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14/07/2009 - 18:37

Pirataria com celular dentro do cinema é ficção, afirma diário britânico

Como ocorreu há uma semana, durante a sessão para a imprensa de “Harry Potter”, a exibição para jornalistas na noite de segunda-feira, 13, do filme “Bruno”, de Sacha Baron Cohen, foi cercada de cuidados com a segurança. Os cerca de 200 jornalistas presentes passaram pelo constrangimento de serem revistados com um detector de metais antes de entrarem no cinema.

Como relatei aqui no blog (Seguranças vigiam jornalistas em sessão de “Harry Potter”), a deselegante medida visa o combate à pirataria. É necessário dizer que cuidados desse tipo são hoje tomados pela indústria cinematográfica em todo o mundo, não apenas no Brasil, e que os jornalistas são advertidos antes de irem ao cinema que passarão por algum tipo de controle.

O temor da indústria é que algum jornalista ou convidado dessas sessões vips faça uma cópia do filme utilizando o aparelho celular. O que, em tese, é possível com os aparelhos de última geração disponíveis no mercado.

A novidade, revela nesta terça-feira o diário britânico “The Guardian”, um dos mais importantes do mundo, é que a principal preocupação da indústria não procede. O jornal ouviu executivos ligados a diferentes entidades de combate à pirataria e chegou à conclusão que não existe um único caso conhecido de filme pirateado dessa forma.

Todos os casos conhecidos – e a cópia de “Wolverine” é o mais recente e famoso – foram feitos a partir de matrizes obtidas dentro dos próprios estúdios ou junto a fornecedores das empresas cinematográficas.

O jornalista do “Guardian” afirma que o risco de um jornalista fazer uma cópia pirata de um filme dentro do cinema é tão grande quanto o risco, nos casos em que é obrigado a deixar o seu aparelho de telefone sob custódia na entrada, de ver roubados dados essenciais guardados nele.

Recomendo a leitura da reportagem do diário britânico aos executivos da indústria de cinema no Brasil. Quem sabe não desistam de causar estes constrangimentos a quem vai ao cinema por obrigação, para escrever sobre os filmes.

Em tempo: o texto que escrevi sobre o novo filme de Sacha Baron Cohen, Mais escrachado, “Bruno” repete a fórmula de “Borat” foi publicado na manhã desta terça-feira no Último Segundo. A dica sobre a reportagem do “Guardian” me foi passada pelo jornalista Leandro Meireles Pinto, do iG.

Atualizado às 19hs. Logo que este texto entrou no ar, leitores afirmaram conhecer vários sites piratas, que permitem “baixar” filmes, cujas cópias foram obtidas por meio de câmeras dentro de salas de cinema. Via Twitter, o leitor Carlos Cardoso foi enfático: “TODOS os sites de torrents estão CHEIOS de versões “CAM” filmadas de dentro do cinema, com camcorders”. Eduardo Honorato também escreveu: “Uma vez vi um via torrent que um vulto se levantava e voltava com pipoca e refrigerante, no meio do filme. rs” Joâo Freire me chamou a atenção que o foco da reportagem do “Guardian” é o uso de celulares, e não de câmeras, como apressadamente cheguei a escrever também.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Internet Tags: , , , , ,

2 comentários para “Pirataria com celular dentro do cinema é ficção, afirma diário britânico”

  1. Diogo Azevedo disse:

    O texto do “Guardian” é ‘enfático’ ao se referir (desde o título) a filmagens feitas com aparelhos celulares e não com câmeras.

    Se tratando de filmagens e pirataria de filmes com celulares, realmente é um fato inédito. Os atuais aparelhos, por mais moderno que sejam não são capazes de gerar imagens que se quer beiram a terrível qualidade das “versões CAM” citadas pelo Cardoso.

    Quando algum filme aparece na Internet antes mesmo de iniciarem as exibições no cinema (tendo sido exibido somente para imprensa e VIPs), é certeza que a cópia vazou e não foi filmada…

    O pessoal que fez os adendos finais, provavelmente não leram a reportagem do Guardian.

    Abraço

  2. Luis Fernando disse:

    Quem se contenta em assistir um filme, gravado no cinema por um celular, não merece atenção da indústria cinematográfica.

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