Amor nos tempos do fascismo: a saga da mulher de Mussolini
Benito Mussolini (1883-1945) dirigiu a Itália entre 1922 e 1943. Sob a proteção dos “camisas negras”, sua milícia, e do Partido Fascista, que fundou, instaurou um regime autoritário, promovendo o culto fanático à sua personalidade e a perseguição aos inimigos políticos. Aliado da Alemanha de Hitler na Segunda Guerra Mundial, levou o país à ruína.
Ao mesmo tempo, com a ajuda da propaganda oficial, Mussolini conseguiu cultivar a imagem de “bom homem”. Foi casado com Rachele Guidi, com quem teve quatro filhos. Sempre foi descrito como pai carinhoso, compreensivo, uma pessoal gentil, amigo inclusive de vários judeus.
O perfil do “Duce” ganhou novos contornos com a publicação, em 2005, de “A Mulher de Mussolini”. Sempre se soube que o líder fascista havia tido um relacionamento sério antes da sua união com Rachele Guidi, mas o jornalista Marco Zeni, ao reconstituir o caso em detalhes, documentou uma histórica trágica.
Ida Dalser (1880-1937) e Mussolini viveram mais que uma breve paixão, a partir de 1909. Esteticista, formada em Paris, Ida mantinha um salão em Milão, a mesma cidade onde Mussolini atuava como jornalista político no socialista “Avanti”. Em 1915, nasceu Benito Albino Mussolini, filho do casal, reconhecido pelo pai em documentos que Zeni encontrou.
Com a ajuda financeira de Ida, Mussolini fundou em 1914 o jornal “Il Popolo d´Italia”, com o qual liderou uma campanha pela entrada do País na Primeira Guerra Mundial, ao lado da França e da Inglaterra, e contra os alemães. Mais tarde, depois que romperam, a esteticista declarou ter testemunhado Mussolini receber dinheiro do governo francês para defender a tese da entrada da Itália da guerra em seu jornal.
Por razões não muito bem esclarecidas, a partir de 1915, Mussolini afasta-se de Ida Dalser e aproxima-se de Rachele Guidi. No ano seguinte, nasce o primeiro dos quatro filhos que terá com a mulher.
Ida não se conforma com a separação e vai lutar, até o fim, para ser reconhecida como a primeira mulher de Mussolini e mãe de seu primogênito. Apesar de garantir ter se casado oficialmente com ele, este documento nunca foi encontrado. Mas vários outros documentos, cartas e bilhetes localizados por Zeni atestam a veracidade da história.
No poder, Mussolini dá início a um esforço para apagar todos os registros de sua relação com Ida. Com a ajuda dos aliados e a complacência dos que o temiam, consegue separar a moça do filho e interná-la num hospício. Sua saga é terrível, bem como a do primogênito do “Duce”.
É essa história que o experiente Marco Bellocchio conta, à sua maneira, no ótimo “Vincere” (Vencer), apresentado pela primeira vez em Cannes, este ano, e que está em exibição da Mostra de Cinema de São Paulo. Com a bela Giovanna Mezzogiorno no papel de Ida e Filippo Timi como o jovem Mussolini (foto acima), o filme descreve em detalhes o apaixonado romance entre os dois e a posterior perseguição que Ida sofrerá.
Com muita habilidade, Bellocchio equilibra a narrativa entre a trajetória pessoal de Ida e o pano de fundo histórico – a militância socialista e anticlerical do jovem Mussolini, sua ascensão política, o acordo que estabelece com a Igreja e a aliança com Hitler.
A certa altura, um psiquiatra tenta ajudar a mulher e explica como ela deve se comportar no hospício em que está internada. “Não fale a verdade, interprete”, ele ensina. É o único jeito de sobreviver no regime fascista, diz. Mas Ida não aceita o conselho.
“Vencer” tem ainda três sessões na Mostra, neste sábado, às 19h20, no Espaço Unibanco Pompéia; domingo (1/11), às 22h, no Unibanco Artplex; e quarta-feira, às 19h10, no HSBC Belas Artes. Mais informações no site da Mostra.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: Ida Dalser, Marco Bellocchio, Mussolini, Vencer, Vincere



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tomara que o nosso grande lula nao queira imitar esse maligno
TODO MUNDO TEM O IMBECIL E MANEZAO QUE MERECE, NE LULA?