iG

Publicidade

Publicidade
07/10/2009 - 11:46

A hipermnésia e o Facebook

Compartilhe: Twitter

Apenas três ou quatro pessoas no mundo sofrem deste estranho e cruel transtorno da memória, a hipermnésia. Segundo o neurobiologista James L. McGaugh, que estudou o fenômeno, trata-se de uma síndrome que leva as pessoas a terem uma memória perfeita, ou seja, guardam involuntariamente todos os detalhes da sua vida. Nada se apaga, nada se esquece. Um tormento. Por sorte, as possibilidades de sofrer desta síndrome são irrisórias.

O problema, escreve a publicitária e romancista Emma Riverola, no diário “El País”, é que hoje em dia estamos sujeitos a ser lembrados involuntariamente de passagens de nossas vidas que estavam completamente esquecidas, e que não queríamos mais recordar, em ambientes compartilhados por milhões de pessoas.

A rede social é o local exemplar, na avaliação da autora, deste fenômeno. Este ataque repentino de memória ocorre, normalmente, pela mão de alguém tão inocente quanto um antigo colega de escola, a namorada da infância ou o colega do acampamento de 1981 que nos localizou no Facebook. Escreve Riverola:

“A vida é evolução. Todos nós temos o direito de mudar, de nos contradizer, de fazer quantas viagens ideológicas quisermos e de defender, em qualquer momento, o nosso modo de pensar e agir. A diferença é que essa evolução, até agora, era um périplo interior. Um trajeto que, às vezes, compartilhávamos com outras pessoas. Companheiros de aventuras que o acaso da travessia obrigava a nos separar em diferentes estações, em função do destino escolhido por cada um. Agora, Facebook, Twitter, Tuenti e outras redes sociais estão convertendo este desenvolvimento pessoal em um cruzeiro de massas”.

A íntegra do artigo de Emma Riverola, em espanhol, pode ser lida aqui . Ela não é contra as redes sociais, mas lembra que “a solidão também é uma fonte de riqueza em nossas vidas. Rende uma boa discussão, acredito.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , , , ,

Ver todas as notas

25 comentários para “A hipermnésia e o Facebook”

  1. Reivaldo disse:

    A matéria é ótima , abre uma discução legal, acho linda e legal a solidão, mas tenho muitos momentos e saudade de pessoas e acontecimentos que marcaram o lado bom de minha infância , adolescencia, juventude etc, encontrei gente que sempre gostei e estavam desaparecidas, isso foi muito bom, para os fatos que não foram muito bons ou mesmo os fatos ruins eu não adicionei quem por ventura tentou, então isso significa que estou no controle, ótimo parabéns

  2. Marco Castilho disse:

    Bom texto, Maurício… De vez em quando me pego pensando sobre o paradoxo que vivemos: se nos momentos de autoritarismo político, a “amnésia” e o “esquecimento” são quase imposições, nos tempos de orkut o direito ao esquecimento é quase negado. Não pela força repressiva, mas pela maneira de nos relacionarmos.
    O passado nostálgico está sempre ali, na tela do computador… e de certa forma impedindo de nos recriarmos e construirmos outros enredos para a vida…

  3. Cláudia Serathiuk disse:

    Bastante interessante este teu post e me toca pessoalmente, pois através de uma destas redes pude reencontrar com pessoas do meu passado e resolver algumas situações. Algumas desconfortáveis, para mim ou para o outro, algumas que ficaram suspensas e fico feliz por tê-las resolvido. Mas a memória não é linear e é a todo momento permeada pela reconstrução através de fantasias ou de acontecimentos posteriores que ressignificam fatos da vida. O efeito de fatos ou de fantasias é o mesmo no psiquismo. E foi assim que ouvi de um amigo de infância, depois de 21 anos sem nos vermos: “Eu nunca esqueci aquele beijo que você me deu”. O detalhe é que a gente nunca tinha se beijado…

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório







Voltar ao topo