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23/03/2009 - 09:50

Radiohead: lama, caos, fila e desorganização

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Não vou escrever aqui sobre o ótimo show do Radiohead em São Paulo – o que o meu colega Carlos Augusto Gomes já fez, com a precisão de sempre. Vou escrever sobre os inúmeros problemas de infra-estrutura e organização que vi – deficiências graves, a meu ver, para um espetáculo deste porte, com ingressos a R$ 200.

Sempre haverá quem diga que show de rock bom é assim mesmo – desorganizado, com lama e caos. Não concordo. Acho que não é necessário sofrer para se divertir num bom show – ainda mais com os preços cobrados no Brasil.

Em primeiro lugar, o local do evento. A Chácara do Jockey fica na zona sul de São Paulo, numa área não servida por metrô e cujo acesso se dá por uma única avenida – em obras. Não há estacionamentos decentes no local – os carros iam parando pelo caminho, sob assédio de flanelinhas, tumultuando o acesso (dezenas foram multados depois que o show começou).

Peguei um táxi, na região central da cidade, às 18h30 e cheguei ao local do show, 12 quilômetros depois, às 19h40. Havia placas, pelo caminho, indicando a Chácara do Jockey, mas não vi nenhuma sinalização decente para a entrada no espaço do show.

Na entrada, nenhum controle de carteirinhas de estudantes. Quem adquiriu os ingressos pela internet não precisou comprovar os dados que forneceu. Quem pagou inteira, sentiu-se lesado. Apesar de proibido para menores de 16 anos, vi algumas crianças no local.

A Chácara do Jockey é um enorme descampado, de terra e grama. Vários trechos estavam encharcados por causa das chuvas dos últimos dias. No escuro, não poucos espectadores enfiaram o pé na lama. Dependendo da direção do vento, um cheirinho de coco de cavalo ocupava o ambiente.

Para comprar uma cerveja era preciso permanecer 20 minutos numa fila longa. Para chegar no balcão do bar, imundo e encharcado, era necessário superar um mar de lama. Na saída do show, outro caos – filas, congestionamento, confusão geral. Houve gente (leia nos comentários abaixo) que esperou uma hora e meia para conseguir sair com o carro do estacionamento “oficial” (tarifa: R$ 35).

Do ponto de vista da organização, é preciso reconhecer um ponto altamente elogiável: todos os shows começaram no horário previsto. A pontualidade amenizou a falta de estrutura. E todo mundo foi dormir feliz com a qualidade dos espetáculos: Los Hermanos, que não consegui ver, Kraftwerk e Radiohead.

Atualizado às 11h35 com informações fornecidas pelos leitores na área de comentários.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura Tags: , , , , ,

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142 comentários para “Radiohead: lama, caos, fila e desorganização”

  1. André Tozati disse:

    Maurício, além de tudo isso que você comentou, e eu assino embaixo, após o show, paguei R$ 8,00 por um hamburguer, e tive que comer um cachorro quente vagabundo, pois o hamburguer tinha acabado. E pra fechar com chave de ouro, na saída, fiquei nada mais, nada menos do que 2 horas para conseguir um táxi para ir embora.
    Ainda bem que o show do Radiohead compensou esses problemas…

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