O duro ofício de entrevistar amigos e parentes sobre mortos
Nada se compara à dor pela perda de uma pessoa querida, mas há poucas coisas piores no jornalismo do que ser encarregado de “repercutir” a morte de alguém. Explicando para quem não é jornalista, isso significa receber a missão de entrevistar familiares, amigos e parentes em busca de informações sobre o morto. É uma situação que envolve diferentes tipos de constrangimento e acaba contribuindo muito para a má fama de jornalistas.
Em busca de informações, como neste momento, do acidente com o avião da Air France, somos obrigados a interagir friamente com pessoas dominadas pela emoção da morte de algum ente querido. A reação ao assédio da imprensa varia muito – vai desde uma simples negativa ao pedido à fúria causada pelo sentimento de invasão de privacidade ou de falta de respeito com a perda.
O jornalista sabe que está sendo chato, inconveniente, mas não pode recuar, se o propósito é informar o leitor ou espectador sobre fato de interesse público.
Quando Tom Jobim (1927-1994) morreu, por exemplo, fui encarregado de entrevistar músicos americanos que haviam convivido com o maestro brasileiro. Primeiro, falei com o saxofonista Gerry Mulligan, que deu um depoimento muito bonito sobre Tom. Depois, telefonei para o cantor Jon Hendriks. Para minha infelicidade, Hendriks ainda não sabia da notícia e ficou muito abalado ao receber de mim a triste informação. O que fazer nestas horas? Você quer se esconder, mas não pode.
Para encerrar, conto uma história com uma pitada de humor negro.
Nos meus tempos de “Folha”, eu tinha um colega muito agitado, elétrico, que escrevia sobre educação. Ele estava fazendo uma reportagem qualquer e precisava ouvir o reitor de uma determinada universidade. Com dificuldades de encontrá-lo, telefonou para a casa do sujeito. Do outro lado da linha, foi informado que o reitor havia falecido dois dias antes. Nunca esqueço da reação do meu colega, ao telefone: “Que pena! Precisava tanto falar com ele!”
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: AF 447, Air France, entrevistar, entrevistas, jornalismo, obituários



Realmente é lamentavel a atitude de alguns jornalistas, que parecem urubus, não respeita a dor das pessoas envolvidas, são pessoas que estão sofrendo por uma perda, e ainda são barradas e praticamente empurradas para poder dar informação da pessoa que perdeu.
Mas tem os verdadeiros profissionais que sabe respeitar o momento e informam realmente aquilo que é necessário.
Pois tem uns programas da tarde que enquanto não mostra a pessoa no caixão e a familia em prantos não sossega, aff.
Posso ate parecer grosso , mas não ganho a vida explorando a desgraça alheia,
e vc Bozzeana nao deve ter tido sua vida devassada e exposta como a minha , por isso vc acha grosseria , só podemos falar daquilo que conhecemos !!!! Gracas a atitude da Imprensa escrita e falada posso me referir a eles em termos baixos e chulos como os que usei. Nao valem nada , sao urubus e hienas!!!!! Acham que a informacao esta acima de tudo e todos ….
O texto mostra que os mesmos *RECEBEM A MISSÃO de entrevistar familiares, amigos e parentes em busca de informações sobre o morto*. A missão existe .Isto é o sistema .
A forma de abordar as pessoas neste momento requer sensibilidade , respeito e amor pelo próximo. Se o jornalista consegue passar este sentimento , ele vai fazer a reportagem sem ofender.
Em todas as profissões existem os *bons e os péssimossssss *em cumprir qualquer missão.
…existem PESSOAS e pessoas e não podemos generalizar .
fiquem bem
O acidente aconteceu, é fato. Qualquer pessoa , seja ela um príncipe ou um indigente tem um história de vida. Então se o casal morreu indo para lua de mel, se o filho foi sempre um excente filho e etc é notícia desnecessária, coisa de urubu, assim como os urubus técnicos que estão aparecendo na televisão. Tem sim que investigar e isso está sendo feito, mas avião quando cai tem mais comoção pq muitos morrem de uma vez só, mas e os acidentes de carro??? O que faz a segurança é a técnica, é o trabalho e estudo árduo de muitos e não o sentimentalismo.
Deixem as famílias em paz
[...] não tenho muita paciência pra essa gente que acusa jornalistas de serem hienas e urubus, como fizeram leitores no blog do Mauricio [...]