Quando o repórter pergunta o óbvio ao craque
Já escrevi duas vezes neste blog sobre clichês do futebol. No primeiro texto, em novembro do ano passado, anotei o lugar comum que sempre surge em final de campeonato, dito por jogadores: “O time deles é muito grande para cair”. No segundo, registrei uma coleção de clichês ditos em uma única semana por craques do futebol paulista.
Muitos leitores reclamaram, nos dois posts, que anotei apenas lugares comuns ditos por jogadores, mas não observei que essas frases são faladas, com frequência, em resposta a perguntas igualmente óbvias e repetitivas.
Pois bem. Hoje é o dia de mostrar que o leitor tem razão. Noite de terça-feira, Vasco e Fortaleza jogam pela Série B do Brasileiro, em São Januário. Aos 45 minutos do primeiro tempo, Alex Teixeira fez um belo gol, abrindo o placar para o time da casa. Minutos depois, a caminho do vestiário, o craque é abordado pelo repórter, que manda:
– O gol saiu no momento certo, não?
– É verdade – responde o jogador, educadamente. “Mas existe momento errado de marcar um gol?” – ele deve ter pensado…
Outra pergunta sempre feita à beira do campo, igualmente irritante, é: “O que você espera dessa partida?” O dia que um técnico ou um jogador responder o que realmente passa pela sua cabeça vai ser uma revolução.
Reunindo os melhores lugares comuns anotados por mim e pelos leitores, nestes três posts, temos até agora a seguinte seleção:
“Futebol é momento”
“Temos que respeitar o adversário”
“O grupo está unido”
“Essa é uma partida de seis pontos”
“Ainda não ganhamos nada”
“O importante é poder colaborar com o grupo” ou “Estou aqui para contribuir e ajudar a equipe” (quando está na reserva)
“Precisamos valorizar mais a posse de bola” (no intervalo da partida)
“O professor pediu para eu ajudar na marcação” (à beira do campo, antes de substituir um colega)
“O time teve muitas oportunidades, mas não soube aproveitar” (explicando a derrota)
“Nosso time ainda não ganhou nada…” (depois de uma vitória)
“Futebol não tem mais bobo”
“Clássico é clássico”
“Libertadores não aceita erro e desatenção”
“Acho que o time está de parabéns e a torcida deu um grande exemplo de como apoiar o time”.
Se você tiver alguma sugestão para aumentar a lista, pode mandar.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: clichês, Futebol, lugares comuns



” … JOGAMOS MAL PORQUE O GRAMADO ESTAVA MUITO RUIM ! Esquecem sempre que o gramado é o mesmo para os dois times
Como se sente depois dessa vitória? Com muita fome, respondeu Romário.
Após um golaço de Ronaldo fenômeno, Luciano do Vale exclamou:” Deus existe, Deus existe!”. Eu não sabia que era preciso ver um jogador fazer um gol para o narrador saber que Deus existe.
Os jogadores, além de jogarem bola, deveriam ser gênios para dar respostas originais a perguntas imbecis.
.Corrigindo: para darem em vez de para dar
É dificil fazer perguntas inteligentes quando o assunto é futebol. Esse é um esporte que é uma caixinha de surpresas, nem sempre vence o mais forte, o jogador quando perde sai de cabeça erguida e tem pela frente um arduo trabalho para o próximo compromisso, clássico é clássico e vice-versa, o time deu o melhor de si, esperam sempre um resultado positivo, o grupo se manterá unido seguindo os interesses do professor.
E tem repórter que pergunta “quais os planos para o futuro”, como se houvessem planos para o passado, se o jogador está triste por perder a partida, se está contente em vencer um clássico, o problema é que o time não rende porque perde a “segunda” bola (como se não houvesse somente uma bola em campo), no intervalo dizem que têm que “correr atrás do prejuízo”, quando o correto era corrrer atrás do lucro, a diretoria diz que o técnico está “prestigiado” e assim vai. Quando se unem a mediocridade dos reporteres esportivos com a ignorância dos jogadores, esperam o quê? Que o estádio está lotado e a torcida empurrará o time, como aconteceu com o Cruzeiro na Libertadores ?
Agora tb os jogadores costumam falar que o futebol foi “mais divertido”, “mais solto”, que “curtiram mais o jogo” mesmo quando a tensão predominou na partida e tudo o que se conseguiu foi marcar um ou dois suados gols. Puro lugar comum…
Voltando a falta de preparo e criatividade do repórter brasileiro (existem boas exceções) e julgando a necessidade de se “vender” notícias do que simplesmente informar, fico puto quando em qualquer jogo do Corinthians, o criativo e culto repórter pergunta:
_ Como você se sente jogando ao lado do Ronaldo?
_ Como você se sente jogando contra o Ronaldo?
Tudo bem que o cara é o fenômeno, mas esses dias o Dentinho tinha marcado um puta golaço contra o Vitória, matando a bola, jogando ela no peito e disparando um puta canhão e no intervalo o cara vai me entrevistar o Dentinho e pergunta para ele sobre o passe do Ronaldo…
Pelo amor de Deus, amigos jornalistas, vamos dar mais valor a profissão de vocês…Do jeito que está, qualquer um faz….(Existem exceções, volto a lembrar).
E outra coisa: Jogador de futebol, tem que saber jogar futebol…Repórter é formado para saber perguntar…
Tomamos gols de bola parada, como se escanteio e faltas não fizessem parte do jogo.
Tem a máxima:
Treino é treino; jogo é jogo
Prezado Mauricio,
Não se engane. Esta história de jogador é assim em qualquer lugar do mundo. Só prá ilustrar, no EUA tem um cronista e comentarista, o excelente Tony Kornheiser, do Washington Post e da ESPN, que se recusa a entrevistar jogadores, seja de qual esporte for, em seu programa de rádio. Ele diz que não se aproveita praticamente nada do que eles falam. E olha que o nível dos atletas de lá é, em geral, melhor do que os daqui, pois para jogar em equipes profissionais, os atletas, em sua maioria, atuaram em times de universidades, o que, a princípio, faz supor que os ditos cursaram uma faculdade..
Acho q o pior do futebol é ver o galvão tentando inventar bordões ou apelidos como :”luis FABULOSO!!!!!!”.Isso é umas das coisas q empobrece o futebol.
Eu queria ser jogador um só instante só para responder esta pergunta:
Repórter pergunta ao Atacante que vai entar no 2º tempo: O que o treinador pediu pra você fazer?
Minha resposta seria: GOL P.O.R.R.A.!!!!!
Maurício, ouviu ontem no rádio a resposta de 4 minutos do Diego Souza falando sobre sua carreira? Uma obra-prima.
É uma delícia ficar relembrando ou transcrevendo esses clichês!
“Estamos aqui com o Marquinhos Goiano, voltando do intervalo… e então Marquinhos, acha que ainda tem condições de reverter esse placar???”
“Ah sim claro, sabemos que vai ser muito difícil, pois do outro lado está uma grande equipe. Masss, é aquela coisa né, nós temos que dar o nosso melhor eeee… buscar o resultado positivo.”
“Taí esse foi o nosso grande Marquinhos, atacante do Goiabaense… é com você Silvério!”
Uma vez ouvi uma narração da cobrança de um escanteio no rádio:
” Vai Éder, levantou rasteiro….”