“Maicô!”, “Maicô!”, “Maicô!”
Fui encarregado pela “Folha de S.Paulo”, em 15 de outubro de 1993, de escrever a matéria principal sobre o primeiro show de Michael Jackson em São Paulo, no estádio do Morumbi. No dia seguinte, o jornal publicou um caderno especial chamado “Megashows”, de quatro páginas, dedicado à cobertura do evento.
Relendo o texto, escrito na correria, em poucos minutos depois do encerramento do show, vejo que não guardei nenhuma lembrança especial do evento – sinal de que não gostei do espetáculo. Reproduzo-o abaixo:
Michael chora no palco e leva fãs à histeria
Uma megahisteria tomou conta do Morumbi, ontem, às 21h34, quando Michael Jackson deu finalmente início ao megashow mais esperado do ano no Brasil. Até que ele aparecesse no palco e começasse a cantar ainda se passaram quase dez minutos, período em que a platéia estimada entre 70 mil e 80 mil pessoas chegou ao delírio, como num jogo de futebol, gritando “Maicô”, “Maicô”.
Exatamente às 23h30, 115 minutos após essa apoteose – e aos gritos de “I love you”, “I love you” – Michael Jackson abandonou o megapalco armado no estádio, deixando a platéia entre perplexa e frustrada. Em Buenos Aires, há uma semana, o cantor se exibiu durante duas horas e vinte minutos e cantou um bis (“Man in the Mirror”).
A parafernália de efeitos – explosões de fogos, cascatas de luzes, fumaça colorida etc. e tal – precede a voz de Jackson em cada música e serve como senha para a histeria da platéia alcançar níveis beatlemaníacos. Antes de cantar pela primeira vez, Jackson chega a ficar três minutos estático no centro do palco, provocando delírio e desmaios entre o público.
Ao começar a cantar “Jam” – a música que abre “Dangerous” – o impacto causado pelo volume de som acaba escondendo a voz de Jackson. Entre a terceira e a quarta música (“Human Nature” e “Smooth Criminal”), a platéia colocada na arquibancada, a mais distante do palco, chega a ensaiar um corinho de “aumenta o som!”. Esse problema acompanhou todo o show.
Por alguns segundos, às 21h48, Jackson se dirige à platéia, perguntando em inglês: “Como vão vocês?”. Evidentemente, a resposta foi apenas um grunhido de milhares de vozes.
Às 21h30, quatro minutos antes do início do show, o capitão da Polícia Militar Flavio Jarí Depieri estimava o público no Morumbi em cerca de 70 mil pessoas (86 mil ingressos foram colocados à venda). No meio da música “I Just Can´t Stop Loving You”, como previsto, Michael puxa uma menina da platéia, ela balbucia um “I Love you” e se agarra firme no astro. Ao fim da canção, Jackson se ajoelha e demonstra estar chorando. Diz: “I love you”. Foi lindo.
Cerca de 50 pessoas desmaiaram entre a primeira e terceira música do show, somando-se às cerca de 250 pessoas que desmaiaram antes do início. A maioria dos atendidos pelo Unicor apresentavam os mesmos sintomas: falta de ar, fraqueza e crise de choro. Todos tomaram água com açúcar e voltaram para o gramado. Para chorar com Michael Jackson.
(Publicado na “Folha de S.Paulo” em 16 de outubro de 1993. Colaborou Luiz Carlos Duarte.)
Em tempo: A magnífica foto, prejudicada por meu scanner caseiro, é de Antonio Gaudério
Em tempo 2: Publiquei no Último Segundo, no final da noite de quinta-feira, o texto Michael Jackson não morreu, com minhas previsões sobre a transformação do músico em mito.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo Tags: 15 de outubro, 1993, Antonio Gaudério, Folha de S.Paulo, Michael Jackson, show em São Paulo




muito boa sua matéria! um humor meio sarcástico sempre vai bem. “maicô, maicô” hahha
Maicô foi uma pessoa muito infeliz,mais vai deixar saudades
Também penso que ele não morreu, gostei do que eu li nesta notícia:
http://www.rondononline.com/site/michaeljacksonnaomorreu.php
Também penso que ele não morreu!
Foi essa mesma mídia idiota que você faz parte que tornou triste o nosso Rei. Parabéns, vocês conseguiram o que queriam, satisfeitos?
Mauricio tu é maravilhoso e muito inteligente adoro seus comentários e seus artigos sempre corretos,diretos e justo.Eu era não,eu sou fã do Michael Joseph Jackson desde de bebe e meu filho ja coloquei no mesmo ritimo.Choro até hoje por sua morte e fico chateada quando alguém fala absurdos a seu respeito.Sabe Mauricio,muitos escritores estão forjando diversos artigos sobre ele,baseados sempre em pessoas que na maioria das vezes não queriam o bem dele.Eu não vou te dizer que é 100% mentira ou 100%verdade,o que eu pude compreender é o que falta para muita gente se ligar,parar de ficar tentando entender o que não pode ser entendido , porque ele decidiu fazer da vida dele um espetáculo e viver completamente num mundo surreal.Honestamente,tenho certeza de que depois que ele viu o que havia provocado com a própria vida,sentiu-se fraco,desanaminado e resolveu largar de mão,pois na sua cabeça distorcida viu-se encurralado,pois no fundo do coração percebeu que havia feito escolhas erradas, ter confiados em pessoas de más intenções e se afastados daquelas que verdadeiramente queriam o seu bem.Maurico vou completar 28 anos mes que VEM meu tio a quem eu respeito muito me deu um conselho: Que as palavras são como flechas,uma vez lançadas elas não voltam e que na vida precisamos sempre agir com muito cautela,pois existem escolhas e atitudes que fazemos ao longo de nossas vidas que nos fazem nos arrenpender e o pior de tudo em sua grande maioria não se pode voltar atrás para corrigi-las e por isso muitos caem depressão como MJJ ao invés de tentar mudar o futuro ficam olhando o passado que não pde se mudado.Mas com tudo isso isso eu sempre vou amá-lo Michael Jackson forever e não tentar compreender o que não pode ser comprrendido.Beijos à todos.