No futebol, só a audiência importa, lamenta Tostão
O ex-jogador Tostão se tornou uma referência no jornalismo esportivo pela rara combinação de conhecimento sobre o que fala, inteligência, independência, lucidez e equilíbrio. É um dos meus ídolos na área. O seu livro de memórias, “Tostão – Lembranças, Opiniões, Reflexões sobre Futebol”, é uma pequena jóia, indispensável a quem sonha seguir carreira no jornalismo esportivo.
Por tudo isso, chega a surpreender o tom de Tostão na sua coluna desta quarta-feira na “Folha de S.Paulo”. A contundência começa pelo título – “Quem manda é o mercado” – e prossegue desde a primeira linha. Reproduzo os três primeiros parágrafos:
Cruzeiro e Estudiantes fazem hoje o primeiro jogo decisivo. A Taça Libertadores da América é o título mais importante e mais desejado pelos clubes brasileiros e argentinos.
Mesmo assim, a CBF, para atender aos interesses da Globo, adiou o jogo entre Corinthians e Fluminense para o mesmo dia e horário da partida da Libertadores. Para a Globo, o jogo pelo Brasileiro dá mais audiência no Rio e em São Paulo.
Estou curioso para saber qual das duas partidas será transmitida para outros Estados, fora Minas, Rio e São Paulo. Com certeza, será a que a Globo acha que vai dar mais audiência. Quem manda é o mercado.
É, de fato, uma situação tão absurda que dispensa outros comentários da minha parte.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: Corinthians, Cruzeiro, Globo, Libertadores, Tostão



Olha, essa é a mesma discussão sobre filmes iranianos belissimos passando num cine clube tosco enquanto as salas gigantes dos shoppings passam o blockbuster da semana.
Não adianta, a Globo oferece o que o público que ver. Quando o Tostão diz que quem manda é a audiência, a impressão que passa é que essa tal audiência é um monstro, um robo, uma lei, mas não um grupo de pessoas que assistem ao programa X ou Y. É inegável que o jogo do Cruzeiro teria uma audiência muito menor que o jogo do Corinthians em todas as regiões fora Minas Gerais. O futebol na Globo é feito para os torcedores esporádicos., não para nós que adoramos o esporte.
Somos um país muito grande e é difícil conseguir manter o interesse do público médio em times que não sejam da região onde vivemos. O estado de SP já sofre tentando cobrir decentemente 4 grandes times, imagina se tivessemos que ser justos e dar o mesmo espaço aos dois grandes do RS, aos 4 do Rio e aos dois de BH. É impossível.
Não somos como a Inglaterra, que é pequena e com 4 grandes times com torcida em todo o país.
Sem contar que respeito o Tostão como o grande colunista que é, mas apesar do texto irrepreensível, fica claro que essa movimentação foi feita pois o time que está na Final é o Cruzeiro. Se fosse o Grêmio o Tostão teria essa mesma reação?
Longe de mim querer diminuir a importância do Tostão, mas quando se trata de futebol, mesmo o maior dos maiores se rende, mesmo que inconscientemente, a sua paixão. E eu aposto que se formos analisar os números da audiência, veremos que a Globo fez um ótimo negócio.
Ainda mais agora, vendo o estrago que o Ronaldo fez. Mesmo nos programas imparciais da TV a cabo e nos jornais Brasil a fora, a notícia do dia foi a atuação do Ronaldo. Aí eu uso uma frase tosca que nem sei de quem é:
O IMPORTANTE É O QUE IMPORTA!
E o que importa hoje no Brasil é a repercussão do Ronaldo no Corinthians.
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