Radiohead: lama, caos, fila e desorganização
Não vou escrever aqui sobre o ótimo show do Radiohead em São Paulo – o que o meu colega Carlos Augusto Gomes já fez, com a precisão de sempre. Vou escrever sobre os inúmeros problemas de infra-estrutura e organização que vi – deficiências graves, a meu ver, para um espetáculo deste porte, com ingressos a R$ 200.
Sempre haverá quem diga que show de rock bom é assim mesmo – desorganizado, com lama e caos. Não concordo. Acho que não é necessário sofrer para se divertir num bom show – ainda mais com os preços cobrados no Brasil.
Em primeiro lugar, o local do evento. A Chácara do Jockey fica na zona sul de São Paulo, numa área não servida por metrô e cujo acesso se dá por uma única avenida – em obras. Não há estacionamentos decentes no local – os carros iam parando pelo caminho, sob assédio de flanelinhas, tumultuando o acesso (dezenas foram multados depois que o show começou).
Peguei um táxi, na região central da cidade, às 18h30 e cheguei ao local do show, 12 quilômetros depois, às 19h40. Havia placas, pelo caminho, indicando a Chácara do Jockey, mas não vi nenhuma sinalização decente para a entrada no espaço do show.
Na entrada, nenhum controle de carteirinhas de estudantes. Quem adquiriu os ingressos pela internet não precisou comprovar os dados que forneceu. Quem pagou inteira, sentiu-se lesado. Apesar de proibido para menores de 16 anos, vi algumas crianças no local.
A Chácara do Jockey é um enorme descampado, de terra e grama. Vários trechos estavam encharcados por causa das chuvas dos últimos dias. No escuro, não poucos espectadores enfiaram o pé na lama. Dependendo da direção do vento, um cheirinho de coco de cavalo ocupava o ambiente.
Para comprar uma cerveja era preciso permanecer 20 minutos numa fila longa. Para chegar no balcão do bar, imundo e encharcado, era necessário superar um mar de lama. Na saída do show, outro caos – filas, congestionamento, confusão geral. Houve gente (leia nos comentários abaixo) que esperou uma hora e meia para conseguir sair com o carro do estacionamento “oficial” (tarifa: R$ 35).
Do ponto de vista da organização, é preciso reconhecer um ponto altamente elogiável: todos os shows começaram no horário previsto. A pontualidade amenizou a falta de estrutura. E todo mundo foi dormir feliz com a qualidade dos espetáculos: Los Hermanos, que não consegui ver, Kraftwerk e Radiohead.
Atualizado às 11h35 com informações fornecidas pelos leitores na área de comentários.




É o mercado, JP. Questão de oferta e querença. Rogers, por exemplo, enfrentou o diabo, mas saiu feliz de lá, mesmo sem lavar as mãos. Se o irrita esses 120, é porque você não é fan o bastante.
KKKKKKKKK, Alberto, nas 02 horas que passei dentro do carro parado no estacionamento ainda tirei onda dizendo que deveria ter ido de jegue.
O “festival” foi uma grande merda: Extorsão, falta de respeito e incompetência.
Eu não tive danos materiais, além do abuso do preço do ingresso, pois não adquiri uma merda lá dentro. Vi o show e só. O melhor da vida de fato, irretocável.
Mas gostaria mto de colocar na b* dos organizadores dessa merda.
Sou advogada, e acho que em mtos dos casos aqui descritos cabe indenização por danos materiais – principalmente quem estava no estacionamento “oficial” e precisou guinchar o carro atolada – e morais pelos motivos já mais que óbvios.
Ou mesmo a hipótese de comunicar o MP para que como fiscal da lei e da sociedade acione esses merdas picaretas donos dessa empresinha falida.
É isso, não quero deixar de ir a shows e me divertir, então o que nos cabe como cidadãos é brigar pelos nossos direitos.
Shows e eventos organizados já!
Maurício,
extremamente oportuno o seu post.
nessa época de ‘transição’ (crise x grandes espetáculos), acredito ser necessário tomar uma atitude viável para que isso não ams aconteça no futuro.
o que, nós, CONSUMIDORES, podemos fazer?
qual a sua sugestão?
procom, ouvidoria pública, outros orgãos responsáveis pela fiscalização?
tenho carteira de estudantes, mas comprei um ingresso ‘inteira’; estava com fome, e paguei um absurdo por um lanche mal feito (sofro as consequências disso mais de 24 horas depois)…
gostaria de fazer algo para que no futuro, organizadores nos tratem como consumidores que somos.
grande abraço,
alexandre pera
acho engraçado meter o pau na organização. Nao sei se perceberam, mas não havia quase nenhum patrocinador do evento. Ou seja, a grana era, ao que parece, das empresas organizadoras. Além disso, pra trazer radiohead para o brasil e ainda cobrar 200 reais algumas coisas teriam que ser sacrificadas mesmo. Infra estrutura na cidade de sao paulo existe, mas sabem quanto custa isso? quanto mais caro uma infra estrutura boa, mais caro os ingressos. Por que o planeta terra foi barato? o lugar tá pra ser demolido, se já nao foi. O maior problema de trazer radiohead nesses 16 anos de espera sempre foi o custo de um show com AQUELA ESTRUTURA EXTRAORDINÁRIA, em tempos de alta de dolar e instabilidade política e economica. Além disso, radiohead infelizmente ainda nao é banda extremamente conhecida no país, ao contrário do méxico que teve 65 mil pessoas em um show, nós nao conseguimos isso em dois. A chácara do Joquei é um lugar bom pra shows sim, principalmente festivais. E acho injusto falar que é porque é Brasil (com s, por favor) porque nos estados unidos vários festivais sao feitos em lugares muito mais inóspitos e com difícil acesso e nem por isso o publico deixa de ir.
além disso, quem quer conforto que pague para ver liza minelli.
não entrem na onda de “pseudo formadores de opinião”. quem estava lá deve estar com a mesma sensação que eu de satisfação por ter visto o show de uma das melhores bandas de todos os tempos.
Finalmente algum site que esta falando a verdade sobre o evento!! Bom, nada ofusca a chance de ver o Radiohead ao vivo mas,,,A organização foi algo q nunca vi igual na vida , perdi o show do Los Hermanos tendo uma ulcera no carro num transito sem noção para entrar no estacionamento, e quando consegui entrar tive que subir um morro interminavel de terra e ao sair do carro nenhuma placa ou funcionario para ajudar as pessoas que tinha que descer por verdadeiras trilhas no meio do mato depois de pagar por 35 reais , depois disso na entrada tumultoada ainda tives q aturar seguranças chingando e cassoando das pessoas q entravam, sem contar o volume do som q ara mim estava muito baixo, valeu a pena apenas pra dizer que vi o Radiohead , mas não posso dizer q foi um dia tão agradavel. A detalhe fiquei por tres horas dentro do carro tentando sair do estacionamento.
Concordo com várias pessoas que escreveram… Principalmente a Jeanne e a Cibele…
Foi um verdadeiro milagre não ter acontecido nenhum acidente na saída. A organização foi totalmente negligente! Até perguntei para um segurança que estava “barrando” a saída de emergência porque ninguém podia sair por ali, e ele me falou que só podia passar gente com credencial. Credencial pra sair? Que porra é essa?
Acho que essa Isa está totalmente equivocada. Não é porque é país de “terceiro mundo” que a gente pode ser tratado como otário! Para um evento desse tamanho, a organização precisa ser perfeita! Afinal de contas, não importa se só tem “riquinho” ou pobre lá dentro, o que importa é que tem gente pra caralho, e isso significa que vidas podem estar em risco se algo der errado!
Acredito que devemos ser tratados como clientes, sobretudo, quando se paga um preço absurdo por nada! A estrutura montada por parte dos organizadores foi medíocre, realmente, sem contar o lugar do evento, que diga-se de passagem é péssimo! Os organizadores, não se deram conta de que show em São Paulo em pleno domingo não dar certo: os ônibus para quem depende e não é pouca gente, não circulam depois das 00:00 hr. e os poucos que passavam não dava conta do contigente. Ainda mais que o número dos ônibus no domingo são reduzidos. Ficamos até às 03:30 hr. na rua esperando, quando veio passar um Pinheiros que entupido de gente, conseguimos entrar à muito custo. Antes disso, ainda tivemos o desconforto, tanto da entrada, que você tinha que descer uma rua, virar numa outra, andar um pouco mais… para depois entrar ao espetáculo! E na saída descer como se o show tivesse sido de graça… das saídas de emergência, nenhuma fora aberta e quem tentava, como lebrou o Mauricio, era barrado por um bando de gente mau humorado… Temo sim, que sermos tratados como clientes e se não gostamos devemos ir ao Procon e reclamar e pedir explicações, afinal usando o jargão: “Tô pagando…!”
Mas o show foi sensacional, tomara que tenhamos o Radiohead novamente em São Paulo!
[...] ler mais sobre o festival? Clique aqui, aqui, aqui e [...]
Absurdo falar que a culpa é do povo que não boicota os shows de grande porte. Será possível que ninguém lembra que existe profissionalismo e ética no mundo? Pagamos sim um preço alto, deveríamos ter um serviço responsável… e NINGUÉM deveria precisar ainda protestar por isso… é culpa sim os organizadores, a falta de comprometimento com o trabalho é uma falta na conduta dos mesmos, caráter ou competência, vai saber…e ninguém deveria precisar avisá-los disso… ve se pode, os outros que não fazem seu trabalho direito e nós ainda que devemos nos privar de um momento cultural e de lazer? Triste…
Vergonhoso!
fiquei pensando se a organizacao do show tinha ideia da importancia de Kraftwerk e Radiohead para a cena musical mundial…
se eles soubessem e decidissem tratar seriamente o assunto, nao teriam armado aquela infra-estrutura de quermesse de paroquia.
como e quem ouvira nossas reclamacoes?
ou eles ja sairam de cena com o bolso cheio junto com seus segurancas ganhando R$ 50,00 a diaria!!
Na Apoteose, no RJ Foi show . Com 24.000 pessoas e sem perrengues desses.
Cerveja a 5,00 . Caro.
Estive na Chacara do Jockey em 2005 no Claro q é Rock .
Não tiveram essas confas, q eu lembre, mas acho q foi menos
gente q os 30.000 de domingo .
radiohead.
valeu!!!!!!!!!!!!
Se algum advogado for fazer ação coletiva contra a organização do evento e/ou do estacionamento, por favor, me contate porque eu quero processar essas merdas de lugares.
Pessoal da organização do evento, por favor, se espelhem no Planeta Terra. Se alguém consegue fazer direito, vocês também conseguem.
Informações úteis sobre os amadores que conseguiram transformar a melhor noite num inferno:
Ps: Como vcs podem ver eles também foram responsáveis pela zona que foi a venda de ingresso do show do U2 em 2006.
Sobre a Planmusic
Com forte experiência na realização de grandes eventos musicais, a Planmusic, do empresário Luiz Oscar Niemeyer, assinou grandes shows como os Rolling Stones na Praia de Copacabana, e o U2 em São Paulo, ambos em 2006. Além disso, foi também responsável pelos shows no Brasil de Moby e Coldplay e a união dos Paralamas do Sucesso e Titãs. Antes da Planmusic, Luiz Oscar Niemeyer já atuava no cenário musical e esteve à frente de grandes eventos como Hollywood Rock (88, 90, 92 e 93). Foi ele também o responsável pela vinda ao país de nomes como Paul McCartney, Nirvana, Bob Dylan, Eric Clapton e Paul Simon. http://www.planmusic.com.br
Sobre a Brasil 1 Entretenimento
União dos sócios Alan Adler, Sérgio Mello e Souza, Enio Ribeiro e José Roberto Pacheco, a Brasil 1 Entretenimento atua nos segmentos “live” da música, esporte e responsabilidade sócio-ambiental. Em 2007, a empresa foi responsável pelo show do grupo The Police, que lotou o Maracanã, no Rio de Janeiro, e teve grande repercussão internacional. Na área de esportes, a Brasil 1 Entretenimento desenvolveu um projeto inédito entre 2005/ 2006: a participação do Brasil na regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race, com o barco brasileiro Brasil 1, e a passagem da regata pelo país. Para 2009, já garantiu que o Brasil continue na rota dos barcos.
Com forte conhecimento da área de negócios no segmento de entretenimento, a Brasil 1 que coordenou a negociação de naming rights para a Arena do Pan – hoje HSBC Arena.
Assessoria de Imprensa Planmusic
Lana Palmer (21) 2540-5075 e (21) 8866-6317
lana@planmusic.com.br
Informações úteis sobre o engraçadinhos do evento:
Também responsáveis pelo caos da venda de ingressos do U2 em 2006.
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Com forte experiência na realização de grandes eventos musicais, a Planmusic, do empresário Luiz Oscar Niemeyer, assinou grandes shows como os Rolling Stones na Praia de Copacabana, e o U2 em São Paulo, ambos em 2006. http://www.planmusic.com.br
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Não só menores de 16 anos como tbm consumiram bebidas alcoolicas livremente!
Achei algumas coisas abusivas por parte da organização do evento, como por exemplo proibir a entrada com alimento, o q não poderia causar nenhum problema senão uma dor de barriga em quem fosse comer. A evacuação do público lá de dentro com saídas de emergência fechadas foi outro absurdo.
Agora uma questão pouco falada: será q só os organizadores são os grandes culpados?
Sou paulista, mas essa cidade está cada vez mais inóspita, um cenário caótico com pessoas violentas e pouco cidadãs. Que merda de metrópole q se auto-intitula assim e q não tem transporte público decente pra sua população? Sentiram na pele o q pessoas passam pra terem q sobreviver. Não acho q o lugar foi o grande problema. Digam outro tão melhor?
Acho q se deve questionar esses donos do poder q falam em cidade turística noturna e não fazem nada por ela. E mesmo q tivesse metrô próximo, sabe o q aconteceria? Vcs teriam q esperar na “grandíssissima” metrópole até 4h40 da manhã para voltarem as suas casas. Todo mundo quer ter o seu carrinho, não ter trânsito e ficar confortável como se estivesse em frente a uma tv de plasma. Qdo vi Pixies em Curitiba, com final do show já pelo meio da madrugada, havia ônibus disponível do local até o centro da cidade. No Rio, após o show do Radiohead, o metrô funcionou depois do horário normal para poder atender o público. Pra mim, o problema é o individualismo. Só estacionamento de shopping pra dar vazão à saída de tanto carro. E msm assim ia demorar.
pro carlos lá em cima: o lugar “pra ser demolido” do Planeta Terra era infinitamente melhor que a porcaria da chácara do jockey. Tinha uma praça de alimentação ótima, cerveja a R$4, refri/agua R$3, banheiros muito limpos.
O aperto na saída, as voltas na quadra, a extorsão dos táxis e as quase 3 horas de espera pra voltar pra casa fizeram MUITA diferença. Se tu acha normal fazer o “sacrifício” de assistir um show no meio do nada sem nenhuma organização, problema é teu, imbecil. Eu não cago dinheiro.