A pergunta que não quer calar
David Lynch, de perto, é mais alto e mais normal que as imagens conhecidas dele podem sugerir. Ao final de uma entrevista para a revista “Homem Vogue”, gravador desligado, o repórter caminha ao lado do cineasta para assistir a sessão de fotos. Arrisco, então, uma pequena mentira: “Mr. Lynch, minha editora pediu que eu fizesse essa pergunta, mas fiquei com vergonha de falar na frente de outras pessoas.” E ele: “Compreendo. Vá em frente”. Faço então a pergunta que me intrigava já há algum tempo: “Mr. Lynch, e o seu cabelo? O que o sr. faz para ele ficar assim?” O diretor de “Veludo Azul”, “Mulholland Drive”, “A Estrada Perdida”, e tantas outras jóias, me olha de alto a baixo, sorri com a boca quase fechada e explica, com toda a paciência do mundo: “Ele é meio que naturalmente assim. Me deixa mais alto”.
O encontro com Lynch ocorreu na sexta-feira, 8, quando o cineasta repetiu pela enésima vez o ritual que praticou em sua visita ao Brasil: divulgar a meditação transcendental. No caso, para uma platéia vip, de amigos da cantora Claudia Albuquerque, que mora numa mansão no Morumbi. Nem o engarrafamento, que deixou o cineasta e sua comitiva presos por uma hora dentro do carro, tiram o seu bom humor. “Estou adorando São Paulo. Adorei Belo Horizonte. E tenho certeza que vou adorar Porto Alegre”. No sábado, 10, esteve pela segunda vez no Rio, onde começou o seu périplo. Não é necessário dizer o que ele achou da cidade.
Crédito da foto: flickr.com/photos/samuelesteves




