“Horas de Verão”: o cinema francês resiste a Hollywood
Com duas semanas de atraso, escrevo para recomendar “Horas de Verão”, filme aparentemente despretensioso do francês Olivier Assayas, que resiste a “Harry Potter”, “Era do Gelo 3” e “Transformers” em três salas de São Paulo e duas do Rio.
Os primeiros 25 minutos apresentam a história. Hélène (Edith Scob) recebe os filhos e os netos para o almoço em sua bela, mas velha casa, a uma hora de Paris. Sobrinha de um pintor famoso, ela dedicou sua vida adulta à preservação e divulgação da obra dele. Agora está velha, cansada, e sente que seu tempo está chegando ao fim.
Em uma conversa com o filho mais velho, o único que mora na França, ela deixa entender o temor que tudo aquilo que ela preservou com tanto amor e carinho – os cadernos de desenho do tio, as obras de arte de pintores famosos, os objetos de design, os móveis de valor histórico e a própria casa – vai se perder com a sua morte.
“Horas de Verão” se desenvolve, então, em torno desta simples questão: como Fréderic (Charles Berling), o primogênito, e seus irmãos Adrienne (Juliette Binoche), que mora em Nova York, e o caçula, Jérémie (Jérémie Renier), que está vivendo na China, vão lidar com a herança e o legado da mãe.
Não vou entrar em detalhes, mas posso adiantar que pouca coisa acontece em “Horas de Verão”. Não é, porém, um filme centrado no texto, no diálogo, como é da tradição de certo cinema francês. Apoiado na câmera hábil e sensível do célebre diretor de fotografia Eric Gautier, Olivier Assayas conta uma história sem sobressaltos, mas reveladora do espírito do seu tempo, na França atual.
Nova York, Xangai e Pequim aparecem como sombras, num contraponto a um país que ainda cultiva o gosto pela arte e sua história, pelo respeito à tradição. Sem maniqueísmos, de forma delicada, Assayas fala de conflito de gerações, choque cultural e, especialmente, do tempo que passa.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: Horas de Verão, Juliette Binoche, Olivier Assayas



O filme é realmente incrível e ultimamente graças a Deus os franceses resistem e nos mandam ótimos filmes. Horas de Verão, realmente faz pensar no que somos, damos valor e nos que virão depois. Um retrato de um savoir-faire que passa. Fiquei muito incomodado com a cena final. Que geração é essa que estamos construindo? O que irão deixar; além dessa pseudo black music de gosto duvidoso que toma conta de tudo? É um grande filme, para quem realmente gosta de cinema e de boa temática vale a pena conferir. AH, não tem pancadaria e nem uma porrada, a porrada é no cérebro.
Abraço
É o tipo de filme que eu gosto, Maurício. Desde já, estou ansioso pra vê-lo.
Maurício, pelo que você nos passou, parece ser um bom filme e tem um detalhe, sou vidrado nesta atríz Juliette Benoche. Você por acaso se lembra do filme erótico a Insustentável Leveza do Ser? Pois bem, a Juliette dá um show em sua interpretação. Um abraço.
Caro Stycer,
Ainda sobre o twitter do neto de acm. o deputado acaba de lançar o PAT: Programa de Aceleração do Twitter. abraço.
Depois de ver Paris, de Cédric Klapich e “Há muito tempo que te amo”, este Hora de Verão (mal traduzido, pois deveria ser Horário de Verão), me pareceu supérfluo, distante e insípido. Todos os atores parecem chatear-se, passam batido por vários momentos que poderiam ser de puro deleite. O filme não traz humor algum, nem ironia, nem nada, pelo contrário, só um grande “spleen” e uma frieza beirando a frivolidade diante da vida e das circunstancias, plenas de formalidade – que aliás é típica dos franceses da classe social que aborda (alta classe média alta, quase aristocrática). O que salva é a visita ao Musée de Orsay, feita com muito respeito, mostrando que a França tem mesmo enraizado o hábito da preservação cultural. O tema principal e os transversais, como a perda das tradições, o domínio da economia de mercado, a leviandade da juventude e a indiferença diante de tudo isso mereceriam ser melhor explorados, sobretudo pelo elenco de 1a. linha que reuniu.
Vi ontem o filme Horas de Verão, e a principio achei o filme interessante, porém, concordo que faltou explorar alguns diálogos entre os irmãos. A cena final com os jovens de hoje nos faz pensar sobre essa nova geração e seus gostos.
Importante informar que após a morte da matriarca, o sono bate e voce dorme.
Assisti ao filme, mas fiquei decepcionado com o final do filme. Entendi a intenção do diretor de levar o espectador a uma reflexão dos gostos da juventude atual. No entanto, acho que essa intenção ficou a desejar. O filme deveria ter parado na cena da empregada avaliando a casa e se despedindo do sobrinho. Essa cena, na minha opinião, justificava todos os diálogos do filme.
O filme Horas de Verão me fez pensar qual é a função da Arte neste nosso mundo globalizado,como é feita a aquisição de bens culturais,qual a sua dinâmica,qual a relação entre a sociedade e
o patrimônio cultural desta mesma sociedade. Ficou claro que o valor econômico e sentimental cada um dá segundo suas prioridades sua vivência e suas diferenças.
Deve ser interessante mesmo, gosto de cinema europeu alternativo, cult, “noir” e experimental, seja em curta, média ou longa metragem, antigo ou atual, em preto e branco, colorido, mudo ou falado o cinema me cativa.