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02/09/2009 - 11:14

Twitter: uma boa piada por dia

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Não acompanho o Twitter em outros países, mas no Brasil noto uma tendência interessante: os melhores assuntos do dia sempre viram piada. Não que assuntos sérios não prosperem e rendam boas discussões, mas quanto maior o potencial humorístico do tema em pauta, mais ele gera comentários.

Talvez seja coincidência, mas o ranking de popularidade do Twitter mostra, entre os 100 perfis com mais seguidores, muita gente que ganha a vida fazendo humor na tevê, como o pessoal do CQC, do Pânico e do Casseta & Planeta. Também são muito populares os perfis de humoristas consagrados em outras mídias, como Millôr Fernandes (imprensa), KibeLoco (blog) e Pretinho Básico (rádio). E estão igualmente no top 100 do Twitter brasileiro perfis protegidos por pseudônimos, como Christian Pior e O Criador, que fazem piada de tudo.

Influenciados por esses humoristas, ou não, há toda uma turma no Twitter (impossível citar todos) que prefere perder o seguidor a perder a piada. Politicamente incorretos, não deixam pedra sobre pedra. Às vezes, tenho a sensação que os usuários disputam uma competição pela melhor piada. Nos últimos dias, quem anda pelo Twitter riu muito da Xuxa, do Belchior, da Vanuza, do Fluminense…  

Nem todo mundo gosta, é verdade. As piadas sobre Rubinho Barrichello, já reparei, fazem muito sucesso, mas sempre geram protestos. No dia em que escrevi uma gracinha sobre Belchior, em pouco mais de 15 minutos perdi seis seguidores, possivelmente ofendidos – ou irritados com a falta de graça do meu comentário.

Na terça-feira, 1º de setembro, o assunto que mais gerou piadas no Twitter foi a pane no Gmail. Problema grave para milhares de usuários do serviço, o e-mail do Google foi tema de muitas piadas – algumas ótimas, outras nem tanto. A melhor de todas, enviada por @danilocorci, era uma que dizia: “Google avisa que, como era versão beta, o gmail foi descontinuado” e deixava um link para ser clicado. Quem se arriscava topava com uma foto de Sergio Malandro e a legenda: “Hahahaha. Pegadinha do Malandro”. Também ri com a piada enviada pelo perfil da @revistamad: “Maldito gmail! Se fosse bom, não era de graça!” E com a piada de @ivanadriel, inspirada na frase que Xuxa tornou famosa: “google says: vocês não merecem falar com meu anjo”.

Se o Twitter, de fato, expressa uma espécie de sistema nervoso, capaz de medir o pulso dos interesses dos seus seguidores, tenho a impressão que essa predileção pelo humor seja mais do que falta do que fazer, como criticam algumas pessoas. Gostaria, realmente, de saber como é em outros países, mas arrisco dizer que essa mania de fazer piada de qualquer assunto seja um traço distintivo do Twitter brasileiro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , , , , , ,
29/08/2009 - 12:34

Xuxa tenta passar borracha no “show do Twitter”

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Para quem acompanha o permanente esforço feito por Xuxa no sentido de reescrever sua biografia e lapidar sua imagem, o fato mais significativo da confusão envolvendo sua passagem pelo Twitter não foi o palavrão que soltou, mas a borracha que passou em seguida, apagando duas anotações importantes feitas no calor da hora.

Ainda na noite de terça-feira, 25, depois de discutir com os fãs que a ofenderam, Xuxa tirou do ar a mensagem de Sasha, que deu início ao imbróglio. A filha da apresentadora, de 11 anos, havia cometido um erro banal de português, trocando o “c” pelo “s” ao escrever a palavra “cena: “Sou eu Sasha. Estou aqui filmando e vai ser um ótimo filme. Tenho que ir… Vou fazer uma sena com a cobra”.

Na esteira da repercussão do episódio, que tomou conta da Internet na quarta-feira, 26, Xuxa tomou duas atitudes. Em primeiro lugar, avisou, pela imprensa, que ia “dar um tempo” do Twitter. Mais importante – sem avisar ninguém, porém – apagou uma segunda mensagem que escreveu durante a briga com os fãs, justamente a observação mais agressiva, que dizia: “pra quem não sabe minha filha foi alfabetizada em inglês, vou pensar muito em colocar ela pra falar com vcs, ela não merece ouvir certas m…”

Quem abre agora a página de Xuxa no Twitter não conseguirá entender o que, de fato, aconteceu. Ali se encontra apenas um breve traço da confusão – a última mensagem que a apresentadora publicou: “fui vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo”.

Outro sinal de que alguma se passou no Twitter de Xuxa é o número de pessoas que a seguem. Ao longo dos 23 dias que escreveu no serviço, a apresentadora atraiu 72 mil seguidores. Desde que abandonou os fãs, chateada, há quatro dias, outras 30 mil pessoas decidiram seguir o perfil por ora inativo.

Acho que a repercussão do episódio está ligada, portanto, menos ao prazer de ver a “derrapada” de uma celebridade, mas à possibilidade de acompanhar, em tempo real, uma rápida fissura em sua imagem pública. Uma imagem, como se sabe, construída à base de muita borracha e sabão, no esforço de higienização contra fatos e fotos que mostram outras facetas da rainha dos baixinhos.

Como em outros casos, o registro da confusão no Twitter ficará como uma lembrança difusa de que Xuxa tem alguma coisa para esconder, mas não sabemos bem o que é, nem por que ela faz isso.

Em tempo: O texto que publiquei na manhã de quarta-feira, 26, aqui no blog, A desastrada aventura de Xuxa pelo Twitter, alcançou uma repercussão inédita. Graças ao Wordpress, que notifica quando algum post é linkado em outro blog, soube que há links dele em 32 blogs. Agradeço a todos. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , ,
27/08/2009 - 11:18

Tentando decifrar Bob Dylan

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Quem já passou por este blog mais de uma vez deve ter percebido que sou fã de Bob Dylan. Isso não quer dizer que eu compreenda Bob Dylan. Ouço o músico e leio o que escrevem sobre ele já há 35 anos, mas com frequência me pego pensando, sem ter resposta, sobre os possíveis significados de algumas músicas e sobre o sentido de certas atitudes.

No magnífico documentário “No Direction Home”, Martin Scorsese tenta jogar alguma luz nos primeiros anos da carreira do músico (1961-1965), sem chegar a uma conclusão. Scorsese se detém num episódio-chave da trajetória de Dylan, o momento em que trocou o violão pela guitarra, causando profunda decepção nos fãs da música de protesto – o gênero que o tornou famoso naqueles conturbados anos de lutas pelos direitos civis, nos Estados Unidos.

Da soma de tudo que se vê e ouve no documentário, emerge a impressão que Dylan nunca foi um músico engajado nas causas dos anos 60. Não que fosse alheio ao que acontecia ou que não acreditasse no teor das músicas que escreveu – canções como “Blowin´ in the Wind” ou “The Times They are a Changin´”, que se tornaram verdadeiros hinos. Mas tenho a impressão, vendo o filme, que Dylan parece mais preocupado consigo mesmo do que com os anos 60.

E acho que essa é uma característica que percorre muitas das suas escolhas – pessoais e artísticas – ao longo do tempo. Não vejo isso como defeito, que fique claro. As idas e vindas na carreira, as diferentes opções religiosas, as escorregadas e os triunfos, Dylan nunca demonstra preocupação com o que vão pensar ou dizer dele e parece ter como único interlocutor a sua própria insatisfação.

Pensando nisso tudo, comento duas notícias aparentemente bizarras que circularam esta semana envolvendo Dylan. A primeira, a de que o músico está negociando emprestar a sua voz a um sistema de GPS; a segunda, que vai gravar um disco apenas com canções de Natal.

O próprio Dylan anunciou, na terça-feira, 25 de agosto, a novidade do GPS em seu programa de rádio, nos Estados Unidos. “Estou conversando com duas empresas”, disse o músico, cuja voz cada vez mais fanhosa parece ser tudo que você não quer ouvir quando estiver perdido procurando um endereço no carro.

Dylan fez piada sobre o assunto no rádio. “À esquerda na próxima rua. Não, à direita. Quer saber? Vá reto”. Em seguida, comentou: “Eu não deveria fazer isso porque, para onde quer que eu vá, eu sempre acabo no mesmo lugar – em Lonely Avenue”. E acrescentou: “Por sorte, não estou totalmente sozinho. Ray Charles me encontra lá.” A piada é uma referência ao blues “Lonely Avenue”, que Charles gravou com muito sucesso nos anos 50 e que teve posteriormente inúmeras versões. 

E na quarta-feira, 26 de agosto, Dylan anunciou em seu ótimo site que vai lançar, no dia 13 de outubro, um álbum com canções de Natal, cuja renda será revertida integralmente para entidades beneficentes. A notícia causou algum espanto, inicialmente, em função do músico ter nascido numa família de origem judaica, ter se convertido ao cristianismo na década de 70 e voltado a praticar o judaísmo.

O projeto do disco de Natal, no entanto, vai muito além de um compromisso religioso. O músico doou todos os royalties a que tiver direito por este disco, para sempre, nos Estados Unidos, a uma ONG chamada Feeding America e está negociando um acordo semelhante com duas entidades na Inglaterra.

Dylan comentou no site: “É uma tragédia que 35 milhões de pessoas neste país (os EUA) – sendo 12 milhões de crianças – costumam ir para a cama com fome e acordem no dia seguinte sem saber quando vão comer novamente”. Mais claro, impossível.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog Tags: , , , , , , ,
26/08/2009 - 10:51

A desastrada aventura de Xuxa pelo Twitter

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Na segunda-feira, 3 de agosto, 23 dias atrás, Xuxa Meneghel começou a brincar no Twitter. Atraída pela nova mídia, mas sem traquejo, logo estava digitando suas mensagens em caixa alta, como esta, comentando convite recebido de Zeca Pagodinho: “ZECA CHAMOU PRA IR A XEREM. E ELE JA SABE EU NAO BEBO, NAO FUMO E NAO COMO CHURRASCO, MAS FICO COM AS CRIANÇAS. TIPO BABÁ.VOU AMAR XEREM.”

Os fãs digitalmente mais alfabetizados logo informaram a Xuxa que escrever em caixa alta equivale a gritar. Assim, depois de pouco mais de duas semanas no Twitter, a apresentadora foi obrigada a se explicar pela primeira vez: “EU NÃO ESTOU GRITANDO, NEM QUERO SER MAL EDUCADA, GALERA. SEMPRE QUE ESCREVO NO COMPUTADOR, ESCREVO ASSIM. É O MEU JEITINHO!”

Como muitas celebridades já perceberam, o Twitter permite um contato inédito com o fã. As mensagens alcançam o usuário, e são lidas, independentemente da sua disposição para respondê-las. Xuxa deu um primeiro sinal de que não estava acostumada com esse novo tipo de assédio na segunda-feira, 24. Em meio a outras tuitadas, desabafou: “PÔ PAREM DE CRITICAR”.

Nesse mesmo dia, mais uma vez, se viu obrigada a se explicar com os fãs, que já somam 72 mil seguidores: “OUTRA COISA , NÃO FIQUEM TRISTE POR EU NÃO RESPONDER TUDO EU FICO DOIDINHA , VOU APRENDER AOS POUCOS TÁ”. Desajeitada com a língua portuguesa, como pode-se notar, ela tentou se corrigir em seguida, mais uma vez tropeçando na gramática e na ortografia: “OPS , ESCREVI SEM LER SAIU ERROS DE PORTUGUES”.

Chateada com as críticas ao seu “jeitinho” de escrever, Xuxa passou a digitar as suas mensagens em caixa  baixa, como todos os demais usuários do serviço. Mas deixou claro que não gostou das críticas: “eu adoro esse jeitinho, mas falaram tanta coisa feia q tô eu aqui de igual prá igual”.

Em seu último dia no Twitter, na terça-feira, 25 de agosto, Xuxa avisou que estava tuitando do set de filmagens de “Xuxa e o Mistério de Feiurinha”. Informou que Sasha estava participando das filmagens e relatou que iria trabalhar até de madrugada. Depois contou que o filme tem Hebe Camargo no papel de sogra e Angélica como cunhada, além de Fafi Siqueira, Alexandra Richter e Bruna Marquezine no papel de bruxas.

O caldo entornou já de noite, depois de Xuxa avisar: “sasha filmou com um bode e agora vai filmar com uma cobra”. Na sequência, a filha da apresentadora escreveu: “Sou eu Sasha. Estou aqui filmando e vai ser um ótimo filme. Tenho que ir… Vou fazer uma sena com a cobra”.

Os fãs de Xuxa logo começaram a fazer observações sobre o erro de ortografia cometido pela menina de 11 anos (“sena” no lugar de “cena”). Magoada, a apresentadora reagiu com um palavrão: “pra quem não sabe minha filha foi alfabetizada em inglês, vou pensar muito em colocar ela pra falar com vcs, ela não merece ouvir certas m…”

Como as críticas e ironias não cessaram, Xuxa, muito irritada, encerrou seu dia no Twitter com um desabafo: “fui vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo”. E, como observou Lu Lacerda, às 2h50 da manhã, eliminou a mensagem com erro da filha.

Naturalmente, o erro de Sasha e a reação de Xuxa ganharam as páginas com velocidade. Na manhã de quarta-feira, a palavra “Xuxa” estava entre as dez mais mencionadas por brasileiros no Twitter. E as mensagens que ela escreveu na noite anterior estavam entre as três mais reenviadas (retuitadas) por outros usuários.

Wagner Martins, o Mr. Manson, criador do célebre blog Cocadaboa, foi quem talvez resumiu melhor a nova situação: “Celebridades no Twitter tornaram possível um sonho de infância: xingar a TV. E ser ouvido. Obrigado Internets.” Xuxa, com certeza, não se esquecerá desta lição.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet, televisão Tags: , , , ,
21/08/2009 - 15:50

Desenhando um gráfico sobre publicidade no Twitter

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Não sou expert em mídias sociais, muito pelo contrário, sou um outsider da velha mídia recém-chegado a este mundo, mas fui capaz de entender que um dos maiores atrativos do Twitter é a troca de sugestões de leituras.

Por conta disso, acabei descobrindo que havia alguma coisa estranha no meio de algumas recomendações que estava recebendo. Resolvi investigar e o resultado da apuração foi publicado na quarta-feira, 19 de agosto, no Último Segundo, com o título Publicidade velada no Twitter causa polêmica.

A matéria teve enorme repercussão no próprio Twitter, provocando muitos comentários, elogios, sugestões e críticas. Alguns dos personagens citados reagiram ofendidos, sugerindo que não fui correto na apuração do texto e na abordagem. Fiquei com a impressão que muita gente não entendeu direito o ponto central que abordei. Vou tentar ser mais didático aqui.

Acompanhe meu raciocínio:

1. Ao recomendar um link aos seus seguidores, você está querendo partilhar alguma leitura, imagem, desenho ou vídeo que, do seu ponto de vista, merece ser apreciado por outras pessoas.

2. As pessoas que apreciarem a sua indicação podem reenviá-la para as suas próprias listas de seguidores, alimentando um ciclo de envio e reenvio sem fim, que é um dos fenômenos mais interessantes do Twitter.

3. Quanto mais legal for a recomendação que você faz, maior a chance de produzir esse ciclo e, em consequência, de ganhar novos seguidores.

4. Quanto maior o número de seguidores que você tem, maior a influência que você exerce na rede. Não é, portanto, um trabalho sem recompensa. Você pode até fazer tudo isso desinteressadamente, mas algo você vai ganhar em troca. Os especialistas falam em “prestígio” e “relevância” no esforço de definir o que você ganha no Twitter. 

5. Visualize o gráfico: quanto mais gente vê as suas recomendações, maior a chance de ela ser difundida. É uma curva que aponta para o céu.

6. Trata-se, portanto, de uma relação que se estabelece com base na confiança, não importa o grau de notoriedade e fama de quem faz a recomendação.

7. O seu seguidor te segue porque gosta das recomendações que você faz e, mais que isso, sente-se bem podendo enviar para os seus próprios seguidores as dicas que você dá.

8. Vamos imaginar agora o seguinte exemplo fictício: você recomenda a seus seguidores que vejam um vídeo de uma briga entre dois anões. É uma “treta” divertidíssima. Você adora o vídeo e acha que seus seguidores merecem se divertir tanto quanto você.

9. Só que, além de ser divertido, você também indicou este vídeo porque viu nele uma boa oportunidade de divulgar a palavra que marca a campanha publicitária de um determinado biscoito. Não por coincidência, a fabricante deste biscoito está te pagando para fazer recomendações como essa no Twitter.

10. Imagine que, talvez, entre os seus seguidores e os seguidores dos seguidores que receberão essa indicação e a farão circular pela rede, haja alguém que não saiba que você está recebendo dinheiro para fazer isso.

11. Quando este alguém, desinformado, descobrir que a pessoa que lhe recomendeu a “treta” de anões estava ganhando dinheiro para fazer isso, o que ela pensará? Você acha exagero imaginar que este leitor desinformado se sinta enganado?

Como disse, sou um recém-chegado neste novo mundo. No velho mundo, de onde venho, isso é crime de lesa confiança. Passar a impressão de que a recomendação da “treta” de anões enquadra-se na mesma categoria que todas as outras indicações que você faz, nesse mundo, chama-se publicidade velada, tentativa de disfarçar proposta de consumo no meio de informação.

Alguns participantes da campanha, bem-intencionados, avisaram em seus blogs que estariam ganhando dinheiro para indicar links no Twitter. Outros argumentaram que a campanha é tão transparente que o nome de todos está no site do fabricante de biscoito. Não quero magoar ninguém aqui, mas isso é a mesma coisa que colocar na sala um aviso de que é proibido fumar em todo o apartamento e fumar escondido no quarto.

A questão central é que credibilidade se constrói com transparência. Não que a velha mídia esteja livre da publicidade velada. Muito pelo contrário. Há, é lógico, muitos comunicadores que ficaram famosos e ricos misturando informação com publicidade, fazendo anúncio disfarçado, até jogando dinheiro para o público. Mas, e aqui eu encerro este texto, popularidade não deve ser confundida com credibilidade. Quem quiser vender biscoito no Twitter, fingindo que está passando links legais para seus leitores, fique à vontade, mas não espere ser respeitado.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet, jornalismo Tags: , , , ,
11/08/2009 - 16:48

Como a Internet mudou minha percepção sobre jornalismo

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No dia 11 de agosto de 2008, exatamente um ano atrás, este blog deu início às suas atividades. Minha experiência como jornalista na internet começou logo com dois posts – um sobre o topete do cineasta David Lynch e outro sobre a visita do governador José Serra ao MIS  (Museu da Imagem e do Som) no dia de sua reinauguração.
 
Convidado por Caio Túlio Costa e Alessandra Blanco a ser repórter do Último Segundo (iG), ganhei este blog como uma espécie de complemento do trabalho. Ambas as atividades – repórter do portal e blogueiro – me fizeram entender, com atraso, como havia alimentado preconceitos em relação à Internet. Não que os problemas que sempre enxerguei nesta mídia inexistissem, muito pelo contrário, mas minha atitude distante, até então, me impedia de perceber as suas potencialidades.

A Internet é incompatível com a atitude, muito comum, de indiferença, quando não de arrogância, dos jornalistas com os seus “clientes” (leitores, espectadores, ouvintes). Não é possível fazer jornalismo nesta mídia sem levar em conta o impacto (ou a falta dele) no receptor da notícia. Da mais alta autoridade ao leitor menos instruído, cuja dificuldade de compreensão nos obriga a repensar nossa maneira de comunicar, esta mídia provoca um ímpeto de participação que altera, de fato, o fazer jornalístico.

Correção imediata de erros, sugestões de assuntos, dicas sobre enfoques, críticas duras, ofensas pesadas – esse diálogo com o leitor, que muitos colegas classificam como inútil, infrutífero ou demagógico, renovou, realmente, a minha percepção sobre o meu trabalho como jornalista. 

Eu teria inúmeros exemplos para contar aqui sobre como foi feliz esse meu primeiro ano de blog e de internet. Ao leitor que estiver interessado sugiro a leitura do post anterior, no qual faço um balanço numérico da minha atividade neste primeiro ano e relato alguns casos. Aos demais, que chegaram até aqui, apenas informo que acabo de assinar a renovação de meu contrato com o iG por dois anos, o que sinaliza para mim a possibilidade de desenvolver um aprendizado que tem se revelado fascinante. Obrigado.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , ,
11/08/2009 - 16:35

Um ano em números

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Nunca escrevi tanto como jornalista quanto neste primeiro ano de atividades na Internet. Foram 140 textos publicados no Último Segundo – uma série de reportagens sobre adoção, uma série sobre a Cracolândia e a visita ao ex-jogador Nilton Santos estão entre as matérias mais emocionantes que fiz no período. A de maior repercussão foi uma entrevista com Pedro Bial, durante o BBB9, no qual o apresentador fez uma série de revelações e inconfidências sobre o programa.

Mariana Castro, editora do Último Segundo, tem sido minha guia neste mundo da Internet. Devo a ela, e a seus jovens pupilos, muitas lições neste período. Todo jornalista sabe que notícia não tem hora para acontecer; na nova mídia, aprendi, notícia não tem hora para ser publicada.

No blog, nestes 365 dias, publiquei 446 posts. São quase 900 mil caracteres – 332 páginas no arquivo Word onde escrevo a primeira versão de cada texto. Publico abaixo links dos 20 posts mais comentados neste primeiro ano de atividade. Eles dão uma pista dos interesses dos leitores e da popularidade de certos assuntos na internet.

1. BBB9 – Globo se recusa a esclarecer dúvida sobre votação (31/03/2009) – 2.185 comentários

2. BBB9 – Globo deve explicação sobre placar da eliminação (04/03/2009)  – 1.760 comentários

3. Galvão: “O Brasil é Vettel desde criancinha”. Hã?! (02/11/2008)  – 1.606 comentários

4. Suspeitas de “acerto” pró e contra o Corinthians em 2007 (20/12/2008) – 576 comentários

5. Mentiras de Mano Menezes incomodam a imprensa (18/05/2009)  – 570 comentários

6. “Lei antifumo dissemina a doença do autoritarismo” (26/05/2009)  – 493 comentários

7. Fifa proíbe propaganda religiosa e adverte o Brasil (11/07/2009)  – 455 comentários

8. Fervor religioso nos gramados causa constrangimento (02/07/2009 – 10:49)  – 445 comentários

9. Madonna cai e a música continua igual, Será playback? (16/12/2008) – 392 comentários

10. Publicidade deforma Ronaldo (15/04/2009)  – 357 comentários

11. BBB9 – O fantasma da teoria da conspiração (05/03/2009) – 355 comentários

12. Gretchen, Caroline, Thamy, Sula: a saga da família Miranda (23/09/2008) – 317 comentários

13. Por que gostamos tanto de Ronaldo? (05/03/2009) – 307 comentários

14. Como convenci minha filha a desistir dos Jonas Brothers (23/05/2009) – 293 comentários

15. Sobre torcida, patriotismo e comentário dos leitores (03/11/2008)  – 292 comentários

16. No futebol, só a audiência importa, lamenta Tostão (08/07/2009)  – 283 comentários

17. BBB9 – Em defesa de Boninho, o estressado (16/03/2009)  – 279 comentários

18. Nem tudo é espontâneo: “CQC” também ensaia piadas (14/10/2008)  – 274 comentários

19. “A Fazenda” ensina ao “BBB”: roupa suja se lava em público (25/06/2009) – 265 comentários

20. BBB9 – Duas dúvidas: Boninho acredita em enquetes? Por que a aula de sexo anal sumiu? (02/04/2009)  – 265 comentários

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , ,
11/08/2009 - 10:58

Perfil de Suzane Richthofen no Twitter tinha cara de falso

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Quando descobri, há uma semana, que Suzane Richthofen (@surichthofen) estava me seguindo no Twitter, o sucesso imediatamente subiu à cabeça e pensei: é a glória! Segundo depois, caiu a ficha: por que uma mulher condenada a 38 anos de prisão por assassinar os pais iria seguir um cara como eu no Twitter? Estava na cara que era uma piada.

Busquei informações sobre os nomes citados por ela em seus tweets. Vi que o perfil mencionava como recentes situações que haviam ocorrido anos atrás, falava de advogados que não estão mais envolvidos no caso e tratava com intimidade pessoas que tinham todo o jeito de crianças.

Cheguei a pensar em fazer uma piada no Twitter e escrever: “Tirem as crianças da sala: Suzane Richthofen chegou ao Twitter”. Mas desisti, por entender que iria apenas alimentar uma brincadeira de mau gosto, criada por outra pessoa.

Entendo que caiba a Justiça averiguar qualquer possibilidade, o que explica a decisão de investigar a autenticidade do perfil. Mas acho que, com a ajuda de algum viciado em Twitter, a Promotoria das Execuções Criminais de Taubaté teria chegado à conclusão que não era necessário pedir à Justiça uma investigação sobre esse caso.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , ,
06/08/2009 - 12:27

O fracasso anunciado do Museu da Imagem e do Som

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Em nova fase, a “Ilustrada” da “Folha” tem brindado os leitores com bons exemplos de jornalismo cultural desvinculado da agenda da indústria e de assessorias de imprensa. A capa do caderno desta quinta-feira, com título inspirado (“Som, imagem e silêncio”) e boa reportagem de Silas Marti, descreve o fracasso do Museu da Imagem e do Som, reinaugurado com fanfarra há um ano, de atrair público para as suas exposições e atividades.

Com orçamento anual de R$ 7,2 milhões, o MIS recebe uma média mensal de 3.600 visitantes, ou 120 pessoas por dia. A Pinacoteca do Estado, com orçamento de R$ 10,5 milhões, recebe cerca de 50 mil visitas por mês. A reportagem informa que tanto a diretora do MIS, Daniela Bousso, quanto o secretário da Cultura de São Paulo, João Sayad, reconhecem que a frequência ao museu está “bem abaixo do desejável”.

Ao ler a reportagem me lembrei que este blog estreou, há um ano, com um texto sobre a reinauguração do museu. Resolvi, então, relê-lo. Acho que há ali, no meu post, uma pista para as dificuldades de público que o MIS tem enfrentado. O texto, intitulado O governador vai ao museu, contava o seguinte, em dois parágrafos:

Concluída a reforma que o deixou fechado por oito meses, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo foi reinaugurado com a proposta de ser “um museu para a arte do século XXI”. Não sei bem o que é isso, mas ele está mais bonito. O governador José Serra, que visitou o MIS no sábado, também achou. Em companhia do secretário de Cultura, João Sayad, e da diretora do museu, Daniela Bousso, Serra conheceu todos os ambientes, incluindo o moderno laboratório, para artistas desenvolverem seus trabalhos in loco, um novo auditório, para shows, e várias exposições.

Um pequeno problema ocorreu diante de “Espelho”, obra dos artistas Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti. Serra parou, se aproximou, olhou, andou de lado, andou pra trás, voltou – e não entendeu. Cochichou algo para Daniela Bousso, que tentou explicar. A diretora começou a falar, gaguejou e pediu ajuda a uma assistente. “Chama a Rejane”, suplicou Daniela. Até que a autora da obra chegou e esclareceu que “Espelho” é um espelho acrescido de um dispositivo que o altera à medida que as pessoas se aproximam ou afastam dele, provocando distorções na percepção que temos de nós mesmos. Entendeu, Serra?

Em tempo: Foram 440 posts neste primeiro ano de vida do blog. Aprendi muita coisa sobre este novo ofício – blogueiro e jornalista na Internet –, mas ainda estou engatinhando. Agradeço ao iG, pelo espaço generoso que tem me dado, e à colaboração dos milhares de leitores que passaram por aqui até hoje, em particular aqueles que têm feito críticas ao trabalho, e peço que continuem me orientando.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , , , , , ,
02/08/2009 - 18:50

Jogadores desconhecem regras básicas do futebol

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É grande a tentação de criticar o árbitro Sandro Meira Ricci por excesso de rigor e mau humor na expulsão do zagueiro Vagner, do Náutico, aos 16 minutos do segundo tempo da partida, quando a sua equipe vencia o Flamengo por 1 a 0 no Maracanã. O jogo terminou 1 a 1.

“Exagero”, disse Arnaldo Cesar Coelho ao ver duas imagens selecionadas pela edição no meio da transmissão de Vitória e São Paulo, na Globo. Na primeira, muito engraçada, Vagner aparece apenas de cueca vermelha, enquanto veste um novo calção, dentro do gramado. Em seguida, vemos a imagem do quarto árbitro falando algo para Ricci, que, ato contínuo, aplica o cartão amarelo e, como é o segundo, mostra o vermelho para o zagueiro.

Na verdade, vendo todo o lance em sequência, entendemos que Vagner trocou de calção dentro do campo, longe da vista do árbitro, auxiliado pelo massagista do Náutico, e que o quarto árbitro tomou a iniciativa de advertir Ricci do que aconteceu.

Como diria Arnaldo (que, posteriormente, ao tomar conhecimento do que houve, justificou a expulsão), a regra é clara: cabe ao árbitro ordenar ao jogador que deixe o campo para trocar o uniforme com problemas, da mesma forma que o atleta só pode retornar com autorização dele, num momento em que a bola não esteja em jogo. O jogador que não respeite esta regra deve ser advertido com o cartão amarelo.

A regra 4, que informa os procedimentos sobre “o equipamento dos jogadores”, não prevê a situação, absurda, de um jogador trocar de uniforme dentro de campo, com a bola rolando. Pela lógica, que manda o jogador fazer isso fora de campo, trata-se de uma infração clara à regra.

Em outras palavras, Vagner cometeu um erro grosseiro. Não é o primeiro, nem será o último, a cometer infrações por desconhecer as regras do esporte que pratica profissionalmente.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , , , ,
07/07/2009 - 17:57

Twitter faz piada no “showneral” de Michael Jackson

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A homenagem fúnebre a Michael Jackson foi ”o” assunto desta tarde de terça-feira nas tevês e na Internet. Como não poderia deixar de ser, o “showneral”, como alguém definiu, foi acompanhado minuto a minuto (ou segundo a segundo) no Twitter. Muita gente se emocionou com a homenagem, muita gente reclamou dos excessos e muita gente achou graça de tudo isso.

Tenho grande admiração por quem é capaz de ver humor mesmo nas situações mais difíceis. Por isso, com todo respeito a quem se comoveu com a cerimônia, publico abaixo as melhores piadas que colhi no Twitter ao longo das duas horas de homenagem a Michael Jackson.

@lapena: sacanagem! rabecão do michael jackson não fez o moonwalk…

@Cardoso: Segurança forte no enterro do MJ. Besteira, ele é legal, quem iria tentar matá-lo?

@alexprimo: Uma última homenagem legal seria carregar o caixão do MJ fazendo moonwalking. ;-P

@dafnesampaio: nem morto eu queria a mariah carey…

@ruivamuller: Escuto I’ll Be There e lembro de Sandy e Jr. Ninguém merece…

@christianpior: Gente, qdo a Xuxa morrer será q vai ser igual? Show das ex-paquitas na casa rosa?? Não quero nem pensar…. Meu coração já se comprime!

@fernandomolica: E se a moda do velórioshow pegar? Com todo o respeito: imagina o enterro de próceres da música sertaneja. Vida longa para eles!

@Cardoso: Estou prevendo uma enorme liquidação de luvas de lantejoula -mão direita- amanhã.

@verbofeminino: Da série verbo masculino: um barrigudo meio flácido aqui ao lado vê Brook Shields na TV e diz, sabe o quê? “Como ela está velha!” Pode?Pode.

@pedrow: admiro a praticidade. jennifer hudson, por exemplo, já tá com aquela roupinha pré-parto.

@silviamarques: Datena e a outra não sabem quem é a Jennifer Hudson. Que mico. //mas o Theo Becker eles sabem.

@barbaragancia: Tá tudo meio desengonçado, mas também, mesmo sendo a capital do entretenimento, os caras só tiveram uma semana e pouco pra ensaiar

@r_rrodrigues: O funeral do MJ tá mais agitado que a missa do Padre Marcelo Rossi. Falta agora o defunto querer dar uma de Lázaro!

@christianpior: Brooke Shields tá chorando pq cancelaram Lipstick Jungle…

@davidbutter: Puta merda. O Jermaine Jackson é a versão crescida do minicraque Jorge Henrique, do Curíntia.

@pablovillaca: No funeral do Michael Jackson, quem está ficando soterrado é o Twitter.

@ascanioseleme: michael never stopped giving, disse a oradora. michael nunca parou de dar, traduziu cristiana pelagio. faz sentido, diria ancelmo gois.

@doni: Hoje vejo o que o funeral do Mussum poderia ter sido. :-( (hahahhahahahaaaha)

@Cardoso: A Fox está repetindo! So Michael Jackson para ter um funeral com BIS!

Deixei passar alguma boa? Pode mandar que eu incluo…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura, Internet Tags: , , , ,
06/07/2009 - 13:18

Você sabe que está faltando assunto quando…

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1. Roger Federer é o assunto da capa dos cadernos de esportes da Folha, Globo e Estadão.

2. A manchete do Google News é “Visita de Obama à Rússia resultará em negócios de US1,5 bi”.

3. A notícia mais divertida sobre “A Fazenda” é: Jonathan dá tapinha no bumbum de Luciele e toma bronca dela.

4. O link mais clicado no Twitter é para um vídeo terrivelmente sem graça postado pelo site de humor Kibe Loco.

5. Blogueiros e twitteiros, inclusive eu, ainda falam da Flip, encerrada no domingo.

6. Doze dias depois da morte de Michael Jackson, ainda se especula sobre o enterro do seu corpo.

7. Você olha pela janela e vê que o tempo está bom em São Paulo e o trânsito flui sem problemas.

8. No Senado, parece, ninguém ainda chegou para trabalhar – ou fazer revelações.

9. A crise em Honduras… é em Honduras.

10. O autor escreve uma bobagem dessas no seu blog.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, jornalismo Tags:
02/07/2009 - 12:16

Caro Tico Santa Cruz,

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Como tenho andado muito pelo Twitter acabei achando o seu perfil, onde você se apresenta como “cantor, compositor, poeteiro, blogueiro e AGORA jornalista”. Acredito. Mas, lendo o texto que você postou nesta quinta-feira em seu blog, “Sarney VENCEU”, não posso deixar de pensar que essas qualificações todas não foram suficientes para te fazer entender o que aconteceu nos últimos dias. Nem te ajudaram a ter uma perspectiva histórica dos acontecimentos.

Escrevi há algumas semanas um longo texto contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista, no qual dizia, entre outras coisas:

1. O que é preciso saber e aprender para ser jornalista? É uma questão polêmica. Há alguns consensos: é preciso ter cultura geral e domínio total da língua portuguesa. Conhecer história é fundamental. Matemática e estatística são conhecimentos necessários. Ética. Direito. É preciso ter o hábito de ler jornais e revistas, ter gosto pela informação. Ter espírito crítico, ser capaz de compreender a realidade em que vive, é outro atributo obrigatório.

Tenho a impressão, lendo o seu blog, que te faltam todos esses atributos. Um sinal evidente disso é a sua idéia de que o movimento “Fora Sarney” começou e acabou na Internet no espaço de uma ou duas semanas. Quer dizer, você propõe uma manifestação contra um político que está aí, na estrada, há mais de 50 anos, só aparecem uns gatos pingados e você conclui que o movimento fracassou? Como assim?

Esse teu texto também me lembra aquele garoto que leva a bola para o playground, se irrita porque perdeu a primeira partida e vai embora, levando a bola e impedindo o jogo de continuar.

Neste caso, porém, nem isso é possível. Se você se preparar um pouco mais para os embates da política, verá que essa partida que você quis jogar – e acaba de de desistir – já está em andamento há muito tempo, e não tem data, ainda, para terminar. 

Atualização às 13h: Tico Santa Cruz responde:

Cerca de 30 minutos depois de entrar no ar minha carta-aberta, Tico Santa Cruz manifestou-se sobre o texto por meio de curtas mensagens enviadas via Twitter. O músico disse, primeiro: “Caro jornalista, reconhecer uma derrota como PESSOAL, significa uma reflexão interna, não geral. A meu ver é 1 passo p mudar”. Em seguida, postou: “Reconhecer a derrota não significa DESISTIR, significa que sou capaz de mudar a estratégia, não me julgue sem conhecer.” E completou: “Caso o contrário estará repetindo o mesmo padrão dos TANTOS internautas que emitem opiniões sem se aprofundar nas ações”.

Ontem, Santa Cruz havia escrito no Twitter: “Vocês estão cobertos de razão. Desculpem. Estou me retirando. Reconheço quando perdi. Não consigo + argumentar.” Em seu texto, no blog, também escreve, dirigindo-se a Sarney: “devamos entender que  eles e  vossos pares estão certos e que por conseguinte o Senhor deve seguir as orientações do Querido Presidente LULA e permanecer presidindo a casa.”

Fica aqui, em todo caso, a posição oficial de Tico Santa Cruz: ele não desistiu do “Fora Sarney”. Ainda bem.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Brasil, Cultura, Internet Tags: , ,
30/06/2009 - 16:01

Ashton Kutcher dá lição de política a brasileiros no Twitter

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Ashton Kutcher é conhecido no Brasil por três motivos principais: fazia o garotão mais bobão no seriado “That´s 70 Show”, casou-se com a atriz Demi Moore e é o perfil mais popular do Twitter, seguido por 2,5 milhões de pessoas.

Bem-humorado, no último domingo, provocou os brasileiros que o seguem no Twitter enquanto os Estados Unidos venciam o Brasil por 2 a 0 na Copa das Confederações. Encerrada a partida, foi alvo de um massacre virtual, aos gritos de “chupa!”. Aceitou a brincadeira com fair-play, tanto que postou a palavra “chupa” no seu Twitter, elevando-a, para orgulho nativo, à categoria de assunto mais quente da rede por algumas horas.

Embalados por essa ajudinha do boa-gente Kutcher, o apresentador Marcos Mion, o músico Junior Lima e o ator Bruno Gagliasso, entre outros, se juntaram num grupo chamado Os Piratas numa campanha para convencer o ator americano a postar as palavras “fora Sarney” no seu Twitter. A campanha transformou-se numa das maiores piadas da curta história do Twitter brasileiro.

Primeiro, enviaram uma mensagem para Kutcher, em inglês: “Hey, Ashton, por favor diga #forasarney e ajude o Brasil a afastar seu senador corrupto”. Como Kutcher não respondeu, o irmão da Sandy insistiu: “Estamos lutando pelo fim da corrupção no nosso governo! Precisamos da sua ajuda! Apenas escreva #forasarney”.

Depois foi a vez de Marcos Mion. Sua primeira mensagem dizia: “Ashton, sou um VJ da MTV Brasil. Veja um trecho do meu programa”. Em seguida, foi a vez de Junior, de novo: “Vamos lá, cara. É só para finalidades midiáticas. Você é importante para fazer nossa opinião importante. #forasarney”. Mion insistiu: “Ashton, o Brasil precisa da sua ajuda! Escreva #forasarney para nos ajudar a combater a corrupção no nosso país! Por favor! O Brasil te ama! Feijoada! Samba!”.

Até que Kutcher se encheu e respondeu: “Para os brasileiros; só VOCÊS têm o poder de afastar seu senador. É o SEU país. VOCÊS devem lutar pelo que acreditam. Eu não tenho voto”. Mion então escreveu: “Putz… O Ashton disse que não pode ajudar! Que nós temos que lutar pelo nosso país. Fuck…”

Minha sugestão, caso alguém se interesse em saber, é a seguinte: Marcos Mion, Junior Lima e companhia limitada deveriam, como prêmio por este desempenho no Twitter, ser convidados a participar da próxima edição de “A Fazenda”.

Hit no Twitter, um vídeo muito divertido, criado pelo blogueiro Carlos Cardoso, resume esta história aqui.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Colunismo social, Esporte Tags: , , , , , ,
28/06/2009 - 11:09

Rubinho Barrichello é alvo de piada até no Twitter

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Rubens Barrichello é um personagem fascinante, para o bem e para o mal. É alvo permanente de críticas e, sobretudo, de piadas por conta de seu desempenho algo errático, para não dizer frustrante, nas pistas. De um modo geral, o piloto reage com fleuma às ironias – o que conta muitos pontos a seu favor.

Rubinho estreou no Twitter na última terça-feira, 23 de junho, alguns dias depois de Nelsinho Piquet. No dia seguinte, passei 17 horas conectado na nova rede social com o objetivo de escrever uma reportagem para o Último Segundo, Um dia no Twitter, publicada neste domingo.

Fiquei impressionado com a quantidade de piadas dedicadas a Rubinho e seu perfil no Twitter. Cheguei a pensar em propor à turma do Casseta & Planeta a realização de um concurso de piadas sobre o piloto. Helio de la Peña, autor de um dos gracejos sobre o assunto, poderia organizar. Ou então Felipe Andreoli, do CQC, autor de outra piada. Reproduzo abaixo algumas que rolaram na rede na última quarta-feira e uma, a última, que li na sexta-feira:

@julianoromao: É impressão minha ou depois q o @rubarrichello entrou no Twitter….o Twitter ficou mais lento?!?!?! Hahaha

@pedrotourinho: Em ultimo lugar não fico mais, @rubarrichello no twitter!

@andreolifelipe: Parece: impossível, mas sim dá pra ficar atrás do Rubinho…é só segui-lo no twitter. Agora vai…(@rubarrichello).

@jaymefreitas: O Barrichello gosta do twitter porque pelo menos aqui alguém o segue

@renatacarolina: Meu computador está mais lento que o Barrichello na F1 ;(

 @bernardoleitao: Rubens Barrichello se rende ao Twitter http://migre.me/2M8O Bem que eu notei o twitter esta mais lento

@rafaMONDINI: E olha que não é muito difícil seguir o Barrichello ein! Difícil é conseguir não ficar na frente dele! Hahahahaha

@nettaum86: Barrichello é o “segundo” piloto brasileiro a ter twitter… que sina hein.. eu tento segui-lo.. mas eu sempre o ultrapasso!.. =P

@RicaPerrone: Rubinho Barrichello – O segundo brasileiro na F-1 a ter um Twitter. É impressionante… hahahahahaha

@lapena: rubinho tá no twitter.(@rubarrichello).ele só segue uma pessoa. acho que é o piloto inglês jenson button

@Cardoso: Fora Sarney, Fora Gilmar, Fora reitora da USP… se sair todo mundo, o Rubinho chega em primeiro?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet, televisão Tags: , , , , ,
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