 13 anos depois, neste domingo, o jornal refez as mesmas perguntas da pesquisa de 1995 e publicou o ótimo caderno especial “Racismo”. Desconfio que Santos fosse criticar, mais uma vez, o resultado do trabalho.

Em tempo: A entrevista com Milton Santos foi publicada, com a anuência do geógrafo, que a reviu, no livro “Racismo Cordial” (editora Ática, 1995). E foi republicada no livro “O País Distorcido” (Publifolha, 2002).

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , ,
14/11/2008 - 09:15

“Cama de Gato” e os jovens estupradores de classe média

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O caso dos três jovens de classe média de Joaçaba (SC) que estupraram uma menina de 15 anos, filmaram a cena e a distribuíram pela internet lembra um filme pouco visto e comentado, mas marcante. Trata-se de “Cama de Gato”, dirigido por Alexandre Stockler, com Caio Blatt no elenco.

Produzido com R$ 13 mil, “Cama de Gato” conta a história de três adolescentes de classe média, em São Paulo, em busca de diversão pela cidade, que terminam por estuprar uma jovem. O filme enfrentou dificuldades para ser lançado comercialmente em parte por conta da violência de algumas cenas. Nem mesmo o fato de ter vencido o prêmio do público de melhor filme brasileiro da Mostra de Cinema de São Paulo em 2002 ajudou na carreira comercial de “Cama de Gato”. Ainda que um pouco tosco na sua abordagem, o longa de Stockler coloca o dedo numa ferida visível e, por isso, merece ser visto. O filme está disponível em DVD desde 2005.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , , , ,
30/10/2008 - 22:05

Rival pode rir do Atlético-PR. Forasteiro não

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Em Curitiba, assisto Atlético Paranaense e Vasco pela televisão, no Bar do Alemão. O lugar está lotado. Os dois times, desesperados, lutam para não cair. O Atlético vai vencendo por 2 a 1. Quase no final, o Vasco empata. O garçom ao meu lado acha graça da tragédia alheia. Pergunto qual é o seu time. “Sou Coxa Branca”, diz. Ou seja, torce pelo arqui-rival Coritiba, que está bem no Campeonato. Ao perceber, pelo meu sotaque, que eu não sou da terra, o garçom muda imediatamente o discurso. “Não vai ser bom para o Paraná se o Atlético cair pra Série B”.

Me lembrei daquele anúncio das Havaianas. Lázaro Ramos e um outro sujeito estão falando mal do Brasil quando aparece um argentino e concorda com o que eles dizem. Como assim? – Lázaro pergunta. O Brasil não tem problema nenhum, ele diz. Estrangeiros não têm o direito de falar mal dos locais. Em Curitiba também é assim.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , ,
26/10/2008 - 19:01

Prêmio de consolação: filha do embaixador americano votaria em Gabeira

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A notícia não é capaz de mudar os rumos da eleição no Rio de Janeiro, decidida no detalhe em favor de Eduardo Paes. Mas não deixa de ser um prêmio de consolação para Fernando Gabeira saber que Valerie Elbrick, filha de Charles Elbrick, o embaixador americano sequestrado no Rio, em 1969, por um comando guerrilheiro do qual Gabeira fez parte, declarou apoio ao candidato do PV à Prefeitura.

“Ele é um homem encantador, e se eu não estivesse trabalhando pelo Obama provavelmente estaria trabalhando por Gabeira”, disse Valerie ao “New York Times” na sexta-feira, dois dias antes da eleição. A reportagem sobre o candidato – “Ex-estudante radical na disputa pela Prefeitura do Rio” – foi publicada na edição deste domingo.

O papel de Gabeira no seqüestro de Elbrick é minimizado por companheiros que participaram da ação, como Franklin Martins, hoje secretário de Imprensa do governo Lula, ou por pessoas que conhecem a operação em detalhes, como o jornalista Flavio Tavares. Em todo caso, Gabeira nunca conseguiu um visto de entrada para viajar aos Estados Unidos por conta do seu envolvimento no sequestro.

Elbrick morreu em 1983, aos 75 anos. Sua filha, na entrevista ao “New York Times”, disse que não condena os métodos usados contra seu pai, em 1969. “Eles eram pessoas idealistas. Meu pai se deu conta que não estava lidando com bandidos. Eram jovens inteligentes que, no fundo do coração, eram gente pacífica”. O Departamento de Estado americano, procurado pelo jornal, não se pronunciou sobre Gabeira.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , , , ,
10/10/2008 - 18:59

O bom gosto musical de Lula

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O presidente Lula confessou em entrevista que navega na internet menos do que gostaria. “Quando eu deixar a presidência da República, vou acessar tudo que não tive direito agora”, ele disse. Na sequência, falou do seu esforço para baixar três músicas na internet. Ainda que não seja o suficiente para traçar o perfil do gosto musical do presidente, dá para ter uma idéia do que ele gosta por essa descrição.

A primeira música, que Lula baixou por interesse próprio, é “Viola Enluarada”, dos irmãos Marcos e Paulo Sergio Valle. Primeiro ponto para o presidente. A música é um clássico dos anos 60, com sua mensagem política embutida em melodia suave. Não há roda de violão em que não se cante “Viola Enluarada”.

A segunda música, Lula baixou para Cid Gomes, governador do Ceará. Trata-se de “Pau de Arara”, também conhecida como “Comedor de Gilete”, canção de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, incluída no musical “Pobre Menina Rica” e gravada por Ari Toledo, na década de 60. O hoje comediante, para quem não sabe, começou a carreira como cantor e ator. O gosto de Lula ainda está no terreno da música de protesto. Como se sabe, esta canção foi inspirada na saga de um retirante cearense em São Paulo, que passa fome e resolve, para melhorar de vida, comer gilete. “Eu juro que eu tinha saudades da fome, da fome que eu tinha no meu Ceará”, diz a letra.

A terceira música que Lula baixou foi em homenagem ao governador da Bahia, Jacques Wagner. O presidente não lembrava o nome da música, mas citou um trecho de cabeça. Trata-se do divertido baião “Baiano burro nasce morto”, do compositor baiano Gordurinha, cuja primeira gravação é de 1959. A música é uma delícia e seu título inspirou um famoso bordão em programas de tevê. Outro ponto para o presidente.

O gosto musical de Lula, por essa pequena amostra, está mais do que aprovado.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: , , , , , ,
29/09/2008 - 12:23

Ruth Slinger celebra a experiência da ONG Saúde e Alegria

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A videomaker Ruth Slinger é figura conhecida e muito querida em São Paulo. Desde a década de 80, vem realizando trabalhos artísticos, documentais e de publicidade na área de moda e na noite paulistana. Ruth tem o espírito e a postura dos artistas independentes – consegue deixar a sua marca mesmo em trabalhos de caráter comercial, feitos por encomenda de clientes.

Conheci Ruth mais de perto no final do ano passado. A convite de Joyce Pascowitch, ela inaugurou a TV Glamurama, um espaço no qual fazia o registro em vídeo de festas, vernissages, desfiles de moda, jantares, enfim, colunismo social eletrônico, mas de um jeito absolutamente pessoal e, com freqüência, inesperado. Foi, para mim, que supervisionei o trabalho, uma lição ver o jeito como Ruth conciliava profissionalismo com a busca por um registro autoral, novo, de eventos eventualmente sem graça, como o lançamento de um livro ou de uma nova marca de roupas.

O mais recente trabalho de Ruth vai surpreender quem acompanha a sua carreira. “Saúde e Alegria” é um documentário filmado nas margens do rio Tapajós, junto a comunidades ribeirinhas do município de Santarém. O nome do filme é o mesmo do projeto desenvolvido pelo médico Eugenio Scannavino Netto desde a década de 80. O que, inicialmente, era um trabalho de assistência médica ganhou corpo e dezenas de ramificações, nas áreas de educação, arte, comunicação, qualificação profissional – um trabalho que alcança 30 mil pessoas em 150 comunidades (veja mais aqui).

Ruth fez duas viagens ao Pará, entre fevereiro e maio de 2008, quando ainda realizava os vídeos da TV Glamurama, para registrar o trabalho de Eugenio e seus assistentes, bem como o impacto prático na vida dos ribeirinhos. Talvez seja o filme mais convencional de Ruth – uma maneira dela mostrar, assim eu entendi, sua reverência ao belíssimo trabalho comunitário realizado pelo Saúde e Alegria.

O filme foi um dos 11 projetos selecionados, entre 682 inscritos, no Prêmio Avon Cultura de Vida. Não será comercializado, apenas distribuído pelo patrocinador, pela ONG e pela equipe de Ruth.

A videomaker conta que planeja fazer outros dois documentários. O que está mais engatilhado chama-se “Todo mundo dança”, dedicado a mostrar gente de todas as idades e de todos os lugares praticando diferentes tipo de dança. “Minha idéia é falar de saúde e equilíbrio, mostrando que o ser humano tem por natureza ser feliz”, conta Ruth.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: ,
18/09/2008 - 10:33

O ser humano é viável?

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A história do ladrão de Passo Fundo é, de longe, a melhor do dia. Indignado, ao descobrir um menino de cinco anos dormindo dentro do carro que ele planejava roubar, o ladrão desistiu da empreitada, telefonou para a polícia e pediu para darem um recado ao pai:

- Fala pro filha da puta do pai dele pegar ele e levar pra casa o piazinho… E diz pro filho da puta do pai dele que a próxima vez que eu pegar aquele auto e tiver um piá eu vou matar ele.

Recado ouvido, a delegada que investiga o caso, Claudia Crusius, mostrou-se sensibilizada:

- Ouvi dizer que o tom era de indignação. É por isso que não se pode perder a esperança na humanidade.

Não sei, não… Continuo achando, como Millôr Fernandes sempre disse, que “o ser humano é inviável”. Pessimista diplomado, Millôr é autor de outras preciosidades sobre o tema, que reproduzo abaixo, em homenagem ao ladrão de Passo Fundo e à delegada que cuida do caso:
 

O otimista não sabe o que o espera.

Brasil, condenado à esperança.

Canalhas melhoram com o passar do tempo (ficam mais canalhas.)

O brasileiro é o único ser humano que acredita que pode se aperfeiçoar.

Um otimista é uma pessoa que não tem certeza sobre o futuro desse país.

No Brasil o otimista dorme com medo de acordar pessimista.

Nunca ninguém perdeu dinheiro apostando na desonestidade.

Um pessimista é o único que está preparado para ser otimista quando seu pessimismo der certo.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags: ,
07/09/2008 - 12:07

Uma história banal: a simpatia de Tamandaré

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Dentro do táxi, a caminho do aeroporto de Natal, onde estive nos últimos três dias para um congresso, Tamandaré abre o porta-luvas, retira um envelope e me mostra. Trata-se de uma carta em inglês, com fotos, de uma família, num ambiente inóspito, cercado de neve. Leio a carta e entendo. São noruegueses, de uma cidadezinha a uma hora de Oslo, e escreveram a Tamandaré para agradecer pelos dias maravilhosos que passaram em Natal graças à ajuda e companhia do taxista. “E eles não são os únicos”, me conta. “Tem um sueco, que vem todo ano, está amigo da minha família, já jantou lá em casa”.

Foi a segunda viagem que fiz com Tamandaré. Na primeira, recém-chegado, entre o hotel e a UFRN, ele me fez uma série de recomendações sobre lugares a conhecer na cidade. Observei que, com o chapéu branco que usava, ele se parecia com o ator Antônio Pitanga. Ele riu, mas acrescentou: “Dizem também que me pareço com o Alexandre Pires”. “Menos, por favor”, eu falei. Carioca, radicado em Natal há mais de 30 anos, Tamandaré tem muito orgulho do seu sonoro nome. “É nome de índio”, diz.

Ao me levar para o aeroporto, Tamandaré conferiu se eu tinha ido a todos os lugares que recomendou. Lamentou que eu não tivesse visitado um dos restaurantes indicados. Depois contou que, aos 57 anos, pai de três filhos, já é avô de um menino. “Mas não me sinto”. Também falou que gosta de música. “Qualquer música, menos funk”. E relatou inúmeras histórias sobre como os seus passageiros acabam se tornando seus amigos. “Eu sou assim”, tentou explicar. Difícil, realmente, explicar a simpatia e alegria de Tamandaré. Sei que, quando voltar a Natal, vou procurá-lo novamente, como muito de seus passageiros.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil Tags:
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