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02/06/2009 - 15:45

O duro ofício de entrevistar amigos e parentes sobre mortos

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Nada se compara à dor pela perda de uma pessoa querida, mas há poucas coisas piores no jornalismo do que ser encarregado de “repercutir” a morte de alguém. Explicando para quem não é jornalista, isso significa receber a missão de entrevistar familiares, amigos e parentes em busca de informações sobre o morto. É uma situação que envolve diferentes tipos de constrangimento e acaba contribuindo muito para a má fama de jornalistas.

Em busca de informações, como neste momento, do acidente com o avião da Air France, somos obrigados a interagir friamente com pessoas dominadas pela emoção da morte de algum ente querido. A reação ao assédio da imprensa varia muito – vai desde uma simples negativa ao pedido à fúria causada pelo sentimento de invasão de privacidade ou de falta de respeito com a perda.

O jornalista sabe que está sendo chato, inconveniente, mas não pode recuar, se o propósito é informar o leitor ou espectador sobre fato de interesse público.

Quando Tom Jobim (1927-1994) morreu, por exemplo, fui encarregado de entrevistar músicos americanos que haviam convivido com o maestro brasileiro. Primeiro, falei com o saxofonista Gerry Mulligan, que deu um depoimento muito bonito sobre Tom. Depois, telefonei para o cantor Jon Hendriks. Para minha infelicidade, Hendriks ainda não sabia da notícia e ficou muito abalado ao receber de mim a triste informação. O que fazer nestas horas? Você quer se esconder, mas não pode.  

Para encerrar, conto uma história com uma pitada de humor negro.

Nos meus tempos de “Folha”, eu  tinha um colega muito agitado, elétrico, que escrevia sobre educação. Ele estava fazendo uma reportagem qualquer e precisava ouvir o reitor de uma determinada universidade. Com dificuldades de encontrá-lo, telefonou para a casa do sujeito. Do outro lado da linha, foi informado que o reitor havia falecido dois dias antes. Nunca esqueço da reação do meu colega, ao telefone: “Que pena! Precisava tanto falar com ele!”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , , , ,

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45 comentários para “O duro ofício de entrevistar amigos e parentes sobre mortos”

  1. Anna Clara Matos disse:

    Acho uma tarefa desnecessária essa de entrevistar parentes dos mortos em acidentes. Qual é a real necessidade desse tipo de “informação” para o público? Não passa de um sensacionalismo, uma exploração da dor alheia. Na França, por exemplo, é proibido até divulgar a lista dos passageiros na imprensa, o que eu considero uma postura correta e ética.

  2. Adriano disse:

    Jornalista é tudo urubu…, iena…, se aproveitam do resto que são pessoas nestas situações…, depois mudam o foco para ficarem na mídia…

  3. Nelson disse:

    Concordo. É desnecessário.

  4. Luiz Carlos disse:

    Não acho necessário,este tipo de informação para o grande público, basta noticiar o acidente e suas causas, etc…

  5. Giane disse:

    Acho extremamente desnecessário!!!!
    Pra quê falar só da dor das pessoas??? Elas já estão sofrendo tanto e a mídia ainda insiste em lembrar que ela tem que sofrer porque perdeu um parente ou alguém muito querido.
    FALA SÉRIO né?

  6. Daniel disse:

    Comentario desse num momento como esse é desnecessário!!

  7. Eliana disse:

    Concordo com o Luiz Carlose, com a Giane e com a Ana Clara, já não basta o que os familiares estão sofrendo?
    Claro que faz parte do jornalismo nos informar dos fatos ocorridos, mas não precisa ficar o tempo todo só nesse assunto.

  8. Paula disse:

    Existem instituições privadas e órgãos públicos envolvidos em grandes desastres (como no caso desse episódio com a Air France), que são responsáveis por fornecer a informação que é pertinente ao grande público. Eles devem informar a imprensa.
    Um parente ou amigo de uma vítima jamais deveria ser importunado por não ter dever algum com a opinião pública.
    Isso só ocorre no Brasil pois aqui tudo é uma verdadeira bagunça (desde a conduta da imprensa até a falta de atendimento à mesma por parte dos verdadeiros responsáveis). Quem será que vai acordar primeiro? A Imprensa? Acho que não….

  9. tuca disse:

    Nota zero pra imprensa brasileira que adora explorar o sofrimento para ganhar audiencia. Aliás quanto maior a tragedia melhor para a imprensa brasileira.
    Basta ver a cobertura dos canais de outros países para ver a diferença de abordar um assunto tão sério.

  10. Chico disse:

    Além de desnecessário, aguça essa curiosidade morbida. que não ajuda ninguem.

  11. Renato disse:

    Nem todo jornalista é urubu, nem todo editor tem a capacidade de imaginar a dor dos familiares, e se você quer garantir o emprego, as vezes é preciso ‘botar sua cara’ e seu nome para realizar seu trabalho. São os ossos do ofício de jornalista. Ou acham que essa profissão é maravilhosa ao ponto de só se entrevistar beldades?

  12. Diego Silva disse:

    Concordo totalmente com os comentarios anteriores.
    Quando vejo uma reportegem iniciar uma entrevista com parentes , me sinto constrangido, como se a culpa por essa indelicadeza fosse minha, e então mudo de canal.
    É realmente um desrespeito ao sofrimento alheio, basta apenas noticiar os fatos e pronto.

  13. maria disse:

    tudo isso é muito relativo. existem formas e formas de se abordar as pessoas. Há interesse também: se há cobertura é pq as pessoas gostam de ver. Depois, quando os familiares precisam cobrar das autoridades e da empresa aérea as responsabilidades, é com a imprensa que elas contam. Se cair no esquecimento, adeus indenização, adeus justiça, adeus punição. É isso aí, a imprensa é Deus e Diabo na terra do sol.

  14. lobo disse:

    É isso aí… mas um pseudo-intelectual aumentando seu “ibope” às custas da desgraça alheia… E viva ao contador de acessos… “Pitada de humor negro” é extremamente ridículo… enfim, esperar o quê…?

  15. Thaís disse:

    Acho que essa exposição na mídia é completamente desnecessária, daí nasce o sensacionalismo!

  16. socorro padilha disse:

    Acho importante a impresa divulgar, falar com a familia a dor e grande, mais ainda em caso de assalto onde temos que gritar contra essa violencia.Eu fiz questao de ser entrevistada falando do meu filho morto por assalto,pra sociedade ficar ciente e solidaria,usando.VOCE PODE SER A PROXIMA VITIMA!

  17. Vagner disse:

    Discordo dos comentários e aposto que todos que aqui escreveram PARAM PARA VER UM DESASTRE NA RUA, QUANDO TOPAM COM UM.
    Existe pessoas que talvez não queiram ser incomodadas, mas existe uma grande parte que usam este momento para prestarem homenagens públicas ao parente morto.
    Veja o caso da cantora vitimada pelo vôo 447 que nunca antes ouvimos falar sobre ela! e o Doutor gaucho?
    Ao jornalista é dado a sagrada incumbência de fazer fofoca e por ela ser remunerada.
    Imagine o nosso congresso sem eles!!!

  18. BOZENA disse:

    Ouvi um reporter perguntar a uma mãe que acabava de ter o filho de 3 anos, morto, por uma bala perdida, no RJ; -Dói muito perder um filhinho assim?-Cara, não resisti, mandei e-mail pro canal de TV, cobrando da direção, que devolvesse aquele reportér à feira kkkkkkkk

  19. Marcela disse:

    Mauricio..tu é uma figura..essa do teu amigo. Esse teu amigo..como vai?

  20. Jeff-rj disse:

    Também acho desnecessário essa tarefa de entrevistar os parentes dos mortos logo após o acidente. Não acrescenta nada. Se eles tiverem uma denúncia a fazer tudo bem. Fora isso sou contra.

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