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01/07/2009 - 11:38

Por que o debate sobre concentração não avança no futebol?

Há dois dias, Ronaldo fez uma ótima observação sobre o excesso de concentração no Corinthians. Disse ele: “Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio venceria sempre. Temos que fazer o máximo para conseguir esse título e passar o resto do ano mais tranquilo, porque eu, particularmente, estou cansado”.

A frase teve muita repercussão, mas pouca discussão – e não lembro de ter lido nenhuma menção ao seu autor original, o jornalista João Saldanha (1917-1990), que disse: “Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto.” Desde o final da década de 60, Saldanha defendia a idéia que os excessos da concentração eram desnecessários e que os jogadores de futebol, em sua maioria, tinham consciência que o desempenho em campo estava relacionado ao bom estado físico.

Saldanha foi um dos precursores no futebol da idéia de oferecer “liberdade com responsabilidade” aos atletas. Adotada em outros países a partir da década de 70, a proposta nunca encontrou eco no Brasil, salvo em raros episódios, como a Democracia Corintiana, liderada por Sócrates, na década de 80.

Mano Menezes evitou polemizar com Ronaldo, mas defendeu o rígido regime de concentração adotado pelo Corinthians: “É um sacrifício explicável num momento como esse”, disse, encerrando o assunto.

Como ocorreu com Saldanha, Ronaldo pregou no vazio. Creio que no ambiente do futebol brasileiro permanece forte a idéia que os jogadores, em sua maioria, são crianças irresponsáveis, que só pensam em se divertir, e que precisam ser tuteladas.

Estou com Saldanha e Ronaldo: acho que concentração não ganha jogo. O que você acha?  Por que esse debate não prospera no Brasil?

Aproveito para recomendar duas leituras a quem se interessar em conhecer um pouco mais das idéias de João Saldanha. São duas ótimas biografias sobre o jornalista; “João Saldanha – Sobre nuvens de fantasia”, de João Maximo (Relume Dumará), e “João Saldanha – Uma vida em jogo”, de Andre Iki Siqueira (Companhia Editora Nacional).

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,

24 comentários para “Por que o debate sobre concentração não avança no futebol?”

  1. MARCOS NEGRÃO disse:

    Realmente teria que ser um debate, pois li o que Ricardo Gomes disse e também tem fundamento. O Brasil é quase um continente, distância de 2000, 3500 km e seria impraticável os jogadores se encontrarem no dia do jogo. Se forem debater mesmo, verão que aqui no Brasil tem tantos fatos prós como contra.

  2. OSWALDO JR disse:

    Mauricio, o fim das concentrações para jogadores de futebol só será possível se fechar todas as boates do Brasil.

  3. carlos cesar dos santos disse:

    Se analisarmos a quantidade de casos negativos envolvendo jogadores, veremos que, diante da quantidade destes profissionais existentes no Brasil o percentual é mínimo.
    Melhor seria cuidarmos dos políticos que elegemos com a mesma seriedade.
    Quatro dias de concentração significam 96 horas “dentro” da empresa. Deve desgastar mesmo.

  4. Wal disse:

    Vixi !! E o que dizer dos jogadores daqui da Bahia??
    São 366 dias ..sim..366 …rsrs ..dias de festa! Axé!!

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