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02/07/2009 - 10:39

Fervor religioso nos gramados causa constrangimento

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As cenas de fervor religioso exibidas pela seleção brasileira depois da conquista da Copa das Confederações ainda repercutem no mundo. Ao ver os jogadores brasileiros ajoelhados rezando no meio do gramado, comandados pelo zagueiro Lucio, um narrador da rede britânica BBC observou que o capitão da seleção “parecia um pregador evangélico pela emoção com que proferia cada palavra”. Em texto publicado em seu blog, no site da BBC, o jornalista Ricardo Acampora escreveu:

“Num lugar como a Grã-Bretanha, onde o povo está acostumado a conviver respeitosamente com diferentes religiões, surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da seleção brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões.”

E disse ainda:

“Se arriscam a serem confundidos com emissários de pregadores dispostos a aumentar o número de ovelhas de seus rebanhos às custas do escrete canarinho, como emissários evangélicos em missão. Para os críticos deste tipo de atitude, isso soa oportunismo inadequado e surpreende ver que a Fifa não se opõe a que jogadores se descubram do “manto sagrado” que os consagrou para exibir suas preferências religiosas.”

A repercussão negativa não se restringiu à Inglaterra. O jornal “O Estado de S.Paulo” informa nesta quinta-feira que a Fifa “mandou um alerta à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos”.  Escreve o jornalista Jamil Chade:

“Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes europeus hoje. Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo. Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir a seleção brasileira.”

Ouvido pelo jornal, Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa, confirmou que pediu à Fifa que tome providências no sentido de reprimir manifestações como as realizadas pela seleção brasileira na África do Sul.

Como no domingo, depois de Brasil e Estados Unidos, nesta quarta-feira, ao final de Corinthians e Internacional, alguns jogadores da equipe paulista vestiram sobre o uniforme uma camiseta com as palavras “I Love Jesus”. Mas, diferentemente do que ocorreu na Copa das Confederações, foram manifestações isoladas, e não houve em campo nenhum ato religioso promovido pelo grupo corintiano.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , , , , , ,

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450 comentários para “Fervor religioso nos gramados causa constrangimento”

  1. entendo a questão que está sendo discutida, referente ao extremismo de outras religiões.
    mas antes manisfestações de fé do que cenas de violência, que estamos tão acostumados a ver fora e dentro dos estádios.

  2. Eu não vi absolutamente nada de errado nas manifestações dos jogadores. Pra mim foi algo como dizer “eu amo minha mulher”.

    Não houve imposição alguma, nenhum jogador tentou obrigar ninguém a participar da religião deles, nem coisa assim. E, muito menos, as mensagens foram ofensivas contra qualquer outra religião.

    Ao meu julgamento, eles estavam no seu próprio direito.

    Abraços!

  3. Leitor disse:

    Sou total a favor do que aconteceu.

    Eles estão lá para jogar, para fazer seu trabalho, mas isso não impede que antes de iniciar eles façam uma oração a Deus, não impede que eles peçam a Jesus Cristo que lhes ajudem, não impede que eles agradeçam a Jesus por terem lhes ajudado.

    Se o outro time não quer fazer isso, não faça, mas respeite.

    Jesus live.

  4. No final da Copa de 2002 foi a mesma coisa, a mesma celebração e na época ninguém ousou dizer nada. Creio que ninguém pode ser reprimido (pra mim, não permitir a manifestação, sobretudo religiosa e sadia, que sua cultura defende, é repressão) quanto a sua religiosidade. Estão fazendo tempestade em copo d’água, mais por ignorância e frieza do que por temerosidade ou até precaução.

  5. Olha com certeza todo fanatismo é burro. Mas não vejo mal em jogadores se abraçarem para agradecer a um Deus que eles acreditam… ngm ali precisa ser necessariamente evangélico ou católico, o importante é que naquele momento eles estão agradecendo a algo que eles acreditam ser superior a eles e digno de agradecimento pelo título. Concordo em partes com o texto e declarações da FIFA e afins, mas acho que cada um comemora como quer, não existe nenhuma regra que diga que eles não possam vestir camisas com os nomes dos Deuses que eles servem, independentemente de qual seja. E isso émais comum que se imagina, afinal no começo de qualquer pelada sempre rola uma oração e tal… enfim, como disse, não concordo 100%.

  6. douglas mizerani disse:

    se fossem mulçumanos a comunidade internacional ira falar que eles estavam organizando um atentado!!
    concordo plenamente com a materia !
    sou a favor da liberdade de escolhas seja religiosa, sexual, politica etc desde que a axibiçao dessas escolhas nao ofenda ou constraja( tá certo?) o restante da populaçao
    grande abraço

  7. Letícia disse:

    nossa, nunca imaginei que uma demonstração de ‘fervor religioso’ em um campo de futebol fosse incomodar tanto alguém ‘-’

    realmente, as pessoas que se manifestaram contra o ato de ‘propagação de uma crença’ de forma tão pública estão certas; afinal, mostrar fé diante dos torcedores é polêmico, até mesmo errado.
    certo mesmo é violência em fim de jogo, isso sim é totalmente legal!

    ironias à parte, por quê tanto radicalismo? onde está a liberdade de expressão? os jogadores muçulmanos praticantes rezam em direção à Meca 5 vezes por dia, os jogadores judeus praticantes não podem jogar no sábado, e isso deve ser respeitado. por que, então, uma prática tão saudável quanto falar com Deus deve ser contida? só porque há câmeras filmando ali? o tal ‘fervor religioso’ que causou ‘constrangimento internacional’ é punido, enquanto os ‘fervores mundanos’, esses sim destrutivos, continuam nos campos livremente, como as agressões, por exemplo.
    triste, muito triste ver que existem pessoas tão preconceituosas, que se ofendem por um simples gesto como esse.

  8. Marina disse:

    Para mim o problema não foram os brasileiros, mas o medo e preconceito escancarado dos ocidentais contra africanos e muçulmanos de exporem sua fé também, como se agradecer a Deus, fazer um sinal de cruz ou encostar a testa no gramado (como fazem os muçulmanos) fosse alguma guerra.

  9. Deveriam se preocupar mais com as violências que acontecem dentro e fora de campo, a corrupção ativa dentro do futebol, entre outras questões do tipo, e não com jogadores que oram. Não vi problema nenhum no ato de fé dos jogadores. Achei bonito e talvez tenha sido justamente esse fervor que fez a diferença em campo. Em time que tá ganhando não se mexe!

  10. Sei não, acredito que se trata de liberdade de expressão e liberdade cultural. Se algum dos 11 jogadores se recusam a participar, certos estão eles. Ninguém é obrigado a aceitar. Mas acho que é preciso cuidado pra não confundir as coisas.

    Graças a esse tipo de discurso que se contradiz usando “a convivência respeitosa entre diferentes religiões…” como desculpa para reprimir justamente as religiões, é que rumamos a um cenário de “manifestações reprimidas” que deve evoluir até saírem do campo. E isso pode ser bem ruim. É um xiismo ao contrário.

  11. Extremismo?

    Constrangimento?

    Somos parte de uma nação que hoje pode ser considerada protestante e o ato dos jogadores é algo completamente natural que acontece há décadas (literalmente), através de vários jogadores diferentes em diferentes situações (os atletas de Cristo existem há muitos anos, por exemplo).

    No esforço de se padronizar tudo e todos, acabamos por cometer atrocidades como no caso francês, onde as jovens mulçumanas passaram a ser proibidas de usar o lenço nos cabelos em sala de aula.

    Creio que há uma diferença entre “ser” e “ser extremista”.

    Há que respeitar a coletividade sem aniquilar a individualidade.

  12. [...] Fervor religioso nos gramados causa constrangimento Ao ver os jogadores brasileiros ajoelhados rezando no meio do gramado, comandados pelo zagueiro Lucio, um narrador da rede britânica BBC observou que o capitão da seleção “parecia um pregador evangélico pela emoção com que proferia cada palavra”. [...]

  13. Agnes Arato disse:

    O brasileiro é religioso e bastante tolerante, se comparado com outros povos do mundo. Nunca vimos perseguições religiosas por aqui. Quem questiona o comportamentamento dos jogadores brasileiros não conhece o Brasil. A diferença é cultural: para o brasileiro médio, não há problema nenhum nos jogadores serem evangélicos, mesmo ele (torcedor) sendo católico, espírita, umbandista ou outro… Rezar o pai nosso, pedir a Deus e benzer-se (ou orar) antes de entrar em campo faz parte da nossa cultura.

  14. pixelzero disse:

    Eu ainda tenho que ler isso mais uma vez pra ter uma opnião.

  15. Marcos Pinho disse:

    Mais complicado ainda e que qualquer proibição ou advertencia vai soar entre os demais crentes como perseguição religiosa e eles vão ficar cada vez mais afetados. O ideal era deixar correr ai quando a disputa ficar realmente maluca as pessoas iam começar a apelar para o bom senso. Enquanto isso as conseguencias para o futebol, para o mercado e para os organismos serão imprevisíveis.

  16. A explosão da religiosidade humana é uma das caracteristicas da pós modernidade, ou hipermodernidade au ainda modernidade líquida. O hiper-realismo, como a cena que vimos no gramado faz parte deste mesmo contexto. Como esperar que comentaristas de uma atividade atrofiada e conservadora como o futebol entendam esta questão.

  17. Junior disse:

    Partindo da premissa que “todos estão acostumados a conviver respeitosamente com diferentes religiões” e que “a todo homem é permitido expressar a sua fé” não vejo absolutamente nada errado nas manifestações da seleção brasileira de futebol.

    Conselho: pare de falar asneiras, pinte o cabelo, mude de time, de profissão e de religião.

    Obrigado.

  18. Thiago Rosa disse:

    Isto mostra dois detalhes do nosso futebol. 1° Os jogadores brasileiros não são orientados para evitarem este tipo de postura pois não existe uma política para controle nem mesmo de normas em relação as culturas de outros paises. Mesmo os jogadores, na maioria, morarem fora do Brasil e conhecerem certa face desta realidade nos respectivos lugares, ele se sentem livres para agir de qualquer maneira com o uniforme da seleção. Ai você a falta de comando 2° Os jogadores da seleção seguem uma mesma religião? Nem sempre. E aqueles que não seguem, o que acontece? Neste ponto, o futebol brasileiro é pródigo. Ou você acredita, ou você não é jogador de futebol.

  19. pixelzero disse:

    Estes ingleses deviam se preocupar com o racismo nos gramados e a transformação de jogadores em estrelas publicitarias. Eu vi na tv: Eles NATURALMENTE sentaram e agradeceram.

  20. É claro que todo excesso é desnecessário.
    Mas não há nenhuma fundamentação na crítica do jornalista Ricardo Acampora. Demosntração de religiosidade nunca fez mal a ninguém.
    Daí a isso se tornar expressão de radicalismo religioso é um salto gigantesco.
    Aliás, a crítica foi impressionantemente mais extremista do que o ato dos jogadores em si.
    Quanto à insinuação de que a Fifa deveria repremir tal tipo de ato, isso nada mais é que um completo disparate.
    Ainda se alguém tivesse pegado um microfone e começado a pregar a plenos pulmões para o estádio inteiro, tudo bem. Mas uma oração entre a equipe? Qual o problema de ser no meio do campo? Aqueles que assistiam à partida – e o próprio jornalista – é quem deveriam respeitar a crença daqueles que se encontravam no campo.

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