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Arquivo de maio, 2009

29/05/2009 - 15:27

Luxemburgo ataca jornalistas “corintianos”, mas é criticado por “palmeirenses”

Jornalista pode ter time? E pode torcer? A resposta à primeira pergunta é fácil: lógico que sim. A segunda é mais complicada. Pode torcer desde que não esteja no ambiente de trabalho ou em missão profissional – do contrário, a confusão é enorme. Foi a propósito deste assunto que entrevistei, para o Último Segundo, o radialista Eraldo Leite, presidente da Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro.

A ACERJ acaba de advertir um jornalista que, no último domingo, comemorou e gritou acintosamente na Tribuna de Imprensa do Maracanã depois de um gol do Fluminense. O fato foi noticiado no site da entidade. É uma situação inédita, até onde eu sei – uma associação de jornalistas esportivos vir a público ensinar como os profissionais devem se comportar no ambiente de trabalho.

Quase todo torcedor suspeita que os jornalistas esportivos beneficiem os seus clubes de coração em suas reportagens, análises e comentários. Os profissionais sérios e respeitados convivem bem com essa questão – sabem que podem falar abertamente o nome do time que torcem sem que o trabalho que fazem seja afetado.

Uma novidade esta semana foi a suspeita levantada por um técnico, o sempre polêmico Vanderlei Luxemburgo, sobre a isenção dos críticos que atacaram o pífio desempenho do Palmeiras, nesta quinta-feira, no Parque Antarctica, contra o Nacional, de Montevidéu. Segundo o técnico, os seus críticos são jornalistas corintianos. Eis o que disse:

“Tenho percebido que há uma má vontade grande contra a gente. Nos outros clubes as mesmas coisas acontecem, mas aqui têm mais críticas. Percebo que são corintianos que precisam tirar a camisa do time e ter mais calma na análise”.

Em seu blog, Opiniões em Campo, o jornalista Allan Brito resolveu “comprar” a provocação de Luxemburgo e trouxe os comentários de dois colunistas considerados torcedores do Palmeiras, Mauricio Noriega e Mauro Beting, sobre o desempenho do Palmeiras em campo. São críticas fortes que provam, mais uma vez, o eu que eu disse antes: jornalistas sérios não confundem a paixão por seus clubes com a isenção profissional.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, jornalismo Tags: , , , ,
29/05/2009 - 10:14

O “golpe baixo” de “Garapa”: mosca na cara das crianças

Comentei sobre “Garapa” com um importante e respeitado nome do cinema brasileiro. Ele não havia visto o filme ainda, quando conversamos, e começou a me fazer perguntas. Eu disse que não gostei da forma como José Padilha apresenta o problema central – a fome no sertão do Ceará e na periferia de Fortaleza. O cineasta quer obrigar o espectador a se sensibilizar com o drama – é preciso sentir a fome, acredita ele, para entendê-la.

Para isso, Padilha acompanha a rotina de três famílias miseráveis, sem dinheiro nem comida, cujas mães alimentam suas crianças com um composto de água e açúcar (a “garapa”), enquanto os pais, sem trabalho, passam o dia a toa. Padilha, contei, mostra esta rotina em detalhes, com a câmera em close e imagens em preto e branco, num esforço de chocar o espectador.

Foi nessa hora que o meu interlocutor perguntou: “Aparece mosca na cara das crianças?”. E eu: “O tempo todo. Moscas e mosquitos não saem dos rostos das crianças filmadas”. E ele: “Então não dá. Esse é golpe mais baixo que existe”.

Na visão de alguns críticos, os recursos que Padilha mobiliza para expor a fome são “polêmicos”. Acho mais que isso: vejo um problema ético envolvido nesta produção. A certa altura do filme, Padilha oferece uma aspirina para um personagem que está com dor de dente. Ele informa que o analgésico não vai resolver o problema, apenas atenuar a dor. Podemos falar a mesma coisa do seu filme.

O texto que escrevi em março, sob o impacto da sessão que assisti, foi publicado no Último Segundo e está aqui. “Garapa” estréia nesta sexta-feira em grande circuito.

Em tempo (atualizado às 16h50): Meu amigo Ricardo Kotscho, cujo blog é vizinho ao meu aqui no iG, me informa: “O Padilha me disse – e eu escrevi na reportagem que sairá na próxima edição da revista ‘Brasileiros’ - que toda a arrecadação gerada pelo filme será doada às famílias que nele aparecem.”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: ,
28/05/2009 - 16:46

Sinais da selva em SP: sirene de polícia em carro particular

Presenciei a cena duas vezes, somente esta semana, ambas nos Jardins, região nobre de São Paulo. Na primeira, estava dentro do carro, num congestionamento e ouvi a sirene – de polícia. Olhei pelo retrovisor e não vi nada. A sirene voltou a tocar. Tentei encostar o carro, para facilitar a passagem, no que fui imitado pelo carro que estava atrás de mim. O barulho da sirene sumiu – e vi passar um desses carrões altos, SUV.

Na outra cena, eu caminhava quando ouvi o barulho de uma sirene de polícia. Olhei para a rua e vi apenas dois carros. No da frente, um senhor dirigia devagar, procurando ler o nome da rua na placa da esquina. Atrás dele, um garotão, a bordo de um jipão, acionava a sirene – vi quando ele tirava a mão esquerda de algum lugar embaixo do volante.

Trata-se, não preciso dizer, de infração ao Código de Trânsito, do tipo “média”, e pode render multa e apreensão do veículo. Também não preciso dizer que esse disposito é vendido livremente, tanto na Internet quanto em lojas de acessórios no centro de São Paulo. Sai por cerca de R$ 200 – e imita sirenes variadas, ruídos de animais e pode também emitir frases “engraçadinhas”, com ofensas a outros motoristas ou pedestres. É, para mim, um desses lamentáveis sinais que a vida na cidade também é selvagem.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , , , ,
27/05/2009 - 17:58

Messi e a falta que Ronaldinho Gaúcho não faz

A conquista da Liga dos Campeões elimina, definitivamente, qualquer dúvida que poderia haver no Barcelona sobre a saída de Ronaldinho ao final da temporada passada. O Barça venceu tudo – o Espanhol, a Copa do Rei e, agora, o Europeu – depois que o brasileiro deixou o time.

Simbolicamente, a camisa 10 de Ronaldinho foi passada para Messi, que usava a 19 no time comandado pelo brasileiro. Não espantará, também, se o baixinho argentino conquistar este ano um título que já foi, duas vezes, do brasileiro – o de melhor jogador do mundo.

Ronaldinho é um herói no Barcelona. Ajudou a equipe a conquistar a Liga do Campeões (2006) e dois Espanhóis (2005 e 2006), o que não é pouco. Mas a consagradora temporada 2008-2009 (ainda falta o Mundial, no fim do ano) não fará bem à memória do craque brasileiro, hoje vivendo o seu inferno astral.

Reserva no Milan, descartado por Dunga para a Copa das Confederações, Ronaldinho pode até ter torcido pelo Barcelona nesta tarde, mas a consagração desta equipe não deixa de ter um gosto amargo para ele.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
26/05/2009 - 13:17

“Lei antifumo dissemina a doença do autoritarismo”

Jornalista e professor de jornalismo, Marco Antonio Araujo abriu, três anos atrás, o Barão da Itararé, um bar na esquina das ruas Peixoto Gomide e Itararé, em São Paulo. O nome do bar presta homenagem ao jornalista Aparício Torelly (1895-1971), criador do personagem Barão de Itararé, famoso pelo jornalismo político temperado com humor e ironia. Um dos motes do Barão, que inspira o dono do bar, era: “Viva cada dia como se fosse o último; um dia você acerta”.

Atendendo a um pedido deste blogueiro, seu amigo de longa data, Araujo enviou um texto sobre a lei antifumo, aprovada pelo governo de São Paulo. Enquanto aguarda alguma liminar que suste a entrada em vigor da lei, critica o que, a seu ver, mostra o autoritarismo da nova legislação.

Marco Antonio Araujo

A lei antifumo a ser implementada no Estado de São Paulo combate um vício terrível, mas dissemina uma doença ainda mais grave, a do autoritarismo. E precisa ser combatida. Assim como a lei seca, já desmoralizada pelos seus excessos, a campanha segregacionista contra os fumantes serve para tornar nossa sociedade mais conservadora, careta e depressiva.

A diferença é que a guerra contra o tabaco terá fiscais mais eficientes que o poder público (e suas blitze tão espetaculares quanto efêmeras). O não-fumante poderá agora exercer sua notória intolerância sob o respaldo de normas higienistas que desconsideram conquistas seculares da democracia e seu direito das minorias.

A questão é muito simples. O cigarro é uma substância legal e seu usuário não pode ser submetido a constrangimento ou tratamento discriminatório, não pode ser jogado numa calçada, ao relento, exposto a uma condição humilhante. Nenhuma regra pode exterminar o direito do convívio social a qualquer que seja o grupo, a origem ou a preferência.

Não se vê mais viciados que se atrevam a acender cigarros em hospitais, filas de banco, supermercados ou elevadores lotados. Nesse ponto, houve uma ação civilizatória, justa e irreversível, que retirou os fumantes dos devidos lugares. Afinal, são ambientes públicos em que não se escolhe estar. Nesses locais poderia ser permitido até que dependentes químicos de nicotina fossem açoitados ou empalados. Ninguém reclamaria.

Só que essa lógica não se aplica a um bar, um restaurante, uma casa noturna. Vamos a esses lugares, e os escolhemos entre milhares de opções, à procura de diversão, convívio, relaxamento. Muitos restaurantes e pizzarias optaram por proibir o uso de cigarros em suas dependências e se deram muito bem. Mas por que um empresário não pode pagar seus impostos e abrir um pub ou uma choperia em que o fumo seja tolerado? Entra quem quer. Um não-fumante simplesmente não é obrigado a entrar em uma boate em que o cigarro seja aceito. Ele que freqüente outro cabaré.

As estatísticas mais alarmistas dizem que apenas 25% da população é fumante. Por que essa maioria arrebatadora de 75% até hoje não conseguiu expulsar o fumo e a bebida de ambientes festivos e de descontração? Porque Baco é um deus mais conhecido que Apolo, embora menos poderoso. Mesmo as pessoas completamente saudáveis gostam de freqüentar ambientes criados por aqueles que cantam, dançam, brindam e aspiram à raça humana. Evoé.

Mas, na falta de um inimigo comum, já que comunistas e fascistas encontram-se soterrados pela história, nada melhor que oferecer em holocausto os rebeldes subversivos que insistem em dar baforadas alegres e suicidas. Depois que forem extirpados, que venham os obesos, os poetas e os devassos.

As autoridades são muito cínicas quando alegam ser esta uma questão inadiável de saúde pública. Não é razoável ignorar que sejam alarmantemente nocivos a fumaça e os gases cancerígenos emitidos pelos milhões de veículos que circulam em nossas ruas. Estes não mereciam uma ação mais urgente dos nossos governantes? Como automóveis não são seres humanos, fica mais difícil combatê-los. Só pode ser isso.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): São Paulo Tags: , , ,
26/05/2009 - 11:20

“Caixas de filmes de Glauber Rocha” para Kim Jong-il

O primeiro embaixador do Brasil na Coreia do Norte, o diplomata Arnaldo Carrilho, é um  conhecido cinéfilo e defensor das causas do cinema brasileiro desde a década de 60. Amigo de toda a turma do Cinema Novo (Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman etc), Carrilho ajudou, em diversas ocasiões, a liberação junto ao regime militar de filmes brasileiros para exibição em festivais na Europa.

Carrilho foi produtor de “O Circo”, curta-metragem de Arnaldo Jabor, realizado no início da década de 70. Muito próximo de Glauber Rocha, é o “herdeiro” do diário escrito pelo cineasta em seu período de “exílio” – um material até hoje inédito, que a editora CosacNaify planeja um dia publicar.

Como o ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim, que foi presidente da Embrafilme entre 1979 e 1982, Carrilho presidiu na década de 90 a Riofilme, distribuidora de cinema ligada à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Aos 71 anos, já foi embaixador em Bangcoc (Tailândia), além de ter atuado nos escritórios de representação brasileira em Sydney (Austrália) e em Ramallah (Cisjordânia). No final de 2008, foi nomeado embaixador na Coreia do Norte, onde o Brasil nunca teve representação diplomática.

Aprovado pelo Senado no início de 2009, ia assumir o cargo agora, no final de maio. Estava em Pequim, em trânsito, quando a Coréia do Norte anunciou os seus novos testes nucleares – o que levou o Brasil a suspender a abertura da missão diplomática em Pyongyang.

Em 15 de março, em entrevista ao “Diário Catarinense”, Carrilho anunciou o que pretendia fazer na Coréia do Norte e como planeja estabelecer contato com o ditador Kim Jong-il:

“Tenho expectativas de trabalho na área bilateral. Já me foi anunciado que vou assinar um protocolo comercial. O ministro dos negócios estrangeiros norte-coreano propôs uma visita ao Brasil entre 12 e 14 de maio. Por aqui, já temos a Sadia interessada na venda de carne suína e de frango à Coreia do Norte. Depois estarei com o dono da Friboi, que tem dois frigoríficos na Austrália, para exportar carne bovina também. Também poderemos importar magnesita – a Coreia do Norte é a segunda maior produtora e o Brasil importa. E a cultura, né? O líder do país é um cinéfilo. Vou levar caixas de filmes de Glauber Rocha, de Nelson Pereira dos Santos, de Leon Hirszman, mostrar o nosso Cinema Novo para ele.”

Sobre a sua relação com Glauber, Carrilho já falou em diversas ocasiões. Numa entrevista à “Revista de Cinema”, não disponível na Internet, o embaixador conta que sempre teve grandes discussões intelectuais com o diretor de “Terra em Transe”. Conta Carrilho:

“Glauber se preocupava muito com o cafajestismo das elites brasileiras. Se preocupava com as safadezas dela. Tanto que uma vez disse para ele: ‘Glauber, não temos elite, temos classe dominante. Nossa origem é capitania hereditária.” Ele se interessava muito por politicagem’.”

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Mundo Tags: , , , , , ,
25/05/2009 - 09:25

Caso Watergate: a mancada jornalística do século

O “New York Times” desta segunda-feira publica a notícia que um repórter e um editor do jornal tiveram informações quentes sobre o escândalo de Watergate dois meses antes de Bob Woodward e Carl Bernstein darem início, no concorrente “Washington Post”, à série de reportagens que iria resultar na renúncia do presidente Richard Nixon. A ser verdade o que é relatado, trata-se da maior mancada jornalística da história.

Robert Smith, ex-repórter do “Times”, resolveu falar depois de saber que o ex-editor Robert H. Phelps incluiu a história em seu livro de memórias, recém-publicado. Segundo Smith, em 1972, dois meses depois da invasão do prédio Watergate, ele almoçou com o então diretor do FBI, L. Patrick Gray, que revelou detalhes explosivos do caso, envolvendo o procurador-geral John Mitchell e dando dicas da ligação da Casa Branca com o escândalo – relacionado a levantamento irregular de fundos para a campanha eleitoral de Nixon e o posterior encobrimento ilegal do caso.

Smith conta que voltou voando para a sucursal do “Times” em Washington e contou tudo que ouviu para seu chefe, Phelps, que tomou notas e gravou a conversa. A partir daí, a história começa a ficar estranha.

No dia seguinte, Smith deixou o “Times” e seguiu para a Universidade Yale, para cursar Direito. E dias depois, Phelps partiu para uma viagem de descanso de um mês no Alaska. E o que foi feito com as dicas dadas pelo diretor do FBI? E as anotações? E a gravação? São perguntas que o jornal faz hoje. As respostas são nebulosas.

“Não tenho idéia”, responde Phelps, hoje com 89 anos. Ex-colegas que ele entrevistou afirmam não ter conhecimento da história. “Foi, provavelmente, culpa minha”, ele diz. Smith conta que, durante o almoço com o diretor do FBI, ouviu que o Partido Republicano cometeu “truques sujos” durante a campanha para a eleição de Nixon.

“Ele (Gray) me disse que o procurador-geral estava envolvido no esforço de esconder o caso”. O então repórter lembra-se de ter perguntado: “Chega até onde? No presidente?” Segundo Smith, Patrick Gray olhou para ele e não respondeu. “Sua resposta estava no seu olhar”.

Escreve o “New York Times” hoje: “Se os relatos dele (Phelps) e de Smith estão corretos, o ‘Times’ perdeu a chance de sair na frente na grande reportagem da sua geração”.

Outro significado da revelação é que não apenas Mark Felt, o número 2 do FBI, estava passando informações para jornalistas (em 2005, ele revelou ser o Garganta Profunda, que abasteceu Woodward durante o escândalo), mas também o número 1 da agência estava revelando segredos sobre o caso.

A reportagem de hoje do “New York Times” sobre esse caso surreal pode ser lida aqui.  

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): jornalismo Tags: , , ,
24/05/2009 - 11:35

Três acréscimos visíveis e uma revisão sutil em ‘Budapeste’

Adaptar um romance para o cinema implica, sempre, em reescrever, reinterpretar, reinventar, acrescentar e suprimir partes em relação ao original. Mesmo quando a intenção é de reverência à obra, mudanças são inevitáveis.

É o caso do recém-lançado “Budapeste”, de Walter Carvalho, cuja matriz é o romance de Chico Buarque, que chega às telas com três acréscimos notáveis e uma alteração sutil em relação ao original.

A primeira novidade é a aparição da estátua dedicada ao “Escritor Desconhecido”, uma atração turística de Budapeste. Era como se o bronze tivesse pedido para entrar no filme – que conta a história, como se sabe, de um “ghost writer”, ou seja, um escritor que escreve livros para outras pessoas.

A estátua vai surgir em dois momentos. Numa cena, um grupo de turistas visita o bronze, tendo o ghost writer José Costa (vivido por Leonardo Medeiros) ao fundo. Em outra cena, a estátua aparecerá como um fantasma, a atormentar o protagonista do filme.

A segunda novidade, como contou Walter Carvalho a Luiz Zanin Oricchio, no Estadão de sexta-feira, foi a decisão de filmar o transporte de uma estátua de Lênin, desmontada, em pedaços, ao longo do rio Danúbio. Foi a maneira encontrada pelo diretor de localizar, no tempo, a Budapeste do romance – uma cidade “libertada” do regime comunista. “Com a estátua deu para filmar o rio sem recorrer a clichês visuais”, disse Carvalho.

As duas inclusões (por coincidência, duas estátuas) chamam a atenção pelo esforço em traduzir, explicar, imagens apenas sugeridas pelo livro. Tiram as sombras e lançam luz sobre o que talvez fosse somente sugestão do autor. No seu didatismo, eu acho, esvaziam as possibilidades de interpretação.

Um terceiro acréscimo em relação ao romance é uma espécie de piada-homenagem ao autor do livro. Chico Buarque faz uma ponta no filme, no papel de uma pessoa que pede autógrafo a José Costa, que acabara de lançar um livro chamado “Budapeste”. Nesse caso, é uma brincadeira que funciona bem, ao adicionar mais confusão ao universo de duplos e espelhos da história.

Deixei para o final, a mudança que o filme propõe ao romance. Ocorre logo na primeira cena – e é bem mais sutil que a inclusão das duas estátuas e a aparição de Chico. “Budapeste”, o filme, dá nova redação à mais famosa frase de “Budapeste”, o livro – destacada, inclusive, na capa: “Fui dar em Budapeste graças a um pouso imprevisto, quando voava de Istambul a Frankfurt, com conexão para o Rio”, lê-se no romance. No filme, o narrador diz: “Fui parar em Budapeste…”

O duplo sentido da frase serviu de justificativa, à época do lançamento do livro, para muita crítica e mesmo chacota. Ao eliminá-la no filme, Carvalho parece ter agido com a mesma intenção que presidiu a inclusão das outras cenas: tornar “Budapeste” mais fácil, didático, sem ruídos.

Como quase sempre acontece, esta adaptação cinematográfica desidrata o romance. Talvez seja a única forma de levar um público maior aos cinemas. E sempre resta a esperança que o filme tenha o efeito de estimular a leitura.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , ,
23/05/2009 - 11:42

“Como convenci minha filha a desistir dos Jonas Brothers”

Jornalista de múltiplos talentos, boa de texto e de edição, Micheline Alves é também mãe da Luiza, uma menina de 12 anos, tão inteligente quanto bonita (ela vai morrer de vergonha quando ler isso, mas é verdade). Há alguns meses, Chele me contou o seu “drama”: Luiza queria porque queria ir ao show dos Jonas Brothers, programado para este domingo, 24 de maio. Esqueci do assunto até que, há uma semana, ela me deu a boa notícia – a Lu (nessa idade, todas as meninas se conhecem pela primeira sílaba do nome) desistiu do show. Pedi para Chele contar como isso aconteceu. É o que você vai ler no saborosíssimo texto abaixo:

DOMINGO SEM JONAS BROTHERS

Micheline Alves

“Mas mãe, eu amo o Nick”. Eu, àquela altura, não fazia a mais vaga ideia de quem era o Nick. Hoje eu sei que ele é o caçula do trio que qualquer pessoa que tenha televisão, radio FM, Internet ou simplesmente um adolescente em casa já ouviu: o Jonas Brothers. Há cerca de um ano eu convivo relativamente bem com isso – a história de amor entre Nick Jonas, 17 anos, e minha única filha, de 12. Vi quando ela vibrou ao conseguir ingressos para a pré-estréia de “Camp Rock”, o seriado do Disney Channel estrelado por eles, os três Jonas. Colaborei com a inscrição no concurso que levaria uma felizarda a Vermont para conhecê-los pessoalmente (a sorteada foi outra).

Vi o dinheiro do lanche ser transformado algumas vezes em revistas-pôster. Vi os pôsteres serem grudados na parede do quarto. Respirei aliviada ao constatar que Nick era o irmão que usava os cabelos cacheados, ao natural, e não aquele que os mantém lisíssimos com a ajuda de uma chapinha (esse é o Joe. Ufa).  Não dei importância ao fato de eles serem republicanos, eleitores de Bush, de família religiosa e usarem um “anel de pureza” que garante que se manterão virgens até o casamento. Cheguei a decorar versos como “I find my paradise/ When you look me in the eyes”. Mais do que isso, cheguei a cantá-los com gosto no trajeto entre nossa casa e a escola.

E então veio a notícia: os Jonas viriam ao Brasil. O show em São Paulo seria no Morumbi. Domingo, 24 de maio. Ingressos entre 200 e inacreditáveis 600 reais. A campanha foi pesada. “Mãe, a gente teeeeem que ir!”.  Afinal, eles são o máximo. Afinal, o Nick é lindo.  Afinal, a Li, a Ma, a Ca e mais uma dúzia de amigas com nomes de sílabas iriam também. “Mãe, pelo amor de Deus!”.

Pelo amor de Deus digo eu. Me fazer ir a um estádio de futebol para ficar na ponta dos pés tentando enxergar um pedaço de telão a quilômetros de distância (do alto de meu 1,62m, ver o palco tem se provado um sonho difícil de realizar em megashows), acho que nem o Stevie Wonder conseguiria. Hmmm, ok, pode ser que o Stevie consiga. Mas aqui entramos em uma seara óbvia para mim, mas absolutamente sem sentido para minha filha: qualidade musical. Quem se importa com isso?

Para minha filha tanto faz se o som é bom, se eles conhecem mais de três acordes na guitarra, se desafinam, se estão dublando. Aliás, tanto faz se vai ser possível enxergar alguma coisa – o que importa, ela me disse, é estar no mesmo ambiente em que o Nick está. Mesmo que o ambiente tenha mais algumas dezenas de milhares de garotas à beira de um ataque de nervos.

Então me lembrei de uns 25 anos atrás, quando um certo quinteto porto-riquenho chamado Menudo esteve no Brasil para se apresentar no mesmíssimo Morumbi e eu tive de amargar a decisão peremptória, irrevogável da minha mãe:  nem pensar. Era caro demais, era perigoso – “morre gente pisoteada nesse tipo de show, você sabia?”.

Não cheguei tão longe na minha argumentação, mas gostei de lembrar do episódio. Principalmente, de lembrar que a vida seguiu normal e feliz apesar da desfeita, algo que os pais de hoje parecem nunca lembrar. A impressão que se tem é a de que se receberem um não como resposta, as crianças ficarão eternamente traumatizadas. Será possível sobreviver a tamanha desilusão? Give me a break, como diria o pai do Nick.

Resolvi ir adiante e levantei a questão do dinheiro. “Filha, pense em quanta coisa dá pra fazer nas férias com esses 300 reais (os 200 do meu ingresso mais os 100 da meia entrada dela, isso se a gente ficasse no pior lugar do show)?”. Ótima surpresa: ela ponderou. De fato, é uma grana legal para gastar nas férias.

A sorte deu mais um empurrãozinho quando surgiu o convite para a festa de uma grande amiga no mesmo dia do show. E então, nesta semana, veio o sinal definitivo de que o reinado dos irmãos Jonas pode estar com os dias contados – pelo menos nas paredes lá de casa. Diante do programa de videoclipes, eu e ela deitadas no sofá em frente à TV, ouvi a frase redentora: “Acho que estou gostando mais do McFly. Quer saber? Eu já nem amo o Nick tanto assim”. Então pronto: quando o Stevie voltar ao Brasil, a gente vai junto.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: ,
22/05/2009 - 08:27

Ronaldinho Gaúcho e Riquelme ainda têm futuro?

No mesmo dia em que Ronaldinho Gaúcho perdeu definitivamente o status de craque intocável, e virou apenas mais um numa lista de 40 nomes cogitados por Dunga, Riquelme foi protagonista do maior fracasso do Boca Juniors nos últimos dez anos, ao ser eliminado nas oitavas-de-final da Libertadores em plena Bombonera.

O que aconteceu com Ronaldinho Gaúcho? Duas vezes (2004 e 2005) eleito melhor jogador do mundo, o craque está numa fase descendente já longa, de pelo menos dois anos – o Barcelona melhorou depois de sua saída e no Milan não encontrou lugar no time titular, para não falar das suas atuações decepcionantes na seleção.

Riquelme abriu mão de jogar na seleção, em conflito aberto com Maradona, e é responsabilizado pelo atual racha na equipe do Boca – não se dá com a turma de Palermo. Com problemas na sola do pé direito, ficou 40 dias sem jogar, antes de voltar a campo nesta quinta-feira, contra o Defensor Sporting, do Uruguai. Não é de se espantar que, depois desse longo período de inatividade, Riquelme não tenha jogado nada.

As duas notícias desta quinta-feira colocam nuvens negras sobre as cabeças de Ronaldinho e Riquelme. O que será do craque brasileiro agora? Aos 29 anos, sem lugar garantido na seleção e no Milan, precisa se reencontrar urgentemente com o futebol caso ainda sonhe em disputar uma Copa do Mundo.

E Riquelme, próximo dos 31 anos, o que o futuro reserva ao craque? Prevê-se um desmonte do atual Boca, a começar pelo técnico Carlos Ischia, ex-assistente de Carlos Bianchi, que dificilmente resistirá à eliminação do time na Copa, como dizem os argentinos. Riquelme vai sobreviver? 
 
Na Bolsa de Valores do Futebol, quem ainda não havia se desfeito das ações de Ronaldinho Gaúcho e Riquelme está agora com dois micos na mão. O que não quer dizer que daqui a três ou seis meses essas ações voltem a se valorizar e dar muito lucro a quem apostou neles. Espero que sim.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , ,
21/05/2009 - 08:57

Uma semana de boas e importantes notícias

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , , ,
21/05/2009 - 08:33

O blogueiro deveria corrigir o português dos leitores?

Final de 2007, se não me engano. A ESPN Brasil exibia o “Bate-bola – segunda edição”. O apresentador João Carlos Albuquerque informou que Kaká havia acabado de ser premiado com a Bola de Ouro, o tradicional prêmio concedido pela revista “France Football” ao melhor jogador do ano. O programa então mostrou uma entrevista gravada com o jogador, ao longo da qual Kaká falou da alegria de ter sido escolhido e informou: “Esse prêmio vai para a minha sala de TROFÉIS”.

A entrevista prosseguiu por mais alguns instantes até que a transmissão voltou para o estúdio. Albuquerque tomou a palavra e falou (cito de cabeça): “Esse é um programa assistido por muitos jovens. Então, temos também uma função educativa. O plural de palavras terminadas em ‘éu’ é sempre ‘éus’. Chapéus, troféus, réus e assim por diante”.

Sem citar Kaká e o seu atentado gramatical, Albuquerque deu uma lição magnífica, ao vivo – mostrando que um bom jornalista precisa ter cultura e jogo de cintura, além de consciência sobre o seu papel num país com tantas deficiências quanto o Brasil.

Nesta quarta-feira, mais uma vez, me lembrei dessa história. A Rede Globo havia começado a transmissão de Fluminense e Corinthians e o narrador Cleber Machado descrevia o clima festivo no Maracanã – lotado para a partida. A câmera deteve-se então numa menina, vestida com as cores do Fluminense, que exibia um cartaz com uma declaração de amor a Ronaldo. A última frase dizia: “Torço muito por você, MAIS não hoje”.

O que fazer? Situação complicada, reconheço. Devo dizer que também não corrijo os erros de português que, eventualmente, aparecem em comentários aqui no blog. Deveria? Penso muito neste assunto, mas ainda não cheguei a uma conclusão.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, televisão Tags: , , , , , ,
20/05/2009 - 10:25

“Newsweek” muda para sobreviver na Era da Informação

A notícia tem dois dias, o que é uma eternidade em tempos de Internet, mas acho que ainda vale a pena comentar. A revista “Newsweek”, a segunda grande revista semanal americana de informações, depois da “Time”, chegou às bancas nesta segunda-feira totalmente reformulada.

No editorial, intitulado “Uma nova revista para um mundo em transformação”, o editor Jon Meachan anuncia na primeira linha: “Não é segredo que o negócio do jornalismo está enfrentando problemas. Instituições veneráveis estão diante de um futuro incerto”.

De uma sinceridade impactante, Meachan observa: “Achamos importante o que fazemos, mas no fim das contas o que interessa mais é se você pensa o mesmo e, pensando assim, se considera que o nosso trabalho vale o investimento do seu tempo”.

O editor fala em “reinvenção” da “Newsweek”, uma revista que pertence ao mesmo grupo do jornal “Washington Post”, outro ícone do jornalismo americano (revelou o caso Watergate), também passando por dificuldades.

As revistas semanais surgiram para organizar e dar sentido ao noticiário dos jornais diários. Com o tempo, ganharam diferentes formas e projetos, mas permaneceram como uma alternativa ao leitor interessado em, uma vez por semana, adquirir informações e conhecimento mais aprofundados sobre o que ocorreu nos sete dias anteriores.

À medida em que a internet começou a fornecer notícias em tempo real bem como opiniões e análises “instantâneas”, o modelo dos jornais foi colocado em xeque, observa Meachan, levando muitos diários a optarem por uma “revistização”, ou seja, reportagens mais densas e análises mais ambiciosas.

O editor da “Newsweek” não teme a concorrência dos jornais – afinal, sugere, o leitor não tem tanto tempo, durante o dia, para ler jornais com cara de revista. O papel que cabe a uma revista semanal neste momento é justamente aprofundar a sua vocação: reportagens de fôlego e ensaios críticos.

“Sabemos que você sabe o que é notícia. Não pretendemos ser o seu guia no caos da Era da Informação. O que podemos oferecer é um trabalho cuidadoso para a descoberta de fatos novos e para o estímulo de pensamentos inesperados”, promete Meachan. Tomara que consiga.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , ,
19/05/2009 - 09:02

Blogueiro de um lado, torcedor do outro. Ainda bem

Relatei nesta segunda-feira dois episódios recentes nos quais o técnico do Corinthians deu uma informação a jornalistas e, em seguida, agiu de forma diferente ao que disse. O texto, Mentiras de Mano Menezes incomodam a imprensa, mereceu o comentário de 556 internautas. A grande maioria, em torno de 95%, odiou o que escrevi – nunca, neste blog, um texto meu alcançou tamanha reprovação. Tento resumir a seguir os principais argumentos dos meus críticos:

1. O número maior de comentários diz respeito à pertinência do texto. Um grande contingente de leitores classificou o que escrevi como “ridículo”, mera “falta de assunto” ou tentativa de arrebanhar “audiência” para o blog.

2. Um segundo número considerável de leitores defendeu a tese que Mano Menezes fez “o que é melhor para o Corinthians”. O técnico não deve satisfação aos jornalistas, apenas ao time, escreveram.

3. Uma terceira crítica recorrente ao meu texto é que “todos os treinadores mentem”; o que Mano fez é algo comum no meio. Na visão desses internautas, eu deveria criticar também Muricy, Luxemburgo e tantos outros colegas de Mano.

4. Além das críticas a mim, à minha incompetência e ignorância, um certo número de leitores aproveitou para criticar os jornalistas, de maneira geral. “Jornalistas mentem” muito mais que Mano, escreveram vários.

5. Mano não mentiu, mas “despistou” a imprensa, usou de uma “estratégia” para surpreender os adversários, argumentaram muitos leitores.

6. Por fim, uma minoria viu no meu texto uma tentativa de “conturbar o ambiente” do Corinthians e “desestabilizar” o técnico Mano Menezes.

Se houve tanto repúdio e tantas interpretações diferentes ao que escrevi, pode ser que eu tenha sido pouco claro no meu texto. Falha minha. Suspeito que tenha causado um certo choque o uso da palavra “mentira” no post. Se eu tivesse dito que Mano Menezes tem usado um “artifício” que causa incômodo, ou uma “estratégia” para “despistar” os adversários, talvez tivesse causado menos repulsa.

O que diz o “Houaiss” sobre o verbo “mentir”? 1. “Dizer, afirmar ser verdadeiro (aquilo que se sabe falso); dar informação falsa (a alguém) a fim de induzir ao erro”; 2.  “não corresponder a (aquilo que se espera); falhar, faltar, errar”. 3.  “causar ilusão a; dissimular a verdade; enganar, iludir.”

E o que diz o dicionário sobre o substantivo “mentira”? 1. “ato ou efeito de mentir; engano, falsidade, fraude”; 2. “hábito de mentir”; 3. “afirmação contrária à verdade a fim de induzir a erro”; 4. “qualquer coisa feita na intenção de enganar ou de transmitir falsa impressão”.

Entre Mano Menezes e a reclamação de alguns jornalistas, como escrevi no post, é fácil imaginar de que lado ficaram – e ficarão sempre – os corintianos. A “nação”, como escreveu um leitor, coloca o time em primeiro lugar. E também em segundo e em terceiro. Tudo bem. Entendo.

O que Mano fez ao informar que o time não ia jogar com três zagueiros contra o Inter e, em seguida, escalar três zagueiros contra a equipe gaúcha? O que Mano fez ao insistir com os jornalistas que o Corinthians atuaria com o time reserva contra o Botafogo e escalar os titulares?

Pode ser uma questão de semântica, apenas. Sei lá. O fato é que não estou do mesmo lado do balcão que o torcedor. É assim que deve ser.

Escrevi para manifestar a minha surpresa com a pouca importância que uma fonte deu às suas próprias palavras. Ingenuidade? 

Não mudei a opinião de nenhum corintiano – o que, aliás, não era minha intenção – nem mudei de opinião sobre a atitude do técnico do time. Como diria João Saldanha, um dos meus gurus, vida que segue.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , , , ,
18/05/2009 - 11:23

Mentiras de Mano Menezes incomodam a imprensa

Minutos antes de Corinthians e Internacional, logo após ser anunciada a escalação da equipe paulista, vi um repórter se levantar na tribuna da imprensa revoltado. Dois dias antes da partida, o jornalista havia perguntado a Mano Menezes se o Corinthians ia jogar com três zagueiros, como a equipe reserva treinou naquela sexta-feira, e o técnico negou. Ao ouvir a escalação do time, no domingo, constatou que Mano mentira para ele.

Ao longo da semana passada, Mano Menezes mais de uma vez disse aos jornalistas que o Corinthians enfrentaria o Botafogo com os jogadores reservas. Não era verdade, como se viu minutos antes do início da partida, no Engenhão. O Corinthians entrou com o time titular, completo.

A “Folha de S.Paulo” desta segunda-feira registra o seu incômodo com as mentiras de Mano Menezes: “Ontem, no Engenhão, Mano Menezes usou de uma estratégia cada vez mais comum para ele: a ação diferente do discurso. Enquanto passou a semana dizendo que mesclaria titulares com reservas, a fim de preservar seus principais atletas para o duelo com o Fluminense, pela Copa do Brasil, o técnico corintiano colocou quase todos em campo diante do Botafogo. Até Ronaldo, que o treinador colocava como um dos que deveria descansar por ter passado por uma gripe, começou o jogo.”

O uso da mentira como tática para confundir o adversário é comum em casos de guerra entre países. Como se diz, com resignação, “na guerra, a primeira vítima é a verdade”. Mas no futebol? Nas primeiras duas rodadas do campeonato?

Vejo outros problemas nesta tática. Quantas pessoas deixaram de ir ao estádio, domingo, depois de “informadas” que o Corinthians atuaria com o time reserva? Não podemos falar, também, de propaganda enganosa? Desrespeito ao consumidor?

E a questão ética? Se aceitamos a mentira como um instrumento natural nas “batalhas” futebolísticas, não vamos acabar aceitando-a em qualquer situação?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , ,
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