iG

Publicidade

Publicidade

Arquivo de julho, 2009

17/07/2009 - 10:31

A estranha Copa que o Brasil ganhou, mas não ficou feliz

Compartilhe: Twitter

Advertência: Esse blog não faz pregação de VERDADES ABSOLUTAS. O que você vai ler aqui é a reprodução de um ESTADO DE ESPÍRITO, num determinado tempo e lugar.

Sexta-feira, 17 de julho: há 15 anos, neste dia, o Brasil venceu a Itália, nos pênaltis, na final da Copa de 94. É um título especialmente importante por encerrar um período de 24 anos (ou cinco copas seguidas) sem conquistas.

Acompanhei a Copa direto dos Estados Unidos, enviado pela “Folha de S.Paulo”. Participei da equipe que, como carrapato, seguiu a seleção brasileira por 45 dias – basicamente na Califórnia. Foi uma experiência profissional fantástica, mas ao mesmo tempo muito dura.

A insistência do técnico Carlos Alberto Parreira num esquema muito cauteloso e pouco criativo gerou críticas pesadas, do início ao fim da Copa. Em resposta, a seleção, de uma maneira geral, tratou com pouca simpatia, quando não com aberta hostilidade, a imprensa brasileira.

Até hoje, 15 anos depois, essa vitória é considerada uma conquista “menor”, por conta do desempenho esquemático, eventualmente tedioso, da seleção de Parreira. O troféu levantado pelo capitão Dunga não suporta a comparação com as outras quatro copas vencidas e chega a ser questionado até mesmo diante da derrota em 1982. Para piorar, a final contra a Itália, debaixo do sol de meio-dia, no estádio Rose Bowl, em Pasadena, terminou 0 a 0 depois de 120 minutos e foi decidida nos pênaltis – fato inédito e inusitado  em uma final de Copa do Mundo.

Acabooou! É teeeeetra!!! – Lembranças agridoces da Copa de 94

Resolvi reler a edição de 18 de julho de 1994 da “Folha”. O “day after” da Copa. É um trabalho do qual eu me orgulho muito de ter feito parte e que deixou para a história um registro forte, até um pouco amargo, do que foi essa conquista. Todos os trechos a seguir, com a exceção de um, foram publicados no dia seguinte à conquista do tetra.

Johan Cruyff (colunista da “Folha” na Copa de 94): “A partida (final) foi ruim e não vale a desculpa de que dificilmente em uma final se pode ver bom futebol. O que acontece é que o Brasil jogou demasiadamente preocupado com seu rival e em nenhum momento conseguiu impor seu domínio de bola”

Telê Santana (colunista): “Taticamente, a seleção brasileira encerrou sua participação na Copa devendo alguma coisa. Jogou da mesma maneira, do primeiro ao último dos 600 minutos disputados”.

Alberto Helena Jr (enviado especial aos EUA): “O Brasil é o primeiro tetracampeão do mundo da história, mesmo que o futebol que o conduziu ao título seja o anti-Brasil”. Sobre a entrada de Viola no segundo tempo da prorrogação, Helena observou: “Em 15 minutos, Viola jogou mais, agrediu mais, criou mais do que Zinho ao longo de todo o campeonato”.

José Simão (enviado especial): “Essa é a filosofia do Parreira: quem quer bola na rede que vá assistir basquete. Rarará. Muda de esporte”.

Marcelo Fromer e Nando Reis (colunistas): “Ninguém nos convence de que foi este esquema medroso que garantiu nosso sucesso nesta Copa.”

Romário, ao receber a medalha de campeão, disse que o título ia “calar a boca” dos críticos. Dirigiu-se aos fotógrafos – que pediam que ele se virasse para facilitar a foto da premiação – com as seguintes palavras: “Vocês todos foram contra. Se quiserem fotografar agora vão ter que ir lá na puta que o pariu”.

Dunga: “Agora é fácil me elogiar. Mas na hora difícil a equipe teve que se unir para suportar as críticas”. Ao receber o troféu, ao lado de Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos, gritou “porra”, virou-se para os fotógrafos e disse: “Traíras!” Também disse naquele dia: “Foi uma vitória de homens!”

Este repórter escreveu: “O técnico Carlos Alberto Parreira foi vaiado pelo público ao ter seu nome anunciado pelos microfones do estádio antes do jogo. Essa cena se repetiu nas sete partidas que o Brasil disputou na Copa”.

Carlos Alberto Parreira: “O que as pessoas não entendem no Brasil é que a fantasia, a magia, o sonho e o show acabaram no futebol. Agora, o importante é ser competente” (a frase foi dita numa entrevista no meio da Copa e relembrada na edição de 18 de julho)

Zagallo (na véspera do jogo): “Fui burro em 70, sou burro em 94. Mas não reclamo”. Indagado sobre a possibilidade de ser o único tetra-campeão do mundo, um dia antes da final, disse a Mario Magalhães: “Vão ter que me engolir!”

E você, leitor, qual é a sua lembrança desta Copa?

No iG Esporte: Por andam os heróis do tetra?

Crédito da foto: Getty Images

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, Esporte Tags: , , , , , , ,
16/07/2009 - 10:19

O destino de Verón estava traçado antes dele nascer

Compartilhe: Twitter

Os “Leões da América”, como foram apropriadamente chamados pelo diário “Olé”, começaram a ganhar a Libertadores aos 4 minutos do primeiro tempo, quando Verón acertou uma cotovelada em Ramires, o juiz não viu e o jogador brasileiro perdeu o eixo, para não mais recuperá-lo na partida.

Verón comandou o Estudiantes. No lance do primeiro gol, achou Cellay na direita, que cruzou para Fernandez marcar. Depois, cobrou o escanteio na cabeça de Boselli, que assinalou o gol do título. Ao longo de 90 minutos, só deu ele. Cadenciou o jogo. Protegeu a defesa. Marcou. Atacou. Catimbou. Irritou os brasileiros. Fez cera. Foi o personagem do jogo.

Um dia antes da decisão, Gian Oddi, editor do iG Esporte, havia me convidado a escrever, caso o Cruzeiro ganhasse, sobre os destaques do time brasileiro. Respondi: “Só quero escrever se o Estudiantes ganhar. Quero escrever sobre o Verón, o jogador mais parecido com Toninho Cerezo que já vi jogar”.

Não vou aqui entrar em detalhes sobre a saga de Verón. Basta dizer que seu pai, Juan Ramón Verón, La Bruja, é um dos maiores jogadores da história do Estudiantes. Para falar apenas o essencial, foi tricampeão da Libertadores (1968-69-70) e Mundial, em 1968. A decisão, contra o Manchester United, resultou em vitória por 1 a 0 na Bombonera e empate por 1 a 1 no Old Trafford, gol de Verón.

O destino de Juan Sebastian Verón estava, portanto, traçado antes de nascer. Torcedor fanático do Estudiantes, naturalmente começou sua carreira no clube, em 1994. E o seu apelido não poderia ser outro: La Brujita. Passou rapidamente pelo Boca Juniors e, em 1996, com 21 anos, já estava na Itália. Foi levado para a Sampdoria, o time que, cinco anos antes, com Cerezo numa posição semelhante, havia conquistado o único scudetto da sua história.

Não teve a mesma sorte, mas conquistou muitos títulos em outras equipes. Jogou no Parma (e venceu a Copa da Itália, em 1999), na Lazio (onde foi campeão italiano e da Copa da Itália, em 2000) no Manchester United (campeão inglês em 2003), no Chelsea, e na Inter de Milão (campeão italiano em 2006 e bicampeão da Copa da Itália em 2005 e 2006), antes de ser repatriado pelo time onde começou a carreira.

No ano passado, na Copa Sul-Americana, vi Verón destruir o Botafogo – 2 a 0 em La Plata, 2 a 2 no Engenhão. Isso é fácil, dirão os leitores. É verdade. Mas nesta quarta-feira, contra o Cruzeiro, ele mais uma vez repetiu o feito. Aos 34 anos, foi o comandante de um time firme, não especialmente talentoso, mas corajoso o suficiente para virar um jogo que começou a perder aos 7 minutos do segundo tempo.

Os “Leões da América” realizaram uma façanha histórica nesta quarta-feira, no Mineirão, e La Brujita, definitivamente, deixará de ser apenas o filho de La Bruja nos anais do Estudiantes. Juan Sebastian Verón é o nome deste título continental – o quarto da equipe de La Plata.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
15/07/2009 - 11:58

Por que Tevez trocou uma Ferrari por um Fusca?

Compartilhe: Twitter

Os personagens desta história são Carlos Tevez, craque argentino, sir Alex Fergunson, técnico do Manchester United, Kia Joorabchian, empresário do jogador, xeque Sulaiman Al-Fahim, presidente do Manchester City, e Maradona, técnico da seleção da Argentina.

O argumento central da história é: O que leva um jogador da qualidade de Tevez a trocar um dos três times mais tradicionais e vencedores do mundo por uma equipe mediana, cujo último título importante data de 1976 e é comandada por um aventureiro bilionário?

A última vez que um jogador do Manchester United teve a coragem de cruzar a cidade para jogar no rival ocorreu em 1999. Tevez tratou de esclarecer, ao se apresentar no City nesta segunda-feira, 13, que ama os torcedores do United. “Vou sempre guardar o carinho deles no coração”, disse. “Eu não fiquei porque Alex Ferguson e David Gill (diretor da equipe) não quiseram”, disse.

Uma das explicações que Tevez deu para a mudança, antes dela ocorrer, foi a insatisfação de não ser titular no United. Essa seria a melhor explicação, se for verdade. O craque está trocando uma Ferrari por um Fusca porque tem ganas de jogar, não aguenta sentar no banco. Jogando, tem mais chances de ir à Copa e, até quem sabe, conquistar a vaga de titular na seleção de Maradona.

Mas temo que essa explicação não se sustente integralmente. Num negócio intermediado pelo homem que foi gerente da MSI no Corinthians, é difícil imaginar que a questão central não esteja relacionada a dinheiro. Tevez assinou com o City um contrato de quatro anos, milionário, num valor muito acima do que recebia no United.

Alguém pode se perguntar: qual é o interesse desse assunto? Aprecio muito Tevez, sua forma de jogar. Também admiro a sua história, a sua trajetória, e acho que a sua passagem pelo Corinthians foi muito interessante. Guardo dele a imagem de um jogador que seria, de fato, capaz de trocar de time – mesmo indo para uma equipe pior – apenas pelo prazer de jogar, pela possibilidade de ser titular. Por mais que me esforce, porém, acho difícil acreditar que isso tenha acontecido.

Crédito da foto: Reuters

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
15/07/2009 - 09:23

Quando Harry, Hermione e Ron querem beijar e namorar

Compartilhe: Twitter

Para quem não acompanha os livros da série, a principal surpresa em “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” é constatar que aquelas crianças que tinham 11 anos no princípio da história estão em plena adolescência. Harry, Hermione e Ron estão a fim de beijar e namorar, naturalmente. Mas como fazer isso enquanto Voldemort trama contra o pequeno mágico e ameça Dumbledore e Hogwarts?

É sobre esse fio da navalha que caminha David Yates, diretor do filme anterior e também dos próximos dois, que encerrarão a série. Na falta de uma novidade maior, é esta a questão que os críticos têm focado em seus comentários sobre o novo Harry Potter. 

Enquanto Voldemort e seus Comensais da Morte aprontam as piores maldades, o ruivinho Ron corre, alucinado, pelas escadas de Howgarts, atrás das saias de uma colega; Hermione passa mal, de ciúmes; e Harry finalmente dá o seu primeiro beijo em Gina (reza a lenda que a cena foi filmada 24 vezes até se chegar à breve imagem que vemos na tela).

Um dos segredos da série Harry Potter é o fato de, além de agradar as crianças, ter interessado aos adultos. Em alguns países, os livros chegam a ser comercializados com duas capas, uma mais “adulta”, mas o mesmo conteúdo, justamente para atrair este outro público.

Para este universo de espectadores mais velhos, as estripulias amorosas de “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” talvez sejam, de fato, pouco interessantes. Com 153 minutos, é um filme longo, que pode ser cansativo para quem está mais interessado em efeitos especiais e conflitos entre o bem e o mal do que em namoros adolescentes. Não à toa, alguns jornalistas dormiram durante a sessão matinal para a imprensa em São Paulo.
 
Na minha maneira de ver, “O Enigma do Príncipe” não vai decepcionar os fãs jovens da série. Para eles, creio, faz todo sentido ver Harry e seus amigos divididos entre a diversão e o dever.

Os fãs também não devem se surpreender com as adaptações feitas pelo filme em relação ao livro. Não vou falar aqui, mas está tudo na Internet, para quem ainda não sabe – tanto as novidades do filme, o que ficou de fora do livro, como tudo que acontece com os personagens.

Num mundo cada vez mais infantilizado, onde adultos se divertem em programas juvenis, não deixa de ser saudável que um filme sobre jovens para jovens desagrade os mais velhos. A bilheteria dos próximos dias dirá se a aposta da Warner deu certo.

Para quem tiver interesse em conhecer alguns números dessa franquia, publiquei hoje no Último Segundo o texto Harry Potter, o produto mais global e valioso da indústria.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: ,
14/07/2009 - 18:37

Pirataria com celular dentro do cinema é ficção, afirma diário britânico

Compartilhe: Twitter

Como ocorreu há uma semana, durante a sessão para a imprensa de “Harry Potter”, a exibição para jornalistas na noite de segunda-feira, 13, do filme “Bruno”, de Sacha Baron Cohen, foi cercada de cuidados com a segurança. Os cerca de 200 jornalistas presentes passaram pelo constrangimento de serem revistados com um detector de metais antes de entrarem no cinema.

Como relatei aqui no blog (Seguranças vigiam jornalistas em sessão de “Harry Potter”), a deselegante medida visa o combate à pirataria. É necessário dizer que cuidados desse tipo são hoje tomados pela indústria cinematográfica em todo o mundo, não apenas no Brasil, e que os jornalistas são advertidos antes de irem ao cinema que passarão por algum tipo de controle.

O temor da indústria é que algum jornalista ou convidado dessas sessões vips faça uma cópia do filme utilizando o aparelho celular. O que, em tese, é possível com os aparelhos de última geração disponíveis no mercado.

A novidade, revela nesta terça-feira o diário britânico “The Guardian”, um dos mais importantes do mundo, é que a principal preocupação da indústria não procede. O jornal ouviu executivos ligados a diferentes entidades de combate à pirataria e chegou à conclusão que não existe um único caso conhecido de filme pirateado dessa forma.

Todos os casos conhecidos – e a cópia de “Wolverine” é o mais recente e famoso – foram feitos a partir de matrizes obtidas dentro dos próprios estúdios ou junto a fornecedores das empresas cinematográficas.

O jornalista do “Guardian” afirma que o risco de um jornalista fazer uma cópia pirata de um filme dentro do cinema é tão grande quanto o risco, nos casos em que é obrigado a deixar o seu aparelho de telefone sob custódia na entrada, de ver roubados dados essenciais guardados nele.

Recomendo a leitura da reportagem do diário britânico aos executivos da indústria de cinema no Brasil. Quem sabe não desistam de causar estes constrangimentos a quem vai ao cinema por obrigação, para escrever sobre os filmes.

Em tempo: o texto que escrevi sobre o novo filme de Sacha Baron Cohen, Mais escrachado, “Bruno” repete a fórmula de “Borat” foi publicado na manhã desta terça-feira no Último Segundo. A dica sobre a reportagem do “Guardian” me foi passada pelo jornalista Leandro Meireles Pinto, do iG.

Atualizado às 19hs. Logo que este texto entrou no ar, leitores afirmaram conhecer vários sites piratas, que permitem “baixar” filmes, cujas cópias foram obtidas por meio de câmeras dentro de salas de cinema. Via Twitter, o leitor Carlos Cardoso foi enfático: “TODOS os sites de torrents estão CHEIOS de versões “CAM” filmadas de dentro do cinema, com camcorders”. Eduardo Honorato também escreveu: “Uma vez vi um via torrent que um vulto se levantava e voltava com pipoca e refrigerante, no meio do filme. rs” Joâo Freire me chamou a atenção que o foco da reportagem do “Guardian” é o uso de celulares, e não de câmeras, como apressadamente cheguei a escrever também.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Internet Tags: , , , , ,
13/07/2009 - 14:27

Nem o cachorro é de verdade na “Fazenda”

Compartilhe: Twitter

Passei uns dias sem assistir “A Fazenda” e, ao regressar neste domingo, fiquei espantado. Não acontece nada neste programa. Ninguém briga com ninguém. Ninguém namora ninguém. Ninguém fala nada engraçado. Ninguém conspira contra ninguém… Que reality é esse?

De mais picante até agora, se entendi direito, é esse – como podemos chamar isso? –  “chove, não molha” entre Mirella e Carlinhos. Mas o ex-namorado da Sabrina Satto avisou em rede nacional que conhece Latino, o marido da Mirella, e jamais “faria isso” em público. Ou seja, a lengalenga vai continuar.

Só para se ter idéia do marasmo, veja as últimas notícias do programa, direto do blog  que a turma do Babado está fazendo:

1. “Tomara que ele vá logo embora”, diz Mirella com raiva de Carlinhos. Comentário do blog: “É claro que todos sabem que a loira só falou isso na hora da raiva… Mirella ficou com raivinha”; 2. “Jonathan é encrenqueiro”, alfineta Mirella; 3. Jonathan pede desculpas para Samambaia; 4. Dani Carlos fica três dias sem tomar banho; 5. Luciele briga com Fabiana por causa das roupas de Samambaia; 6. Sem paciência, Pedro dá bronca em Luciele; 7. Samambaia confessa que já traiu o ex-namorado Gustavo; 8. Luciele questiona a amizade de Fabiana; 9. Cai na Internet vídeo de Jonathan fazendo “telefonema” para Latino; 10. Danni Carlos diz que conversa com Deus desde criança.

Quanta animação!!!

E cadê o Dado Dolabella? Neste domingo, vi o ex-bad boy em três situações apenas: abraçando os colegas que voltaram do paredão, fazendo carinho num cachorro e sorrindo para todos os lados. Pelo visto, a Record voltou a fornecer o medicamento que combinou com o ator.

Ah! O cachorro. Outra novidade para mim. Tem um golden retriever dentro da casa. O bicho, bonito e carinhoso, dá trela para todo mundo e anda com uma bandana amarrada em volta do pescoço. Num primeiro momento, li apenas o seu nome, Max, e pensei: eis, enfim, um momento de bom humor e ironia da “Fazenda” – batizar o cão com o nome do vencedor do último BBB, da rival Globo.

Ainda pensei: ótima idéia, substituir o Theo Becker pelo Max. A animação vai continuar, imaginei. Melhor que isso, só se o cachorro se chamasse Priscila. Ou, melhor ainda, como sugeriu uma amiga, só se o Theo e o Max pudessem dividir o mesmo teto na casa.
 
Mas comecei a estranhar depois de ouvir Britto Jr. tecer loas ao bicho: “Não existe a menor dúvida que o cão é o melhor amigo do homem”, disse. Hum… Prestei mais atenção e me dei conta do óbvio: Max é o nome de uma linha de produtos para cães. Está lá por força de uma ação de merchandising. E mais, li no site do fabricante: o cachorro vai ficar em “A Fazenda” até o final do programa.

Em resumo, não acontece nada na “Fazenda” e, quando acontece, não é de verdade.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , , , ,
13/07/2009 - 10:14

Por que comemorar gol é desrespeito ao adversário?

Compartilhe: Twitter

Adriano, o Imperador, marcou o segundo gol do Flamengo, no empate com o São Paulo, mas preferiu não comemorar, “em respeito ao adversário” e à sua torcida. Alguém pode me explicar por que comemorar um gol, a alegria maior que existe no futebol, pode ser entendido como desrespeito ao adversário?

Adriano tem uma dívida de gratidão com o São Paulo, que o recebeu muito bem no seu primeiro exílio no Brasil, em 2008. Em crise na Inter de Milão, o jogador recuperou a forma e o prazer de jogar no primeiro semestre do ano passado no Morumbi. Retornou a Milão, voltou a ficar de baixo astral, e foi mais uma vez repatriado, no início de 2009, desta vez pelo Flamengo.  

Mas o que essa dívida de gratidão tem a ver com comemorar um gol contra o São Paulo? Realmente, não entendo essa “ética” do futebol. Cenas como essa (na foto, o exato momento em que o jogador, depois de marcar, avisa que não vai comemorar) sempre soam, para mim, como demagogia – a promessa de algo que não se pode cumprir. Se Adriano não queria “desrespeitar” o São Paulo não deveria entrar em campo.

Entrou porque é profissional, alguém dirá. Sim. Marcou gol porque é profissional, dirá outro. Sim. Mas ficou triste por marcar um gol? Ficou chateado de, naquele momento, vencer o São Paulo? Conta outra. Essa história de fazer um gol e voltar para o seu campo, sério, aparentando tristeza, eu não engulo.  

Em tempo: O leitor Flavio I chama a atenção para um caso excepcional, o do atacante Quarentinha, maior artilheiro da história do Botafogo, cuja trajetória foi muito prejudicada pelo estranho hábito de não comemorar os seus gols. Sua história é narrada em detalhes na ótima biografia recém-lançada, “Quarentinha, o artilheiro que não sorria”, de Rafael Casé.

Crédito da foto: Vipcomm

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
12/07/2009 - 12:31

O “pé na bunda” como obra de arte

Compartilhe: Twitter

Um belo dia a francesa Sophie Calle abriu o computador e, entre os novos e-mails, havia uma mensagem de um namorado comunicando o fim da relação. Confuso, ambíguo, mal escrito, o texto segue a clássica cartilha do rompimento amoroso: “a culpa não é sua, é minha”, insiste o autor do e-mail.

“Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos”, escreve o cara. “Mas hoje seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável”, prossegue. “Cuide de você”, encerra.

Sem saber como responder. Sophie Calle resolveu fazer algo a que tem se dedicado com sucesso já há 30 anos: transformar a vida cotidiana, inclusive a sua, em objeto da arte. Ela convidou 107 mulheres, das mais diferentes profissões, a interpretarem a carta.

Uma juíza viu no texto uma honesta “rescisão de contrato”. Uma revisora apontou erros, redundâncias e construções mal feitas. A criminologista concluiu que o autor da carta é “elegante, charmoso e sedutor”, mas também “orgulhoso, narcisista e egoísta”. Uma adolescente foi sucinta em sua interpretação: “Ele se acha!”. A delegada de polícia não viu qualquer crime na carta: “Afinal, não nos apaixonamos por nossa própria conta e risco?”

Sophie Calle fotografou as diferentes mulheres que interpretaram a carta e fez vídeos, nos quais outras pessoas, como as atrizes Maria de Medeiros e Victoria Abril, apresentam diferentes leituras do documento.

Tudo isso reunido integra a exposição “Cuide de Você”, exibida em 2007 na Bienal de Veneza, e depois na França, Canadá e Estados Unidos. Desde sábado, 11 de julho, e até 7 de setembro, está em exibição em São Paulo, no Sesc Pompéia. Entre 22 de setembro e 22 de novembro, a exposição poderá ser vista no MAM da Bahia, em Salvador.

Artista performática, Sophie Calle tem se dedicado a diferentes experiências, mais ou menos controladas, ao estilo de “Cuide de Você”, desde o início de sua carreira. Em 1979, seguiu um desconhecido pelas ruas de Paris, conheceu-o, depois continuou seguindo-o numa viagem a Veneza, enquanto documentava todo o processo com fotos. No mesmo ano, escolheu ao acaso 28 pessoas para dormir na sua cama, em turnos consecutivos de oito horas, por uma semana, fotografando-os.

Em duas ocasiões diferentes pediu à mãe que contratasse um detetive particular para segui-la, sem que ela soubesse, e criou exposições com as fotos e relatórios do investigador. Uma versão desse trabalho foi exibida na 28ª Bienal de São Paulo, em 2008.

Antes de inaugurar a exposição no Sesc, na sexta-feira, 10, Sophie Calle participou da 7ª Festa Literária de Paraty, numa mesa intitulada “Entre quatro paredes”. Adivinhe quem dividiu a mesa com ela? O escritor Grégoire Bouiller, autor de “O Convidado Surpresa” (CosacNaify), recém-lançado, ex-namorado de Calle e, “por acaso”, autor da carta de rompimento que deu origem à exposição “Cuide de Você”.

Na véspera do debate, que seria o primeiro encontro entre os dois desde o e-mail de rompimento, Bouiller e Calle foram vistos dividindo uma mesa, animadíssimos, num restaurante em Paraty. Durante o debate literário, o escritor defendeu o direito de dar um pé na bunda na namorada. “Não é proibido dar um fora em alguém”, disse. “Sei que isso provoca dor, mas todo mundo tem o direito de amar alguém e deixar de amar”.

Irônica, Sophie Calle respondeu: “Mas o e-mail terminava com a frase ‘cuide de você’. E você sabe que eu sei me cuidar”. A exposição em cartaz em São Paulo mostra que a artista tem razão.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , ,
11/07/2009 - 12:06

Fifa proíbe propaganda religiosa e adverte o Brasil

Compartilhe: Twitter

Com alguma discrição, a “Folha de S.Paulo” noticia neste sábado que a Confederação Brasileira de Futebol recebeu na sexta-feira, 10, um ofício da Fifa “afirmando que não irá mais permitir mensagens religiosas em comemorações de jogadores durante suas competições”.

A notícia, em duas notas curtas na seção Painel FC, se completa com a informação que a Fifa, “detectou” ter ocorrido “propaganda religiosa no caminho para a tribuna de honra após a seleção vencer a Copa das Confederações”.

O recebimento do ofício da Fifa se dá menos de duas semanas após a partida decisiva, contra os Estados Unidos, concluída com um culto religioso no centro do gramado, sob a liderança do zagueiro e capitão Lucio.

Dois dias depois da partida, o jornal “O Estado de S.Paulo” informou que a atitude da seleção brasileira havia provocado reclamações de entidades filiadas a Fifa, como a Associação Dinamarquesa de Futebol, e também críticas na imprensa britânica.

Na ocasião, o jornalista Jamil Chade escreveu: “A Fifa confirmou ao ‘Estado’ que mandou um alerta à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas, já que a manifestação ocorreu após o apito final.”

Um texto publicado neste blog, Fervor religioso nos gramados causa constrangimento, gerou quase 400 comentários – muitos deles negativos. Um grande número de comentaristas enxergou no texto uma crítica à liberdade de expressão religiosa, quando, na verdade, o que está em discussão é a propaganda e o proselitismo religioso em espaços públicos frequentados por pessoas de diferentes credos.

O ofício da Fifa avança em relação ao alerta de duas semanas atrás e, tudo indica, gerará uma reação em cadeia. A principal conseqüência, imagino, será a proibição aos jogadores de exibir em campo, mesmo depois dos jogos, camisas com inscrições religiosas, como as usadas por Lucio, Kaká e cia depois da final da Copa das Confederações.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , , , , , ,
09/07/2009 - 15:50

Na vitória do Corinthians, o gol mais bonito será esquecido

Compartilhe: Twitter

O jogo está 4 a 0 e o time que está perdendo reúne forças para, aos 42 do segundo tempo, deixar a sua marca no placar. É o chamado “gol de honra”. Gosto muito dessa expressão por se referir, implicitamente, ao sacrifício, ao sofrimento e espírito de luta do time perdedor, capaz de balançar a rede do adversário mesmo sofrendo uma derrota humilhante.

O gol de Conca, do Fluminense, contra o Corinthians, na quarta-feira (8), quase foi um “gol de honra”. O tricolor perdia de 3 a 0 no Pacaembu quando o argentino teve um desses lampejos mágicos, que diferenciam um jogador comum de um craque, e com um drible apenas se livrou de toda a defesa do Corinthians, ficou diante do goleiro Felipe e tocou para o fundo do gol.

A obra-prima de Conca não pode ser chamada de “gol de honra” porque o Fluminense ainda marcou uma segunda vez, antes de Ronaldo liquidar a partida e fechar o placar em 4 a 2. Acabou sendo, para usar outro clichê do futebol, um “gol inútil”, no sentido de que não serviu para evitar a derrota.

“De honra” ou “inútil”, o gol de Conca sofrerá, como tudo que se relaciona com os derrotados no esporte, a síndrome do esquecimento. A enquete que o iG Esporte está promovendo mostra isso. Ele tem apenas 12% dos votos e perde de goleada para dois dos três gols que Ronaldo marcou na partida.

Não discuto que o Fenômeno, mais uma vez, deu aula de futebol no Pacaembu. Mostrou todos os seus recursos na partida. Fez gol de pé esquerdo, de pé direito, driblando, pegando de primeira e por aí vai. Foi o craque da partida, sem dúvida.

Isoladamente, porém, o gol de Conca é uma jóia de maior valor, na minha opinião. Mais difícil de se realizar, exige visão de jogo, raciocínio veloz e habilidade. Uma pena que, amanhã, ninguém mais se lembrará dele. Assim é o futebol.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
08/07/2009 - 09:24

No futebol, só a audiência importa, lamenta Tostão

Compartilhe: Twitter

O ex-jogador Tostão se tornou uma referência no jornalismo esportivo pela rara combinação de conhecimento sobre o que fala, inteligência, independência, lucidez e equilíbrio. É um dos meus ídolos na área. O seu livro de memórias, “Tostão – Lembranças, Opiniões, Reflexões sobre Futebol”, é uma pequena jóia, indispensável a quem sonha seguir carreira no jornalismo esportivo.

Por tudo isso, chega a surpreender o tom de Tostão na sua coluna desta quarta-feira na “Folha de S.Paulo”. A contundência começa pelo título – “Quem manda é o mercado” – e prossegue desde a primeira linha. Reproduzo os três primeiros parágrafos:

Cruzeiro e Estudiantes fazem hoje o primeiro jogo decisivo. A Taça Libertadores da América é o título mais importante e mais desejado pelos clubes brasileiros e argentinos.

Mesmo assim, a CBF, para atender aos interesses da Globo, adiou o jogo entre Corinthians e Fluminense para o mesmo dia e horário da partida da Libertadores. Para a Globo, o jogo pelo Brasileiro dá mais audiência no Rio e em São Paulo.

Estou curioso para saber qual das duas partidas será transmitida para outros Estados, fora Minas, Rio e São Paulo. Com certeza, será a que a Globo acha que vai dar mais audiência. Quem manda é o mercado.

É, de fato, uma situação tão absurda que dispensa outros comentários da minha parte.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: , , , ,
07/07/2009 - 17:57

Twitter faz piada no “showneral” de Michael Jackson

Compartilhe: Twitter

A homenagem fúnebre a Michael Jackson foi ”o” assunto desta tarde de terça-feira nas tevês e na Internet. Como não poderia deixar de ser, o “showneral”, como alguém definiu, foi acompanhado minuto a minuto (ou segundo a segundo) no Twitter. Muita gente se emocionou com a homenagem, muita gente reclamou dos excessos e muita gente achou graça de tudo isso.

Tenho grande admiração por quem é capaz de ver humor mesmo nas situações mais difíceis. Por isso, com todo respeito a quem se comoveu com a cerimônia, publico abaixo as melhores piadas que colhi no Twitter ao longo das duas horas de homenagem a Michael Jackson.

@lapena: sacanagem! rabecão do michael jackson não fez o moonwalk…

@Cardoso: Segurança forte no enterro do MJ. Besteira, ele é legal, quem iria tentar matá-lo?

@alexprimo: Uma última homenagem legal seria carregar o caixão do MJ fazendo moonwalking. ;-P

@dafnesampaio: nem morto eu queria a mariah carey…

@ruivamuller: Escuto I’ll Be There e lembro de Sandy e Jr. Ninguém merece…

@christianpior: Gente, qdo a Xuxa morrer será q vai ser igual? Show das ex-paquitas na casa rosa?? Não quero nem pensar…. Meu coração já se comprime!

@fernandomolica: E se a moda do velórioshow pegar? Com todo o respeito: imagina o enterro de próceres da música sertaneja. Vida longa para eles!

@Cardoso: Estou prevendo uma enorme liquidação de luvas de lantejoula -mão direita- amanhã.

@verbofeminino: Da série verbo masculino: um barrigudo meio flácido aqui ao lado vê Brook Shields na TV e diz, sabe o quê? “Como ela está velha!” Pode?Pode.

@pedrow: admiro a praticidade. jennifer hudson, por exemplo, já tá com aquela roupinha pré-parto.

@silviamarques: Datena e a outra não sabem quem é a Jennifer Hudson. Que mico. //mas o Theo Becker eles sabem.

@barbaragancia: Tá tudo meio desengonçado, mas também, mesmo sendo a capital do entretenimento, os caras só tiveram uma semana e pouco pra ensaiar

@r_rrodrigues: O funeral do MJ tá mais agitado que a missa do Padre Marcelo Rossi. Falta agora o defunto querer dar uma de Lázaro!

@christianpior: Brooke Shields tá chorando pq cancelaram Lipstick Jungle…

@davidbutter: Puta merda. O Jermaine Jackson é a versão crescida do minicraque Jorge Henrique, do Curíntia.

@pablovillaca: No funeral do Michael Jackson, quem está ficando soterrado é o Twitter.

@ascanioseleme: michael never stopped giving, disse a oradora. michael nunca parou de dar, traduziu cristiana pelagio. faz sentido, diria ancelmo gois.

@doni: Hoje vejo o que o funeral do Mussum poderia ter sido. :-( (hahahhahahahaaaha)

@Cardoso: A Fox está repetindo! So Michael Jackson para ter um funeral com BIS!

Deixei passar alguma boa? Pode mandar que eu incluo…

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura, Internet Tags: , , , ,
07/07/2009 - 15:05

Seguranças vigiam jornalistas em sessão de “Harry Potter”

Compartilhe: Twitter

“Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, sexto filme da série, estréia na próxima quarta-feira, dia 15, em todo o Brasil. Na manhã desta terça-feira ocorreu uma sessão especial para a imprensa, em São Paulo, assistida por cerca de 200 jornalistas.

A série sobre Harry Potter já arrecadou em todo o mundo cerca de US$ 4,5 bilhões, o que faz dela a principal galinha dos ovos de ouro da Warner Bros. Não por acaso, a empresa se cerca de cuidados para evitar – ou ao menos remediar – a pirataria do filme.

Os jornalistas convidados para a sessão são um dos alvos principais do estúdio. No convite para a sessão, enviado por e-mail, já vem uma advertência:

Seguindo normas internacionais adotadas nas exibições prévias do filme, solicitamos que, ao acessar a sala de exibição, você não traga consigo telefones celulares e demais aparelhos eletrônicos, tais como máquinas fotográficas, filmadoras, gravadores e similares.

E mais:

Este procedimento – padrão em todas as exibições antecipadas do filme, quer para jornalistas, quer para convidados – tem por objetivo reduzir os riscos de cópia não autorizada da obra artística em questão, além de evitar incômodos durante a sessão, tais como telefonemas e luzes na platéia.

A empresa adverte os jornalistas antecipadamente que “haverá vigilância nas dependências da sala de exibição” e faz uma ameaça velada a todos. “A Warner Bros. Pictures conta com sua colaboração a fim de que a cabine ocorra sem imprevistos que comprometam a integral experiência de assistir ao filme.”

“Quem está acostumado a comparecer a cabines já passou por esta situação antes”, me diz um dos assessores de imprensa da Warner. “Já pegamos um jornalista filmando com um celular dentro do cinema”, acrescenta.

As sessões para a imprensa são chamadas de “cabine” desde que, na década de 70, os jornalistas especializados em cinema – um número que cabia em duas mãos – assistiam a sessões em pequenas salas (as cabines), dentro das próprias empresas distribuidoras. Hoje estas sessões são realizadas em grandes salas de cinema, mas ainda são chamadas pelo velho nome.

Assim que os jornalistas chegam para a cabine eles têm os seus nomes conferidos numa lista e são encaminhados para dentro do cinema. Antes de entrarem, porém, devem deixar aparelhos de telefone, câmeras e filmadoras com três recepcionistas, que os guardam em envelopes individuais, numerados.

Não há revista nem detectores de metais na entrada, mas alguém me diz que já foi revistado em outra sessão de cinema para a imprensa.

Dentro da sala, dois seguranças ficam postados de pé, junto à tela, virados para a platéia durante toda a exibição do filme. Como não há revista na entrada, alguns jornalistas entram com seus celulares – um deles, ao meu lado, consulta o seu aparelho antes de o filme começar. Uma assessora da Warner aproxima-se dele e pede que ele guarde o telefone.

Por duas horas e meia, os seguranças encaram a platéia, em busca de luzes suspeitas que possam aparecer no meio da sala – sinal de que alguém estaria filmando o filme. Nenhum “imprevisto” ocorre durante a sessão

Ao final, os jornalistas fazem fila para sair. Primeiro, ganham um brinde – um guia para jogar xadrez de Harry Potter, uma varinha mágica e uma peça do jogo. Na sequência, passamos por uma segunda fila, onde recuperamos nossos aparelhos de celular.

Outra hora eu conto do filme.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
06/07/2009 - 16:19

Marcelo Tas e Luciano Huck trocam farpas pelo Twitter

Compartilhe: Twitter

O apresentador Luciano Huck, da Rede Globo, superou seu colega Marcelo Tas, da Band, e já é o terceiro perfil mais popular do Twitter no Brasil, atrás apenas de Mano Menezes e do programa “Fantástico”. A notável escalada de Huck, hoje seguido por 148 mil pessoas, se deu por meio de um artifício: o apresentador ofereceu brindes (telefones de última geração e aparelhos de tevê) aos seus seguidores.
 
Huck escreveu no início da tarde desta segunda-feira: “Hoje vamos bater os 150.000!! Tem gente morrendo de ciúme da nossa turma daqui. Vamos com tudo!!!”. Em seguida, observou: “Um monte de gente me criticou. Achei que seria mais bacana distribuir para a turma, do que vender patrocínio do meu twitter e só eu ganhar.”

Em resposta a este texto, Marcelo Tas foi irônico em seu Twitter: “Distribua também o patrocínio do Caldeirão!” Seguido por 135 mil pessoas, Tas caiu para a quinta posição no ranking brasileiro, atrás também de seu colega de CQC Rafinha Bastos, que tem 137 mil seguidores.

Falei agora há pouco, por volta das 15hs, com Tas. “Não tenho nada contra distribuição de brindes. A Internet é livre. Cada um faz o que quer”, disse. “Só acho que isso é a aplicação do modelo da televisão do século passado. Aquela coisa de ‘quem quer bacalhau?’, ‘quem quer dinheiro’. Se tem quem ache isso legal, não é um problema meu”.

Para quem não sabe, Tas está comparando a prática de Huck, que oferece, como diz, “mimos” aos internautas, com os apresentadores Chacrinha, que atirava bacalhau para o público, e Silvio Santos, famoso por jogar dinheiro para a platéia do seu auditório. “Com a Internet, a gente passou para outra fase do relacionamento com o leitor, espectador”, acredita Tas.

Questionei o apresentador, ao final da conversa, se as suas críticas a Huck não seriam vistas como ressentimento ou ciúmes por ter perdido o posto de twitteiro mais popular do país. Eis o que respondeu:  “Previ que ele ia me passar na semana em que ele entrou no Twitter. Não é surpresa. Agora, posso garantir que não tenho seguidores falsos ou que criam um perfil para participar de um concurso e nunca mais me seguem”.

Atualizado às 21h51: No início da noite, o humorista Helio de la Peña, do Casseta&Planeta, escreveu: “sobre a polêmica @huckluciano x @marcelotas: opinião é que nem bunda. é por isso que não dou a minha.” Em resposta ao humorista, Huck minimizou o conflito, dizendo não ver nenhuma polêmica no caso, e fez piadas sobre a aparência de Tas (é careca) e a sua própria: “Que polêmica? Só se for sobre dicas de shampoo ou plástica de nariz.”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Internet, televisão Tags: , , ,
06/07/2009 - 13:18

Você sabe que está faltando assunto quando…

Compartilhe: Twitter

1. Roger Federer é o assunto da capa dos cadernos de esportes da Folha, Globo e Estadão.

2. A manchete do Google News é “Visita de Obama à Rússia resultará em negócios de US1,5 bi”.

3. A notícia mais divertida sobre “A Fazenda” é: Jonathan dá tapinha no bumbum de Luciele e toma bronca dela.

4. O link mais clicado no Twitter é para um vídeo terrivelmente sem graça postado pelo site de humor Kibe Loco.

5. Blogueiros e twitteiros, inclusive eu, ainda falam da Flip, encerrada no domingo.

6. Doze dias depois da morte de Michael Jackson, ainda se especula sobre o enterro do seu corpo.

7. Você olha pela janela e vê que o tempo está bom em São Paulo e o trânsito flui sem problemas.

8. No Senado, parece, ninguém ainda chegou para trabalhar – ou fazer revelações.

9. A crise em Honduras… é em Honduras.

10. O autor escreve uma bobagem dessas no seu blog.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, jornalismo Tags:
Voltar ao topo