Maradona e Cantona, gênios imperfeitos
Cada um à sua maneira, Diego Maradona e Eric Cantona encarnaram o mais sedutor dos tipos que rondam o mundo do futebol – o do craque magnífico e indomável, tanto dentro quanto fora de campo. (Romário é o brasileiro que primeiro me ocorre quando penso em jogadores deste quilate com este perfil.)
Imprevisíveis com a bola no pé, mas também com a língua, Maradona e Cantona (e também Romário) sempre falaram o que achavam que deviam falar, e não o que os dirigentes ou assessores programavam. Profissionais, mas não fantoches, exigiam respeito – de colegas, dirigentes, jornalistas e torcedores.
Muitas vezes, perderam o controle da situação e, literalmente, meteram os pés pelas mãos. A carreira de Cantona sofreu um baque quando agrediu um torcedor que o ofendeu depois de ser expulso de campo. Ficou dez meses suspenso. (Romário também agrediu torcedores que o ofenderam durante um treinamento, mas não foi punido.)
Maradona não apenas fez um gol com a mão contra o maior inimigo da Argentina em 1986, a Inglaterra, como ainda reconheceu o “crime” e tripudiou: “Foi a mão de Deus”. Depois, violou a mais sagrada das regras do esporte: utilizou drogas (cocaína) e ainda foi pego jogando dopado.
Chamado de “Deus”, Maradona é idolatrado em toda a Argentina e em Nápoles, na Itália. Conquistou “sozinho” a Copa de 86 e deu à equipe italiana os dois únicos títulos da Série A de sua história. Chamado de “rei”, Cantona é herói entre os torcedores do Manchester United. O time não vencia o campeonato inglês desde 1967 quando ele chegou, em 1991, dando início a uma temporada de glórias e conquistas.
Maradona e Cantona são as estrelas indiscutíveis deste primeiro fim de semana da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo. O primeiro é objeto de um documentário do sérvio Emir Kusturica, que o retrata sem nenhum distanciamento, mas com grande energia. O segundo atua como ator, no papel de si mesmo, num divertido filme do inglês Ken Loach.
Como escrevi no Ultimo Segundo (Filme de Kusturica ajuda a entender a Argentina de Maradona), além das dezenas de gols e jogadas que exibe, há momentos impressionantes no filme sobre o craque argentino – o culto na Igreja Maradoniana, a confissão que o ex-jogador faz sobre os efeitos da cocaína e a sua relação com Fidel Castro, entre outros.
Já o craque francês, cujo filme que protagoniza abriu a Mostra nesta quinta-feira, é igualmente homenageado com a generosa exibição do seu talento como jogador, relembrado em várias passagens, e expõe também os seus curiosos conhecimentos filosóficos. Com real habilidade para interpretação, como escrevi, Cantona distribui pílulas de sabedoria a um carteiro infeliz, ajudando-o a superar os seus problemas com a ex-mulher e com os enteados.
Numa passagem já famosa de “Maradona”, o craque afirma que, não fosse pela cocaína, teria sido ainda maior do que foi como jogador. Ou seja, teria sido Deus de fato. Em outro momento, o dono de uma casa noturna de Buenos Aires diz que as go-go girls reclamam quando a tevê exibe antigos gols de Maradona porque os frequentadores do inferninho preferem ver os gols aos shows das dançarinas seminuas.
Já Cantona, em diálogo com Eric, o carteiro que ajuda, ensina que o momento que mais aprecia em sua carreira como jogador não é nenhum gol em especial, mas um passe perfeito que deu, propiciando o gol de um colega. Pode parecer filosofia de botequim, mas o passe foi realmente maravilhoso.
Entre esta sexta-feira e domingo, há três chances de ver ambos os filmes. “À Procura de Eric” passa hoje, às 16h40, no Unibanco Artplex; sábado, às 23h50, no Cinema da Vila; e domingo, às 15h50, no Cine Bombril. “Maradona” será exibido hoje, às 21h30, no Cine Bombril; sábado, às 12h, no Reserva Cultural; e domingo, às 22h, no Cinemark, Shopping Eldorado. Ambos os filmes serão exibidos no circuito comercial, depois da Mostra.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Crônica, Esporte Tags: Cantona, Ken Loach, Kusturica, Maradona, Mostra de Cinema de São Paulo



Deixe o Maradona na Argentina, aqui somos melhores nao acho que mereça ser chamado de Deus, se fosse não teria usado drogas e não estaria deste jeito
MARADONA É A FIGURA POLÊMICA DO ARGENTINO ELE CARREGA A CULTURA DE UM POVO. E QUE SÓ AGORA ELES (ARGENTINOS) ESTÃO SE DANDO CONTA . MAS JOGOU MUITA BOLA ATÉ PQ MARADONA NUNCA FOI UM ATLETA SIM UM BOLEIRO.
Na verdade o Maradona quando aguentava jogar era reamente excepcional, mas não foi tudo isso que o nosso ilustre escrvedor disse, sua carreira foi irremediávemente manchada pelo uso constante de drogas, mas não foi “só” uso de drogas, também teve envolvimento com a máfia italiana, cometeu crimes de sonegação de impostos e evasão de divisas, está condenado na Itália tendo inclusive ordem judicial para apreender joias e quaisquer objetos de valor que por ventura ele porte dentro do pais, ainda no mundo da bola participou de várias fraudes já confirmadas (uma delas por ele próprio) atualmente é uma figura deprimente criticada pelos mesmos compatriotas que um dia o chamaram de DEUS por pura megalomania argentina, “se o Brasil tem o Rei, nós temos o Deus do futebol”, é de dar pena, não se compara com o Romário, apesar de não ter sido nenhum anjinho o Romário nem em seus piores momentos chegou sequer perto do “maucaratismo” desse infeliz.
DOIS BEM IMPERFEITOS, BABACAS MESMO!
dei uma olhada nos comentários e vi alguem escrever que se o Pelé estivesse jogando hoje não teria o mesmo sucesso poia a marcação de hoje é bem superior, olha deve ser alguem bem novo que não viu o Pelé jogar, pois se o Pet do Flamengo humilhou os meios campistas do Palmeiras, do São Paulo, com 37 anos, pergunta para eles porque tomar um arrodião do Pet se eles tem todo este preparo que os mais novos dizem, jamais só a parte fisica vai ganhar da tecnica, o Pelé hoje com esta mídia e com a preparação de hoje não seria Rei, e sim DEUS do futebol.
É bom saber que as pessoas não têm uma “memória fraca” e ,por isso,não se deixam ser levados por qualquer assunto.Parabéns pelo comentário acima!!!
Abraços,
Vamos deixar de besteira, Maradona com a bola no pé tb foi um gênio, agora me adimira alguns brasileiro viverem metendo o Pau no Maradona e esquecendo que até nosso rei Pelé não é nenhum anjo.Ou vcs esquecem que qdo fez o milésimo gol pediu p/ olharem pelas crianças, e depois de alguns anos negava severamente a paternidade de uma filha? Diexemos de nos achar melhores que os outros. Por isso que esse mundão tá do jeito que está.
Argentina com os argentinos e a sua arrogância e pobreza de espirito a parte!!! Deixa DEUS saber dessas comparações se é que já não tomou conhecimento e o que os argentinos são hoje é devido a essa comparação sem escrupulos, quer dizer então que para ser bom tem de ser rebelde e satisfazer a mente e a vontade daqueles que apoiam maus exemplos. Não sou torcedor do Palmeiras, mas tive o prazer e honra de conhecer um verdadeiro idolo e esse sim é um exemplo, que em 1974 foi injustiçado na nossa seleção e deveriamos estar é falando de pessoas assim, humilde, com carater e integro, O DIVINO ADEMIR DA GUIA. E QUE MANDEM ESSE TAL DE MARADONA ARROGANTE E PREPOTENTE A M.E.R.D.A !!!!!
Dada-RJ: veja que barato, sou paulista, mas o meu pai nasceu em getulândia e viveu até os 30 anos aí pela região de Rio Claro, São João marcos, etc; não é o máximo. Gosto muito desse pedaço de mundo aí e já também passei muitos apertos pela vida, mas continuo ateu (foi um padre quem me ajudou nessa empreitada, na adolescêsncia de ser ateu – ele com o seu autoritarismo, sua pieguice e sua incapacidade de amar – confesso que só tenho o que agardecer. Sempre respeitei o jeito de ser dos outros, mas costumo me encher com os falsos moralismos e com os julgamentos por critérios tipo: quem é vencedor ´ta certo e tá com deus (incluir entre os “vencedores” ter grana e poder. Entendeu?
Não podemo ser hipócritas. Temos que lembrar que ninguém é melhor que ninguém.Est mundo nosso está assim pq um acha que ´melhor que o outro. Um quer mais que o outro.
Chega de comparações temos que nos preocupar com os nossos problemas e nossos defeitos, antes de julgar os dos outros.
Nós precisamos nos habituar a apreciar a arte de cada um naquilo que faz bem. Em campo Maradona era um astro que se diferenciava dos demais pelo seu talento. Agora, ficar cobrando comportamento de hoje num paralelo ao que ele fez no passado como jogador é ser muito exigente e imaturo. Deixemos o Maradona em paz. Quem quizer se deliciar com o seu futebol é só recorrer na Internet que vai mostrar as suas habilidades gravadas para sempre em filmes antológicos..
[...] Stycer, repórter especial do iG, publicou um texto sobre os dois filmes que vale o apreço (cliquez ici). Mas se quiser comentar algo, qualquer coisa, faça-o aqui e não lá, porque preciso muito mais [...]