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Arquivo de abril, 2009

19/04/2009 - 00:32

Concurso de “cheerleaders”: mais uma idéia fora do lugar

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Fui a uma meia dúzia de jogos no Paulistão. Em todos, antes de começar a partida, rolou um certo concurso para eleger a melhor equipe de “cheerleaders” do campeonato. Um equívoco do início ao fim. Não apenas porque essa é uma tradição – a das animadoras de torcida – que não diz respeito ao Brasil, mas porque tudo soa falso, artificial, sem graça, deslocado nessa competição.

É, enfim, uma iniciativa estapafúrdia, sem pé nem cabeça, que não interessa a ninguém. Não me recordo, em nenhuma partida que assisti, de ver algum torcedor prestando atenção nas meninas, coitadas, se esforçando no meio de campo, com dancinhas ridículas. Neste sábado, não apenas rolou uma competição de seis “times” de animadoras antes do eletrizante Palmeiras e Santos, como também teve uma disputa entre moças alviverdes e alvinegras no intervalo. Pra quê? Pra quem?

Sou do tempo em que, antes da partida, rolava uma preliminar. No Maracanã, com freqüência, uma partida entre juniores das equipes que se enfrentariam no jogo principal. Ou, então, em dia de clássico, uma partida entre dois times pequenos. Você chegava cedo ao estádio e sabia que ia ter alguma diversão antes de a bola rolar de verdade. Nada de cheerleaders!!! Futebol!

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
18/04/2009 - 12:15

Onde está a ‘Mona Lisa’?, pergunta a turista em Nova York

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Certa vez, no Metropolitan, em Nova York, numa sala repleta de obras de arte e turistas, ouvi um diálogo surreal. A mulher, não sei de qual nacionalidade, virou-se para o segurança e perguntou: “Please, where is the ‘Mona Lisa’?” (Por favor, onde está a ‘Mona Lisa’?) O segurança, atônito, não entendeu. Ela perguntou de novo: “Please, where is the ‘Mona Lisa’?” O segurança respirou fundo e disse: “Desculpe, senhora, não é aqui”. Ela olhou com cara de “se não é aqui, é em que sala?”. E o segurança, então, educadamente, explicou: “A ‘Mona Lisa’ não está aqui…não está nos Estados Unidos. Está em Paris”. Tenho testemunhas!!!

O Louvre recebeu 8 milhões de visitantes em 2008. O seu recorde. Entrar na sala que guarda a “Mona Lisa” é uma aventura, que requer paciência e condescendência. Quando você consegue chegar perto do quadro, o que pode demorar uns 10 minutos, a situação em torno é de desolação. Na última vez que estive, havia garrafas de água largadas no chão, muito papel, uma confusão só.

O fotógrafo brasileiro Alécio de Andrade(1938-2003) viveu em Paris a partir de 1964. Ao morrer, deixou cerca de 12 mil imagens do Louvre – uma parte delas agora reunida num livro e numa exposição, a ser aberta em São Paulo, com o título “O Louvre e seus Visitantes”.

São fotos, como escrevi no Último Segundo, em preto-e-branco, que registram “momentos decisivos”, flagrantes únicos, de visitantes em diferentes momentos de contemplação. São imagens bem-humoradas, delicadas, sugestivas ou intrigantes, fruto de muita observação, sorte e paciência.
 
Há no livro apenas uma imagem da “Mona Lisa”. É uma foto de 1971. Registra um segurança do museu, com olhar de “Mona Lisa”, contemplando o fotógrafo ao lado da tela mais famosa da coleção do Louvre. Uma cena curiosa, quase cômica, mas que transmite uma paz raramente encontrada naquela sala. Na foto à direita (clique em cima para ampliar), um registro que fiz, em 2005, do esforço de centenas de turistas em dar uma olhadinha – e fotografar – a obra de Leonardo da Vinci.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Crônica, Cultura Tags: , , ,
18/04/2009 - 10:33

“Uma pequena mensagem de Oprah, um salto gigantesco para o Twitter”

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Outro bom texto  do “New York Times” sobre o Twitter, assunto que o jornal acompanha com lupa. Comenta a chegada da apresentadora Oprah Winfrey à plataforma. “Uma pequena mensagem de Oprah, um salto gigantesco para o Twitter”, ironiza o jornal, parafraseando Neil Armstrong ao pisar na Lua (“Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade”).

O jornal relata que o Twiiter saltou de 8 milhões de visitantes únicos em fevereiro para 14 milhões em março – imagine agora, em abril, depois que a popularíssima Oprah estreou, com uma mensagem em caixa alta (gritando, em linguagem da Internet): “HI TWITTERS. THANK YOU FOR A WARM WELCOME. FEELING REALLY 21st CENTURY.”

O jornal ouve Andrew Davis, de uma empresa de marketing online, sobre as implicações desta explosão. Ele aborda uma questão que já havia me chamado a atenção: quanto mais pessoas você segue no Twiiter, maior a quantidade de informações que você recebe e, portanto, maior o desafio de selecionar o que interessa. Davis fala da dificuldade, crescente, de as pessoas “digerirem” o conteúdo que recebem via Twitter.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Internet Tags: , ,
17/04/2009 - 17:30

Boca e River, o “superclássico” do final de semana

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Fim de semana animado de futebol. Sábado, no Emirates Stadium, Arsenal x Chelsea. No Parque Antarctica, Palmeiras x Santos. Domingo, no Maracanã, Botafogo x Flamengo. No Morumbi, São Paulo x Corinthians. No Delle Alpi, Juventus x Inter.

E na Bombonera, Boca Juniors x River Plate.

De todos esses clássicos, a partida em Buenos Aires é, possivelmente, a menos importante em relação ao que está objetivamente em jogo. A partida é válida pela 10ª rodada do Torneio Clausura. Até o momento, o River ocupa a quarta posição, com 15 pontos, e o Boca está em 11º, com 11 pontos. O Vélez Sarsfield lidera o campeonato com 19 pontos. 

Do ponto de vista da rivalidade, não me atrevo a dizer qual destes seis jogos desperta mais paixão. Mas estive semana passada em Buenos Aires e vi algumas coisas que me chamaram a atenção.

Ninguém na Argentina se refere à partida pelo nome dos times. Nem os jornais, nem as pessoas na rua. Basta dizer que domingo é dia de “superclásico” (com um esse apenas) ou “super”.

Os ingressos para a partida do dia 19 já estavam esgotados no dia 9. Como o Boca é o mandante, o River teve direito a 7.500 ingressos no estádio. Um turista interessado em ir ao jogo precisaria desembolsar entre US$ 250 e US$ 600, ou seja, entre R$ 550 e R$ 1.400.

Na quinta-feira, 9, o Boca jogou na Bombonera, pela Libertadores, contra o Guarani, do Paraguai. O time da casa venceu por 3 a 1, gols de Palermo, Palácio e Riquelme. Foi a quarta vitória em quatro jogos no torneio. No domingo, o time viajou a Mar del Plata, para jogar contra o Estudiantes, pelo Clausura. Apenas um titular, o colombiano Vargas, atuou na partida, vencida pelo time da casa por 1 a 0.

Por que o Boca poupou o time no domingo passado? Imaginei que fosse por conta de algum compromisso no meio da semana, pela Libertadores. Que nada! O técnico Carlos Ischia decidiu poupar os titulares por causa do “superclásico”, que só iria ocorrer sete dias depois. Ischia foi assistente do colecionador de títulos Carlos Bianchi, hoje gerente de futebol do Boca.

Leio nesta sexta-feira no jornal “Olé” que Riquelme é dúvida para a partida de domingo. O camisa 10 do Boca é o principal personagem do futebol argentino em atividade em seu país. É a estrela da companhia. O craque que ousou dizer “não” à Maradona e se recusou a voltar à seleção.

Román, como o jornal o chama, afirma estar com dores num tendão. “Se jogar, será por sua vontade, não por estar 100%”, disse o médico do clube. E se tomar uma infiltração? “Román vê uma agulha e sai correndo”, informou o “doutor” Ortega Gallo.

Riquelme tem fama de desagregador. Enrique Gastañaga, analista esportivo do “El Clarin”, escreveu no sábado, 11 de abril, que o Boca está partido ao meio – tem a turma do Palermo e a turma de Riquelme. Não é uma cisão nova, mas vem se agravando.

No ano passado, às vésperas de um Boca e River, o técnico Ischia fechou todos os jogadores no vestiário, saiu e levou a chave. Ao longo da lavação de roupa suja, de 40 minutos, Riquelme ouviu várias reclamações de colegas em silêncio e só se manifestou para dizer que estava no Boca não para fazer amigos, mas para  trabalhar, ganhar e ser campeão.

Para o River, o superclásico tem outro sabor. O time está muito mal na Libertadores (4 pontos em 4 jogos, situação tão dramática quanto a do Palmeiras) e concentra esforços no Clausura. Mas ganhar na Bombonera não é tarefa fácil. “Não podemos jogar ao som da arquibancada”, adverte o colombiano Radamel Falcao, camisa 9 do time.

A bola rola domingo às 15hs.

Crédito da foto: AP

Atualizado às 11h de 19 de abril: Juventus e Inter jogaram no sábado, e não no domingo, como informei. Foi 1 x 1. O Chelsea venceu o Arsenal por 2 x 1. E o Santos ganhou do Palmeiras pelo mesmo placar. Também esqueci de mencionar, e peço desculpas por isso, me lembra o blog Nação Sport, que este domingo tem Náutico x Sport, outro grande clássico do futebol brasileiro, no Estádio dos Aflitos (melhor nome de estádio que conheço).

Atualizado às 20h de 19 de abril: Boca (sem Riquelme) e River empataram em 1 x 1, gols de Palermo e Gallardo. O Botafogo perdeu do Flamengo por 1 x 0, resultado que levou o rubro-negro à decisão do Campeonato Carioca contra o próprio alvinegro. O Corinthians fez 2 x 0 no São Paulo e se classificou para disputar a final do Paulistão contra o Santos. Sport e Náutico empataram em 0 x 0, resultado que deu ao Leão o título de tetracampeão pernambucano.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , , , ,
16/04/2009 - 15:35

Tim, Coutinho e Parreira: os mais citados pelos leitores

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Elba de Pádua Lima, o Tim (1916-1984), foi, até as 15h, o técnico mais citado pelos leitores em resposta à pergunta: quem deveria fazer parte da seleção de maiores técnicos brasileiros. Teve 17 votos. Em seguida, aparecem Claudio Coutinho (1939-1981), com 15 votos, seguido por Carlos Alberto Parreira, 13 votos, o argentino Filpo Nunez (1920-1999), com 11, mesmo número de votos que Aymoré Moreira (1912-1998) e um a mais que Zezé Moreira (1917-1998).

Para se ter uma idéia da dificuldade da tarefa enfrentada por Mauricio Noriega em seu “Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro” (Contexto, 256 págs., R$ 35), foram citados 51 nomes na breve enquete colocada na manhã desta quinta-feira aqui no blog.

Pedi a Noriega para comentar os resultados da pesquisa. Eis a entrevista:

Você poderia comentar, separadamente, a respeito dos seis técnicos mais citados pelos leitores como merecedores de serem incluídos numa relação dos maiores do futebol brasileiro? Vamos começar pelo Tim:
Tim foi espetacular, mas como decidi pelo critério dos títulos a partir dos torneios nacionais, entendi que havia outros grandes treinadores com conquistas nacionais e também muitas inovações, como Minelli, por exemplo. Tim teve poucas conquistas como técnico de clube, embora seja citado como grande estrategista. É o que sempre digo, para falar bem de alguém não preciso falar mal de outrem. Foi uma questão de critério. Jamais de desprezo a alguém.

E Claudio Coutinho?
Coutinho morreu antes de se firmar como grande técnico e ter muitas conquistas, o que fatalmente teria.

Parreira?
Parreira é um grande conhecedor de futebol, mas acredito que mesmo vencendo uma Copa seu impacto como treinador no futebol brasileiro não tenha sido tão grande.

Filpo Nunez?
Filpo, espetacular também, mas entendo que os outros, dentro do meu critério, também foram.

E os irmãos Aymoré e Zezé Moreira?
Aymoré, pelo que ouvi e pesquisei, era um estrategista brilhante. A Zezé se atribui a introdução da marcação por zona no Brasil, embora seja difícil comprovar isso historicamente. Também ganhou a Libertadores de 76 com o Cruzeiro, tirou o São Paulo da fila, enfim, fez história. Mas entrou em cena o diabo do critério e, claro, uma visão de comentarista que, reconheço, é mais do final dos anos 60 até hoje.   
 
O nome mais rejeitado pelos leitores foi o do Zagallo. Muitos argumentam que ele “pegou o time pronto” em 1970. A que você atribui essa rejeição?
Não consigo entender a rejeição ao Zagallo. E historicamente é um equívoco dizer que ele pegou a Seleção pronta. Ele mexeu muito no time, em especial na questão do meio-campo, e resolveu a questão de colocar tanto camisa dez de clube, todos craques, numa mesma equipe. Se assim fosse, Coutinho também pegou um trabalho pronto do Brandão em 77. Acredito que as pessoas tenham essa rejeição ao Zagallo pelo fato de Saldanha ter saído pelas evidentes conexões políticas, por ser um homem de esquerda dirigindo um símbolo nacional utilizado por um governo ditatorial. Ficou a imagem do Zagallo ligado ao regime militar, mas isso é uma tremenda injustiça. Como técnico, Zagallo é tremendamente respeitado fora do Brasil. E o que ele fez em 70 está aí até hoje. Todo mundo joga igual.
 
Você concorda com a crítica de alguns leitores que a sua lista é “regional”, ou seja, não olha para o Nordeste do país?
Discordo. Como tomei como uma base de critério as conquistas nacionais, evidentemente há um predomínio do Sudeste, principalmente. Levantei 75 títulos de caráter nacional disputados desde 1959: 31 foram conquistados por times de São Paulo, 17 por equipes do Rio, 11 por gaúchos. O futebol nordestino tem 4 títulos. Mas Ênio Andrade e Muricy, por exemplo, têm conquistas importantes pelo Náutico que são aqui citadas. E considero Evaristo de Macedo um excelente treinador. Como sempre, é o danado do critério. E cada um tem a sua lista, a minha está longe de ser incontestável.
 
Um leitor bem humorado pede para você fazer a lista dos 11 piores técnicos do futebol brasileiro. Você poderia citar algum?
Rapaz, que coisa.rsrsrs Só 11? Hehehe.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , ,
16/04/2009 - 09:09

Enquete: Quem deveria integrar a seleção dos maiores técnicos do futebol brasileiro?

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O jornalista Maurício Noriega acaba de publicar “Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro” (Contexto, 256 págs., R$ 35), no qual enfrentou o desafio de escolher os mais importantes profissionais que atuaram ou atuam no esporte. A seleção de Noriega é formada por:

1. Oswaldo Brandão
2. Bela Gutman
3. Vicente Feola
4. Lula
5. Zagallo
6. Rubens Minelli
7. Ênio Andrade
8. Telê Santana
9. Luxemburgo
10. Felipão
11. Muricy

Um timaço. Escrevi uma resenha sobre o livro no iG Esporte. O próprio Noriega, lembro no texto, reconhece que a sua lista é polêmica. Convido, então, o leitor a dizer que técnico ou técnicos incluiria nesta lista dos 11 mais do futebol brasileiro.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: ,
15/04/2009 - 10:35

Recorde da Copa de 1994 reforça lobby americano por 2018

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Como relatei aqui no blog há duas semanas, os Estados Unidos estão seriamente empenhados em ganhar o direito de hospedar a Copa do Mundo de 2018 ou 2022 – ambas as sedes serão anunciadas conjuntamente pela FIFA no ano que vem.

Nesta terça-feira, o lobby americano encorpou definitivamente, com o anúncio que o presidente Barack Obama entregou pessoalmente ao presidente da FIFA, Joseph Blatter, uma carta na qual fala da sua ligação com o futebol, que jogou na infância “numa rua suja” de Jacarta, na Indonésia, e que tinha a capacidade de “unir as crianças” da sua vizinhança. Hoje, como pai, escreve Obama, “eu vejo o mesmo espírito de unidade nos campos onde minhas próprias filhas jogam futebol em Chicago”.

Parêntesis que interessa ao Brasil: Obama também está pessoalmente empenhado em garantir a Chicago, que disputa com o Rio de Janeiro, o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. O presidente americano enviou recentemente um vídeo no qual defende a candidatura da cidade onde se projetou como político (era senador pelo Estado de Illinois).

A favor do lobby americano junto à FIFA pesam, também, os números que o país pode exibir da sua primeira experiência com o futebol. Embora tenha sido um evento que provocou pouco interesse da mídia e tenha aparentemente passado quase em brancas nuvens, a Copa de 1994 mobilizou diferentes comunidades hispânicas no país, lotando os estádios.

Tanto o público total quanto a média de espectadores por jogos disputados foram recordes – até hoje não superados. Até 1994, ano da Copa nos EUA, eram disputadas 52 partidas por competição, contra 64, a partir de 1998. Mesmo assim, o público total que compareceu aos jogos em 1994 (3,59 milhões) foi superior ao público da Copa de 2006 (3,36 milhões), disputada na Alemanha, que ostenta o segundo melhor resultado.

Veja a tabela abaixo, com dados da FIFA sobre a média de público por jogo.

Alemanha (2006) – 52.491 espectadores
Coréia e Japão (2002) – 42.269 (Japão: 44.957; Coréia: 39.580)
França (1998) – 43.517
EUA (1994) – 68.991
Itália (1990) – 48.411
México (1986) – 46.297
Espanha (1982) – 35.698

Fonte: FIFA

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , , , , , ,
15/04/2009 - 09:24

Publicidade deforma Ronaldo

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Tem causado alguma comoção a mais recente publicidade da Brahma. Num filmete de 30 segundos, Ronaldo aparece em campo superando diferentes obstáculos. O narrador informa que são as suas contusões, os repórteres, os cartolas e os médicos. O texto, em off, ainda acrescenta: “driblou todos que não acreditaram nele”. Ronaldo, então, diz: “Mas eu sempre dei a volta por cima. É, não é fácil. Mas o que é suado tem mais sabor”. 

Seria muita pretensão querer ensinar algo aos publicitários que idealizaram essa campanha. Mas devo dizer que não entendi a mensagem. Até onde sei, o principal obstáculo que Ronaldo enfrentou em sua trajetória como atleta foi de ordem física. Sofreu contusões gravíssimas, que colocaram a sua carreira em risco em três ocasiões. Todas as lesões que o tiraram de campo ocorreram em consequência do seu próprio esforço – nenhum zagueiro jamais quebrou a sua perna.

Jornalistas ou médicos que questionaram a capacidade de o jogador voltar a atuar em alto nível não fizeram mais do que a sua obrigação. Teriam sido irresponsáveis se comungassem cegamente da vontade geral, legítima mas não fundada em bases científicas, que Ronaldo iria superar as suas dificuldades. E os cartolas? Não tenho simpatia alguma pela maioria dos dirigentes esportivos, mas o que fizeram contra Ronaldo? Não conheço nenhum episódio importante em sua carreira na qual algum cartola o tenha prejudicado seriamente.

Quem o viu chegar ao Corinthians, com dez (15?) quilos em excesso, estava errado em achar que o jogador não teria mais condições de voltar a ser o Ronaldo de antes? Ronaldo é um sobrevivente por méritos dos seus médicos, dos fisioterapeutas e do seu esforço pessoal. É realmente um guerreiro, como descreveu a campanha anterior da Brahma.

Enfim, acho que esse novo anúncio “força a mão”, como se diz, no esforço de apresentar o “herói”. Ronaldo já é suficientemente admirado, por corintianos e não corintianos. O risco do exagero é causar uma deformação na imagem – o que acontece, a meu ver, nesta publicidade.

Uma última questão: não entro aqui no mérito se um atleta deveria fazer propaganda de bebida alcoólica. Apenas acho hipocrisia levantar essa discussão neste momento. Ronaldo é garoto-propaganda da Brahma desde 1994 – e nunca ninguém reclamou. Já o argumento que o próprio jogador está usando em sua defesa não é menos hipócrita: “A Champions League é patrocinada por uma marca de cerveja”. E daí? Uma coisa é um atleta emprestar a sua credibilidade para vender um produto; outra, é um evento esportivo ter o apoio de um produto. 

PS. Antes que a torcida fanática envie comentários me ofendendo, sugiro a leitura do texto Por que gostamos tanto de Ronaldo?, no qual eu falo da alegria de ver o jogador novamente em campo. E também do texto Uma turma de ronaldianos vê o jogo na tevê do porteiro, no qual eu descrevo a emoção de assistir o gol que ele marcou contra o Palmeiras.

Crédito da foto: AFP

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, publicidade, televisão Tags: , , ,
14/04/2009 - 13:49

Twitter: muito além do diário virtual

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Coloque no Google a pergunta, entre aspas, “Para que serve o Twitter” e você encontrará 45 mil entradas. Faça a pergunta em outras línguas e descubra que esta é uma dúvida mundial. Com 14 milhões de usuários, o Twitter é uma febre, de fato, mas a sua real utilidade ainda intriga muita gente – não apenas quem observa o fenômeno de fora, mas mesmo entre os que usam o serviço.

O que nasceu como uma rede social, congregando pessoas dispostas a partilhar com outras, em 140 caracteres, os seus hábitos mais miúdos, rapidamente mostrou inúmeras outras potencialidades. Acho, mal comparando, que é uma trajetória semelhante à dos blogs, que nasceram como “diários virtuais” e hoje são utilizados de formas variadas e criativas.

Em busca, como tantos outros, de respostas a este fenômeno o “New York Times” desta terça-feira relata curiosos usos do Twitter. O jornal observa que essa descrição comezinha de hábitos (“acordei de mal humor”, “almocei um espaguete”, “fui ao cinema ver…”) pode soar totalmente sem graça aos olhos exteriores, mas se analisada em conjunto com outras descrições pode ajudar a compreender hábitos.

Assim, lê-se que empresas como Starbucks, Whole Foods e Dell estão de olho no Twitter, no esforço de entender o que os seus consumidores estão pensando e, eventualmente, adaptar as suas estratégias de marketing.

O Starbucks agora aceita críticas e sugestões enviadas para a sua conta no Twitter. Recentemente, também usou a rede social para desmentir o rumor que iria parar de enviar café ao Iraque em protesto contra a guerra. A Dell observou, lendo o Twitter, que os clientes reclamavam muito da proximidade de duas teclas no teclado do seu modelo de laptop Mini 9 e, em função disso, resolveu o problema no modelo Mini 10. 

O jornal também conta a história de Corey Menscher, estudante de New York University, que desenvolveu o Kickbee, um aparelhinho com sensor, que envia um alerta ao Twitter cada vez que o bebê na barriga da sua mulher dá um “chute”. O estudante estuda vender o produto.

E, com a mesma lógica, cogita-se desenvolver produtos semelhantes, que enviem dados e alertas a médicos sobre taxas de sangue, pressão etc de seus pacientes. O jornal relata o caso de médicos que usaram o Twitter recentemente para trocar informações durante uma delicada cirurgia de remoção de um tumor no cérebro, num hospital em Detroit.

Mais conhecida, e sempre citada, foi a experiência de trocar mensagens por Twitter em uma situação de emergência, os atentados em Mumbai, na Índia, em novembro do ano passado.

O Twitter também já está sendo usado como um centro de consulta em busca de informações úteis. Experimente colocar no ar uma pergunta qualquer (“onde posso comprar ingressos para o jogo Corinthians e São Paulo?”) e veja a as respostas que receberá.

Como de hábito, só não se sabe, ainda, como ganhar dinheiro com o Twitter – nem mesmo os seus criadores sabem direito.

Pessoalmente, tenho usado o Twitter para enviar alertas sobre textos que escrevo aqui, no blog ou no Último Segundo. Utilizei o serviço uma vez para comentar uma partida de futebol, diretamente do estádio do Pacaembu. Também vejo no Twitter as sugestões de leitores que outros colegas publicam. Se alguém tiver uma sugestão de uso melhor, fique à vontade de enviar.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet Tags: , , , , ,
13/04/2009 - 14:09

Os debochados irmãos Gallagher estão de volta

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A banda mais famosa de Manchester aterrissa em maio para quatro shows no Brasil. É a quarta e mais longa visita do Oasis ao país, mas dessa vez, diferentemente das duas últimas (2001 e 2006), num bom momento, acompanhada de um disco considerado acima da média, “Dig Out Your Soul”.

A turnê dos imprevisíveis e debochados irmãos Liam e Noel Gallagher começa por Lima (30 de abril), passa por Buenos Aires (3 de maio), Santiago (5), Rio de Janeiro (7), São Paulo (9), Curitiba (10) e Porto Alegre (12).

 Prepare-se, portanto, para ler bastante sobre o Oasis nas próximas semanas – o que é sempre motivo de diversão. Para adiantar, reproduzo alguns trechos de uma entrevista sensacional (infelizmente não disponível na internet) dada por Liam e Noel Gallagher à revista pop francesa “Les Inrockuptibles”, incluída na edição de abril da versão argentina da publicação.

O jornalista Christophe Conte abre o texto observando que, nos últimos anos, ouvir falar de um novo disco do Oasis causava bocejos. Com as canções de “Dig Out Your Soul”, escreve, Liam e Noel Gallagher não provocaram nenhuma revolução, muito pelo contrário, mas fizeram músicas “modestas e encantadoras”.

Provocador, Conte confronta os irmãos num momento não menos inspirado. Em resposta a uma pergunta sobre as dificuldades encontradas no processo de criação das novas músicas, Noel detona:

Detesto os caras que se queixam o tempo todo com a imprensa, falando do tanto que sofreram ao dar à luz sua última obra (risos). Tenho vontade de dizer, nesses casos: ‘Vai trabalhar num supermercado e depois conversamos’.

Em outro momento Conte cita Bob Dylan, que uma vez falou que as suas criações iniciais eram muito boas e, com o tempo, a sua produção decaiu um pouco. Noel faz piada:

Nunca me atreveria a me comparar a Dylan. (…) O único ponto em comum que temos com Dylan é que algumas vezes cantamos pelo nariz! Admiro muito Dylan, mas admiro um pouco mais Neil Young.

Liam, que costuma falar menos, também marca presença na entrevista. Em resposta a uma pergunta meio batida (“Como explicar o êxito do Oasis?), ele manda:

Nossa ambição desde o primeiro momento era mundial, incluindo quando tocávamos na nossa garagem. Nunca pensei passar a vida cantando para 200 pessoas, sempre quis fazer concertos em estádios. Acho que nascemos para ser estrelas de rock, e isso é tudo.

A certa altura, em resposta a uma pergunta sobre o que fazem quando não estão cantando, Noel e Liam tiram um sarro do Radiohead e falam de futebol, inclusive de Ronaldo. Primeiro Liam:

Tenho uma vida simples, como meu irmão. Não me vejo como um artista, como os caras do Radiohead. Também vejo futebol. Gosto muito do cara que comprou o Manchester City, parece até que está forrado de ouro. Vamos começar a nos divertir.

E Liam:

Ele quer comprar os melhores jogadores do mundo, inclusive quer trazer Ronaldo. Seria fabuloso.

Por fim, os dois irmãos se superam ao falar da relação que mantêm com a imprensa. O jornalista observa: “Nas primeiras reportagens, você apareciam muito arrogantes, falavam mal de todo mundo; só John Lennon se salvava, e por pouco…”. Noel confessa:

É verdade. E mesmo Lennon, nem sempre. Poderíamos ter salvo McCartney também, mas não devia merecer naquela época (risos). Durante as entrevistas estávamos sempre bêbados e devo dizer que não me lembro de tudo que disse. O que sei é que a gente ri muito lendo essas entrevistas, e isso não é comum no rock.

E Liam complementa:

Sempre dissemos tudo que pensávamos nas entrevistas; talvez esse foi o problema: todo mundo tinha cuidado. Nunca fomos muito profissionais, como se diz.

Só para registro: Gosto de algumas coisas do Oasis e assisti o primeiro show deles em São Paulo, em 1998. Em todo caso, eles têm a minha simpatia pelo fato de serem bem-humorados, e, aparentemente, não se levarem muito a sério. 

PS (atualizado às 18h): A propósito deste post, o leitor Tiago Feliziani envia ótima colaboração – uma frase de um dos irmãos (na Internet ela é atribuída ora a Liam ora a Noel) sobre John Lennon, que pode ser encontrada em diferentes traduções. Gosto dessa aqui: “John Lennon pensava que era Deus. Eu apenas acho que sou John Lennon”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, jornalismo Tags: , , , ,
11/04/2009 - 20:52

Buenos Aires às moscas, mas com o mosquito da dengue

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Buenos Aires está quase vazia nesta Páscoa. Mais de um milhão de pessoas deixaram a cidade, em direção à praia ou à serra. O diário “Página 12″ observa que esse êxodo é um bom sinal. “Um número surpreendente em tempos de crise”, anota o jornal – uma crise, diga-se, que já provocou a queda no ritmo das obras de prolongamento do metrô de Buenos Aires e o cancelamento de outros projetos.

Em todo caso, o que mais preocupa os argentinos hoje é um mosquito, o nosso conhecido Aedes aegypti. A Argentina já registra cerca de 15 mil casos de dengue. O vírus chegou pela Bolívia e já configura uma epidemia em algumas regiões. O diário “Clarin” neste sábado anuncia que há seis casos em Buenos Aires sob a suspeita de que foram contraídos na própria cidade. A se confirmar, será o sinal de que o problema chegou à capital.

Para alegria dos turistas, e desespero dos que cuidam da saúde pública, o clima está muito agradável em Buenos Aires. Uma articulista do “Clarin” critica as autoridades por não terem um plano efetivo de combate à epidemia. “Hoje, os argentinos olham para o céu, implorando que chegue o frio do inverno, capaz de matar o maldito mosquito”.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: , ,
10/04/2009 - 20:42

A fama de Ronaldo num táxi em Buenos Aires

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Conversa animada sobre futebol dentro do táxi, no centro de Buenos Aires. O motorista é torcedor fanático do River Plate, que anda em má fase, e grande admirador do futebol brasileiro. A sua primeira pergunta para mim é sobre Dunga. Digo que esperava mais coragem e ousadia de um técnico seleção brasileira. “Ele é técnico da mesma forma que era jogador”, resume o taxista.

“Técnico era Santana”, ele diz, referindo-se a Telê. “E por que Ronadinho nao é titular do time?” Digo que ele está em má fase, é reserva também no Milan. E ele: “É o melhor jogador brasileiro, muito melhor do que Kaká”.

O taxista faz outra pergunta difícil: “E Robinho, o que acontece com ele? Era um craque…” Conversamos sobre alguns jogadores que atuam bem em time, mas mal em selecionados nacionais. Riquelme, ele começa. Edmundo, ele acrescenta. E citamos uma dezena de craques, brasileiros e argentinos, que jogam bem em seus clubes, mas “diminuem” quando vestem a camisa da nacional.

“Mas um que eu gostaria de ver na minha seleção é o gordo”, lança o taxista. Que gordo?, eu pergunto, espantado. “Ronaldo. É um definidor. Todo mundo tem medo dele, mesmo com uns quilos a mais”. É verdade, concordo. “Melhor que ele só o Chapolim”. Chapolim??? “Sim, Romário. É um gênio.”

PS. Leitores perguntam a respeito do apelido Chapolim para Romário. É uma referência ao seriado “Chapolim”, o herói que aparecia quando alguém dizia: “E agora, quem poderá me salvar”. Foi essa a frase que o taxista me disse quando me surpreendi ao ouvi-lo chamar Romário de Chapolim. (Atualizado às 11h de 11 de abril)

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: , , , , ,
09/04/2009 - 05:52

“O Equilibrista”: prazer (e fama) de andar na corda bamba

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Philippe Petit é um maluco. Desde a adolescência, ganhava a vida fazendo truques na rua como equilibrista, mágico e ilusionista. Em 1971, aos 22 anos, ficou famoso ao atravessar, numa corda bamba, esticada entre as duas torres, a Catedral de Notre Dame, em Paris. Dois anos depois, usando a mesma técnica, fez a cidade de Sydney parar para ver a sua travessia no alto da maior ponte de arcos de aço do mundo. Finalmente, no dia 7 de agosto de 1974, véspera da renúncia do presidente Richard Nixon, Petit realizou a sua obra-prima (foto), ao caminhar sobre uma corda de aço, de um lado para o outro, no alto das Torres Gêmeas, no World Trade Center, em Nova York.

Em cartaz desde esta quinta-feira, “O Equilibrista” (“Man on Wire”), de James Marsh, dedica-se a contar a história de Petit, com foco especial na operação de guerra montada por ele e sua equipe para burlar a segurança do WTC. Também esmiúça a trajetória do equilibrista, por meio de entrevistas variadas, com o próprio Petit (na foto ao lado, em imagem recente), bem como com a ex-namorada, o melhor amigo e vários companheiros que participaram, direta ou indiretamente, da aventura americana.

Para ter uma pequena idéia da maluquice, assista o trailer.

Há várias razões para ver este filme que, desde 2008, vem acumulando uma série impressionante de prêmios (a lista completa pode ser vista aqui), consagração que se completou, em 2009, com o Oscar de melhor documentário.

Alguém pergunta a Petit por que ele faz essas travessias malucas e perigosas. “Por quê? Não há um porquê”, ele responde (à dir., na travessia em Sydney). Cabe ao diretor James Marsh tentar explicar. Ele toma o cuidado de não dar uma resposta explícita, mas traça, com delicadeza, o perfil de um personagem fascinante, autoconfiante, sedutor e tão apegado ao prazer de andar na corda bamba quanto à possibilidade de ficar famoso.

Outro filme dentro do filme é a história da “invasão” do World Trade Center. Há algo de cômico e infantil nos truques que Petit e sua equipe utilizam para enganar os seguranças do, então, prédio mais alto do mundo. Ao se deter nesta história, e recriar alguns episódios, “O Equilibrista” perde um pouco o ritmo e a força, mas acaba por fazer uma homenagem ao conjunto de prédios desaparecido da paisagem de Nova York em consequência do atentado de 2001.

Por fim, um tema lateral, mas curioso em “O Equilibrista” é o choque cultural entre, de um lado, os franceses (Petit, seu amigo e sua namorada) e, de outro, os americanos (a sua equipe de apoio). Mediado por um inglês, o diretor James Marsh, o conflito é explorado com algum humor, mas não deixa de repisar clichês sobre estes dois mundos.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , ,
08/04/2009 - 23:41

Melhores filmes de 2008: E quais são as suas escolhas?

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Começa nesta quinta-feira e segue até o dia 30, em São Paulo, o Festival Sesc Melhores Filmes, com as escolhas de críticos e do público sobre os principais lançamentos ocorridos no Brasil, ao longo de 2008. Ao todo, serão exibidos 54 filmes, selecionados de um universo de 73 longas brasileiros e 260 estrangeiros.

Escrevi no “Último Segundo” um texto apresentando os resultados da votação, vencida por “Linha de Passe”. Como um dos críticos convidados a participar da eleição, enviei em fevereiro uma lista com os meus preferidos à direção do festival. Abaixo, as minhas escolhas:

Brasileiros:
1. “Estômago”
2. “Terra Vermelha”
3. “Linha de Passe”
4. “Deserto Feliz”
5. “Serras da Desordem”

Diretor: Marco Bechis (“Terra Vermelha”) 
Ator: João Miguel (“Estômago”)
Atriz: Sandra Corveloni (“Linha de Passe”)
Roteiro: Fabrizio Donvito (“Estômago”)
Fotografia: Hélcio Nagamine (“Terra Vermelha”)

Estrangeiros:
1. “Gomorra”
2. “O Silêncio de Lorna”
3. “Leonera”
4. “Não Estou Lá”
5. “Wall-E”

Diretor: Pablo Trapero (“Leonera”)
Ator: Mathieu Amalric (“O Escafandro e a Borboleta”)
Atriz: Cate Blanchet (“Não Estou Lá”)

Todos os filmes que escolhi estão entre os 54 que serão exibidos na mostra. Fui informado, depois de votar, que “Terra Vermelha”, por ser uma co-produção italiana, não foi considerado entre os filmes brasileiros, mas sim entre os estrangeiros.

E quais são as suas escolhas?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: ,
08/04/2009 - 00:53

BBB9 – Afinal, quem manipulou quem?

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Já está no ar, no site especial do BBB, o meu comentário sobre o último programa. É este texto aqui:

Em seu último recado, Pedro Bial evocou Baruch Spinoza (1632-1677), para quem “a liberdade consiste em conhecer os cordéis que nos manipulam”, para explicar a vitória de Max, o Alemão do BBB9, sobre Priscila. “Ainda há gente que não entendeu”, disse o apresentador, “que quem manipula o programa são vocês, com a nobre co-autoria do público”.

Recado dado, Bial comunicou que a vitória ocorreu por meros 24 décimos – cerca de 105 mil votos num universo de 44 milhões (o único número divulgado na noite). “Max, o cara do BBB9”, começou Bial, à maneira de Obama sobre Lula. “E Pri é a cara do BBB9”, completou.

A primeira cena do último programa reapresentou imagens pedidas por espectadores, num tributo ao que o formato do BBB tem de melhor: a sua capacidade de provocar interação. Mas, claramente, conhecendo o número total de votos, o espectador demonstrou menos vontade de escolher quem deveria ganhar R$ 1 milhão do que votar entre Max e Ana no último Paredão do programa (quase 59 milhões de votos). Para se pensar…
 
Antes, houve o momento de gala de Mr. Edição: a apresentação do perfil de cada um dos finalistas, exibindo o que fizeram de melhor. Se entendi direito, Mr. Edição resumiu Francine a uma menina maluca, Max a um cara cuja palavra que mais pronuncia é “eu” e Priscila a uma mulher de múltiplos talentos – “a gostosa do BBB”, mas sábia (“Amor não mata, a fraqueza mata”), capaz de se transformar no programa (“Vou sair outra pessoa daqui”) e, ainda, fazer um balanço sobre a nona edição (“Esse BBB quebrou vários tabus, eu sou a prova disso”).

A julgar por este resumo, o resultado final não foi justo. Mas foi um resumo justo?

Todo de preto, em dia da festa, Bial parecia emocionado. “Entenderam, agora?”, perguntou aos três finalistas, ao final da apresentação do perfil de cada um, sugerindo: “Viu como vocês nos emocionaram aqui fora?”

O melhor momento do último dia foi o clipe de humor, um manual de recomendações para evitar o Paredão. Foi a chance de rever o pior de cada um – Ana matando formigas com sabão em pó; Naiá fofocando; o trio “mosca morta” formado por Mirla, Alexandre e Michelle fazendo nada; Emanuel, o mala sem alça; e André, o xucro sincero.

Naiá e Ana, a vovó e a netinha, “uma relação inédita” em Big Brothers no mundo todo, segundo Bial, apareceram mais no último programa do que os próprios finalistas. Estou maluco, ou está pintando um quadro para as duas no “Fantástico”? “Que par de doidas adoráveis”, apregoou o apresentador.

Enquanto aguardava o início do programa, tive a oportunidade de ouvir Christiane Torloni cantar um mantra na penúltima cena de “Caminho das Índias”. Ao fim e ao cabo, é inevitável constatar que não posso reclamar de ter sido obrigado a acompanhar Max, Priscila, Fran & cia. por 83 dias.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): televisão Tags: , , , , , , , , ,
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