Aproveito o domingo para responder aos leitores que cobraram notícias sobre meu livro, “História do Lance!”, lançado quarta-feira passada, dia 6, no bar Canto Madalena, em São Paulo.
Foi uma noitada muito legal, com a presença de muitos amigos e colegas, ao longo da qual autografei 70 livros. Um dos pontos altos da festa ocorreu quase ao final, quando o garçom Aguinaldo, que passara a noite servindo chope para a turma, aproximou-se de mim com um livro na mão e pediu um autógrafo. Disse que era leitor do “Lance!” e iria ler o livro.
A primeira pessoa a chegar em busca do livro, mal o bar abriu, às 19hs, era um rosto familiar, mas cujo nome eu não lembrava. Fiquei um pouco sem graça, mas acabei perguntando: “De onde eu te conheço?” André Bicudo, ele se apresentou. “Sou ator, trabalhei nos dois ‘Boleiros’, e também sou técnico de futebol”.
“Boleiros”, de Ugo Giorgetti, para quem não sabe, é um dos melhores filmes já feitos sobre o universo do futebol brasileiro. Em torno de uma mesa de bar, um grupo de ex-jogadores relembra histórias e causos saborosos, sobre o juiz ladrão, o técnico moralista, o craque com medo, enfim, uma galeria de tipos fantásticos do universo da bola.
Lançado em 1998, com muito sucesso, “Boleiros” mereceu uma sequência em 2006, na qual Giorgetti apresenta novos personagens, como o craque que faz sucesso no exterior, mas tem um irmão envolvido com problemas pesados no Brasil, e a Maria Chuteira, especializada em namorar jogadores de futebol.
Figura simpaticíssima, André Bicudo havia lido algo sobre o lançamento e foi ao bar. Sentou-se com os meus amigos e ficou lá por um tempo. Quando o ambiente começou a se encher de gente, ele se foi. Ao final da festa, me dei conta que acabei conversando pouco com André. Queria ouvi-lo sobre o seu papel em “Boleiros”, no qual ele interpreta Caco, um craque do Corinthians que está com medo de jogar e é salvo por um pai-de-santo (vivido por Andre Abujamra).
Pois eis que o círculo se fecha neste domingo. Em sua coluna no caderno de Esportes do “Estadão”, o cineasta Ugo Giorgetti, diretor de “Boleiros”, escreveu um texto que me deixou sem palavras sobre “História do Lance!”. A coluna, infelizmente, não está aberta no site do jornal, motivo pelo qual reproduzo apenas um trecho aqui:
“O Lance! está lá, é claro. Mas, para chegar até ele, Stycer sentiu que era necessário estudar e examinar tudo que o precedeu, porque nenhuma publicação surge solitária, desligada do mundo anterior, ao contrário, ela é sempre fruto e conseqüência. Para falar do Lance! é preciso falar da A Gazeta Esportiva e do Jornal dos Sports. Para falar dessas duas publicações esportivas é preciso falar da imprensa em geral e, para falar da imprensa, é preciso falar do Brasil. É isso que foi feito em História do Lance! – Projeto e prática do jornalismo esportivo, que acaba de ser lançado. Quem ler esse livro vai inevitavelmente se encontrar com o País, pois o que acontece no futebol acontece na sociedade. E a maneira como, no decorrer do tempo, a imprensa interpreta o fenômeno do futebol é reveladora de como ela se coloca diante do resto da realidade brasileira”.