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Arquivo de abril, 2009

30/04/2009 - 12:15

Jogo do Palmeiras sai do ar antes do final

A noite da torcida palmeirense em São Paulo foi de angústia e desespero. Não apenas com o time, que só conseguiu fazer o gol salvador aos 42 minutos do segundo tempo, mas também com a SportTV (via NET), única emissora a transmitir a partida, que cortou o sinal do jogo um ou dois minutos depois do gol, ainda faltando uns cinco minutos para o apito final (foi até os 48 do segundo tempo).

Ocorreu algum problema técnico, ainda não explicado (aguardo notícias da Globosat, a quem pedi esclarecimentos), que levou a emissora a começar a transmitir um campeonato de motociclismo, se não me engano, enquanto o Palmeiras suava para garantir o 1 a 0.

O consolo, para quem se deu conta, é que no momento da pane no SporTV havia terminado a partida entre Corinthians e Atlético (PR), e a Globo passou a exibir o jogo do Palmeiras

Aliás, tente deixar a paixão esportiva de lado por um minuto e responda rápido: o que é mais importante, uma partida que decide vaga nas oitavas de final da Libertadores ou um jogo de ida nas oitavas de final da Copa do Brasil? Dando nome aos bois: o que é mais importante, Colo Colo x Palmeiras ou Atlético (PR) x Corinthians?

Para a Rede Globo, que optou por transmitir (do estúdio, em São Paulo) o jogo na Arena da Baixada, a resposta parece óbvia. O que atrai mais audiência? Ronaldo ou Keirrison? Corinthians ou Palmeiras?

Pensando assim, eu não também não teria dúvidas. O Corinthians tem muito mais torcedores que o Palmeiras, o que significa dizer, dá mais Ibope. Mas audiência deve ser o único critério a orientar decisões deste tipo?

Atualizado às 14hs: A assessoria de imprensa da Globosat, em resposta à minha indagação, informa: “O problema foi com o sinal da operadora (no meu caso, a NET São Paulo). Não foi um problema do SporTV”. Argumentei, porém, que no momento em que o jogo saiu do ar, entraram comerciais e, em seguida, teve início a transmissão de um outro evento esportivo. Ou seja, não fiquei sem o sinal do SporTV.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte, televisão Tags: , , ,
29/04/2009 - 11:44

Crônica: O taxista e o cliente bêbado discutem no 4º DP

O famoso 4º DP, próximo à rua Augusta, centro de São Paulo, está lotado. Quase meia-noite de terça-feira. À porta, jornalistas e cinegrafistas aguardam o cantor-vereador Agnaldo Timóteo, que está lá dentro registrando um Boletim de Ocorrência, sobre o roubo de seu apartamento, ocorrido horas antes.

Na fila, esperando atendimento, vítimas variadas. Um casal, acompanhado de dois amigos, espera para fazer o BO de um furto de automóvel, que deu-se dentro de um estacionamento pago. Duas moças chegam, acompanhadas de um policial militar, para registrar o assalto que foram vítimas ali perto.

Sou recebido com cordialidade por um plantonista. Explico meu problema (furto de automóvel), ele faz algumas perguntas, observa que “todo dia tem um” na região e me orienta a aguardar. Sou o quarto na fila.

O quarto? É, havia mais um caso – um desentendimento, aparentemente, entre dois homens, que prosseguia dentro da delegacia. Um dos homens, vamos chamá-lo de Pedro, está nitidamente bêbado; o outro, Paulo, não consegue esconder a sua irritação. Paulo pede: “Me dá o telefone da sua mulher ou de alguém da sua família”. Pedro, bêbado, balbucia um número. Paulo liga e não consegue falar com ninguém. Um PM observa a cena sem dizer nada.

Um policial civil se aproxima e pede um documento a Pedro. Sem reclamar, o homem entrega a sua carteira de identidade. Nisso, chega uma mulher, policial, e tenta intervir. Finalmente, entendo qual é o problema. Ela: “Qual foi o valor da corrida?” Paulo: “R$ 40. Mas o taxímetro ainda está correndo”. Ela, dirigindo-se a Pedro: “ E o senhor não vai pagar?”. Pedro: “Eu falei pra ele que amanhã eu pago.” Paulo: “Eu não conheço ele, não sei onde ele mora e a cada hora ele fala uma coisa diferente pra mim”.

O plantonista da delegacia entra na discussão e diz a Pedro: “Como o senhor está bêbado, se não pagar, vamos ter que esperar até amanhã de manhã para resolver esse problema.” E Pedro, repetindo o seu mantra: “Amanhã eu vou pagar”.

Para demonstrar como Pedro não é confiável, Paulo diz: “Onde está a sua mulher?” E Pedro: “Não importa. Amanhã eu lhe pago, já disse.” “Viu?”, diz Paulo, dirigindo-se aos dois policiais. “Ele não quer me dizer onde está a mulher dele.”

Pedro reconhece que tem a dívida e admite que está bêbado, mas o grande momento da noite é seu. Ele vira-se para o taxista e pergunta: “Onde está a sua mulher?” Desconcertado com a pergunta, Paulo diz: “Não te interessa.” E Pedro arremata: “Viu? Também não te interessa onde está a minha mulher.”

Estava, confesso, me divertindo com a desgraça alheia – afinal, o taxista foi lesado e estava em busca de seus direitos. Por mim, passaria a noite inteira ali aguardando o desfecho do caso, mas o plantonista do 4º DP, sempre muito educado, voltou a se aproximar de mim, ouviu novamente qual era o meu problema e recomendou que eu fosse tentar registrar o meu BO em outro delegacia, ou pela Internet. O que eu fiz.

Apesar da chateação que tive, a discussão no 4º DP não deixou que a minha noite fosse um completo desastre.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Crônica Tags: ,
28/04/2009 - 13:41

Woody Allen: A insegurança do artista aos 74 anos

Em excelente entrevista a Marília Martins, nesta terça-feira, em “O Globo”, Woody Allen fala de seu novo filme, “Whatever Works”, que marca a volta do cineasta à Nova York, depois de quatro produções na Europa. Allen diz que evitou os cartões postais de Manhattan e filmou “uma Nova York da crise econômica”.

Em outra passagem da entrevista, ele fala da dificuldade de conseguir filmar hoje nos Estados Unidos. É muito caro, diz, “até mesmo para mim, que tenho filmes de orçamento barato”. Por esse motivo, o cineasta volta em breve à Londres, para filmar uma comédia romântica com Nicole Kidman, Anthony Hopkins e Antonio Banderas, e cogita, no futuro, filmar no Brasil:

“São conversas ainda preliminares. É claro que precisaria estudar um pouco sobre o país para ver um roteiro que se adapte bem por lá. Mas estou interessado em fazer este filme no Brasil, se a oferta da produção seguir adiante”, diz (um resumo da entrevista pode ser lido aqui).

Mas a parte que eu mais gostei foi o seguinte diálogo. Pergunta: “E como foi a reação da platéia na estréia de ‘Whatever Works’?” Resposta: “Bem, não vi. Eu subi ao palco, tirei umas fotos e saí dali correndo para jantar com minha mulher, enquanto as pessoas viam o filme. Depois, veio um monte de gente até o restaurante apertar a minha mão. Eles disseram que gostaram, mas eu nunca sei.”

Woody Allen tem 74 anos e já fez 45 filmes. Ainda fica nervoso quando estréia um filme e inseguro em relação ao que pensam da sua obra. Eis um artista, ainda inquieto, preocupado em criar e eternamente insatisfeito. De tirar o chapéu!

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
27/04/2009 - 11:54

Futebol-arte é coisa nossa!

Os dois lances mágicos de Ronaldo neste domingo fizeram a gente relembrar de um termo que andava meio esquecido nos gramados brasileiros: futebol-arte. A expressão, reza uma lenda, teria sido criada pelo jornalista francês Gabriel Hanot, depois de assistir a seleção brasileira na Copa de 58 (Hanot dirigiu o diário esportivo “L´Équipe” e foi, também, o inventor da Copa dos Campeões da Europa).

Criada por um francês, ou não (alguém tem uma pista?), a expressão futebol-arte já deu margem a muitas discussões no Brasil, especialmente depois do fracasso da seleção na Copa de 82 – ápice, na visão de muita gente, de uma forma tipicamente brasileira de praticar o esporte. Depois vieram Lazaroni (1990), Parreira (94) etc…

Sob inspiração deste conceito, o editor Cesar Oliveira, criador da livraria virtual livrosdefutebol.com, pensou num evento batizado como “Futebol-arte: a arte do futebol”. O objetivo principal é discutir as relações entre futebol, arte e cultura. Dá pano pra manga.

Para isso, em associação com o historiador Victor Andrade de Melo, do Laboratório de História do Esporte e do Lazer, do IFICS da UFRJ, Oliveira idealizou uma série de debates, sempre com a participação de alguém atuante na área esportiva e um acadêmico, mediados por um âncora, e apertados pela “torcida” (a entrada é grátis).

Os debates ocorrerão na primeira terça-feira de cada mês, a partir de 5 de maio, na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio (rua Araujo Porto Alegre, 71, 9º andar, das 18h30 às 21h).

A primeira “partida” de futebol-arte será disputada pelo jornalista Renato Maurício Prado (“O Globo”) e pelo sociólogo Mauricio Murad (UERJ), tendo como tema “Futebol e jornalismo”. No dia 2 de junho, o tema é “Futebol e Samba”, com a participação de Guinga e Celso Branco (UFRJ). No dia 7 de julho, o cineasta José Carlos Asbeg e Vitor Melo debatem “Futebol e cinema”. E no dia 4 de agosto, o radialista Luis Mendes e o sociólogo Ronaldo Helal (UERJ) falam sobre “Futebol e Rádio”.

“Já passou da hora de cuidar do futebol como arte e cultura. E mais do que já passou da hora de cuidar dele como ‘business’, levando-o a sério”, defende Cesar Oliveira. “Aposto nisso”, acrescenta. Eu também.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , , , , ,
26/04/2009 - 18:37

Ronaldo não tem concorrentes? Ou os concorrentes sumiram diante de Ronaldo?

O que mais impressiona nos dois gols de Ronaldo na vitória do Corinthians contra o Santos é a facilidade dos seus gestos. No primeiro, ele mata uma bola que vem de um chutão para o alto como se tivesse cola na chuteira do pé direito, deixa a bola rolar e chuta com o pé esquerdo. Dois toques. No segundo, recebe uma bola em profundidade, dribla o zagueiro com um toque de calcanhar direito, ajeita e chuta com o pé esquerdo, encobrindo o goleiro. Três toques. Golaço.

Ronaldo faz a diferença no futebol paulista hoje. Comparada à sua eficiência, se trabalhassem numa fábrica, Kleber Pereira, Keirrison e Washington poderiam ser demitidos por justa causa; se fossem estudantes, ficariam de exame.

Faço uma pergunta Tostines: Ronaldo está nadando de braçada por que faltam concorrentes ou faltam concorrentes por que Ronaldo está nadando de braçada?

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
26/04/2009 - 11:55

Como a coluna social engoliu o jornalismo cultural

Autor da biografia “Walt Disney, O Triunfo da Imaginação Americana” (Novo Século, 944 págs., R$ 90), lançada em 2006 e recém-publicada no Brasil, o escritor e jornalista Neal Gabler publicou em 1998 um estudo pouco comentado, mas muito interessante, chamado “Vida, o Filme”.

Com o subtítulo “Como o entretenimento conquistou a realidade, “Vida, o Filme” (lançado pela Companhia das Letras, hoje esgotado) tenta reconstituir o processo, do ponto de vista de um americano, ao longo do qual “a cultura se submete à tirania do entretenimento e a vida se torna um filme”.

Alguns anos antes do surgimento dos reality shows, Gabler escreveu:

“A transformação da vida num veículo de entretenimento não poderia ter dado certo, no entanto, se aqueles que assistem ao filme-vida não tivessem descoberto o que os primeiros produtores de cinema já tinham descoberto anos antes: que as platéias precisam de algum elemento de identificação para que o espetáculo as envolva de fato. No cinema, a solução foram as estrelas. Para o filme-vida são as celebridades”. 

O livro de Gabler ajuda a entender como o jornalismo cultural foi engolido pelo jornalismo de celebridades – como a vida pessoal dos artistas se tornou mais importante que a obra deles. No esforço de chamar a atenção para o seu trabalho, escritores, músicos, artistas plásticos deixam de lado o que produziram e se vêem obrigados (às vezes com prazer) a fazer todo tipo de micagem para aparecer. O jornalismo cultural, assim, foi parar na coluna social.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social, jornalismo Tags: , , , ,
25/04/2009 - 12:06

Leonard Cohen, aos 75 anos, emociona em disco ao vivo

É sempre um pouco chato falar de um disco que não foi lançado no Brasil (encontra-se apenas a versão importada, com preço salgado), mas não resisto, neste caso.

Trata-se de “Live in London”, álbum duplo, com a íntegra de um concerto que Leonard Cohen apresentou na O2 Arena, no dia 17 de julho do ano passado. O show integrou uma longa turnê pela Europa, a primeira em 15 anos. Para os fãs, que acompanham a carreira dessa figuraça, é um disco emocionante.

São duas horas e meia de música, nas quais o poeta canadense, generoso, desfia 26 canções de seu repertório – incluindo, obviamente, “I´m Your Man”, “So Long Marianne”, “Suzanne”, “Hallelujah”, “Bird on the Wire”, “Anthem” e “Dance Me To The End of Love”, entre muitas outras.

Entendo perfeitamente o leitor que conhece pouco ou, mesmo, nunca ouviu falar do músico. Leonard Cohen é um desses artistas cuja importância não se mede em números de vendagem, mas pela influência que exerce em seu meio.

Uma pequena amostra da sua influência pode ser vista no documentário “Leonard Cohen: I´m Your Man”, exibido na Mostra de Cinema de São Paulo em 2007, no qual músicos como Bono Vox e The Edge (U2), Nick Cave, Beth Orton e Rufus Wainwright interpretam canções e reverenciam o mestre.

Com sua voz forte, mas arranhada, de cantor de boate esfumaçada, Leonard Cohen se diz um judeu budista. Na década de 90, morou alguns anos num mosteiro. Está com 75 anos, plenamente na ativa. “Live in London”, aliás, emociona também por esse aspecto: não é todo dia que se vê e ouve um tiozinho nesta idade, mandando ver, em cima de um palco!

Há coisa de cinco anos, Cohen tornou público que foi enganado por seu empresário e contador, tendo perdido alguns milhões de dólares. Não sei se devemos a esta infeliz circunstância o fato de manter-se na ativa, encarando os palcos como um garoto. Quem o viu de perto, ano passado, não conseguiu deixar de se emocionar, como relatou Marcelo Costa em seu blog e é possível testemunhar no vídeo caseiro que registra um dos momentos mais intensos do show.

Quem sabe a Sony BMG não se sensibiliza e manda uma versão brasileira de “Live in London” para as lojas?!

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , ,
24/04/2009 - 16:31

Da arte de desrespeitar os torcedores

A vaca já foi pro brejo, eu sei. Vou chorar sobre o leite derramado. Chover no molhado. É que estou, realmente, engasgado com essa impressionante demonstração de descaso dos cartolas paulistas com o público.

Primeiro, ainda não engoli a decisão de marcar os jogos da final para Vila Belmiro e Pacaembu, estádios com a capacidade, hoje, para 18 mil e 34 mil espectadores, respectivamente. Em segundo lugar, ainda estou impressionado com a majoração no preço dos ingressos para a final.

Leio no blog do Juca Kfouri que a média de público no Campeonato Paulista, antes dos jogos decisivos, foi de 5.722 – um número que dá a dimensão do desinteresse geral pela competição. Pior, em 2008, a média foi de 6.791 pagantes por jogo. Ou seja, o desinteresse aumentou.

Chega, então, a hora dos jogos decisivos e os cartolas se perguntam: Como premiar esse público leal, que acompanhou o campeonato desde o início? Como atrair novos espectadores para as finais? Como estimular a convivência pacífica entre torcedores rivais?

Imagino, então, os presidentes do Santos, do Corinthians e da Federação Paulista esfregando as mãos e dizendo, em coro: “A solução é fácil!!!”

Em primeiro lugar, vamos escolher os estádios mais acanhados do Estado. Depois, vamos elevar o preço dos ingressos em 50%, no mínimo. E, por fim, vamos assegurar que só uma minoria consiga ver os dois jogos finais.

Para que um corintiano, que assistiu a todos os jogos do seu time, precisa ir até a Vila Belmiro ver a final? Já assistiu a tantos jogos, não precisa ver este. Por isso – decidiram os dirigentes –, vamos vender apenas 1.259 ingressos para a Fiel. Está de bom tamanho!
 
O mesmo vale para os santistas, né? Para que se deslocar até o Pacaembu? Fique em casa, veja pela televisão. Quem fizer questão de ver a final, vai ter que se espremer naquele cantinho, vai sofrer ameaças da torcida adversária, vai ter que esperar uma hora depois do fim do jogo para sair, vai, enfim, passar por um suplício. Fique em casa, santista, decidiram os dirigentes. É melhor.

Crédito da foto: Gazeta Press

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , , ,
23/04/2009 - 23:02

Morre o fotógrafo Otto Stupakoff

Descendente de russos e sicilianos, Otto Stupakoff (1935-2009) construiu sua carreira entre o Brasil, os Estados e a Europa, com um pé na publicidade e outro no jornalismo. Tive a oportunidade de entrevistá-lo em junho de 2005, quando regressou ao Brasil, em busca de trabalho. “Pela primeira vez na vida, estou pobre”, ele me disse.

Para quem não o conhecia, o seu portfólio falava por si: um retrato fortíssimo de Truman Capote, uma foto campestre de Richard Nixon com a filha nos jardins da Casa Branca, um registro debochado de Jack Nicholson em Nova York e inúmeras imagens da ex-mulher, uma Miss Universo sueca.

Primeiro fotógrafo de moda no Brasil (“Já disse isso algumas vezes e nunca fui questionado”), Otto foi requisitado, nesta sua volta, para vários trabalhos neste ambiente. Conseguia, ao apontar a câmera para este mundinho, conciliar o olhar irônico com a reverência necessária para cumprir as tarefas pedidas.

Sua principal referência era Richard Avedon (1922-2004), que trabalhou até os últimos dias de vida. “Mas ele era um gênio, eu não sou”, disse na entrevista, publicada na revista “CartaCapital”. Otto (na foto ao lado) morreu nesta quinta-feira, 24, em seu apartamento, em São Paulo.

Ao regressar ao país, em 2005, Otto foi acolhido, inicialmente, por dois fotógrafos declaradamente fãs do seu trabalho, Bob Wolfenson e Fernando Laszlo, que escreveram:

Nos dias de hoje, quando a pressa rege quase tudo e a superexposição é a norma, Otto tornou-se mais raro, talvez porque não haja mais espaço para a delicadeza, a graça e o imenso humanismo de seu olhar. Suas imagens resistiram à erosão dos vários modismos que se seguiram à sua produção, são diamantes, e orgulho de nosso garimpo sobre uma vida e uma carreira que não conheceram meios-tons.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , ,
23/04/2009 - 14:17

Troféu Sinceridade – V

“Se não fez esse, desiste.”

Exclamação do ótimo narrador do SporTV (não registrei o nome; se alguém souber, me avise, por favor) ao ver Kleber Pereira perder a enésima chance na derrota do Santos para o CSA, pela Copa do Brasil.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , ,
23/04/2009 - 11:12

O barbeiro vai ao museu: uma discussão necessária

Vik Muniz encontra-se numa situação privilegiada para discutir abertamente um tema que causa certo constrangimento em alguns meios: o lugar da arte no mercado. Artista respeitado pela crítica, Vik tornou-se, com a retrospectiva de sua obra no MAM, do Rio, o artista contemporâneo que mais público atraiu na história do museu carioca: 48 mil espectadores em dois meses. 

Às vésperas da abertura da exposição no Masp, em São Paulo, o artista falou ao Último Segundo do prazer de ser descoberto por um novo público. “Meu barbeiro, no Rio, o Robson, falou que foi na exposição com a filha e adorou. ‘Tava lindo, muito bonito’. Um motorista de táxi me recomendou a minha exposição. ‘Você é fotógrafo? Tem que ver essa exposição no MAM!’. A Regina Casé me disse que foi depois de tanto ouvir a cabeleireira dela recomendar. Dá para fazer isso. É só você ser um pouco mais aberto”, diz Vik.

É nesse sentido que deve ser entendida a provocação de Vik: “Para manter a relevância da arte contemporânea, é preciso fazer as pazes com o público.” O artista não está dizendo que a arte deve ser fácil ou vendável, mas recomendando aos seus colegas que sejam um pouco mais “carinhosos” com o público. É uma proposta polêmica, reconheço, mas seria enriquecedor se fosse enfrentada pelos contemporâneos de Vik.

PS: A foto acima, que ilustra este post, foi tirada pelo próprio Vik Muniz diante de um auto-retrato seu de uma série feita com brinquedos. Abaixo, o artista diante do quadro, em foto minha.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , ,
22/04/2009 - 14:49

Adriane Galisteu e a arte de ser notícia em uma semana

14.04.2009 – Adriane Galisteu e artistas viajam por conta da Câmara

14.04.2009 – Fabio Faria diz que Adriane Galisteu era como sua parente

17.04.2009 – Adriane Galisteu quer entrevistar o ex Fabio Faria na estréia de seu programa 

18.04.2009 – Adriane Galisteu agora quer “limpar” a política brasileira 

21.04.2009 – Adriane Galisteu derruba audiência da Band com estréia do seu programa 

22.04.2009 – Adriane Galisteu na capa da “Quem”: “Não tenho mais saco de namorar”

22.04.2009 – Adriane Galisteu na capa da “Contigo”: “Já estamos morando juntos” 

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Colunismo social Tags: , ,
21/04/2009 - 13:07

Noriega e Kupfer: polêmica no blog sobre os maiores técnicos do futebol brasileiro

Palco de alguns debates acalorados, este blog vem tentando, por meio das provocações lançadas aqui, discutir algumas idéias e fugir do lugar comum. Na semana que passou, este espaço encontrou uma finalidade ainda mais nobre – acolheu uma polêmica entre dois jornalistas qualificados, sobre um tema que rende muito bate-boca em mesa de bar, mas pouco debate sério: futebol.

Tudo começou com uma resenha que escrevi no iG Esporte sobre “Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro”, de Maurício Noriega. No livro, o comentarista do SporTV apresenta e defende a sua seleção, formada por Oswaldo Brandão, Bela Gutman, Vicente Feola, Lula, Zagallo, Minelli, Ênio Andrade, Telê Santana, Luxemburgo, Felipão e Muricy.

Noriega definiu o ano de 1958 como marco inicial do que ele chama de “futebol brasileiro moderno e maior de idade”. Também adotou como critério na escolha dos onze “o número de conquistas, o impacto no futebol de sua época, as inovações criadas”.

Como muitos outros leitores, o jornalista José Paulo Kupfer, chefe de redação do Departamento de Jornalismo da TV Gazeta e colega de blog aqui no iG, não gostou da lista de Noriega e postou um comentário crítico, mas também ácido, no meu blog. Segundo Kupfer, Noriega “dá a impressão que viu pouco futebol e leu muito menos sobre o assunto”.

Além de Elba de Pádua Lima, o Tim, muito citado pelos leitores como uma ausência notável no livro, Kupfer também lamentou a não inclusão de Zezé Moreira, Gentil Cardoso e Flavio Costa. Criticou, ainda, o critério temporal adotado: “Passar uma linha antes de 1958 é mais do que arbitrário. O futebol brasileiro não começou ali. Por óbvio, chegou ao cume ali. Como chegou lá?”, perguntou. Por esse motivo, Kupfer chegou a escrever que a lista de Noriega presta um “desserviço” aos jovens que possam se interessar pela história do futebol brasileiro.

Noriega entrou no blog para responder a estas críticas. Observou que, ao longo de sua carreira leu muito sobre futebol e também teve a oportunidade de aprender in loco, assistindo “treinos do Brandão, do Telê, do Luxemburgo no Bragantino, do Felipão no Grêmio, o Muricy treinando o Expressinho”, entre outras experiências acumuladas.

Noriega observou ainda que não pretendeu fazer um livro de história do futebol, mas “um livro de opinião baseado em pesquisa e, aí sim, em muita entrevista com gente que jogou com e ou foi comandada pelos 11 perfilados”

Naturalmente, o jornalista ofendeu-se com a crítica que o livro presta “um desserviço”: “Goste-se ou não do livro é um direito, agora chamar de desserviço é outra história.” E ironizou: “Desde que com respeito e argumento, aceito toda crítica. Pode achar a lista fraca, ruim, um lixo. Mas talvez seja aquele velho ranço, ele de novo. Essa molecada pensa que é quem? No meu tempo é que era bom, que o futebol era bem jogado, hoje é tudo um lixo, uma porcaria. Bom era fulano, esses de hoje não jogam nada, os técnicos não sabem nada.”

Kupfer voltou ao blog, primeiro, para se desculpar com Noriega pelas duas críticas mais pesadas que fez ao autor de “Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro”. Elegante, observou: “O Mauricio Noriega tem razão de ficar magoado com o meu comentário. (…) Assim, por seu intermédio, peço desculpas. E espero que ele entenda que o pedido é público e sincero.”

Depois de limpar a área, e fazer alguns esclarecimentos sobre a maneira como enxerga o jornalismo esportivo, Kupfer, porém, voltou ao debate sobre o livro. “A lista do Noriega é muito paulista e muito focada em técnicos em atuação no momento”, escreveu. “Pensando bem, talvez o que esteja pegando não seja a lista, mas o título dela. ‘Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro’ é uma coisa. ‘Os 11 maiores técnicos que passaram pelo futebol paulista nos últimos anos, com algumas exceções de outros tempos’ é outra”, ironizou.

Num outro comentário, Kupfer aproveita para relembrar os seus tempos de jornalista esportivo, na equipe comandada por João Máximo no “Correio da Manhã”, no final da década de 60, ao lado de outros jovens talentos, como José Trajano, Fernando Calazans e Marcio Guedes. Também se recorda de seus tempos em “O Globo”, onde conviveu com Nelson Rodrigues, “que ocupava uma mesa vizinha à minha, e de quem bebia as histórias e as frases maravilhosas, com o bônus de celebrar as vitórias e chorar as derrotas do nosso Fluminense.”

Noriega voltou, então, ao blog para um último comentário. Também pediu desculpas a Kupfer pelos exageros que cometeu em sua resposta e para o fato de ter chamado o seu oponente de “economista”. Sem entrar no mérito das críticas de Kupfer, Noriega apenas falou do seu respeito pelos jornalistas da geração passada. “Como sou filho de um grande jornalista da geração do Orlando Duarte, Luiz Noriega, que com o Orlando comandou uma equipe fantástica na TV Cultura, jamais desrespeitaria alguém do passado, porque eles pavimentaram o caminho que hoje eu trilho, e o fizeram de maneira brilhante”.

Quem quiser ler a polêmica na íntegra, basta acessar o post onde o debate foi travado e ir à área de comentários .

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , ,
20/04/2009 - 11:05

Melhor fechar o estádio a visitantes do que vender apenas 5% de ingressos

No esforço de reduzir o potencial de conflitos entre torcidas adversárias, depois da confusão ocorrida no primeiro São Paulo e Corinthians do ano, em fevereiro, o Ministério Público defendeu que apenas 5% das cotas de ingressos fossem vendidas aos torcedores de times visitantes.

Adotada pelos quatro principais clubes de São Paulo ao longo do Paulistão, a cota dos 5% de ingressos teve como efeito real o fim das cenas de agressão e vandalismo vistas no Morumbi, em fevereiro. O que deve ser aplaudido por todos.

Mas, depois de assistir a semifinal entre São Paulo e Corinthians no meio da Fiel, este domingo, no Morumbi, saí convencido que a solução dos 5% é muito ruim.

Acho que não deveria haver “mando” de campo em jogos entre São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos. Não importa o estádio onde a partida é disputada, os ingressos deveriam ser oferecidos na proporção 50-50.

Talvez eu esteja fazendo uma proposta utópica, impossível de se realizar, por conta das dificuldades de entendimento entre os cartolas. Como se sabe, o Morumbi não é um estádio público, mas do São Paulo; idem o Parque Antarctica, que pertence ao Palmeiras, e a Vila Belmiro, do Santos.

Mas a solução dos 5% é muito ruim. Transforma uma torcida em minoria, alvo visível e visado de uma maioria, à mercê da disposição da Policia Militar em protegê-la. O esforço para isso é monumental, como pude testemunhar domingo, no Morumbi.

É uma situação de tensão grande, que veta a ida ao estádio a jovens, mulheres ou famílias. Praticamente, só havia torcedores que integram grupos organizados entre os 5 mil corintianos que compareceram domingo ao Morumbi.

Encerrado o jogo, tivemos que aguardar 50 minutos, espremidos, com pouca luz, até que a Polícia Militar considerasse que havia condições de segurança para deixarmos o estádio. O clima de nervosismo no Morumbi e nas ruas, fora do estádio, era enorme. Cavalaria, Tropa de Choque, centenas de policiais envolvidos na tarefa de proteger esta minoria corintiana…

Por tudo isso, cheguei à conclusão que, na impossibilidade de vender ingressos na proporção 50-50, acho melhor fechar o estádio às torcidas visitantes em dia de clássico. Evitaria uma série de problemas e economizaria recursos do Estado, gastos na proteção de uma minoria.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Esporte Tags: , , , ,
19/04/2009 - 12:18

Qual foi o papel da torcida na agressão de Diego Souza?

Lendo os jornais e os sites esportivos, vejo que há alguns ruídos a propósito da confusão provocada por Diego Souza, no final do jogo entre Palmeiras e Santos. Como narrei no iG Esporte, os acontecimentos tiveram uma sequência muito clara – o que pode ser confirmado por quem prestar atenção no áudio da televisão. A saber:

1. Diego e Domingos são expulsos.
2. Domingos finge que levou um soco de Diego e cai no chão.
3. Enquanto rola o empurra-empurra entre quase todos os jogadores, a torcida começa a gritar o nome de Diego.
4. A torcida vai ao delírio. Aos gritos de “Diego!”, “Diego!”, “Diego!”, o jogador palmeirense começa a se dirigir para o túnel, que o levará ao vestiário.
5. Os gritos da torcida ainda são ouvidos quando, de repente, Diego afasta de si o jogador que o conduzia (não me lembro quem é), pula a placa de publicidade que faz uma espécie de corredor em direção ao túnel,  e retorna ao campo.
6. Diego, então, dá uma rasteira em Domingos e a torcida vai ao delírio.
7. O jogador, finalmente, deixa o campo.

Faço questão de levantar esse assunto pois fiquei com a impressão que Diego, claramente alterado pela expulsão, cometeu o gesto de desatino de voltar ao gramado para agredir Domingos incitado, de alguma forma, pela torcida palmeirense. Posso estar enganado, mas acho que o jogador, de forma impensada, se deixou levar pela massa, que infeliz com o pífio desempenho do time, só teve um alegria no jogo – justamente a raça e a vontade que Diego demonstrou enquanto esteve em campo.

Discordo, por isso, do meu colega e xará Mauricio Teixeira, para quem Diego teve razão de se revoltar com Domingos, que – mau ator – encenou, de fato, a primeira briga com o palmeirense.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Esporte Tags: , , , ,
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