Fim de semana animado de futebol. Sábado, no Emirates Stadium, Arsenal x Chelsea. No Parque Antarctica, Palmeiras x Santos. Domingo, no Maracanã, Botafogo x Flamengo. No Morumbi, São Paulo x Corinthians. No Delle Alpi, Juventus x Inter.
E na Bombonera, Boca Juniors x River Plate.
De todos esses clássicos, a partida em Buenos Aires é, possivelmente, a menos importante em relação ao que está objetivamente em jogo. A partida é válida pela 10ª rodada do Torneio Clausura. Até o momento, o River ocupa a quarta posição, com 15 pontos, e o Boca está em 11º, com 11 pontos. O Vélez Sarsfield lidera o campeonato com 19 pontos.
Do ponto de vista da rivalidade, não me atrevo a dizer qual destes seis jogos desperta mais paixão. Mas estive semana passada em Buenos Aires e vi algumas coisas que me chamaram a atenção.
Ninguém na Argentina se refere à partida pelo nome dos times. Nem os jornais, nem as pessoas na rua. Basta dizer que domingo é dia de “superclásico” (com um esse apenas) ou “super”.
Os ingressos para a partida do dia 19 já estavam esgotados no dia 9. Como o Boca é o mandante, o River teve direito a 7.500 ingressos no estádio. Um turista interessado em ir ao jogo precisaria desembolsar entre US$ 250 e US$ 600, ou seja, entre R$ 550 e R$ 1.400.
Na quinta-feira, 9, o Boca jogou na Bombonera, pela Libertadores, contra o Guarani, do Paraguai. O time da casa venceu por 3 a 1, gols de Palermo, Palácio e Riquelme. Foi a quarta vitória em quatro jogos no torneio. No domingo, o time viajou a Mar del Plata, para jogar contra o Estudiantes, pelo Clausura. Apenas um titular, o colombiano Vargas, atuou na partida, vencida pelo time da casa por 1 a 0.
Por que o Boca poupou o time no domingo passado? Imaginei que fosse por conta de algum compromisso no meio da semana, pela Libertadores. Que nada! O técnico Carlos Ischia decidiu poupar os titulares por causa do “superclásico”, que só iria ocorrer sete dias depois. Ischia foi assistente do colecionador de títulos Carlos Bianchi, hoje gerente de futebol do Boca.
Leio nesta sexta-feira no jornal “Olé” que Riquelme é dúvida para a partida de domingo. O camisa 10 do Boca é o principal personagem do futebol argentino em atividade em seu país. É a estrela da companhia. O craque que ousou dizer “não” à Maradona e se recusou a voltar à seleção.
Román, como o jornal o chama, afirma estar com dores num tendão. “Se jogar, será por sua vontade, não por estar 100%”, disse o médico do clube. E se tomar uma infiltração? “Román vê uma agulha e sai correndo”, informou o “doutor” Ortega Gallo.
Riquelme tem fama de desagregador. Enrique Gastañaga, analista esportivo do “El Clarin”, escreveu no sábado, 11 de abril, que o Boca está partido ao meio – tem a turma do Palermo e a turma de Riquelme. Não é uma cisão nova, mas vem se agravando.
No ano passado, às vésperas de um Boca e River, o técnico Ischia fechou todos os jogadores no vestiário, saiu e levou a chave. Ao longo da lavação de roupa suja, de 40 minutos, Riquelme ouviu várias reclamações de colegas em silêncio e só se manifestou para dizer que estava no Boca não para fazer amigos, mas para trabalhar, ganhar e ser campeão.
Para o River, o superclásico tem outro sabor. O time está muito mal na Libertadores (4 pontos em 4 jogos, situação tão dramática quanto a do Palmeiras) e concentra esforços no Clausura. Mas ganhar na Bombonera não é tarefa fácil. “Não podemos jogar ao som da arquibancada”, adverte o colombiano Radamel Falcao, camisa 9 do time.
A bola rola domingo às 15hs.
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Atualizado às 11h de 19 de abril: Juventus e Inter jogaram no sábado, e não no domingo, como informei. Foi 1 x 1. O Chelsea venceu o Arsenal por 2 x 1. E o Santos ganhou do Palmeiras pelo mesmo placar. Também esqueci de mencionar, e peço desculpas por isso, me lembra o blog Nação Sport, que este domingo tem Náutico x Sport, outro grande clássico do futebol brasileiro, no Estádio dos Aflitos (melhor nome de estádio que conheço).
Atualizado às 20h de 19 de abril: Boca (sem Riquelme) e River empataram em 1 x 1, gols de Palermo e Gallardo. O Botafogo perdeu do Flamengo por 1 x 0, resultado que levou o rubro-negro à decisão do Campeonato Carioca contra o próprio alvinegro. O Corinthians fez 2 x 0 no São Paulo e se classificou para disputar a final do Paulistão contra o Santos. Sport e Náutico empataram em 0 x 0, resultado que deu ao Leão o título de tetracampeão pernambucano.