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Arquivo de junho, 2009

17/06/2009 - 10:38

Chico substitui Caetano em filme sobre os Mutantes

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Há seis meses, quando “Loki” foi exibido na Mostra de Cinema de São Paulo, escrevi no Último Segundo  
que aquela seria, possivelmente, a última oportunidade de assistir na tela grande o documentário sobre Arnaldo Baptista, o cérebro dos Mutantes.

“Primeiro longa-metragem produzido pelo Canal Brasil, ‘Loki’ caminha para se tornar um produto de exibição exclusiva na tevê fechada e em DVD”, escrevi em outubro de 2008. Os custos envolvidos no pagamento de direitos de exibição das quase 50 músicas, além dos respectivos direitos autorais, inviabilizariam a sua exibição em cinemas, disse então Paulo Henrique Fontenelle, diretor do filme.

Outro empecilho, observou o diretor na ocasião, seria a distribuição do filmes nos cinemas. “É complicado. No máximo, a gente consegue exibir duas cópias nos cinemas, uma no Rio e outra em São Paulo. O filme poderia fazer 100 mil espectadores. Na tevê, você faz isso numa única exibição”, disse Fontenelle.

Tudo mudou em pouco tempo. “Loki” foi escolhido pelo público tanto do Festival do Rio quanto da Mostra de São Paulo como o melhor filme de 2008. Mais que isso, as sessões do filme em diferentes festivais, sempre acompanhadas por muitas lágrimas e aplausos (tanto de contemporâneos dos Mutantes quanto de adolescentes), sinalizaram que o filme tinha um potencial a ser explorado. Uma campanha articulada por fãs lotou a caixa postal do Canal Brasil, com pedidos para a exibição do filme e ofensas à decisão de não mostrá-lo nos cinemas.

“A repercussão foi tão grande que a gente começou a ver como levar o filme para os cinemas”, conta agora Fontenelle. A primeira providência foi a negociação para pagamento dos direitos autorais das músicas ouvidas no filme. “Para regularizar tudo, gastamos mais R$ 80 mil”, conta o diretor. O valor quase duplica o investimento inicial na produção do documentário, que foi de cerca de R$ 110 mil.

Apenas uma cena musical foi excluída da versão que será exibida nos cinemas, a partir desta sexta-feira, 19 de junho. Ao longo da negociação, os produtores do filme não chegaram a um acordo com os detentores dos direitos de “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso. Um clipe de dez segundos, com cenas da apresentação do músico no Festival da Record de 1967, foi cortado do filme. “Era impossível pagar o que eles estavam pedindo”, diz Fontenelle.
 
No lugar dele, o diretor inclui dez segundos de Nara Leão cantando “A Banda”, de Chico Buarque, no mesmo festival, um ano antes. Trata-se de uma troca repleta de ironia.

Como se sabe, a cordial rivalidade entre Chico e Caetano tem origem justamente nesses dois festivais. O sucesso da inocente marcha de Chico, vencedora do festival de 1966, tornou o compositor uma celebridade. No ano seguinte, o tropicalismo explodiria com as apresentações de Caetano (“Alegria, Alegria”) e Gilberto Gil (“Domingo no Parque”).

Para “Loki”, o filme, o Festival da Record de 1967 seria muito mais importante do que o de 1966, já que Arnaldo, Rita Lee e Os Mutantes, no papel da banda que acompanhou Gil, ganharam inédita projeção justamente a partir daquela apresentação.

“Graças a Deus, essa foi a única cena que o filme perdeu”, diz Paulo Fontenelle. “Estou muito feliz de colocar ‘Loki’ nos cinemas. A minha idéia, desde o início, era essa. Todas as decisões que tomei durante as filmagens foram pensando em exibi-lo na tela grande”, diz.

A distribuição de “Loki” ficou a cargo do próprio Canal Brasil, que fez um acordo com a rede Unibanco Artplex. Dessa forma, o filme estreia nesta sexta-feira em 17 salas de 14 cidades. No dia 18 de setembro, quando o Canal Brasil comemora 11 anos, o filme será exibido na tevê. E, possivelmente, no final do ano, ganhará as lojas no formato de DVD.

Veja o trailer do filme aqui.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , , , , , , , , ,
16/06/2009 - 12:39

Uso de vídeo em partidas deveria ser aceito?

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A Fifa promete divulgar ainda nesta terça-feira um comunicado em resposta ao protesto do Egito relativo à marcação do pênalti que decidiu a partida contra o Brasil, na primeira rodada da Copa das Confederações.

Como se sabe, o lance ocorreu no finalzinho da partida. Daniel Alves cobrou falta pelo alto, a bola sobrou para Lúcio, que chutou em direção ao gol. A bola provavelmente ia para o fundo das redes, mas foi desviada pelo braço direito de Ahmed Al Muhamadi, saindo pela linha de fundo. O árbitro inglês Howard Webb, imediatamente, apontou escanteio a favor do Brasil – marcação idêntica à do auxiliar. Os jogadores do Brasil cercaram Webb, pedindo o pênalti. As imagens da TV mostram que, num primeiro momento, o árbitro rechaçou a reclamação, mas em seguida voltou atrás de sua decisão e, então marcou pênalti e expulsou Ahmed Al Muhamadi. Foi, então, a vez de os egípcios cercarem o árbitro em protesto (foto).

O que se passou entre a marcação inicial e a seguinte é o xis da questão. Tudo indica que Webb foi alertado pelo quarto árbitro, o australiano Matthew Breeze. Não terá ocorrido problema algum se Breeze apenas viu que foi pênalti e advertiu Webb do erro que ele estava cometendo. O que se suspeita, porém, é que Breeze teria visto a repetição do lance num monitor de tevê – que não deixa dúvidas sobre o pênalti.

O uso de imagens de vídeo para esclarecer dúvidas no meio de uma partida de futebol é uma idéia colocada em discussão já há muito tempo. Utilizado nas ligas de basquete e futebol americano, o recurso é vetado pela Fifa. O presidente da entidade, Joseph Blatter, já se manifestou mais de uma vez contrário a esta possibilidade. O uso de imagens gravadas é hoje aceito apenas em tribunais esportivos, para auxiliar na punição de agressões ocorridas em campo, mas não relatadas na súmula dos árbitros.

Na final da Copa do Mundo de 2006, o árbitro Horacio Elizondo não viu a cabeçada de Zidane em Materazzi, mas foi advertido a respeito pelo quarto árbitro, o espanhol Luis Medina Cantalejo. O técnico da França, na ocasião, acusou Cantelejo de ter recorrido a um vídeo para ver a agressão, o que obrigou a Fifa a divulgar um comunicado negando que isso tenha ocorrido. Aposto que este será o tom do comunicado que a entidade divulgará hoje sobre a polêmica marcação do pênalti contra o Egito. (atualizado às 13h54: a Fifa rejeitou o protesto dos egípcios, afirmando que Webb não recebeu apoio da tevê)

Qual é a opinião do leitor: a Fifa deveria aceitar o uso de imagens de vídeo durante uma partida para esclarecer dúvidas?

Crédito da foto: AP

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , , , , , , , , ,
15/06/2009 - 13:17

Faltou dizer sobre Brasil 4 x 3 Egito: resultado injusto

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Apesar da torcida e do patriotismo de sempre, Galvão Bueno conseguiu se dar conta, aos 35 minutos do segundo tempo, que o resultado (3 a 3) se explicava não apenas por conta da atuação do Brasil: “Joga melhor o Egito”, admitiu.

Tudo mudou aos 45 minutos do segundo tempo. Num lance em que a bola pareceu ter saído (e a tevê não exibiu replay), Daniel Alves partiu para a área e foi derrubado. Na sequência, o pênalti, que o juiz não viu, mas foi levado a assinalar – sabe-se lá por quem. 4 a 3.

Como de hábito, quando o Brasil tem dificuldades em campo, a “culpa” é sempre de alguém. Galvão criticou Alexandre Pato e Gilberto Silva. E a falta de “atitude” da seleção. Arnaldo Cesar Coelho achou de bom tom acrescentar: “Não podemos justificar o resultado pela arbitragem”.

Falcão, é bom que se diga, em mais de um momento deixou de lado o seu jeito “chuchu” de comentar futebol, e observou: o Egito jogava bem, entrou com “outra postura” no segundo tempo, passou a atuar com três atacantes e mudou a formar de marcar a seleção brasileira.

Uma análise séria deveria incluir as palavras de Milton Leite, no SporTV: “uma atuação horrorosa do Brasil”, ou de Paulo Cesar Vasconcelos, na mesma emissora: “a pior atuação do Brasil no ano”.

Uma análise isenta deveria concluir com as seguintes palavras: “resultado injusto”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte, televisão Tags: , , , , , , , ,
14/06/2009 - 12:08

Boninho, Luciano Huck e Serra: conversas no Twitter

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A notícia apareceu na madrugada de sábado (13) e atravessou o dia: Boninho desistiu do Twitter. O diretor da Globo publicou no seu miniblog uma mensagem de despedida, depois de duas semanas de muito barulho. “A morte anunciada! Não tenho paciência, mas bom humor. Em 15 dias me diverti muito, mas minha verdadeira ética e profissionalismo dizem não. By”.

Nesses 15 dias em que se divertiu muito, Boninho riu abertamente da estreia do reality “A Fazenda”, na Record, anunciou que Grazi Massafera entrou para a “lista negra” do “Vídeo Show” e polemizou com Britto Jr, que o acusou de ser antiético por criticar a concorrência, afirmando: “Não sou jornalista, não preciso ter ética!”. Escrevi na quinta-feira, 11, um texto, Boninho, o Twitter e a falta de ética, sobre o assunto, no qual observei:

É difícil acreditar que uma pessoa com alguma instrução fale isto a sério – logo, tendo a acreditar que Boninho está brincando, reforçando o personagem que criou. “O Boninho é engraçado porque ele faz questão de manter a fama de mau”, disse Pedro Bial ao Último Segundo, em março. Ou seja, ao defender que não precisa ter ética, Boninho está apenas fazendo uma brincadeira de mau gosto, o que ajuda a explicar muita coisa que assistimos na tevê.

No mesmo dia, o texto foi respondido pelo diretor no próprio miniblog de forma enigmática. “Mauricio, brincadeira nunca foi defesa, e fazer TV não é! Fake ou real, no twitter nada se cria, mas se transforma“.

O “twittercídio” de Boninho, como está sendo chamado, causou grande comoção entre os seus 8.500 seguidores. Centenas de usuários do Twitter enviaram mensagens a ele, pedindo que reconsidere a decisão. Um blogueiro, Paulo Ferraz, “ator, videomaker, escritor, consultor em redes sociais e web marketing”, chegou a me responsabilizar  pela opção de Boninho, o que me deixou muito honrado, mas infelizmente não é verdade.

O colunista Daniel Castro, da “Folha”, publicou em seu Twitter: “A pedidos: Boninho confirma “twittercídio”! Não aguentou  o assédio e a pentelhação. Alguns foram agressivos com ele!” Recém-chegado ao miniblog, o apresentador Luciano Huck também lamentou: “não se vá, Boninho!!! Agora que eu cheguei!!! Poxa”.

Aproveitei a pesquisa para deixar Boninho de lado e conhecer o Twitter de Huck. Descobri que o apresentador foi passar o final de semana em Campos de Jordão com o governador José Serra. “Nesta noite em Campos do Jordão, temperatura em baixa, twitter em alta. José Serra ao meu lado xereta o que estou escrevendo! Tô bombando!!!”

Pensei: deve ser brincadeira. Corri então para o Twitter do governador. “O @huckluciano contou no twitter dele e eu confirmo (fazer o quê?): estamos em Campos do Jordão e, no momento, xereto o que ele escreve”, anotou Serra. Huck retribuiu: “Já viram o twitter dele? @joseserra_. Pegou o vírus. Também trata-se de uma excelente ferramenta para se debater ideias!!!”

Volta Boninho! Você vai fazer falta aqui.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , , , , , ,
13/06/2009 - 12:12

“Apenas o Fim”: amor nos tempos do MSN

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Caminhando pelos jardins da PUC do Rio, um casal passa em revista o seu relacionamento. A menina anuncia que está indo embora, o menino tenta entender o que a motivou. Em alguns “flashbacks”, o casal troca confidências sobre os seus gostos e afinidades – basicamente, cultura pop, ícones do entretenimento e todo aquele lixo que faz parte do cardápio de referências de quaquer jovem de classe média alta.

“Apenas o Fim” resume-se a isso. Por 80 minutos, acompanhamos o passeio e o diálogo dos dois protagonistas – vividos pelos atores Erika Mader e Gregório Duvivier – numa conversa sobre amor nos tempos do MSN.

O principal atrativo do filme é o fato de o diretor, Matheus Souza, ter levado a bom termo a produção com apenas R$ 8 mil – o equivalente a seis mensalidades do curso de Cinema na PUC, onde ele estuda. Souza teve o apoio da universidade, que emprestou o equipamento, e a ajuda de amigos e alunos para fazer o filme.

“Apenas o Fim” filia-se a uma tradição de comédias leves, sobre relacionamentos amorosos, tendo como moldura o ambiente e a cultura da zona sul do Rio. Uma novidade em relação aos filmes recentes de Domingos de Oliveira, por exemplo, é o fato de levar às telas o universo e as referências de uma geração que já tinha banda de rock – Los Hermanos – mas ainda não dispunha de um espelho para se contemplar.

É nesse sentido um filme de geração, atraente não apenas para estudantes da PUC, mas também para jovens que desconhecem esse universo, bem como para os que o idealizam. Comparado ao modelo de sucesso do cinema brasileiro (“Se Eu Fosse Você 2” e “Divã”), é um sopro de ar. Mas, curiosamente, por trás do seu aparente frescor, “Apenas o Fim” deixa a impressão de filme velho. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura Tags: , , , , , ,
12/06/2009 - 13:31

Uma campanha para ajudar Marinho Chagas

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A empresa que fornece material esportivo ao ABC, de Natal, começa a vender neste sábado, 13, uma camisa especial, destinada a arrecadar fundos para auxiliar o ex-jogador Marinho Chagas, de 57 anos.

Um dos maiores jogadores da história do Rio Grande do Norte, Marinho iniciou a sua carreira no pequeno Riachuelo, depois atuou pelo ABC – hoje na Série B do Brasileiro –, transferiu-se em 1970 para o Náutico (PE) e, dois anos depois, chegou ao Botafogo, onde se consagrou. Lateral esquerdo arrojado, dono de um chute muito forte, foi titular da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1974, disputada Alemanha. Também atuou no Fluminense, no Cosmos (EUA) e no São Paulo.

Uma reportagem muito triste, exibida no programa “Esporte Espetacular”, no domingo (7), mostrou Marinho no hospital, de avental verde, falando de alcoolismo. Internado já há três semanas com problemas respiratórios e complicações relacionadas à hepatite C, ele agora é alvo desta campanha beneficente, promovida pela ERK.

A camisa custa R$ 20 e a arrecadação destina-se a ajudar nos custos do tratamento de saúde a que o ex-jogador está se submetendo. A camisa mostra na frente uma imagem de Marinho com a camisa da seleção brasileira e o seguinte texto: “O verdadeiro craque não desiste nunca. Luta sempre. Um gol pela vida”. Atrás, o número 6, usado por ele nos times que passou, e a mensagem: “Eu torço por você!”.

Marinho ficou muito marcado, sobretudo em São Paulo, pela briga que teve com o goleiro Leão, nos vestiários, após a derrota do Brasil para a Polônia, no jogo que decidiu o terceiro lugar na Copa de 74. O goleiro responsabilizou um dos avanços do lateral na partida pelo gol sofrido pela seleção.

Lembrar de Marinho por causa deste episódio diminui muito o seu tamanho real. Foi um jogador tão importante que, com frequência, ao montar listas com o melhor time da história do Botafogo, muita gente opta por colocar Nilton Santos como zagueiro (onde atuou no final da carreira) para acomodar também Marinho.

Em tempo: A camisa será vendida, em Natal, na loja do ABC. Interessados de outros lugares devem enviar um e-mail para eurekanatal@yahoo.com.br, informando o endereço completo, para que a ERK possa calcular o valor do frete, via Sedex, e passar os dados bancários para depósito.

Em tempo 2: Endosso aqui a sugestão do jornalista Eduardo Zobaran, enviada para o meu Twitter: por que o Botafogo não lança uma camisa especial em homenagem a Marinho?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , ,
11/06/2009 - 13:20

Boninho, o Twitter e a falta de ética

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Outro dia, entrevistado por uma repórter sobre os usos possíveis do Twitter, eu respondi que ele ainda é uma ferramenta mais de divulgação de informações produzidas em outras áreas (blogs, jornais, sites) do que de geração própria de notícias.

Mudei de opinião depois de conhecer o Twitter do Boninho, o poderoso diretor da Rede Globo (responsável por programas como “Mais Você”, “Vídeo Show”, “BBB”, “Jogo Duro”, “No Limite” etc).

O seu Twitter é um espaço privilegiado para descobrir novidades sobre os bastidores da emissora, além de uma ferramenta útil para entender o que passa pela sua cabeça. Quem lê o miniblog do Boninho, por exemplo, soube antes de todo mundo, ainda na quarta-feira (10), que Grazi Massafera entrou para a “lista negra” do “Vídeo Show” por se negar a participar do programa. Essa mesma notícia aparece com destaque, nesta quinta-feira, nas colunas de Patrícia Kogut (“O Globo”) e Daniel Castro (“Folha”).

Boninho também está usando o Twitter para criticar a concorrência. Postou vários comentários em tempo real no dia da estreia de “A Fazenda”, o reality da Record que é meio “BBB”, meio “Casa dos Artistas”. Britto Jr, apresentador do programa, considerou falta de ética um concorrente criticá-lo. O diretor da Globo voltou ao Twitter para replicar: “Não sou jornalista, não preciso ter ética!”.

É difícil acreditar que uma pessoa com alguma instrução fale isto a sério – logo, tendo a acreditar que Boninho está brincando, reforçando o personagem que criou. “O Boninho é engraçado porque ele faz questão de manter a fama de mau”, disse Pedro Bial ao Último Segundo, em março. Ou seja, ao defender que não precisa ter ética, Boninho está apenas fazendo uma brincadeira de mau gosto, o que ajuda a explicar muita coisa que assistimos na tevê.

Atualizado às 19hs: Esse post provocou uma conversa meio maluca no Twitter. Em resposta a mim, Boninho publicou o seguinte comentário: “Mauricio, brincadeira nunca foi defesa, e fazer TV não é! Fake ou real, no twitter nada se cria, mas se transforma. http://tinyurl.com/l76q6x.” O twitteiro @Cuei enviou, então, a Boninho a seguinte provocação: “pra variar, falou, falou e não disse nada” E Boninho respondeu a Cuei: “é pra não falar mesmo ou meias palavras bastam, hoje cheio de frases feitas, irc”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , ,
10/06/2009 - 13:25

“Menina Morta”: cena de incesto está dentro do contexto

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“A Festa da Menina Morta” é, como o próprio diretor gosta de dizer, um filme corajoso. Em seu primeiro trabalho atrás das câmeras, o ator Matheus Nachtergaele desenvolveu um argumento muito sugestivo – o culto a um santo, por conta de um milagre opaco, numa cidade ribeirinha do Amazonas. E realizou isso de uma forma arrojada, poética, sem concessões.

É um filme muito acima da média, em busca de um lugar ao sol no pequeno mercado destinado às produções brasileiras sem apelos comerciais óbvios. Vai estrear nesta sexta-feira, 12 de junho, com menos de dez cópias, em três capitais (Porto Alegre, São Paulo e Rio).

O filme acabou ficando famoso por conta de uma cena forte, de incesto, entre os dois protagonistas da história, o Santinho (Daniel de Oliveira) e seu pai (Jackson Antunes). Em Cannes, onde “A Festa da Menina Morta” foi exibido, muitos espectadores se retiraram da sala depois da cena.

O escândalo, a meu ver, é ruim para o filme. Perguntei a Matheus, em entrevista publicada no Último Segundo, se ele não se arrependia de ter mantido a cena no filme. Ele a defendeu, vigorosamente. No contexto, disse, a cena é perfeitamente cabível, e menos chocante do que apregoado. Concordo com ele.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , , ,
10/06/2009 - 12:20

Estamos em recessão, mas em boa companhia

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“Definitivamente, alguma coisa está acontecendo. Voltamos a comer comida de cachorro”.

A crise econômica, como não poderia deixar de ser, tornou-se um dos temas prediletos dos cartunistas da “New Yorker”. O cartoon acima, genial, a meu ver, está na edição de 1º de junho da revista.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Brasil, Cultura, Mundo, jornalismo Tags: , , ,
10/06/2009 - 08:31

Globo, SBT e Ronaldo: cenas de novela mexicana

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O patrocínio do grupo Silvio Santos ao Corinthians está produzindo uma série de eventos anedóticos, típicos de um dramalhão mexicano, bem ao gosto da programação do SBT. O surpreendente neste caso é que um dos protagonistas dessa história vem a ser a Rede Globo, famosa pela qualidade “antimexicana” de suas novelas.

Há alguns dias, Silvio Santos fez um discurso engraçadíssimo, chamando Ronaldo de “farsante” por se recusar a gravar um comercial para o SBT. No ar, aparentemente de improviso, o dono da emissora ofereceu R$ 50 milhões para o craque protagonizar a publicidade. Está no You Tube – e é inacreditável.

A Globo, como se sabe, é detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Para a emissora, causa constrangimento exibir a marca de um patrocinador – o Baú da Felicidade – cujo proprietário é dono de um canal concorrente. Propaganda grátis e ainda mais de um rival? É duro…

A emissora nega estar promovendo qualquer tipo de boicote ao logotipo do Baú em suas transmissões esportivas, mas não é o que parece. Como mostrou o jornalista Ricardo Feltrin, uma entrevista com Ronaldo, feita pela Globo no último domingo (7), passa a nítida impressão que os câmeras estão orientados a não mostrar de jeito nenhum a marca de Silvio Santos. Como fazer isso se o Baú é visto quase na gola da camisa do Corinthians? Simples: enquadrando apenas o rosto de Ronaldo, entre o queixo e a testa. 

Em 1994, a Globo produziu um enquadramento semelhante na transmissão de dois amistosos da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Patrocinada então pela Kaiser, a emissora se recusou a mostrar placas de publicidade da Brahma espalhadas pelo estádio onde ocorreu a transmissão de partidas contra Canadá e Honduras. No esforço de não exibir a marca rival, os câmeras da Globo deixaram de mostrar a bola, jogadores cobrando lateral e lances próximos à linha de fundo. Foi um papelão que entrou para a história da televisão brasileira.

Outros veículos já tomaram atitudes radicais como essa no afã de protegerem os seus interesses comerciais. Relato no livro “História do Lance!”, recém-publicado (desculpe a propaganda), que em meados de 2000 o diário esportivo manipulou imagens para não exibir a marca de Pepsi-Cola estampada na camisa do Corinthians. Escrevo no livro:

Insatisfeito com a não inclusão do Lance! na lista de veículos que receberiam anúncios de uma campanha publicitária da Pepsi-Cola, o diário passou a manipular, no computador, as fotografias que mostravam a camisa do Corinthians, de maneira a eliminar das páginas do jornal a marca do refrigerante, que então patrocinava a equipe. Depois que o caso tornou-se público, a manipulação das imagens foi interrompida.

Todas essas histórias – e há muitas outras semelhantes – expõem a defesa atabalhoada de interesses comerciais sob ameaça em meio a conflitos pesados entre empresas. Os protagonistas destes dramalhões parecem apenas se esquecer de cuidar dos interesses dos seus espectadores e leitores.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , , , , , , , ,
09/06/2009 - 09:51

Crônica: o gênero literário preferido para falar de futebol

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Eis um mistério que persegue – já há meio século – críticos literários, escritores e boleiros fanáticos: por que o Brasil ainda não produziu um grande romance sobre o esporte mais popular do País?

Há algumas experiências de escritores que, tratando do futebol, se aventuraram pelo conto. “Maracanã Adeus”, de Edilberto Coutinho, talvez seja o mais famoso trabalho no gênero – 11 contos “futebolísticos”, que dão certa unidade ao projeto.

Milton Pedrosa, autor da pioneira coletânea “Gol de Letra”, lançada em 1968, foi também um dos primeiros a se render ao fato de que o esporte sempre atraiu grandes cronistas, mas despertou pouco interesse de romancistas e contistas.

Relíquia hoje encontrada apenas em sebos, “Gol de Letra” foi lançado por uma editora criada com o objetivo de publicar exclusivamente livros sobre futebol, a Livraria Editora Gol, um empreendimento que naturalmente não prosperou, reforçando o mito de que esse produto – livro sobre futebol – não vende.

Quase 20 anos depois de Pedrosa, Flavio Moreira da Costa entrou em campo com a missão de organizar um livro de contos sobre futebol. “Não existiam contos sobre futebol? Muito simples, inventa-se”, escreveu ele, anunciando que encomendou textos literários sobre o assunto a diferentes escritores brasileiros (Plínio Marcos, Rubem Fonseca, Sergio Sant´Anna, Marcos Rey, entre outros), com resultados, como sempre ocorre em coletâneas, muito variados.

O esforço de Flavio Moreira da Costa resultou num livro que, curiosamente, foi encorpando com o tempo. A primeira edição, de 1986, chamava-se “Onze em Campo” (editora Francisco Alves). Às vésperas da Copa de 1998, o livro evoluiu para “Onze em Campo e um Banco de Primeira” (editora Relume Dumará), transformando-se, pouco antes da Copa na Alemanha, em 2006, em “22 Contistas em Campo” (Ediouro).

Para conseguir montar dois times inteiros na mais recente edição, Costa foi obrigado a convocar autores estrangeiros – o recém-falecido escritor uruguaio Mario Benedetti abre a seleção, que conta também com um texto do inglês Patrick Kennedy, considerado autor do primeiro conto sobre futebol, e do pioneiro, na América Latina, uruguaio Horacio Quiroga.

Essa longa introdução vem a propósito do lançamento, quase simultâneo, de mais dois livros que tentam casar literatura e futebol. “Passe de Letra”, de Flávio Carneiro (Rocco, 172 págs., R$ 29,50), reúne textos publicados pelo autor no jornal literário “Rascunho”. O segundo esforço é “A Cabeça do Futebol” (Casa das Musas,166 págs., R$ 25), organizado por três jornalistas apaixonados por futebol – Carlos Magno Araujo, Samarone Lima e Gustavo de Castro.

Ambos os projetos reforçam uma idéia já cristalizada no mundo literário – para tratar de futebol, os escritores brasileiros se sentem mais à vontade na crônica, um gênero híbrido, que mistura escrita jornalística com ficção.

José Lins do Rego, Nelson Rodrigues, Mário Filho são os nomes sempre lembrados – e estudados – quando se fala deste casamento entre crônica e futebol. Muitos outros merecem ser citados, e os dois livros recém-lançados reforçam esta impressão.

As crônicas de “Passe de Letra”, em sua maioria, misturam lembranças da infância do autor em Goiânia com personagens do mundo do futebol. Ainda assim, Carneiro não se furta a refletir sobre o grande tema – futebol e literatura – em alguns textos. “Há algo que liga as regras do futebol às regras da literatura. São ambas da mesma natureza, digamos assim. São feitas para permitir a entrada do imponderável. Pense na regra do impedimento”, propõe, antes de concluir: “No futebol, como na literatura, tudo depende de como se lê”. Em outro texto, observa, sagaz, que, assim como o leitor diante de um livro, há três tipos de torcedor de futebol: “o que nega, o que afirma e o que desconfia”.
 
“A Cabeça do Futebol” não enfrenta abertamente a questão futebol x literatura, mas oferece a 25 autores a possibilidade de pensar livremente sobre um tema geral – a vivência de torcedor. Ao longo de diferentes reflexões sobre este tema, quase sempre em crônicas, muitos escritores chegam ao gol.

É o caso de Samarone Lima, nome de craque do Fluminense, autor de uma crônica deliciosa sobre o dia em que, hospedado num albergue em Buenos Aires, levou o filho dos donos, um menino francês de 7 anos, para assistir uma partida entre Velez Sarsfield e Racing no estádio. Ou da escritora Elianne Diz de Abreu, que arrisca-se numa raríssima ficção de conteúdo erótico tendo o futebol como pano de fundo.

Correndo o risco de cometer injustiças, destaco ainda Carlos Magno Araújo, cujo texto relembra uma partida especial, Ceub x América (RN), em que se protagonizou o histórico duelo entre Fio Maravilha, atuando pela equipe brasilense, e Hélcio Jacaré, o craque do time de Natal. Um jogo sem importância alguma, mas que, 30 anos depois, Araújo (ainda bem) não consegue esquecer.  

Chamo a atenção, por fim, para Gustavo de Castro, que conta uma bela história do fascínio de um pequeno fã por um craque em final de carreira, Klecius Henrique, relatando as aventuras de um nordestino apaixonado por futebol, rock e mulheres em São Paulo, e Rubens Leme Filho, autor de uma ode a Geovani, craque coadjuvante num Vasco que tinha Roberto e Romário.

“A Cabeça do Futebol” será lançado em São Paulo nesta quarta-feira, 10 de junho, às 19h30, na Livraria Cultura (shopping Villa-Lobos).

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , , , , , , , , , ,
08/06/2009 - 09:47

Crítico de cinema: profissão em extinção?

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Levantamento do jornal “The Salt Lake Tribune” indica que ao menos 55 críticos de cinema foram demitidos ou mudaram de área na imprensa americana desde 2006. O dado, citado em reportagem na edição dominical do “New York Times”, ilumina um aspecto da crise que afeta os jornais americanos e, em particular, ajuda a compreender uma mudança significativa que vem ocorrendo na relação de Hollywood com a imprensa.

O “New York Times” dedica-se a tentar entender a perda de importância dos jornais – e o crescimento da influência dos blogs – no processo de divulgação dos filmes pelos grandes estúdios. O sinal mais aparente deste fenômeno – importante pelo volume de recursos que Hollywood movimenta em marketing – é que os jornais contribuem cada vez menos com aquelas publicidades repletas de frases retiradas de críticas.

Uma das mais antigas ferramentas de marketing de um filme, a citação tirada de uma crítica de cinema (coisas como “eletrizante” “imperdível”, “muito engraçado”, “ri do início ao fim”) já foi motivo de muita polêmica. Há alguns anos, descobriu-se que um estúdio, a Sony, havia publicado um anúncio com uma frase inventada, dita por um crítico que não existia. Também é comum tirar palavras ou frases de contexto, mudando o sentido do que o crítico quis dizer para realçar qualidades inexistentes de um filme.

O que inquieta o “New York Times” agora é o fato de que os grandes estúdios de Hollywood preferem recorrer a críticas publicadas em blogs do que em jornais. Escreve o diário:

“Os seis grandes estúdios gostam de ir à Internet em busca de frases para usar em publicidade porque há uma variedade muito grande de sites de onde tirar a palavra ou a frase certa. Alguns sites, é claro, são sérios. Outros, incluindo sites como Ain´t It Cool News, não fazem segredo do seu olhar de ‘animador de torcida’ em relação a alguns gêneros de filmes”.
 
Em outras palavras, raciocina o “New York Times”, os estúdios preferem recorrer a sites e blogs porque eles tratam os filmes de forma mais generosa e complacente que os jornais. O grande diário americano está, evidentemente, fazendo uma generalização injusta, já que há também muitos críticos em jornais que funcionam mais como “animadores de torcida” do que, propriamente, como analistas sérios e isentos.

Em todo caso, dois entrevistados do jornal reforçam a tendência de recorrer a sites e blogs no lugar dos jornais na leitura das críticas de cinema. Um vice-presidente da Universal, Michael Moss, diz ao jornal: “Alguns dos melhores críticos de cinema e a maioria das boas críticas são encontradas online”.

Já Mike Vollman, presidente de marketing da MGM e United Artists, afirma que vai preferir se basear mais em blogs do que na revista “Time” para promover o remake do filme “Fama”.  “A realidade, e lamento dizer isso para você, é que os jovens que vão ao cinema são mais influenciáveis por um blog do que por um crítico de jornal”.

A reportagem, em resumo, confirma as previsões mais pessimistas dos que enxergam na revolução promovida pela nova mídia um sinal de empobrecimento e decadência cultural. Ainda assim, o próprio “New York Times” reconhece que há sites “sérios”, publicando textos sobre cinema com o mesmo grau de rigor que os jornais ditos de prestígio.

E o Brasil? – algum leitor perguntará. O problema, ainda que em grau menor, até porque a indústria de cinema nacional é minúscula comparada a Hollywood, já aparece por aqui. Ainda estamos, pelo que observo, numa etapa anterior. Há um crescimento impressionante de sites e blogs dedicados ao cinema, mas o mercado ainda observa com desconfiança, procurando entender – e separar o joio do trigo de toda essa movimentação. Em todo caso, é possível observar que alguns produtores já utilizam frases retiradas de sites e blogs para divulgação de seus filmes.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Cultura, Internet Tags: , , , , ,
06/06/2009 - 18:29

Berlusconi e Kaká: tudo a ver

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Sou do tempo em que jogador de futebol, substituído no meio do jogo, descia para o vestiário para tomar banho mais cedo. Mas alguém inventou, anos atrás, que é de bom tom o jogador, depois de ser trocado, colocar um casaco e ficar no banco de reservas até o final da partida, manifestando apoio ao time. É uma dessas besteiras de cunho moralista que pegou, virou regra. 

Enfim, lembro disso ao ouvir, quase ao final da transmissão de Brasil e Uruguai, o repórter da Rede Globo informar que Kaká foi autorizado a ir para o vestiário logo depois de ser substituído. Disse o jornalista que Kaká pediu para descer com a bola ainda rolando a fim de evitar ser entrevistado ao final do jogo e ouvir alguma pergunta sobre sua transferência do Milan para o Real Madrid.

Trata-se, informam os principais meios de comunicação, de um negócio já fechado. Mas o dono do Milan, Silvio Berlusconi, é também primeiro-ministro da Itália e enfrenta, neste final de semana, eleições para o Parlamento Europeu. Com medo de desagradar os torcedores do Milan – eleitores também – Berlusconi teria adiado o anúncio oficial do negócio com o Real para segunda-feira.

Não vou aqui falar sobre Berlusconi e como ele colabora para a decadência da Itália. O noticiário está repleto de informações – e fotos – a quem se interessar pelo assunto. O que me surpreende nesse episódio é a complacência de Kaká. A intenção, indica o noticiário da Globo, do jogador brasileiro de fazer o jogo do patrão –  seu e dos italianos. Uma pena.

Em tempo: ao deixar o estádio Centenário, cercado por jornalistas, Kaká não falou nada sobre a sua iminente saída do Milan.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, Mundo Tags: , , , ,
05/06/2009 - 16:21

Diretor de sindicato confirma pressão para não desviar avião de tempestade

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A polêmica aberta por Paulo Coelho – primeiro no Twitter, em seguida neste blog – não se encerrou. O escritor relatou ter ouvido de dois pilotos que, por pressão para economizar combustível, muitas vezes evita-se contornar as “cumulus nimbus” (nuvens com tempestades dentro).

Entrevistado por Marcelo Ambrosio, do “Jornal do Brasil”, o diretor de segurança do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, confirmou que “existe uma pressão implícita das empresas aéreas nacionais para evitar a alteração de rotas, que os pilotos seguem mais por complacência do que por obrigação.”

Ouvido pelo mesmo repórter, a francesa Carole Arnaud-Battandier, coordenadora técnica e internacional do Sindicato Nacional dos Pilotos, garante que esse tipo de situação não ocorre na França. “Não há a menor chance de uma pressão dessas acontecer aqui. Nós não brincamos quando o assunto é a segurança dos passageiros e das tripulações”, disse ela ao JB.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Brasil Tags: , , , ,
04/06/2009 - 11:52

O dia em que Marcelo Tas me adicionou no Twitter

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Para realizar a reportagem publicada nesta quinta-feira no Último Segundo, sobre o crescimento exponencial de alguns perfis no Twitter (Sob suspeita, Twitter de Mano Menezes já é um dos 200 mais populares do mundo), pedi a ajuda a um dos mais famosos e respeitados usuários da rede, o jornalista Marcelo Tas. Ao final da entrevista, realizada por telefone, sugeri a Marcelo que me adicionasse no seu Twitter, para eu ver o que aconteceria. Marcelo foi além e postou dois comentários no seu miniblog, informando que eu estava fazendo uma reportagem a respeito do assunto e procurava gente para entrevistar.

O primeiro post do apresentador do “CQC”, às 11h06 de 27 de maio, dizia: “Jornalista quer saber: como instalar robozinho e turbinar seguidores no twitter. Please, adicionem e ensinem o cara @mauriciostycer”. Nove minutos depois, Marcelo escreveu: “Jornalista quer só ENTREVISTAR a galera do twitter para uma reportagem. Quem estiver afim, clique o cara: @mauriciostycer”.

O que aconteceu em seguida me deixou tonto. Há seis meses no Twitter, eu era seguido, até então, por 200 pessoas. Em uma hora, 200 novos usuários me adicionaram aos seus Twitters. Em duas horas, eu já era seguido por 600 pessoas. No final do dia, eram 800 os que me seguiam.

Diante da enxurrada de mensagens de usuários extremamente gentis, colocando-se à disposição para serem entrevistados, sem saber direito o assunto, publiquei no meu Twitter que o objetivo da reportagem era tentar entender as razões que levam ao repentino crescimento de alguns perfis.

Recebi todo o tipo de ajuda. Desde gente que mandou mensagens divertidas, dizendo “entrevista eu!!!”, até usuários que enviaram links com reportagens sobre o assunto que eu estava pesquisando.

O truque dos “scripts”, um programa de computador que “rouba” listas de seguidores de outros Twitters, foi lembrado por vários usuários, como @diogoduarte, @renatogarcia, @msdaibert, @atabraga, @andresartorelli e @jabour_rio.

O truque dos robôs, possível explicação para a explosão de seguidores de Mano Menezes e do “Fantástico”, foi lembrado por vários leitores, como @decows e @NakaAlves.

Uma explicação mais básica para a popularidade de alguns perfis deve ser buscada na fama que o twitteiro tem fora da rede. É o caso de Marcelo Tas e tantas outras personalidades e celebridades. O sucesso no Twitter é apenas uma extensão do sucesso na “vida real”. Essa explicação foi apontada por grande número de usuários. Cito alguns: @luciano_ribeiro, @Lippertt, @thierryassis, @consuelozurlo, @bowmanz9; @piordospiores, @Tockaos; @lmoherdaui, @samyferreira e @Jorgeponte.

A twitteira Luciana Moherdaui, estudiosa do assunto, lembrou muito bem que o sucesso no Twitter está relacionado à “capacidade de estabelecer laços”.  A curiosidade pela vida alheia e o exibicionismo também foram apontados como causas da explosão de popularidade de alguns perfis por @aniiinhhaaa e @dabliuW.

Por fim, vários usuários observaram que a popularidade no Twitter pode ser alcançada graças a um empurrãozinho de alguém famoso e respeitado – exatamente o que Marcelo Tas fez comigo. Não sem ironia, @paimzera, @bandajhs, @msdaibert, @caimuitachuva e @luciano_ribeiro lembraram que sem a ajuda de Tas eu continuaria um anônimo no Twitter.

Em tempo: Tentei resumir aqui as principais colaborações. Peço desculpas por não ter conseguido citar todo mundo que ajudou. Fiquei realmente tocado pela disposição e generosidade de tantas pessoas que se manifestaram. 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , , , , , ,
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