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26/06/2009 - 00:03

“Maicô!”, “Maicô!”, “Maicô!”

Fui encarregado pela “Folha de S.Paulo”, em 15 de outubro de 1993, de escrever a matéria principal sobre o primeiro show de Michael Jackson em São Paulo, no estádio do Morumbi. No dia seguinte, o jornal publicou um caderno especial chamado “Megashows”, de quatro páginas, dedicado à cobertura do evento.

Relendo o texto, escrito na correria, em poucos minutos depois do encerramento do show, vejo que não guardei nenhuma lembrança especial do evento – sinal de que não gostei do espetáculo. Reproduzo-o abaixo:

Michael chora no palco e leva fãs à histeria

Uma megahisteria tomou conta do Morumbi, ontem, às 21h34, quando Michael Jackson deu finalmente início ao megashow mais esperado do ano no Brasil. Até que ele aparecesse no palco e começasse a cantar ainda se passaram quase dez minutos, período em que a platéia estimada entre 70 mil e 80 mil pessoas chegou ao delírio, como num jogo de futebol, gritando “Maicô”, “Maicô”.

Exatamente às 23h30, 115 minutos após essa apoteose – e aos gritos de “I love you”, “I love you” – Michael Jackson abandonou o megapalco armado no estádio, deixando a platéia entre perplexa e frustrada. Em Buenos Aires, há uma semana, o cantor se exibiu durante duas horas e vinte minutos e cantou um bis (“Man in the Mirror”).

A parafernália de efeitos – explosões de fogos, cascatas de luzes, fumaça colorida etc. e tal – precede a voz de Jackson em cada música e serve como senha para a histeria da platéia alcançar níveis beatlemaníacos. Antes de cantar pela primeira vez, Jackson chega a ficar três minutos estático no centro do palco, provocando delírio e desmaios entre o público.

Ao começar a cantar “Jam” – a música que abre “Dangerous” – o impacto causado pelo volume de som acaba escondendo a voz de Jackson. Entre a terceira e a quarta música (“Human Nature” e “Smooth Criminal”), a platéia colocada na arquibancada, a mais distante do palco, chega a ensaiar um corinho de “aumenta o som!”. Esse problema acompanhou todo o show.

Por alguns segundos, às 21h48, Jackson se dirige à platéia, perguntando em inglês: “Como vão vocês?”. Evidentemente, a resposta foi apenas um grunhido de milhares de vozes.

Às 21h30, quatro minutos antes do início do show, o capitão da Polícia Militar Flavio Jarí Depieri estimava o público no Morumbi em cerca de 70 mil pessoas (86 mil ingressos foram colocados à venda). No meio da música “I Just Can´t Stop Loving You”, como previsto, Michael puxa uma menina da platéia, ela balbucia um “I Love you” e se agarra firme no astro. Ao fim da canção, Jackson se ajoelha e demonstra estar chorando. Diz: “I love you”. Foi lindo.

Cerca de 50 pessoas desmaiaram entre a primeira e terceira música do show, somando-se às cerca de 250 pessoas que desmaiaram antes do início. A maioria dos atendidos pelo Unicor apresentavam os mesmos sintomas: falta de ar, fraqueza e crise de choro. Todos tomaram água com açúcar e voltaram para o gramado. Para chorar com Michael Jackson.

(Publicado na “Folha de S.Paulo” em 16 de outubro de 1993. Colaborou Luiz Carlos Duarte.)

Em tempo: A magnífica foto, prejudicada por meu scanner caseiro, é de Antonio Gaudério

Em tempo 2: Publiquei no Último Segundo, no final da noite de quinta-feira, o texto Michael Jackson não morreu, com minhas previsões sobre a transformação do músico em mito.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo Tags: , , , , ,

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27 comentários para ““Maicô!”, “Maicô!”, “Maicô!””

  1. Carol disse:

    muito boa sua matéria! um humor meio sarcástico sempre vai bem. “maicô, maicô” hahha

  2. ELENI disse:

    Maicô foi uma pessoa muito infeliz,mais vai deixar saudades

  3. Raquel disse:

    Também penso que ele não morreu, gostei do que eu li nesta notícia:

    http://www.rondononline.com/site/michaeljacksonnaomorreu.php

    • sandra disse:

      amigo mauricio stycer, como ousa falar que não gostou do show da maior estrela de todos os tempos??? do maior espetáculo que a terra já assistiu???? ( mic hael jackson). o homem que arrastou multidões… ac orda amigo!!!!!!. JACKSON, vc não morreu e permanecerá para todo sempre na mente o no coração de quem te ama. obrigada por existir michael, te amoooooooo

  4. Raquel disse:

    Também penso que ele não morreu!

  5. Cris disse:

    Foi essa mesma mídia idiota que você faz parte que tornou triste o nosso Rei. Parabéns, vocês conseguiram o que queriam, satisfeitos?

  6. Luanda Borges disse:

    Mauricio tu é maravilhoso e muito inteligente adoro seus comentários e seus artigos sempre corretos,diretos e justo.Eu era não,eu sou fã do Michael Joseph Jackson desde de bebe e meu filho ja coloquei no mesmo ritimo.Choro até hoje por sua morte e fico chateada quando alguém fala absurdos a seu respeito.Sabe Mauricio,muitos escritores estão forjando diversos artigos sobre ele,baseados sempre em pessoas que na maioria das vezes não queriam o bem dele.Eu não vou te dizer que é 100% mentira ou 100%verdade,o que eu pude compreender é o que falta para muita gente se ligar,parar de ficar tentando entender o que não pode ser entendido , porque ele decidiu fazer da vida dele um espetáculo e viver completamente num mundo surreal.Honestamente,tenho certeza de que depois que ele viu o que havia provocado com a própria vida,sentiu-se fraco,desanaminado e resolveu largar de mão,pois na sua cabeça distorcida viu-se encurralado,pois no fundo do coração percebeu que havia feito escolhas erradas, ter confiados em pessoas de más intenções e se afastados daquelas que verdadeiramente queriam o seu bem.Maurico vou completar 28 anos mes que VEM meu tio a quem eu respeito muito me deu um conselho: Que as palavras são como flechas,uma vez lançadas elas não voltam e que na vida precisamos sempre agir com muito cautela,pois existem escolhas e atitudes que fazemos ao longo de nossas vidas que nos fazem nos arrenpender e o pior de tudo em sua grande maioria não se pode voltar atrás para corrigi-las e por isso muitos caem depressão como MJJ ao invés de tentar mudar o futuro ficam olhando o passado que não pde se mudado.Mas com tudo isso isso eu sempre vou amá-lo Michael Jackson forever e não tentar compreender o que não pode ser comprrendido.Beijos à todos.

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