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17/03/2009 - 11:37

Os ídolos do futebol na sala de aula – na França e no Brasil

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Com alguns dias de atraso, ai vai um comentário sobre “Entre os Muros da Escola”, o impressionante filme de Laurent Cantet, em cartaz no Brasil desde a última sexta-feira. Palma de Ouro em Cannes, em 2008, o filme retrata um semestre dentro de uma sala de aula de uma turma formada por jovens entre 13 e 15 anos em uma escola pública, em Paris.

“Entre os Muros da Escola” é baseado num romance do escritor François Bégaudeau, que é também corroteirista e ator principal do filme. Ele interpreta o papel do professor de francês, colocado na linha de frente, numa batalha com os alunos – grande parte formada por filhos de imigrantes árabes e africanos.

Embora Bégaudeau assegure que livro e filme tenham a intenção, apenas, de discutir “os mal entendidos entre um adulto e um adolescente em um ambiente escolar” (veja entrevista concedida à “Folha”), há claramente outras questões em jogo.

Um dos temas mais visíveis é o da adaptação dos imigrantes à cultura francesa. E aqui entra um aspecto muito interessante de “Entre os Muros da Escola”: o papel dos jogadores de futebol na formação da identidade dos jovens filhos de africanos. O filme deixa claro, pela repetição com que são citados, que esses craques são uma referência fundamental no imaginário dos jovens.

Numa das cenas de maior impacto, os filhos de imigrantes discutem sobre os seus ídolos. O primeiro, filho de um antilhano, fala de Thierry Henry, cujo pai nasceu em Guadalupe e a mãe, na Martinica – duas ilhas nas Antilhas, colonizadas pela França. Outro fala de Zinedine Zidane, cujos pais nasceram na Argélia. Tanto o árabe Zidane quanto o negro Henri são franceses e responsáveis, em boa parte, pelo sucesso do futebol da França no cenário mundial nos últimos anos.

Até que um terceiro estudante fala de Didier Drogba. Apesar de sua família ter imigrado da Costa do Marfim para a França, onde iniciou a sua carreira, Drogba sempre defendeu a seleção de seu país de origem – da mesma forma, aliás, que outros africanos, como George Weah e Samuel Eto´o, para citar apenas mais dois. A discussão no filme não se prolonga. Mas o menino que evoca Drogba parece sugerir que, na sua visão, o fato de o jogador atuar por uma seleção africana dá um valor especial ao seu ídolo na comparação com os craques, filhos de imigrantes, que atuam pela França.    

Em todo o caso, “Entre os Muros da Escola” faz pensar sobre o papel que todos esses jogadores representam para uma geração de jovens de origem humilde. Descontadas as diferenças, sobretudo a questão da imigração, é um quadro que tem muito a ver com o Brasil. Mesmo que não queiram, jogadores como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros são vistos como heróis pelas crianças e, de alguma forma, como modelos a serem seguidos. É uma grande responsabilidade.

Autor: Mauricio Stycer - Categoria(s): Cultura, Esporte Tags: , , , , , , ,

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7 comentários para “Os ídolos do futebol na sala de aula – na França e no Brasil”

  1. valter disse:

    o ronaldo q faz propaganda(sem precisar) de cerveja ,tem q ler
    essa noticia ,pois realmente ele tem GRANDE responsabilidade,
    mas sera q sabe???
    valter

  2. Frasano disse:

    Ronaldo num tá n em um pouquinho em ser exemplo pra alguma criança, nem mesmo para as dele….

  3. Matheus Schwab disse:

    Aí Mauricio, vc escreveu Henri…mas o certo é HENRY abraços

    Resposta do Mauricio:
    Corrigido. Obrigado, Matheus

  4. Roberto Fonseca disse:

    Do meu ponto-de-vista, todos os jogadores, sejam os nacionais ou os internacionais, deveriam ter um bom nível de estudos seculares, acompanhados de uma boa cultura, a fim de representarem suas nações com orgulho e patriotismo. Sem isso, fica vergonhoso ouvirmos os seus comentários à respeito disso ou daquilo, no que se refere as suas profissões. Estou certo ou errado??????

    RF

  5. Vandinho disse:

    Acho que todo o esportista tem grande responsabilidade, na cultura de nossas crianças, mais a maior responsabilidade cabe aos nossos governantes, pois são totalmente ausentes de responsabilidades apenas cuidando dos seus, colocando a culpa em nossos atletas aonde a grande maioria veio de familia simples, pais culto é pais desenvolvido . mais estudo cultura e educação

  6. gilberto disse:

    Quem gosta de criar ídolos esportivos para o país é a rede globo,(nada a favor das outras redes),mas vale citar desde que eles perderam seu garoto proganda o senna,fizeram inúmeras tentativas no intento de conseguir outro .Tentaram com o barriquello,mamonas assassinas(que eram mesmo bons)edmundo,marcelinho carioca,romario,denilson,ronaldo,ronaldinho gaucho etc…Pelo menos no que toca à jogadores de futebol do brasil apesar do sucesso conseguidos por eles,eles quase sempre não são exemplo de quase nada.Quando o são,são exemplos de coisas que não prestam.odeio esse oba-oba em torno de (vejam episódio ronaldo/timão) esportistas e de setores da mídia que teimam em transformar-los em heróis.

  7. Adilson disse:

    Temos que seguir o exemplo dos esportistas no que diz respeito a sua determinação em ser vitorioso e ser um atleta de sucesso. Não acho que devemos seguir seus exemplos fora de suas atividades e nem seus comentários sobre assuntos que 99 % não lhes diz respeito e que não estão preparados para responder certas perguntas. É nós como pais, irmãos e familiares que devemos peneirar tais comentarios ou exemplos de certos esportistas e passar aos nossos filhos o que é certo ou errado.

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