Tyson, os Gracies e a arte da violência. Arte?
Dois documentários programados na 33ª Mostra de Cinema de São Paulo recolocam em questão um tema espinhoso: boxe, jiu-jitsu e outras formas de luta podem ser consideradas esportes? Tanto “Tyson”, de James Toback, quanto “Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo”, de Victor Cesar Bota, defendem essa idéia com unhas e dentes, ao mesmo tempo em que as cenas violentas que exibem os contradizem o tempo todo.
“Parece um esporte brutal, mas é apenas uma técnica, uma arte”, defende Mike Tyson, a certa altura do longo depoimento que dá a Toback. Os diferentes integrantes da família Gracie que falam para a câmera de Bota enfatizam a idéia que o jiu-jitsu é uma técnica de defesa e que não é preciso ser forte e grandalhão para se sair bem numa briga.
O que poderia haver de mais brutal, no entanto, do que um boxeador arrancar um pedaço da orelha de seu rival numa luta? Ou ver um lutador caído no chão acertar um chute na testa do adversário, derrubá-lo e, na sequência, dar um soco no meio da sua cara?
A brutalidade de Tyson, não é preciso ser psicólogo de botequim para notar, está intimamente relacionada à sua história de vida. E é dessa história que Toback tira a força do seu filme. Longe do esforço de objetividade, que caracteriza um documentário próximo do modelo jornalístico, “Tyson” propõe ao espectador um encontro íntimo com o ex-boxeador.
Falando para a câmera, sem ser interrompido ou confrontado com versões diferentes da sua, Mike Tyson conta a história tal como é capaz ou lhe interessa. Evita algumas questões polêmicas e possivelmente “reescreve”, ao bel prazer, diversos episódios, mas o seu relato é impressionantemente forte e comovente.
Tyson fala abertamente da infância na rua, dos primeiros assaltos, das primeiras temporadas no reformatório, até ser “adotado” por Cus D´Amato (1908-1985), que o treinou por alguns anos e o ensinou a administrar o medo. O treinador morreu um ano antes de ver Tyson se tornar, aos 20 anos, o mais jovem campeão mundial na categoria peso-pesado.
Segundo Tyson, D´Amato foi o único amigo que teve na vida. Cercado de “sanguessugas”, nas suas próprias palavras, avalia ter jogado fora mais de US$ 400 milhões ao longo do tempo – acredita ter sido roubado por todos os seus empresários, gastou milhões com indenizações, rompimento de contratos, multas etc. Mas não culpa ninguém. “Os sanguessugas se alimentavam do meu sangue e eu do sangue deles”, diz no filme.
Já os Gracies emergem do documentário de Victor Cesar Bota como uma família cujo destino de todos os homens parece traçado antes do nascimento: ter um nome iniciado com a letra “R” e ser lutador – de jiu-jitsu, luta greco-romana ou vale tudo.
Desenvolvida nos anos 30 do século passado pelos irmãos Carlos e Helio Gracie, a técnica brasileira do jiu-jitsu vai desembocar, 60 anos depois, no Ultimate Fighting, que tanto sucesso faz nos Estados Unidos e Japão.
Filhos, sobrinhos e netos dos patriarcas, como Rolls, Rorion, Rickson, Royce, Royler, Renzo e Ryan Gracie, desfilam pela câmera, exibindo seus talentos na arte da porrada e mostrando que a família está mais desunida do que nunca tanto em relação à filosofia por trás da luta quanto nos negócios.
O filme resgata boas imagens de arquivo, especialmente os desafios de luta-livre no Rio e em São Paulo nos anos 50 e os treinamentos do clã Gracie nos anos 70. O que mais impressiona, no entanto, são as imagens de um filme caseiro, que mostra dois alunos de academias rivais, ambas mantidas por Gracies, brigando ao ar livre, de sunga, no jardim da casa de alguém, cercados de espectadores. A certa altura, alguém quer interromper a luta, que já produz ferimentos com sangue nos lutadores, mas é impedido por outro espectador. E a briga continua.
“Tyson” tem mais três sessões na Mostra: terça-feira (27), às 12h, no Unibanco Artplex; sexta (30), às 14hs, no Cine Bombril, e domingo, (1/11), às 23h40, no Unibanco Artplex. Mais informações, e um trailer do filme, no site da Mostra.
“Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo” têm mais duas sessões na Mostra: segunda-feira (26), às 13h30, no Unibanco Artplex, e sábado (31), às 14hs, no Cinema da Vila. Mais informações, e um trailer do filme, no site da Mostra.




É impressionante a ignorância Brasileira. Todo cara folgado que troca socos em baladas é lutador de jiu-jitsu né? O mais engraçado é que no jiu-jitsu pra quem não sabe não se usa golpes como socos e pontapés. É tão estupido e preconceituoso pensar assim quanto pensar que todo favelado é traficante, toda mulher não sabe dirigir e que todo político é corrupto. Eu posso falar disso porque fui uma criança e um adolescente extremamente agressivo, fui expulso de escola por ser até violento, e graças a excelente idéia do meu pai de me colocar numa escolinha de JJ, hoje sou um cara extremamente tranquilo, nunca mais arrumei uma briga. Jiu-Jitsu é disciplina, é calma, ponderação e ainda ti ensina os verdadeiros sentidos de amizade e respeito ao próximo. Gente, fora do Brasil já somos vistos como ignorantes, selvagens e pessoas má intencionadas. Vamos nos mostrar diferentes né! Mente aberta pessoal .
Angelo, voce foi muito correto em dizer que “Jiu jitsu trás valores esquecidos pela nossa nova sociedade”. Hoje em dia já não se existe mais respeito pelos mais velhos, não se tem mais respeito por ninguém. Já que é comparação vamos lá. O Tyson arrancar a orelha de outro cara é extremamente ignorante e prejudica a imagem do boxe como um todo, mas também não é um absurdo um jogador de futebol “meter” a mão na bola? Outro dia um jogo pela 2º Divisão do camapeonato Brasileiro fez um gol de mão. O juiz não viu (ou fingiu que não), deu o gol e por fim o outro time perdeu as chances de subir pra 1º por causa dessa derrota. Mas ao ver todo mundo acha graça. Oque ele fez , assim como o Tyson foi burlar as regras do jogo, trapacear, jogar sujo em prol da vitória. E o tal do Nelsinho Piquet, que fez oque fez. Pra mim trapacear é uma forma de violência. Mas isso tudo passa e a impressão que fica é que TODO boxeador arranca orelhas e TODO praticante de JJ briga em boate.
AUGUSTO
Você disse tudo!
Parabéns. É isso mesmo.
Não preciso acrescentar nenhuma palavra ao seu comentário! !
Meses atrás eu assisti um filme em que um negro comete um assassinato. Seria justo então criticar toda a raça? A história do JJ é muito grande e não se pode se basear em um único filme contado por uma única familia que pouco serve de exemplo.
Assim, como aconteceu com o Bruno França, eu fui uma criança extremamente violenta e agressiva na infancia. Até os 14 anos mais ou menos vivia envolvido em brigas de “gangues” em bailes contras outros jovens desconhecidos de outros bairros da minha cidade (esse era o unico motivo… serem de outros bairros). O que me fez mudar? o fato de mergulhar de cabeça nas artes-marciais.
O jovem tem necessidade de sentir adrenalina e, brigar ou disputar é uma carateristica nossa… dos animais, uma coisa inerente ao ser humano. Portanto praticando artes-marciais você exercita essa necessidade, mas com regras e filosofia. O que forma sua personalidade à partir do momento que você aprende a canalisar essa agressividade para algo positivo.
Só faz comentários contra as artes-marciais que nunca praticou nenhuma!!! Ah um detalhe, até podem existir maus profissionais, como exite no futebol, no hoquei, no boxe, na fomula 1 ou em qualquer profissão (polícia, medicina, judiciário, políticos, etc).
sabeo que acontece…?eles eram briguentos ,porque eram revoltados com a propria vida,então viviam com medo ,por isso brigavam ,e se revoltavam, na medida que entraram para escoal de lutas obtiveram mais confiança ,perdendo o medo ,então dizem e é claro estarem mais calmo …… na verdade todos esses são verdadeiros canais da violencia,……etc.
O duro é ver gente que não conhece o esporte ter um espaço pra escrever sobre tal assunto, JJ, Boxe e qualquer outra ARTE MARCIAL é sim uma ARTEEEEEE, só quem entra num ringue sabe o quanto tem que se ter a maestria de atacar e ao mesmo tempo se defender, induzir o adversario ao erro, agora ver pela tv algumas gotas de sangue e ja sair julgando é coisa de gente ignorante, da mesma maneira que se tem o praticante pilantra de arte marcial tbm tem o reporter, o dentista, o chapeiro e etc….então o problema não esta no que vc pratica, mas sim nas suas atitudes.
Sorte, Sucesso e Abraços!!!
ignorante é quem pensa que isso não é violencia e as defendem!!!
O Interessante é que todas as brigas de rua, cujos elementos são da classe média, coincidentemente todos são praticantes de JJ. Agora falando dos Gracie, eu já vi um praticante de ninjitsu do Ceara desafiando qualquer um deles para um combate e até agora não vi essa luta acontecer. Talvez eles não sejam tão valentes como se supõe.
Homem de verdade não gosta de agarrar outro homem e nem de ser agarrado, homem de verdade agarra é mulher,sai pra la ,ficar agarrando um aminal fedorento.
quando é um esporte de verdade, NUNCA o obejtivo é tirar o sangue do adversário. nas arts marciais, os lutadores quando disputam, não atingem o seu adversário. os pontos são dados pelo golpe, e não na consequencia do dano que causa. JUDO, KARATE, são artes marciais, Boxe e JJ não são. e afinal, duas caras de sunga , suados, parrudos, se agarrando, rolando pelo chão, e no meio das pernas do outro, e por vários minutos…sei não, na minha terra tem outro nome… rsrsrs é por isso que depois eles ficam calmos! vão jogar bola! rsrs
O cidadão que escreveu essa pseudo-noticia deveria se informa melhor sobre o ESPORTE antes de escrever sobre ele.
VALE TUDO NÃO É MAIS USADO, TERMO CORRETO É MMA.
Creio q o cidadão Mauricio Stycer não sabe nada sobre o que ele escreveu.
Mauricio Stycer estude ou……….
É típica coluna de um moleque criado no apartamento, com tantas coisas mais importantes para se criticar no Brasil o cara vem levantar polêmicas ultrapassadas. Lamentável.
Jiu jitsu é uma arte mas o boxe é muita violência os caras batem até o opnente cair ou ficar todo machucado.
e não confundam jiu jtsu com vale tudo jiu jtsu é uma arte que consegue colocar a força do oponente contra ele mesmo e não dar socos e e ponta pés como o boxe e vale tudo.
Não comparem lutador com moleques entram numa acdemia e que treinam dois meses e saem brigando pela rua usando o nome do jiu-jitsu. Lutador é um profissional que treina duro e com suor consegue o sustento de sua familia e merece respeito ,coisa que no Brasil não existe. Acredito que os criticos desses esportes nao conhecem o significado da nobre arte e ainda mais não saibam o quanto é dificil viver do esporte isso em diversas modalidades.
‘E como dizer que todo jornalista ‘e ignorante e nao sabe do que esta falando…………
Arte?Que arte?Só se for a da ignorância da violência gratuita.Ainda bem que estas ditas”artes” estão, ou vão cair em desuso e no esquecimento pois já nos basta a violência nossa de cada dia em assaltos, briga de trânsito e o resto.
Qto. aos Tysons,Gracies, Belforts, e toda essa tribo chegada no uso dos bíceps como modo de vida,aqui vai a sugestão útil: PROCUREM ACULTURAR-SE MAIS, LEIAM, ESTUDEM FAÇAM ALGO EM PROL DO PRÓXIMO E DA HUMANIDADE.Usem mais a cabeça, (sem ser para dar cabeçada rs rs ).
A vossa dita “arte” como muitas outras análogas(luta greco romana) vai desaparecer e será apenas lembrada em livros como algo péssimo,estúpido e sem utilidade para a cultura desenvolvimento e formação do ser humano.
A filosofia da luta, a “arte”, o que seja, é uma coisa. Seus praticantes são outra. Errado falar que todo lutador arruma briga na balada, mas é certo que uma alta porcetagem de brigão frequentador da Vila Olímpia, em SP, e da zona sul do Rio são praticantes do Jiu-jitsu. Sei do que falo: pratico muay-thai como forma de condicionamento físico e já vi cada imbecil passando pela academia que, assim como armas, dá até a vontade, absurda, claro (ou não?), de ver esse tipo de esporte com uma regulamentação mais rígida sobre quem pode praticar.
Quando meu filho começou a praticar jiu-jitsu fiquei preocupado com o que poderia ocorrer em razão de sua opção. Fui conhecer um pouco mais sobre o assunto e passei a acompanhar sua carreira um pouco mais de perto. Carreira?! Sim, carreira. Um atleta não se faz da noite para o dia. Exige disciplina, dedicação, discernimento, mas não é para todos. Depois de acompanha-lo por mais de quatro anos em competições(não foram brigas), minha esposa resolveu praticar também o jiu-jitsu. Como em toda atividade humana, percebo pessoas que usam de maneira inadequada o que aprendem no tatame, como advogados, engenheiros e médicos aparecem frequentemente nos noticiários por atitudes delituosas. O disvirtuamento dos ensinamentos é próprio do ser humano, seja em qualquer área de conhecimento ou atividade. Caso contrário eu poderia supor que quem já acessou um blog já conhece todos. É um erro que eu procuro não cometer. E viva a polêmica.
Caros amigos ,acima de tudo devemos levar em conta a fundamentação filosófica presente naquilo que chamamos de arte marcial.O saudoso Grande Mestre Hélio Gracie,era com certeza um artista marcial,infelizmente seus descendentes em sua maior parte são apenas lutadores,nem mais,nem menos.Existe sim a arte marcial do Jiu jitsu,mas também existe a luta Jiu Jitsu.