Filme explica a motivação dos pichadores
Conhecido como Choque, o fotógrafo Adriano dedica-se a registrar o universo da pichação em São Paulo. É um dos maiores especialistas no assunto e, não por acaso, são seus os melhores depoimentos ao longo de “Pixo”, o documentário dos irmãos João Wainer e Roberto T. Oliveira, exibido pela primeira vez neste domingo, na Mostra de Cinema de São Paulo, com a presença de vários protagonistas do filme.
Choque explica que são três as motivações dos pichadores que escalam prédios e arriscam a vida para deixar suas assinaturas em locais de visibilidade na cidade: o prazer da aventura, o reconhecimento social e o protesto.
O primeiro ponto iguala pichação a esporte radical – a aventura de fazer algo proibido, escalar um prédio pelo lado de fora, como documenta “Pixo”, aterrorizante para quem olha do chão, seria equivalente, em termos de adrenalina liberada, a saltar de asa delta do alto de um morro, ou surfar uma onde gigantesca.
Em segundo lugar, quanto mais difícil o lugar pichado – o último andar de um prédio no centro de São Paulo, um trem em movimento ou a parede da Bienal de São Paulo –, maior o reconhecimento e valor do pichador entre os seus pares. Como mostra claramente “Pixo”, eles formam uma comunidade nada invisível, que se reúne em locais conhecidos para troca de experiências e informações.
Por último, a questão mais importante: a pichação é uma forma de expressão dessa comunidade, formada basicamente por jovens de baixa renda da periferia de São Paulo. Colocar o seu nome de guerra, a sua marca, nos muros do centro da cidade, é a maneira de dizer que existem. Para nós, eles apenas sujam a cidade; para eles, a pichação é a forma de se fazer ouvir.
Mal vistos e isolados, os pichadores paulistanos conseguiram atrair ainda mais antipatia para a causa em 2008, ao atacarem, em três momentos diferentes, a galeria Choque Cultural, o prédio da Bienal e o Centro Universitário Belas Artes. Nas três ocasiões, grupos de pichadores invadiram os espaços e aplicaram tinta sobre trabalhos alheios e danificaram o ambiente.
Indefensáveis, porque afetaram realizações artísticas alheias, além de violarem a legislação, tais ataques são mal explicados por “Pixo”. O ataque à galeria Choque Cultural, por exemplo, explicita uma questão que aparece em diferentes momentos do documentário, mas nunca é esclarecida – a rivalidade entre pichadores e grafiteiros.
Reconhecido socialmente como uma forma de arte, o grafite tem alguma semelhança com a pichação. Grafiteiros são, em sua maioria, pessoas de origem social mais humilde, da periferia, que escolheram pintar em espaços públicos. O que era uma violação legal – desenhar num muro – passou, com o tempo, a ser entendido como uma forma de arte, e muitos grafiteiros hoje são reconhecidos como artistas talentosos.
Diferentes grafiteiros – brasileiros e estrangeiros – hoje expõem seus desenhos em galerias de arte e museus. Os irmãos Gustavo e Otavio Pandolfo, OsGemeos, são apenas os mais conhecidos brasileiros num time que tem vários representantes. Alvo dos ataques dos pichadores, a galeria Choque Cultural, não por acaso, é um espaço que exibe trabalhos de grafiteiros.
Diferentemente do trabalho dos “rivais”, as expressões dos pichadores não são reconhecidas como forma de arte – o que pode ajudar a explicar os ataques de 2008 e também as referências irônicas feitas ao longo de “Pixo” à turma do grafite. O filme, porém, evita afrontar abertamente esta questão.
O documentário de Wainer e Oliveira dá vida aos pichadores, humaniza-os, expõe as suas motivações. Apenas por isso, já é um filme de referência para qualquer discussão mais aprofundada que se pretenda sobre o assunto. “Pixo” também evita qualquer julgamento moral sobre os seus personagens – outra qualidade, na minha opinião, já que não precisamos ir ao cinema para ouvir uma condenação aos pichadores.
Ainda há três sessões programadas de “Pixo. Sábado (31), às 20h50, na Matilha Cultural; terça-feira (3/11), às 18h40, no Unibanco Artplex; e quarta-feira (4), àsd 21h15, no Cine Bombril. Mais informações, no site da Mostra.




O tema é muito polêmico! Penso que o filme seja importante, não o vi ainda, mas espero que o filme não fique de um único lado. Os pichadores fazem protesto, querem respeito e reconhecimento e muita adrenalina. Muitos querem isso, independente da classe social. Porém existem muitas formas de conseguir isso. Conheço a vida da periferia e da classe baixa de onde meu avô veio. Mas este tipo de atitude não se justifica, existem outros meios de protesto, e não danificando o patrimônio público, que é de todos nós, ou o patrimônio alheio, ainda mais escondido na calada da noite, em meio ao silêncio e a escuridão. Atitude, no meu ponto de vista, no mínimo, de covardia. Isso é uma falta de respeito, de amor ao próximo e de valores. De quem é a culpa é outra história, mas para mudar isso não podemos agir de forma violenta, com ofensas e demonstração de ódio e rancor. Devemos buscar um diálogo, possibilitar educação, agir nas comunidades possibilitando meios culturais e esportivos. Agir contra o tráfico de drogas e a corrupção. Espero que esse problema um dia tenha solução, pois toda vez que passo por pichações fico revoltado, entritecido e decepcionado. Outra coisa, pelo menos aqui em Brasília, essas pichações não tem nada de protesto, são ofensas entre gangues, marcas das gangues e nome de seus líderes e componentes, só isso, e muitos pichadores são de classe média e classe média alta. Valeu!
Salve, Mauricio! Você foi no ponto certo. Eu queria ver justamente como eles iriam explicar o ‘ataque’ à galeria. …Porque existe uma regra muito clara na pixação: não é permitido atropelar. Ou seja, não se pixa (picha, grafita, whatever) por cima de outro trabalho. Na rua, isso dá até morte. Atropelar os trabalhos expostos pro filme, de caso pensado, sei lá, me pareceu artificial… Queria ouvir mais sobre isso, né não? Bjs!
Também gostaria. Obrigado pelo comentário.
que bosta: “O documentário de Wainer e Oliveira dá vida aos pichadores, humaniza-os, expõe as suas motivações.”
uhauhaauhauhaauhauh coisa mais ridícula.
foda-se suas motivações, e foda-se o autor de uma merda de documentário desse naipe.
Querer humanizar os pixadores? daqui a pouco vão querer dar farda de polícia para traficante.
Considero pichação sendo uma atividade mais artística do que muitas pinturas e literatura por aí.
O texto foi bem objetivo e sintetizou bem as motivações de quem sai com uma latinha na mão, na madrugada dessa cidade. A adrenalina experimentada, a sensação de vc passar no dia seguinte e ver lá no alto do prédio, ou na ponte a sua assinatura (ou da sua turma) é algo indescritível. Além do capricho e criatividade que é necessário para criar as letras. Não adianta pichar a cidade inteira e ter um letreiro ridículo.
A questão com o grafite se torna mais delicada no ponto em que muitos desses artistas usam grafias de pichação, mas qnd entrevistados vem com o discursinho de que é vandalismo. Me lembro que há uns 2 ou 3 anos a Triton fez um painel com pichações conhecidas de Sp para seu desfile no SPFW, nessas horas não era vandalismo?
Grafite adquiriu um status de neo arte, emergente, está em galerias e está na rua, enquanto a pichação continua marginalizada, é feito pela e para a periferia, talvez ISSO incomode mais.
Não pude ver o filme ontem, mas desejo MUITO assistir ainda.
Para quem se interessar, existe também outro filme (esse acho q feito por pichadores mesmo) chamado Pixadores em Ação.
Concordo com você em um ponto: sim, a pichação pode alcançar outro status. Porém é preciso consciência. Ver a sala Cecília Meireles, a escola de música da UFRJ, e vários centros culturais do RJ pichados é muito triste. Não há o que me faça olhar aquilo com simpatia. Agora, se o pessoal começar a trabalhar a idéia de que se pode ir mais além, respeitando os espaços, acharei ótimo, pois estaremos ganhando uma nova forma de expressão artistíca. Enquanto essa virada não ocorre, continuo com a impressão negativa sobre esse tipo de expressão, como sendo um ato de vandalismo. E não é só o pessoal da zona sul do RJ que acha isso não. Vai no suburbio e pergunta para as pessoas de lá se elas gostam de ter seu ambiente pichado. Aposto que você irá encontrar respostas muito mais ríspidas do que as daqui.
O filme já meu deu sono sem assistí-lo.
Dê uma espiada no grafiteiro italiano Blu, que além das pichações geniais, ainda registra em vídeo/animação o próprio processo de criação, o que tb resulta num trabalho incrível. Depois de vê-lo, não dá pra encarar qualquer um, muito menos os brazucas mais pretenciosos, abs
não foi dessa vez.
não foi dessa vez. não foi dessa vez. não foi dessa vez. não foi dessa vez. não foi dessa vez.
Salve OS*RGS ~>TRV~>TML~>K*20~>lixomania~>é noss poha dixavando pirituba fui