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Arquivo de julho, 2009

31/07/2009 - 13:01

De pai para filho: o delicado papel do crítico de cinema

Paulo Emilio Salles Gomes (1916-1977), talvez o mais importante crítico e historiador do cinema brasileiro, disse certa vez, a título de provocação, que o pior filme nacional é melhor que qualquer filme estrangeiro.

Com esta frase famosa, Salles Gomes procurou estimular o exercício crítico de olhar para o cinema brasileiro como uma forma de expressão capaz de nos ensinar sobre a nossa própria cultura, independente da qualidade do filme. Por esse raciocínio, um mau filme pode nos ajudar a entender, por exemplo, o nosso lugar periférico no mundo, a nossa ignorância em relação a uma série de questões e, também, nos obrigar a pensar sobre o próprio cinema.

Desde a década de 60, as idéias de Salles Gomes influenciam, em diferentes graus e medidas, a crítica cinematográfica brasileira. E há razões objetivas, de natureza política e econômica, que fogem a uma discussão puramente estética, para explicar porque o cuidado ao julgar um filme brasileiro costuma ser diferente do dedicado aos filmes estrangeiros.

O Brasil não tem, como os Estados Unidos, uma indústria poderosa, capaz de produzir milhares de filmes por ano. O apoio do Estado ao cinema ainda é relativamente pequeno, comparado ao que outros países, como a França, oferecem. Cada filme que chega às telas costuma ser fruto de um esforço enorme, de muito sacrifício e dedicação, ao longo de dois ou três anos.

Também afeta, de alguma forma, e isso é um problema geral que envolve a atividade do jornalismo cultural, a proximidade do jornalista com a fonte. O mesmo crítico que jamais conhecerá o diretor estrangeiro sobre o qual escreve, é obrigado a conviver com cineastas brasileiros em festivais e eventos sociais, quando não é, por acaso, amigo do sujeito.

Para piorar, há cineastas brasileiros que, sem atentar para o constrangimento, colocam-se de pé, bem visíveis, à porta das salas de cinema, nas sessões especiais em que seus filmes são exibidos para a imprensa. 

Por tudo isso, de uma maneira geral, há um cuidado maior no momento de avaliar um filme brasileiro. Entendo e respeito. Mas me preocupo quando percebo que esse cuidado deságua numa condescendência paternal. Crítico de cinema não deveria ser paternal nunca.

Mas, sendo inevitável tratar do filme brasileiro como uma criança que precisa de cuidados, que o crítico seja, ao menos, um pai severo. Nada pior para um filho que o pai que não sublinha as diferenças entre o certo e o errado.

Passar a mão na cabeça de um diretor pelas poucas qualidades de seu filme e fingir indiferença em relação aos seus defeitos é um desserviço que os críticos, às vezes, prestam ao cinema brasileiro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
30/07/2009 - 12:12

Chico Anysio x “Casseta & Planeta” x “CQC”: fios de uma polêmica

A recente discussão pública entre Danilo Gentili e Rafinha Bastos, do CQC, com Helio de la Peña, do “Casseta & Planeta” chama a atenção para um fato raro, mas não inédito: discussões sérias entre pessoas especializadas em fazer o público rir.

A última grande polêmica entre humoristas brasileiros tem origem no final dos anos 80, do século passado, quando a turma do “Casseta & Planeta” começou a atuar na Rede Globo. Depois de participarem como redatores do “TV Pirata”, os humoristas fizeram uma primeira tentativa de programa próprio com “Dóris para Maiores”, que não deu muito certo, e em 1992 começaram o humorístico que até hoje é exibido na emissora.

Em resposta ao impacto inicial do programa, muito bem recebido por público e crítica, Chico Anysio fez críticas pesadas à turma do “Casseta & Planeta”. Para o veterano humorista, Bussunda & Cia faziam um tipo de humor elitista, “só para a zona Sul” do Rio, em contraposição ao seu humor, de caráter popular.

O sucesso de Ibope do programa dos Cassetas mostra que a crítica de Chico Anysio era injusta. O veterano humorista, inclusive, fez uma participação especial no programa dos rivais em 2002, mas até hoje os trata com ironia e afirma que só fazem sucesso porque estão na Globo.

Em dezembro de 2008, à revista “Rolling Stone”, Chico, “encostado” pela emissora desde 2001, disse: “Preciso me desabituar a ver TV aberta, não gosto de humor na TV aberta. Na Globo, o que tem é o ‘Zorra Total’, que é um projeto meu, e o ‘Casseta e Planeta’. O programa deles não mudou muito, mudou?”

Em maio deste ano, extensa reportagem de Patrícia Kogut em “O Globo” procurou mostrar que a turma do “Casseta & Planeta” havia, finalmente, superado o luto pela traumática morte de Bussunda, ocorrida em plena Copa do Mundo de 2006, e dado início a uma nova fase. Um dos depoimentos colhidos pela repórter é de Marcelo Tas.

O capitão do “CQC” é apresentado como contemporâneo dos “cassetas”, mas de “outra turma”. Reproduzo o trecho da reportagem que cita Tas e as suas observações sobre os humoristas:

- Quando o “Casseta” estourou no horário nobre da Globo, me senti vitorioso como parte daquela geração. Eles concluíram a subida da montanha e cravaram a bandeirinha lá no topo. Nós temos histórias separadas, embora o Ernesto Varella (personagem de Tas na TV nos anos 80) tenha feito aparições no “Dóris para maiores”. Enquanto eles criavam o “Casseta” numa sala, eu trabalhava ao lado, no “Programa legal”, da Regina Casé e do Luiz Fernando (Guimarães). O Guel (Arraes) era o comandante dos dois times – lembra Tas.

Ele se diz amigo dos “cassetas”, embora já tenham sido apontados como rivais, e cita ainda uma identificação de geração. Mas acha que seu caminho é diferente:
 
- Eles misturam ficção com vida real, usam fantasias e maquiagem, têm personagens. Nós, no “CQC”, fazemos um humor de outra natureza, mais documental, vamos na realidade. Os jovens humoristas do “CQC” são herdeiros de Varella.

Sem querer chegar a uma conclusão, deixo apenas duas observações. É possível pensar que as duas polêmicas expressam choques de geração e visões diferentes sobre humor na televisão. Nada muito grave, mas surpreendente, porque não temos o hábito de ver humoristas discutindo publicamente, como pessoas normais, sem humor.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , ,
29/07/2009 - 10:53

Quando o repórter pergunta o óbvio ao craque

Já escrevi duas vezes neste blog sobre clichês do futebol. No primeiro texto, em novembro do ano passado, anotei o lugar comum que sempre surge em final de campeonato, dito por jogadores: “O time deles é muito grande para cair”. No segundo, registrei uma coleção de clichês ditos em uma única semana por craques do futebol paulista.

Muitos leitores reclamaram, nos dois posts, que anotei apenas lugares comuns ditos por jogadores, mas não observei que essas frases são faladas, com frequência, em resposta a perguntas igualmente óbvias e repetitivas.

Pois bem. Hoje é o dia de mostrar que o leitor tem razão. Noite de terça-feira, Vasco e Fortaleza jogam pela Série B do Brasileiro, em São Januário. Aos 45 minutos do primeiro tempo, Alex Teixeira fez um belo gol, abrindo o placar para o time da casa. Minutos depois, a caminho do vestiário, o craque é abordado pelo repórter, que manda:

–  O gol saiu no momento certo, não?

– É verdade – responde o jogador, educadamente. “Mas existe momento errado de marcar um gol?” – ele deve ter pensado…

Outra pergunta sempre feita à beira do campo, igualmente irritante, é: “O que você espera dessa partida?” O dia que um técnico ou um jogador responder o que realmente passa pela sua cabeça vai ser uma revolução.

Reunindo os melhores lugares comuns anotados por mim e pelos leitores, nestes três posts, temos até agora a seguinte seleção:

“Futebol é momento”

“Temos que respeitar o adversário”

“O grupo está unido”

“Essa é uma partida de seis pontos”

“Ainda não ganhamos nada”

“O importante é poder colaborar com o grupo” ou “Estou aqui para contribuir e ajudar a equipe” (quando está na reserva)

“Precisamos valorizar mais a posse de bola” (no intervalo da partida)

“O professor pediu para eu ajudar na marcação” (à beira do campo, antes de substituir um colega)

“O time teve muitas oportunidades, mas não soube aproveitar” (explicando a derrota)

“Nosso time ainda não ganhou nada…” (depois de uma vitória)

“Futebol não tem mais bobo”

“Clássico é clássico”

“Libertadores não aceita erro e desatenção”

“Acho que o time está de parabéns e a torcida deu um grande exemplo de como apoiar o time”.

Se você tiver alguma sugestão para aumentar a lista, pode mandar.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
28/07/2009 - 22:50

Dois cartoons malucos sobre o casamento

Não sei explicar direito as razões, mas adorei esses dois cartoons, publicados nas edições de 20 e 27 de julho da “New Yorker”, ambos sobre o mesmo tema, mas com enfoques bem diferentes (se desejar, clique nas imagens para vê-los ampliados).

 

 

 

 

 

 

 

 

Primeiro casamento?”

 

 

 

 

 

 

 

 

“Já estamos casados há 25 anos. Talvez
pudéssemos remover a lata que resta”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, jornalismo Tags: , ,
28/07/2009 - 09:46

O que aconteceu com Romário?

É impressionante a lista de más notícias recentes que envolve Romário. Depois de ser preso por 24 horas por não pagar pensão alimentícia à ex-mulher, o ex-jogador terá nesta terça-feira um apartamento avaliado em R$ 9 milhões leiloado em conseqüência do não pagamento de dívidas. A ação judicial que levou a este leilão foi motivada por obras em um apartamento de sua propriedade, que causaram danos em dois imóveis vizinhos.

O prejuízo foi calculado pela Justiça em 5,6 milhões. Romário também deve cerca de R$ 1,2 milhão de condomínio atrasado, além de mais de R$ 700 mil de IPTU. O craque da Copa de 94 teve três carros (Ferrari, Porsche e Mercedes Benz) e uma moto (BMW) penhorados, que podem ser leiloados caso o imóvel não alcance o valor necessário à quitação do que deve.

Em outras frentes, Romário coleciona diferentes ações na Justiça. Foi condenado a indenizar, no valor de R$ 900 mil, Zagallo e Zico por pintar caricaturas dos dois nos banheiros do Café do Gol, um bar do qual foi sócio, no Rio de Janeiro. Aliás, esta semana, o Baixinho foi condenado a pagar uma indenização de R$ 3,7 mil por passar um cheque sem fundo a um técnico de som, por serviços prestados no tal bar.

Não bastasse, em junho, Romário foi condenado a três anos e meio de prisão por crime tributário, além de sofrer uma multa de R$ 1,7 milhão, acusado de sonegação fiscal nos anos de 1996 e 1997. Ele ainda pode recorrer da decisão.

Há uma semana, foi obrigado a depor na polícia, suspeito de envolvimento num jogo conhecido como “pirâmide da fortuna” e, depois, voltou à delegacia para dar explicações sobre o destino de um carro seu, um Hummer, que teria sido passado adiante para cobrir o prejuízo que um conhecido teve no suposto esquema. Romário nega qualquer envolvimento no caso.

Nada disso parece combinar com a imagem que guardamos de Romário em seu período como jogador. O Baixinho era uma figura diferenciada. Além de ter sido um dos maiores atacantes do futebol brasileiro, construiu uma reputação original. Sempre demonstrou orgulho da fama de “bad boy” e “marrento”, que construiu com a ajuda de uma mídia complacente, ao mesmo tempo em que demonstrava coragem de falar “verdades” para dirigentes, técnicos, jogadores e jornalistas.

Fugindo dos lugares comuns, Romário cultivou o hábito, pouco comum no meio futebolístico, de falar o que passava pela sua cabeça, frequentemente em defesa dos seus próprios interesses e, em menor escala, dos “grupos” que integrou como jogador.

Pela segurança e auto-confiança que sempre demonstrou, Romário passava a impressão de que, diferentemente de outros jogadores, tinha a cabeça no lugar e sabia administrar a fortuna que o futebol lhe proporcionou. Pela avalanche de más notícias recentes, não é o que parece ter acontecido. O que será que houve?

Atualizado às 22h. Como informa o iG Esporte, não apareceu nenhum comprador no leilão judicial do apartamento de Romário. Novo leilão será realizado, no próximo dia 12 de agosto, desta vez com um lance mínimo 50% inferior ao pedido, como manda a legislação.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Esporte Tags: , , , , , , , ,
26/07/2009 - 14:33

Falando abertamente de “jabá”

Escrevi na última sexta-feira que a prática do jabá nas rádios brasileiras “é uma espécie de caixa-preta, muito bem protegida e imune, inclusive, à investigação jornalística”.  Comentava um texto do músico Tico Santa Cruz, publicado em seu blog, no qual ele afirma que o seu grupo, o Detonautas, está sendo boicotado pela rádio Mix FM. O músico contou que, certa vez, a rádio exigiu dos Detonautas que alterassem uma música já gravada para se adequar aos padrões da emissora. 

O jornalista Rodney Brocanelli, que mantém o blog Rádio Base, escreveu para me alertar que a “caixa preta” do jabá não é tão fechada assim. Ele me enviou trechos de uma entrevista de Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, à revista Playboy, em 2006, na qual o empresário fala abertamente do assunto. Eis o trecho:

PLAYBOY: Muita gente diz que você é jabazeiro [que cobra jabá].
TUTINHA: Me chamem do que quiser. Na minha rádio tem nota fiscal, tô pouco me danando. O cara para entrar no Fantástico também paga. Jabá é quando você faz ilegalmente na empresa. O que eu faço são acordos comerciais.

PLAYBOY: Que tipo de acordo?
TUTINHA: Por exemplo: hoje chegam 30 artistas novos por dia na rádio. Por que eu vou tocar? Eu seleciono dez, mas não tenho espaço para tocar os dez. Aí eu vou nas gravadoras e para aquela que me dá alguma vantagem eu dou preferência.

PLAYBOY: Que vantagem?
TUTINHA: Se você tem um produto novo, você paga pra lançar. Era isso o que eu fazia. Eu tocava, mas queria alguma coisa. Promoção, dinheiro. Ah, bota aí 100 mil reais de anúncio na rádio. Me dá um carro pra sortear para o ouvinte. Mas hoje não tem mais isso. As gravadoras não têm mais dinheiro. O que pode existir é o empresário fazer acordo. Ah, toca aí meu artista e eu te dou três shows. Ou uma porcentagem da venda dos discos
.

Brocanelli também publica em seu blog trechos de uma entrevista que fez com Roberto Miller Maia, ex-diretor da rádio Brasil 2000, na qual ele também fala abertamente do assunto. Eis o trecho selecionado:

Não existe o estar pagando para tocar, mas existe um acordo de cavalheiros. Como o U2 está dando ao ouvinte da rádio uma oportunidade de uma promoção que leva o sujeito para Miami, em contrapartida tem que se mostrar o trabalho dos caras. Por que uma banda fica famosa? Tem sempre aquele trabalho de marketing. Por mais que uma banda seja brilhante ou excelente alguém precisou falar sobre ela, instigar as pessoas a gostarem daquilo. E também existem as armações, que não duram nada. Se a banda for ruim, não vai adiantar. Tem que existir um mínimo de talento, de empatia com aquele grupo de pessoas a quem você vai oferecer esse produto. Isso tudo deveria ser uma coisa mais clara, ficou uma coisa obscura durante todos esses anos. Se tudo fosse às claras, não existiria corrupção.

Eis, portanto, duas manifestações que mostram que o jabá não é, como eu disse, uma caixa-preta sem chave.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo Tags: , , , , , , ,
25/07/2009 - 13:27

“Inimigos Públicos”: filme de arte com grande orçamento

Talvez a melhor definição para Michael Mann seja da crítica Manohla Dargis, hoje no “New York Times”: o diretor de “Inimigos Públicos” é um cineasta especializado em fazer filmes de arte com orçamentos milionários.

Há um evidente problema, do ponto de vista da indústria, nesta formulação. Os chamados “filmes de arte” costumam atrair um público restrito, logo não podem custar caro, para evitar prejuízos. Filmes com orçamentos muito altos precisam, necessariamente, alcançar o grande público, sob o risco, caso não atinjam o seu objetivo, de abalar as estruturas do negócio. São, por isso, quase sempre, filmes mais “fáceis”, de estrutura linear, previsíveis na forma e no conteúdo, capazes de atrair públicos de todas os gostos e idades.

O talento de Mann, novamente comprovado em “Inimigos Públicos”, talvez explique o fato de Hollywood, cada vez mais conservadora, continuar apostando altas somas de dinheiro em um diretor original, ousado e ambicioso. E pouco disposto, como a maioria de seus colegas, a fazer qualquer negócio para agradar o público. 

“Inimigos Públicos” se passa em 1933, num país ainda às voltas com a Depressão. Com habilidade, no cruzamento da saga de um gângster com a história de um policial, Mann retrata um momento peculiar dos Estados Unidos, com inúmeras alusões a outros períodos, em especial a finada era Bush.

John Dillinger (1903-1934), vivido por Johnny Depp, é um assaltante que fez fortuna – e colecionou fama – com ações espetaculares contra bancos, uma instituição que contava com pouca simpatia do público na época. Melvin Purvis (Christian Bale) é o agente especial de um FBI, a polícia federal, ainda com poucos recursos, que cruza o país em busca de bandidos tornados celebridades por humilharem o Estado.

O longo filme (140 minutos) gravita em torno desses dois personagens, retratados com complexidade.  Mann filma os assaltos e as ações policiais com câmera digital, criando efeitos espetaculares, surpreendentes mesmo.

Os primeiros resultados de “Inimigos Públicos” mostram que, como de hábito, o filme de Mann não será um campeão nas bilheterias. Com orçamento de US$ 100 milhões, arrecadou em três semanas nos Estados Unidos cerca de US$ 80 milhões. Não é um fracasso, mas está longe de ser um “blockbuster”.

Mann tem se equilibrado nesta corda bamba há muito tempo. Em “Heat” (1995), dispôs de US$ 50 milhões para colocar Al Pacino e Robert De Niro em cena num filme de gângsters que, a duras penas, se pagou.

No ótimo “O Informante” (1999), causou um razoável prejuízo ao cutucar a indústria do tabaco, num filme denso e corajoso, protagonizado novamente por Al Pacino, e também com Russel Crowe (orçamento de US$ 68 milhões, menos da metade nas bilheterias americanas).

Em “Miami Vice” (2006), a divertida – e colorida – versão para cinema da série de tevê, Michael Mann mais uma vez inovou e causou prejuízos: com orçamento estimado em US$ 130 milhões, arrecadou pouco mais da metade disso nos Estados Unidos.

O seu único sucesso comercial, de fato, é o também muito bom “Colateral” (2004), no qual Tom Cruise interpreta um frio matador, sob o olhar do motorista de táxi vivido por Jamie Foxx. Com orçamento de US$ 65 milhões, o filme faturou o dobro apenas nos EUA, fora o imenso sucesso em todo o mundo.

Com tanta bobagem em cartaz, vale a pena encarar “Inimigos Públicos”. Ao menos para prestigiar um diretor diferenciado nesta indústria.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , ,
24/07/2009 - 14:33

Socorro! O BBB9 volta a assombrar

Vou fazer uma confissão pessoal: ando atormentado por um pesadelo – o de que o “BBB9” ainda não acabou. Na tarde desta última quinta-feira, vi gritar na Internet uma notícia impressionante: “Naiá negocia posar nua na Playboy”.  Algumas horas depois, no afã de acalmar os fãs mais agitados, a revista divulgou um comunicado à imprensa: “A Playboy, ao contrário do que vem sendo noticiado, não está em negociação com a BBB Naiá.”

Mas o tormento continua. Na tarde desta sexta-feira, chegou a seguinte notícia na minha caixa postal: “Josy grava no Midas Studios”.  Abro o e-mail e lá está a boa nova: a ex-BBB está gravando um disco. A “música de trabalho”, ou seja, aquela que vai encher os nossos ouvidos, tem o criativo nome de “Fall in Love Again”. E mais: informa a sua assessoria que, “apesar de muito tempo confinada na casa do programa, a cantora não pode demonstrar alguns de seus talentos, como o de tocar piano muito bem”.

A semana já havia começado com uma bomba: Francine rompeu o namoro com Max, disse que faltava “pegada” ao rapaz e chegou à conclusão que foi usada pelo colega de confinamento durante o programa. Com gravidade, Francine denunciou: “Ele é um produto. As caretas são sempre as mesmas e isso não é à toa. Enquanto o produto vender, para que mudar?”.

O campeão do BBB respondeu: “Pra quem disse que nunca me machucaria ou me denegriria, taí. Lamento tudo isso. Dizer que eu usei para me promover? Eu ganhei o BBB mais difícil de todos, com conduta, respeito e ética!”

O que Flavio anda pensando disso tudo? Ainda não comentou a separação, mas no último fim-de-semana foi fotografado junto com Max numa festa no Morro da Urca, no Rio de Janeiro. Vamos aguardar o seu pronunciamento…

E Ana Carolina? A loirinha está envolvida no lançamento de uma revista masculina, a “Vip”, que a estampa na capa, protegendo os seios com os braços, e a legenda: “A estrela que nasceu no Big Brother 9”. Convidada a comentar a separação de Max e Francine, seus rivais no programa, ela disse: “Nunca acreditei, nunca vi amor entre eles. Eu via uma amizade, sem carinho de homem e mulher”.

Descobri que Ana Carolina está tão atrapalhada com sua carreira que não tem tempo de deixar São Paulo para visitar o pai, preso em Santa Catarina, acusado de participar de uma quadrilha que explora caça-níqueis. “Ele é inocente e está com a consciência tranquila, assim como eu”, disse ela.

A partir da semana que vem, e até o início de agosto, todos esses personagens vão ceder espaço à Priscila, cuja capa na próxima edição da “Playboy” já está sendo divulgada. A grande atração, parece, é uma foto do piercing que ela conserva em local inacessível aos simples mortais. Vai bombar, como se diz.

Para o pesadelo se completar só falta Mirla e Norberto aparecerem para assombrar. Bate na madeira.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica, televisão Tags: , , , , , , , , ,
23/07/2009 - 11:43

Qual é o seu Brasil x Argentina preferido?

Acaba de ser publicado um livro essencial para quem se interessa por história do futebol. “Brasil x Argentina – Histórias do maior clássico do futebol mundial (1908-2008)”, de Newton César de Oliveira Santos (Scortecci Editora, 616 págs., R$ 60) reconstitui todas as partidas entre as duas seleções.

Santos destaca no livro uma série de episódios curiosos, mostra que houve brigas e batalhas campais em 50% dos clássicos, trata abertamente dos problemas de racismo (somos os “macaquitos) envolvidos na disputa e descreve a trajetória dos inúmeros craques, de ambos os lados, que foram protagonistas em partidas das suas seleções.

Pedi ao autor que me dissesse quais, entre as quase 100 partidas entre Brasil e Argentina são as suas favoritas. Eis o seu top 5: 

1. Argentina 0 x 1 Brasil (27/09/1914): Primeiro jogo oficial e primeiro título em disputa, em meio a muita cordialidade de ambos os lados.

2. Argentina 6  x 1 Brasil (05/03/1940): Maior goleada da Argentina e maior diferença de gols em jogos entre os dois selecionados.

3. Brasil 5 x 2 Argentina (16/04/1963): Pelé deu show e marcou 3 gols.

4. Brasil 0 x 3 Argentina (03/06/1964): Argentina goleou com autoridade, em pleno Pacaembu, e arrancou rumo a seu primeiro grande título internacional, a Taça das Nações.

5. Brasil 4 x 1 Argentina (29/06/2005): Final da Copa das Confederações, primeira decisão entre as duas seleções de um torneio da Fifa fora da América do Sul, com os mais valorizados jogadores do mundo em campo (e fora dele) – e uma partida com cinco golaços.
 
Pedi também a Santos que escalasse uma seleção argentina e uma brasileira de todos os tempos, com base na disputa entre os dois países. Eis a sua resposta:

“Não me sinto em condições de ‘escalar’ uma seleção de todos os tempos, de nenhum lado, porque só acompanho os jogos desde 1974. Não vi jogar Fredenreich, Leônidas, Zizinho, Didi e mesmo Pelé. Da mesma forma, não vi Nolo Ferreira, Stábile, Moreno, Di Stefano, etc. Mas já dá para imaginar uma seleção com Leão, Oscar, Junior, Falcão, Zico e Ronaldo, de um lado, contra Fillol, Passarella, Mascherano, Kempes, Maradona e Messi, do outro. De quantos países no mundo podemos destacar jogadores deste nível de 30 anos para cá?”

Qual é o seu Brasil x Argentina preferido? E os seus craques favoritos?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
22/07/2009 - 15:21

Da série “Notícias que precisamos dividir com o mundo”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , , ,
21/07/2009 - 16:01

Cristian: o choro comovente de um jogador sem opção

Assisti agora há pouco trechos da entrevista de Cristian e Andre Santos, na qual se despedem da torcida corintiana com juras de amor e  a promessa de voltar, em algum momento, ao clube.

O depoimento de Cristian é realmente impressionante. Chorando muito, o volante deu a entender que soube, há poucos dias, pelo presidente do Corinthians que iria ser transferido para o futebol turco. E que aceitou a transferência porque muitas pessoas dependem dele.

Ouvindo-o, parece que o “passe” ainda é a moeda vigente futebol e que, como uma marionete, o jogador não tem controle nenhum sobre o seu destino. Como se sabe, antes da Lei Pelé, de 1998, que acabou com o passe, os jogadores tinham pouca ou nenhuma autonomia em relação aos clubes e eram negociados ao bel prazer dos cartolas.

Hoje, em tese, o jogador é livre para atuar onde quiser. Assina contratos com prazo de validade, com previsão de multa em caso de rompimento, e muda de clube de acordo com as leis de oferta e procura do mercado.

De um modo geral, os jogadores entregam sua carreira na mão do empresário, responsável por negociar o seu contrato com o clube e articular a sua transferência, normalmente para ganhar mais, mediante novos contratos e pagamento da multa rescisória.

A transferência de Cristian seguiu esse rito. O Fenerbahçe, da Turquia, vai pagar, estima-se, 7 milhões de euros para contar com o jogador, valor a ser partilhado entre os três clubes (Corinthians, Flamengo e Atlético-PR) que dividiam os seus direitos. O valor do contrato de Cristian com a equipe turca não foi divulgado, mas é tão alto na comparação com o seu atual que, segundo a “Folha” desta terça-feira, o jogador chorou ao ser informado da cifra pelo presidente do Corinthians.

Em resumo, embora a lei do passe não exista há mais de dez anos, Cristian parece estar trocando de clube obrigado. De um lado, está o Corinthians, interessado em embolsar uma bolada. E de outro, ainda que contra a sua vontade, o jogador é pressionado pela possibilidade de melhorar a sua situação socioeconômica.

O choro de Cristian é o choro verdadeiro, comovente, de um jogador sem opção.

Crédito da foto: Gazeta Press

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
21/07/2009 - 10:33

O assassinato de Michael Jackson e outros e-mails graves

Abro a caixa de entrada de uma de minhas contas de e-mail e logo uma mensagem me chama a atenção. O título, em caixa alta, diz: Salam. E a mensagem, num inglês à moda de Joel Santana, informa:

Dear Friend,
 
I am the Senior Staff in File Department of Micro Bank BF, Ouagadougou-Burkina Faso. I kindly needed your foreign partnership for Re-Transferring an amount of US$9.900, 000 Million Only into your account. For more Details, I wait your urgent reply. 
 
Regards,
Dr .Ali Hassan.

Quase US$ 10 milhões na minha conta… Dá tanta vontade de responder… Mas logo vejo outros e-mails importantes. Vídeo de Michael Jackson sendo assassinado dentro do hospital. Impossível não abrir para ler a mensagem. Ei-la:

Uma necrópsia que durou cerca de três horas  detectou “traumas externos” ou “circustâncias suspeitas” no corpo do cantor Michael Jackson, que morreu na quinta-feira (25/06/2009). Esse video gravado por telefone celular, mostra Michael Jackson sendo assasinado dentro  do hospital. Clique aqui para assisti-lo.

Resisto à tentação e não clico no link – um vírus, seguramente. Pulo para o próximo e-mail, mais atraente ainda: Método Como ganhar na LOTERIA. Diz o e-mail:

Revelado como ganhar na Loteria! Você gosta de jogar na loteria mas nunca ganha nem o que investiu? Então aprenda como ganhar o que você investiu, e aumentar as chances em 70%.

Outra boa notícia: A PROMOÇÃO da TV ONLINE DIGITAL foi prorrogada. É mesmo? Não sabia. Leio o e-mail.

Você é mesmo uma pessoa de SORTE! A Grande PROMOÇÃO da TV ONLINE DIGITAL, foi prorrogada até Quarta-Feira (22/07/2009) Então você ainda tem a chance de adquirir a TV ONLINE DIGITAL POR APENAS R$ 19,90!

Mas não só de boas notícias vive a minha caixa de entrada. Título eleitoral cancelado, grita o título da mensagem. O que eu fiz de errado para merecer isso?

Informamos que seu titulo eleitoral teve um Cancelamento provisório. O motivo do cancelamento foi sua ausência como mesário nas ultimas eleições, a qual motivou o cancelamento do mesmo e irregularidades em seu Cadastro de Pessoa Física (CPF). Para saber mais detalhes sobre esta irregularidade, e quais providências tomar, leia o regulamento clicando no link abaixo. Após clicar no link, será exibida uma janela, onde a opção “Abrir” deve ser clicada.

Sou obrigado a confessar: admiro a imaginação e a criatividade dos golpistas da internet. Lamento muito por aqueles que já caíram em golpes desses tipo, mas esses e-mails tem o estranho efeito de me fazer sorrir.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Internet Tags: , ,
20/07/2009 - 09:45

“NY Times” aceita financiamento externo para reportagens

Mais respeitado jornal do mundo, o “New York Times” é hoje, também, o principal termômetro da crise que atinge gravemente a mídia impressa nos Estados Unidos. Todos os seus passos são monitorados no esforço de entender quais são as saídas – se é que existem – para a perda de leitores e a queda na receita de publicidade que afetam todos os jornais do mundo.

Em sua mais recente coluna dominical, o “public editor” (o ombudsman do jornal) Clark Hoyt discutiu um passo ousado – chocante mesmo, para a velha guarda – que o “Times” resolveu adotar na tentativa de reduzir as despesas sem perder a qualidade de suas investigações jornalísticas. Trata-se de buscar financiamento externo, fora do jornal, para a realização de reportagens.

Hoyt conta a história da jornalista Lindsay Hoshaw, que vive de free-lancers, ou seja, sem emprego fixo. Ela sugeriu ao “Times” fazer uma reportagem fotográfica sobre uma massa de lixo flutuante que percorre o oceano Pacífico, mas precisaria de US$ 10 mil (R$ 20 mil) para os gastos com a viagem, a bordo de um navio de pesquisas. O jornal informou que poderia pagar, caso a reportagem o interessasse, US$ 700 pelas fotos e mais um pouco se comprasse também o texto.

Lindsay Hoshaw partiu, então, em busca de financiamento externo para a sua reportagem. Procurou o site Spot.us, uma comunidade formado por jornalistas investigativos com o objetivo de arrecadar recursos para as suas matérias. Se conseguir US$ 6 mil até a data de partida do navio, em setembro, ela vai arrumar um empréstimo para custear o resto (já conseguiu, até agora, US$ 1,6 mil).

Escreve o “public editor”: “Para alguns, isso é exploração – o poderoso ‘New York Times’ forçando uma empenhada jornalista a mendigar com uma caneca virtual. Mas Hoshaw não pensa assim. Para ela, é uma oportunidade que ela não pode perder – uma matéria que ela sonha fazer há muito tempo e a chance de sair no ‘Times’. Para David Cohn, fundador da Spot.Us, uma organização sem fins lucrativos, é uma maneira de o público financiar o jornalismo que ele quer. Para o ‘Times’ é um novo passo na direção de um mundo impensável até poucos anos atrás”.

Como outros jornais, o “New York Times” construiu sua reputação e prestígio justamente com base na absoluta independência econômica. Entre outras implicações, tomada a decisão de fazer uma reportagem, da mais séria à mais leve (como uma matéria de turismo, por exemplo), o jornal sempre custeou todas as despesas dos jornalistas envolvidos na tarefa.

Foi assim por décadas e décadas. Não é mais. Escreve Hoyt: “À medida que as receitas com publicidade caem e a tecnologia altera drasticamente a relação do público com os meios de comunicação, o ‘Times’ está buscando novas fontes de dinheiro e se abrindo para parcerias e arranjos distantes do velho modelo, no qual editores decidem o que é notícia, escalam os seus repórteres e pagam as despesas – tudo isso sustentado por centenas e centenas de anunciantes, nenhum deles grande o suficiente para influenciar o jornalismo”

O “public editor” conta em sua coluna que o “Times” está fazendo outras parcerias, com outras entidades, além da Spot.Us, como a Pro.Publica, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao jornalismo investigativo, fundada por banqueiros bilionários, cujos negócios já foram alvo de reportagens críticas do próprio jornal.

Herbert e Marion Sandler, os fundadores da Pro.Publica, ganharam muito dinheiro com o financiamento de hipotecas, mas saíram do negócio um pouco antes da quebradeira geral que deu origem à crise atual na economia americana.

A Pro.Publica é, assim, um exemplo interessantíssimo sobre as possibilidades e limites desta nova – e, aparentemente, inevitável – forma de financiar o jornalismo. Hoyt descreve todo o esforço da organização para conseguir mais fundos e se tornar totalmente independente do casal Sandler.

E o “public editor” conclui sua coluna com as palavras do presidente desta fundação, Alberto Ibarguen: Se os jornais não trocarem o modelo “eu escrevo e você lê” por parcerias com organizações externas e abertura à participação do público na feitura das notícias, “o mundo vai passar por cima deles”.

Aqui você encontra a coluna de Hoyt, One newspaper, many checkbooks.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , ,
19/07/2009 - 13:08

Cat Power: timidez, coragem e “atitude” adolescente em SP

Sapato branco, jeans escuro, camisa para fora da calça, uma gravatinha preta, rabo de cavalo e luvas sem os dedos, Cat Power canta com os ombros curvados, olhando ora para o chão, ora para os músicos e, eventualmente, para um ponto vazio, na lateral do palco.

Nome artístico de Chan Marshall, Cat Power tem 37 anos, mas aparenta, à distância, a metade. De tempos em tempos, agacha-se e bebe um gole de uma caneca, tudo indica, de chá. Uma vela sobre o teclado de Gregg Foremann e um incenso, em cima da aparelhagem de som, ajudam a compor o ambiente. 

Sua voz, rouca, mas potente, também ajuda na idéia de que há algo de adolescente nisso tudo – impressão que será reforçada ao final das quase duas horas de espetáculo, quando a então tímida e contida dá lugar a uma desinibida e feliz Cat Power. Ela aproxima-se do público – meninas, em sua maioria – e distribui flores e cópias do set-list do show que está terminando. Agacha-se, toca a mão das fãs, assina alguns autógrafos, sorri e agradece o carinho – como faria qualquer cantor popular.

Não conheço o suficiente para desfiar todo o repertório do show, mas reconheci inúmeras canções de seu mais recente CD, “Jukebox”, de 2008, no qual corajosamente reinterpreta músicas de Billy Holliday (“Don´t Explain”), Joni Mitchell (“Blue”) e Bob Dylan (“I Believe in You”), para não falar de “New York”, imortalizada por Frank Sinatra. Também canta uma das minhas favoritas, sua homenagem a Dylan, “Song to Bobby”, e duas ou três músicas de seu disco anterior, “The Greatest”, entre as quais a canção-título.

Para quem não conhece Cat Power, mas gosta de cinema, duas músicas suas, entre as quais “The Greastest”, estão na trilha sonora de “Um Beijo Roubado” (“My Blueberry Nights”), do chinês Wong Kar Wai, exibido no ano passado no Brasil. Cat Power aparece brevemente no filme, no papel da mulher que deu um pé na bunda do galã Jude Law.

O seu show em São Paulo, que será repetido neste domingo no Rio, ficaria melhor num ambiente menor, mais acolhedor (e menos extorsivo) que o Via Funchal. Em todo caso, é um espetáculo bonito, até emocionante, mas, tenho a impressão, sobrevalorizado. Sua voz é bonita, mas não única. E sua “atitude”, que o público “indie” tanto admira, às vezes parece seguir um roteiro pré-estabelecido.

Em tempo: no iG Música, em Cat Power emociona o público em São Paulo, você encontra mais detalhes sobre o show e uma descrição mais rica do repertório apresentado.

Crédito da foto: Agência Estado

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , ,
18/07/2009 - 13:36

“Horas de Verão”: o cinema francês resiste a Hollywood

Com duas semanas de atraso, escrevo para recomendar “Horas de Verão”, filme aparentemente despretensioso do francês Olivier Assayas, que resiste a “Harry Potter”, “Era do Gelo 3” e “Transformers” em três salas de São Paulo e duas do Rio.

Os primeiros 25 minutos apresentam a história. Hélène (Edith Scob) recebe os filhos e os netos para o almoço em sua bela, mas velha casa, a uma hora de Paris. Sobrinha de um pintor famoso, ela dedicou sua vida adulta à preservação e divulgação da obra dele. Agora está velha, cansada, e sente que seu tempo está chegando ao fim.

Em uma conversa com o filho mais velho, o único que mora na França, ela deixa entender o temor que tudo aquilo que ela preservou com tanto amor e carinho – os cadernos de desenho do tio, as obras de arte de pintores famosos, os objetos de design, os móveis de valor histórico e a própria casa – vai se perder com a sua morte.

“Horas de Verão” se desenvolve, então, em torno desta simples questão: como Fréderic (Charles Berling), o primogênito, e seus irmãos Adrienne (Juliette Binoche), que mora em Nova York, e o caçula, Jérémie (Jérémie Renier), que está vivendo na China, vão lidar com a herança e o legado da mãe.

Não vou entrar em detalhes, mas posso adiantar que pouca coisa acontece em “Horas de Verão”. Não é, porém, um filme centrado no texto, no diálogo, como é da tradição de certo cinema francês. Apoiado na câmera hábil e sensível do célebre diretor de fotografia Eric Gautier, Olivier Assayas conta uma história sem sobressaltos, mas reveladora do espírito do seu tempo, na França atual.

Nova York, Xangai e Pequim aparecem como sombras, num contraponto a um país que ainda cultiva o gosto pela arte e sua história, pelo respeito à tradição. Sem maniqueísmos, de forma delicada, Assayas fala de conflito de gerações, choque cultural e, especialmente, do tempo que passa.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , ,
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