“Lei antifumo dissemina a doença do autoritarismo”
Jornalista e professor de jornalismo, Marco Antonio Araujo abriu, três anos atrás, o Barão da Itararé, um bar na esquina das ruas Peixoto Gomide e Itararé, em São Paulo. O nome do bar presta homenagem ao jornalista Aparício Torelly (1895-1971), criador do personagem Barão de Itararé, famoso pelo jornalismo político temperado com humor e ironia. Um dos motes do Barão, que inspira o dono do bar, era: “Viva cada dia como se fosse o último; um dia você acerta”.
Atendendo a um pedido deste blogueiro, seu amigo de longa data, Araujo enviou um texto sobre a lei antifumo, aprovada pelo governo de São Paulo. Enquanto aguarda alguma liminar que suste a entrada em vigor da lei, critica o que, a seu ver, mostra o autoritarismo da nova legislação.
Marco Antonio Araujo
A lei antifumo a ser implementada no Estado de São Paulo combate um vício terrível, mas dissemina uma doença ainda mais grave, a do autoritarismo. E precisa ser combatida. Assim como a lei seca, já desmoralizada pelos seus excessos, a campanha segregacionista contra os fumantes serve para tornar nossa sociedade mais conservadora, careta e depressiva.
A diferença é que a guerra contra o tabaco terá fiscais mais eficientes que o poder público (e suas blitze tão espetaculares quanto efêmeras). O não-fumante poderá agora exercer sua notória intolerância sob o respaldo de normas higienistas que desconsideram conquistas seculares da democracia e seu direito das minorias.
A questão é muito simples. O cigarro é uma substância legal e seu usuário não pode ser submetido a constrangimento ou tratamento discriminatório, não pode ser jogado numa calçada, ao relento, exposto a uma condição humilhante. Nenhuma regra pode exterminar o direito do convívio social a qualquer que seja o grupo, a origem ou a preferência.
Não se vê mais viciados que se atrevam a acender cigarros em hospitais, filas de banco, supermercados ou elevadores lotados. Nesse ponto, houve uma ação civilizatória, justa e irreversível, que retirou os fumantes dos devidos lugares. Afinal, são ambientes públicos em que não se escolhe estar. Nesses locais poderia ser permitido até que dependentes químicos de nicotina fossem açoitados ou empalados. Ninguém reclamaria.
Só que essa lógica não se aplica a um bar, um restaurante, uma casa noturna. Vamos a esses lugares, e os escolhemos entre milhares de opções, à procura de diversão, convívio, relaxamento. Muitos restaurantes e pizzarias optaram por proibir o uso de cigarros em suas dependências e se deram muito bem. Mas por que um empresário não pode pagar seus impostos e abrir um pub ou uma choperia em que o fumo seja tolerado? Entra quem quer. Um não-fumante simplesmente não é obrigado a entrar em uma boate em que o cigarro seja aceito. Ele que freqüente outro cabaré.
As estatísticas mais alarmistas dizem que apenas 25% da população é fumante. Por que essa maioria arrebatadora de 75% até hoje não conseguiu expulsar o fumo e a bebida de ambientes festivos e de descontração? Porque Baco é um deus mais conhecido que Apolo, embora menos poderoso. Mesmo as pessoas completamente saudáveis gostam de freqüentar ambientes criados por aqueles que cantam, dançam, brindam e aspiram à raça humana. Evoé.
Mas, na falta de um inimigo comum, já que comunistas e fascistas encontram-se soterrados pela história, nada melhor que oferecer em holocausto os rebeldes subversivos que insistem em dar baforadas alegres e suicidas. Depois que forem extirpados, que venham os obesos, os poetas e os devassos.
As autoridades são muito cínicas quando alegam ser esta uma questão inadiável de saúde pública. Não é razoável ignorar que sejam alarmantemente nocivos a fumaça e os gases cancerígenos emitidos pelos milhões de veículos que circulam em nossas ruas. Estes não mereciam uma ação mais urgente dos nossos governantes? Como automóveis não são seres humanos, fica mais difícil combatê-los. Só pode ser isso.
Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: Aparicio Torelly, Barão da Itararé, Lei antifumo, Marco Antonio Araujo



Sou obrigada a discordar do texto… Os países ditos desenvolvidos aquem gostamos tanto de copiar, já adotam esse modelo há muito tempo e em condições ainda mais adversas: o frio congelante! A discriminação legal não é do fumante, mas do ato de fumar.
Quer fumar? fume lá fora!
muito justo.
Um comentario com palavras bonitas porém levando em consideração que você é um dono de bar e não está “nem ai” para seu funcionario que trabalha 8 horas ou mais em um ambiente completamente repleto de fumaça e ainda correndo risco de contrair um cancer
Segundo manifestações de pesquisadores, em São Paulo, são gastos R$ 14,00, por segundo em Saúde Publica em função da poluição veicular que mata, em tese, 20 seres humanos por dia.
P’ra mim, duas coisas me dão muito prazer na vida: TABACO em São Paulo e TABACO na Bahia, portanto, enquanto tiver forças, não deixarei de usá-los ( os dois ) em todos os instantes possíveis.
Sr. Marco Antonio…. certamente é fumante, só não esperava que fosse ignorante ao ponto de defender o ato de fumar.
Acho que ilustre autor do comentário só está indignado pela lei atifumo porque tem interesses comerciais na questão. Porque uma pessoa que fuma não pode esperar para ascender seu precioso cigarro quando sair do local fechado em que não há circulação de ar ? Só existe o divertimento quando se bebe e se fuma ao mesmo tempo? Acho muito correto que uma pessoa não fumante ao chegar de um restaurante ou mesmo de um pub não chegue em casa fedendo à fumaça. Ou será que uma pessoa que não fuma é careta demais para frequentar tais lugares? Quanto aos carros e caminhoes que poluem o meio ambiente, eles circulam em lugarem abertos. Experimente ficar em uma sala fechada com um onibus com o motor ligado o tempo todo para se ter a noção do que uma pessoa que não fuma se sente ao ter um monte fumando ao seu redor num ambiente fechado.
Discordo de quem discorda…….
A questão é quanto a discriminação: “Em tal lugar é permitido fumar durante a balada, show, jôgo…sei lá”!!! Então entra quem quiser, sabendo-se que lá dentro é permitido fumar…
Quem não quiser tem a OPÇÃO de não entrar…é isso.
Parabéns ao autor.
Coberto de razão em todos os pontos.
E àqules que usam drogas que nao exalam fumaça mas que são muito mais graves continuarão presentes em todos os ambientes e muitos ate estarão traficando. Vejam o que acontece com Excatasy, Cocaina, Crack, Heroina e outros.
Há, sem duvida, dois pesos e duas medidas.
Sergio
Cigarro sim .Fumante nao
Se o problema é saude publica , porque o governo nao comeca proibindo a venda de cigarros no estado , ja que a alegacao e que faz mal a saude , e ainda por cima , vai punir o dono do estabelecimento e nao o viciado ou seja uns fazem e outros pagam .
obs (Nunca fui fumante).
fumar ou não é a mesma coisa do que ter direito de ir e vir… concordo que o não fumante não é obrigado a fumar junto com o fumante, então se não pode fumar, não pode beber, então não frequente bares !!! Deixe o fumante fumar num barzinho e curtir à vontade !!!
Porque não criam lei anti roubo, sequestro, ou anti tantas coisas muito mais nocivas à saúde pública ???
Na França, Itália, Inglaterra e etc.. o povo acende um cigarro na bituca do outro e em qualquer ambiente, seja aberto ou fechado. E os bares londrinos? dá para enchergar alguém lá dentro? É uma fumaceira tão grande que você pensa que está em meio ao tão famoso fog.
As palavras são bonitas, chegam até a enganar o mais humilde, mas não consigo considerar uma pessoa inteligente defendendo o cigarro. Resumindo minha indignação, quer fumar, vai lá pra fora (junto com os carros)!
Prezada Paloma. Venho aqui a discordar da tua visão, e concordar com o autor do texto. E sabe porquê? Primeiro pois acho que o Estado tem coisas mais importantes para cuidar, ao inves de ficar se intrometendo na vida do cidadão. Para acabar com a poluição de fábricas, carros e caminhões, ninguém se coça. Mas para dar um “pito” em quem quer dar uma “pitada”, prontificam-se rapidamente. Segundo, pois darei um exemplo. Eis que há alguns meses atrás, um bar aqui em Porto Alegre (Bar Chopp Tuim) lançou um novo conceito: bar exclusivamente para fumantes. Não entraria no bar quem não estivesse com um cigarro aceso na mão (exagero meu, mas o bar era exclusivo a fumantes). E o que aconteceu? A maioria não-fumante ficou revoltadissima! Acharam um absurdo discriminatório não poderem entrar num bar sem fumar. Levando-se em conta o TEU raciocinio, então que os NÃO-fumantes encontrassem outro bar. Por quê escolher aquele, cheio de fumaça e gente fedorenta? Por quê achar-se discriminado? Estavam tentando separar as coisas, como está tentando ser feito agora. Na minha opinião, deveria ser feita uma divisão: bares onde o fumo é permitido, e bares onde não o é, com uma placa bem grande na entrada avisando de tal condição. Eu adoraria ver os não-fumantes deixando um bar onde eu possa dar minhas prazeirosas “baforadas”. Matheus, 21 anos, fumante (e consciente).
Parabéns. E isso aí. Essa lei é hipócrita e os caçadores de fumantes respiram o dia inteiro a poluição das ruas e nunca vi ninguém reclamar. NInguém é obrigado a ir num bar de fumantes. Agora o que eu acho mais engraçado é ver as ruas repleta de menores cheirando cola, cocaína, fumando maconha e os governantes nem aí. Porque não se proíbi então a venda de cigarros. Eta radicalismo barato.
Concordo em gênero, número e grau! Já que esta droga é liberada, tem que poder ser utilizada com bom senso e em lugares comuns a quem tem o mesmo hábito! Doença do Autoritarismo, sim! Encoberta pela capa da Liga da Justiça!
Também discordo do texto, porque o fumo é uma coisa intrinsecamente mal, não dá para autorizar de forma condicionada. Fumar faz mal não só para quem fuma, mas também para quem está perto do fumante. Isso inclui não só os companheiros de mesa do fumante, mas também quem está na mesa ao lado e o coitado do garçom. Permitir o fumo em alguns bares é o mesmo que permitir o suicídio ou a eutanásia em alguns lugares.
Infelizmente a ignorância ou a ganância de ganhar clientes a qualquer custo e a qualquer preço, dá margem a comentarios infelizes como este.
A regra é clara, SE FAZ MAL A SAÚDE, O COLETIVO PREVALECE ACIMA DE QUALQUER INTERESSE COMERCIAL OU PESSOAL.
Esse papo de Autoritarismo é conversa dos irresponsaveis, que não estão nem aí se vai prejudicar alguem, desde que estejam ganhando o SEU, o resto que se lixe.
QUER FUMAR, FUME LÁ FORA, POIS A MAIORIA NÃO QUER FUMANTES DE SEU LADO !!!
se odono do bar contrair cancer com certeza a sua opinião mudara para a proibição.
Sabemos que mais chato do que um fumante é um ex-fumante
vá ver essa medida foi tomada por um bando de ex.
Concordo com o texto e ainda digo mais pq não combater os assaltantes , proíbi- los de entrar nas casas matando crianças e destruindo famílias , pq não combater o vicíados de craque e maconha e tb os alcóolatras que batem em suas mulheres e filhos ……. , esses nossos governantes… e o pior é que o povo aplaude …………